Histórias
1 Johann
Notas iniciais
Acordei, sabendo que eu estava enfim acordado e odiando o fato de que eu o saia, e principalmente, sabia o que eu significava.
Olhei para o relógio com os olhos vidrados. Eram 22:00 em ponto, o que eu achei estranho. Sim; eu sabia que acordaria pela noite em algum momento. Afinal, passara o dia todo dormindo; já que eu estava febril. Acordei me sentindo mal. Liguei para o escritório, um pouco tonto. Falei com a secretária, pedindo a ela que avisasse a Lydia que eu não iria. Não deveria haver problema mesmo nós tendo tantos clientes; ela haveria de entender, e saber que eu faria o mesmo por ela.
Tomei uma e outra aspirina, e então voltei a dormir. A febre, misteriosamente, já desapareceu por completo. Eu sabia que se eu acordara, não havia mais como voltar a dormir. Então eu simplesmente levantei de um salto e tomei um banho de água gelada.
A água ajudava a despertar meus sentimentos. E por quê não?
Depois de me trocar, rodei o apartamento, irrequieto. Eu realmente não prestava para nada que não fosse trabalhar. Não sabia o que fazer. Li durante algum tempo na biblioteca particular que eu tenho, mas dessa vez não durou muito tempo. Algo me instigava a sair dali. Era estranho, mas eu sabia muito bem que não adiantava gastar tempo tentando compreender esses estranhos fenômenos. Então passei algum tempo olhando os quadros pendurados na sala.
Após algum tempo, me senti um tremendo idiota. Tenho certeza que eu mesmo faria um trabalho melhor, se tentasse, e eu os comprara por um preço tão elevado. Ah bem. Necessidade.
Também tentei ouvir música, bela e boa música, mas ela não me atingia. Um pouco frustrado, desliguei o sistema de som. Ora que maçada. Essa inquietação nunca foi das minhas características. Eu só não sabia o que fazer. Tento mexer no meu celular, redes sociais quem sabe?, mas não aguento por muito tempo. Aliás, já cansei disso há muito tempo.
Penso duas ou três vezes.
A passos lentos, me decido E a passos lentos, abro a janela. Não é o suficiente. Abro a porta da varanda, sentindo o vento e os sons da noite. As pessoas ainda caminham, os carros ainda transitam. Observo, observo. Olho para o céu.
É um céu sem estrelas.
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