Histórias de um Mundo Sem Fim
1 [Fantasia] A Espada Solitária
Notas iniciais
A Espada Solitária
Sentado sobre uma pedra sobrevivente das agruras do Deserto, o Paladino sentia a textura do cabo de sua espada, tão áspero quanto às areias que iam e vinham, iam e vinham, muitas vezes açoitando seu rosto e seus dedos que residiam firmes — tão firmes quanto à pedra em que se sentava — no cabo da espada.
Sua armadura quase completa estava arranhada. Não poderia dizer que fora por causa de inúmeras batalhas, porque ele nunca tivera tantas assim, mas poderia dizer que fora por causa das areias. Elas eram sua maior rival, mas uma rival da qual nunca poderia vencer. Estavam sempre estocando com suas espadas, mas o Paladino nunca conseguia se defender de seus golpes.
A única peça de sua armadura que faltava era seu elmo que taparia seu rosto e o tornaria um verdadeiro guerreiro sem face. Contudo, como não o possuía — nunca o tivera, na realidade —, estava à mercê dos sentimentos que tomavam conta de sua face. Ver a expressão do inimigo é um passo à frente de derrotá-lo, e o Paladino tinha o rosto descoberto como sua maior fraqueza.
O sol ali parecia ser eterno. Poucas vezes vira-o se pôr. Quando ele se punha, o Paladino tinha um descanso assim como Atlas tivera quando Hércules segurou o mundo para ele. Receber o calor do sol, do Deserto, o dia inteiro sobre sua cabeça era como manter o globo equilibrado em suas costas. Suas feições eram bronzeadas de tanto ser atingido pelos raios de sol, e ele parecia nunca parar de suar. Um filete de suor sempre parecia escorrer pelo seu rosto, mas aquilo não era tão terrível quanto sua maldição. A maldição de esperar ali, sempre sentado naquela pedra, por algum rival à sua altura.
Todos que ali passaram deixaram seu sangue em sua espada, que agora estava cega de tanto esperar por outra batalha. Seus corpos, no entanto, haviam sido soterrados havia muitos tempos pelas areias. No entanto, seu medo não era o de morrer em batalha ou ser ferido gravemente. Não tinha medo, na verdade, porque ele já vivia seu eterno pesadelo: a solidão.
E sozinho, ele continuava a esperar por seu próximo combatente, esperando que este finalmente conseguisse sobrepujá-lo para pôr um fim à sua maldição.
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