Muitas outras historias começam com era uma vez mas eu vou contar-vos a história da grande Guerra Mágica entre a Máfia de πchago e o Governo Mágico que controlava a Terra a partir da Lua.

A Guerra passa-se num mundo pós-apocalíptico. A Terra tinha sido parcialmente destruída pelos humanos portadores do vírus manálico, normalmente chamados Magos, que tinham batalhado durante cem anos contra os humanos não-infetados. Vitoriosos, os magos foram viver para a Lua, local onde formaram o Governo Mágico, uma organização mágica extremamente poderosa criada com o objetivo de controlar a Terra e os seus habitantes para a eternidade. Por seu lado, os humanos que tinham sobrevivido à luta ficaram a viver na Terra em péssimas condições. Estes tiveram, assim, de construir uma nova sociedade e reconstruir as cidades a partir das ruínas. Passados cerca de cinquenta anos, este objetivo tinha sido cumprido devido à avançada tecnologia que existia no mundo. A civilização tinha voltado ao normal e a maioria dos humanos fizera-se indiferente à existência do Governo Mágico. No entanto, uma minoria revoltosa decidiu aprender magia e criar a Máfia de πchago, uma organização mundial sedeada em πchago (atual Chicago), que tinha como objetivo derrubar o Governo Mágico.

Foi por volta da altura da Guerra que viveu um rapaz chamado Ash Flash, que mais tarde se veio a tornar num dos heróis deste mundo.

Ash nasceu no ano 666 a. A. (após Apocalipse), filho de Jack Krasinski Flash, um dos Magos terráqueos mais fortes de sempre, e de Mavis Marvell, uma Fada, uma espécie de humanoide que é Maga sem transportar o vírus manálico. No entanto, quando ele tinha 1 ano, os seus pais desapareceram numa batalha contra o Governo Mágico. Assim, ele teve de ir viver com a tia, a Marylin Marvell, que vivia na sede da Máfia de πchago. Ela era ministra do Combate, o que significava que ela tinha um dos postos mais altos na hierarquia da organização e estava sempre a trabalhar. Para cuidar de Ash, ela teve de desistir do cargo. Ficou só com o título de Maga de Elite para continuar a viver na sede. Ash cresceu com a tia, estando sempre muito exposto a magia. Aos 6 anos de idade começou a aprender línguas e ciências na Escola Primária de πchago. Ele gostava muito de matemática, mas sabendo que esta disciplina não tinha nada a ver com magia, nunca falou sobre isso com a tia, que lhe ensinava magia. Aos 10 anos, tornou-se oficialmente aprendiz da tia e deixou a escola.

Um dia, Ash ia a voltar para casa quando tropeçou e caiu de uma pequena colina e, entre as silvas, encontrou uma pequena fábrica de enlatados abandonada. Entrou na fábrica e encontrou uma pessoa: o matemático mais famoso de todo o πchago, Tony Pone. Ash já ouvira falar dele quando estudava matemática e conhecia os seus estudos sobre cripto-matemática. Quando o Ash Flash se aproximou, o Tony perguntou:

- Quem está ai?

- O meu nome é Ash Flash. E tu, quem és?

- Espera aí, Ash Flash? O filho de Jack Flash e de Mavis Marvell?

- Como é que você conhecia os meus pais?

- Eles lutaram comigo numa batalha contra o Governo Mágico. Sinto muito pela tua perda, eles eram muito meus amigos.

- Agora já me lembro de você. Não é o famoso matemático Tony Pone?

- Já não me tratam assim há alguns anos.

- Eu gosto muito de matemática. Poderia ser meu professor?

- Para tu seres meu aluno, terás de me trazer comida e água e podemos encontrar-nos aqui todas as tardes às 18:30.

- Ok, está combinado. Vou trazer-lhe as melhores especialidades da cozinha italiana. Amanhã trago-lhe risotto. Espero que goste de cogumelos. Até amanhã.

Passada uma semana, Ash Flash já sabia fazer todo o tipo de cálculos e, passada outra semana, já sabia piratear televisões e computadores e dominava todo o tipo de programação. Assim, com o tempo, Ash tinha-se tornado um mestre em magia (a arte da Lua) e em matemática e computação (as artes da Terra).

À medida que os anos passavam, Ash ia subindo na hierarquia da Máfia de πchago. Isso permitiu-lhe engendrar um plano para acabar com o Governo Mágico, que oprimia os seres humanos que ficaram na Terra. O plano de Ash era convencer os humanos não infetados a ajudarem a Máfia de πchago. Para isso, montou uma gigantesca empresa de propaganda através da sabotagem de uma estação televisiva. No horário nobre, interrompeu a emissão, que, habitualmente, transmitia uma telenovela bem foleira, e leu um comunicado esclarecedor. O discurso estava muito bem fundamentado em análises estatísticas que mostravam a miséria em que vivia a população. Após o comunicado, milhares de voluntários juntaram-se à luta contra o Governo Mágico.

A primeira das grandes batalhas desenrolou-se no deserto do Saara. Os exércitos encontravam-se frente a frente. Os magos do Governo Mágico executavam magia de forma bela e tinham um exército muito bem organizado, com sete generais poderosíssimos no comando. Pelo contrário, mesmo contando com milhares de soldados, o exército da Máfia de πchago era inexperiente e calculou mal a área de combate, colocando-se em desvantagem perante o exército do Governo Mágico. Além disso, a Máfia tinha menos magos, sendo assim um exército menos perigoso em terreno aberto, como o deserto do Saara. Para cúmulo, no deserto, durante o dia, estava um calor abrasador, superior a 40 graus Celsius. Os soldados da Máfia estavam a sofrer muito com o calor, enquanto os magos do Governo se sentiam frescos devido a uma barreira de ar criada por um dos generais.

- Não somos só menos fortes, mas também somos menos organizados. Temos de os surpreender! Magos de Elite! Fogo! – gritou Ash, que estava a ficar desesperado.

Ele e mais dez magos muito fortes criaram uma bola de fogo enorme. Ash sabia que as chamas iam aumentar por causa da barreira de ar, mas ele não sabia que os generais do Governo Mágico ainda tinham um truque na manga. De repente, começou a chover à volta do exército da Máfia. A bola de fogo desapareceu rapidamente e a pólvora ficou molhada. Nessa altura, o exército do Governo Mágico realizou um ataque relâmpago. A Máfia, desorganizada, não teve outra hipótese senão retirar-se em humilhação.

Depois dessa derrota humilhante, o que restou do exército reuniu-se de novo com o Ash Flash. Este, zangadíssimo com os seus homens, demonstrou-lhes a melhor forma de calcular áreas e perímetros em tempos de guerra. Depois de uma longa palestra, os soldados compreenderam que a fórmula para calcular o perímetro de um polígono é somar os seus lados. Aprenderam também a calcular a área. Na posse destes conhecimentos, puderam preparar-se melhor para as novas batalhas que se avizinhavam.

Com o regresso temporário do exército a casa, Ash teve algum tempo para pôr a conversa em dia com a tia Marylin Marvell.

- Tia, lamento informá-la da nossa derrota no deserto do Saara.

- O que é preciso é saber aprender com os nossos erros. Para a próxima vencemos a batalha. Mas não te esqueças, meu filho, o conhecimento é a base de todas as grandes vitórias.

- Eu sei, Tia, mas a vitória ainda parece estar muito longe.

- Nunca desistir é o meu lema, a vitória será nossa.

Alguns dias depois, Ash reuniu-se com os outros Oficiais de Elite para planear a próxima batalha. O local escolhido foi a floresta Amazónica, pois era um espaço fechado, perfeito para emboscadas.

Desta vez, graças a cálculos precisos, conseguiram emboscar os homens do Governo Mágico. Esta emboscada foi uma das muitas que se seguiram ao longo dos anos.

Devido a estes acontecimentos, decidiu-se organizar uma grande reunião que se destinava a reunir os líderes da Máfia de πchago para planear um ataque final ao Governo Mágico e devolver a liberdade aos povos da Terra.

Na festa, Ash Flash explicou que, segundo recentes investigações dele e do seu antigo professor de matemática, o poder manálico enfraquecia nos pólos da Terra. Por isso era importante atrair os exércitos fiéis ao Governo Mágico a um dos pólos. Para que isso acontecesse, Ash propôs uma “cimeira de paz” na Antártida. “Nesta cimeira iremos surpreendê-los com um ataque massivo de todas as nossas tropas”, propôs, entusiasmado. Acrescentou que seriam feitos cálculos para que nada corresse mal.

Enviaram então uma mensagem ao Governo Mágico, em que propunham um tratado de paz, e anunciavam que desistiam da luta contra o poder dos Magos da Lua e aceitavam a rendição, ou seja, continuariam a viver na Terra sem pôr em causa os poderes superiores.

No dia 5 de novembro de 686 a. A., realizou-se a cimeira. Esta teve início às dez horas da manhã e uma comissão de três pessoas independentes, escolhidas por votação na Internet, recebeu as duas comitivas. A Mafia de πchago, constituída por cinco pessoas e liderada por Ash Flash, chegou trinta minutos mais cedo. Duas pessoas foram verificar se os preparativos para a “surpresa” estavam em ordem enquanto os restantes foram para a sala de reuniões.

Quando a comitiva dos Magos da Lua chegou, foi levada para a sala de reuniões e começaram a discutir os termos da rendição. Passado algum tempo, alguém – Ash Flash – se levantou e gritou “Liberdade ou Morte para todos na Terra”, que era o código para o confronto começar. Depois destas palavras terem soado, começou uma batalha bastante equilibrada, mas ligeiramente a favor da Mafia de πchago. Depois de o exército da Mafia de πchago ter derrotado e morto os líderes do Governo Mágico, o exército deste rendeu-se por não saber a quem obedecer. A maior parte destes soldados apercebeu-se da injustiça que se estava a viver na Terra e juraram largar as armas e viver uma vida normal.

Passados dois meses, as Nações Unidas tinham sido restauradas e eram constituídas por cinco países: América, Europa, Ásia, África e Oceânia. A sede das Nações Unidas foi mudada para πchago e aí fizeram grupos de trabalho, constituídos por Magos (pessoas infetadas pelo vírus manálico) e por pessoas não infetadas, para organizar a reconstrução da Terra. O dia 5 de novembro foi declarado dia de Ash Flash e da batalha final.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.