O dia nublado indicava que choveria. Não que isso fosse alguma novidade, o outono na fronteira era frio e chuvoso. E quando o inverno chegava a neve caía e tudo ficava congelado. Depois de dois anos morando ali, Werik ainda lutava para se acostumar com o frio. Aprender a conviver com o vento gelado e a chuva constante era difícil para alguém que passara boa parte da vida na quente capital de Urthan. Mas o palco de uma guerra não era lugar para um anão que já havia passado dos 35 anos e que desejava viver uma vida tranquila. E quando encontrou, nessa parte da fronteira, um lugar pacífico e, provavelmente, esquecido logo decidiu mudar-se para lá e deixar a capital e a guerra para trás.

O grande problema de morar em um lugar afastado e esquecido era obter comida e qualquer outro suprimento que precisasse. Werik nunca fora muito bom na arte da caça, mas, com o passar do tempo, havia adquirido certa competência com o arco que trouxera consigo da capital.

A chuva começou a cair do lado de fora da cabana de Werik. O anão suspirou pesadamente, estava quase sem suprimentos e precisava caçar, mas tempesatdes afastavam o escassos animais que viviam por ali. Decidiu, então, esperar pelo fim da chuva, ainda tinha o suficiente para aquele dia e, se soubesse poupar, poderia passar a noite com o que tinha. Se o tempo mudasse antes do anoitecer sairia para caçar algum animal e coletar madeira para se aquecer.

Após algumas horas a chuva parou e Werik saiu com seu arco e flechas na intenção capturar qualquer animal que tenha saído de seu esconderijo. Começou a andar pela mata sentindo as folhas, ainda molhadas, roçando seu rosto. Achar algum animal seria bem mais fácil do que encontrar alguma madeira seca.

Depois de quase uma hora havia conseguido capturar dois esquilos e um pouco de madeira seca que encontrara em um buraco. Quando estava chegando em sua cabana ouviu algo se movendo. Escondeu-se atrás de uma árvore e preparou o arco e uma flecha para atirar caso o responsável pelo barulho representasse alguma ameaça. Olhou na direção do som e viu um homem vestido de preto caminhando na direção de sua casa carregando algo pequeno, envolto em panos grossos, em seus braços. Werik não baixou o arco, pois não sabia quem era aquela pessoa, nunca recebia visitas. Quando queria contato com outras pessoas viajava até Rosan, vendia a pele e a carne de qualquer animal que tivesse caçado no dia e usava o dinheiro para tomar algumas bebidas em uma taverna enquanto conversava com cavaleiros de Boltan e ouvia notícias da guerra.

O homem parou em frente a cabana e olhou para os lados para verificar se estava sozinho, depois colocou o pacote no chão e, sem olhar para trás, foi embora. Werik esperou até que o homem estivesse fora de seu campo de visão para ir até onde o pequeno embrulho fora deixado. Levou um grande susto ao ver que o que estava em sua porta, enrolado em panos era um bebê. Passou algum tempo olhando para a criança tentando entender o que estava fazendo ali. Demorou alguns minutos para lembrar que não poderia deixar aquele recém-nascido no chão. Pegou-o no colo e levou para dentro, colocando-o em cima da cama de palha. Acendeu a fogueira e voltou-se para o bebê.

- O que devo fazer com você? — perguntou.

Sentou-se na cama e começou a desenrolar o menino de forma desajeitada. Não tinha experiência com crianças. Nunca tivera filhos ou irmãos mais novos. Até onde sabia sua mãe morrera no parto e o pai o abandonara com um mercador grosseiro e sem família, que morreu quando Werik tinha 10 anos.

O menino abriu os olhos vagarosamente. Era pequeno, rosado e frágil e Werik gostaria de saber o motivo de ter sido deixado em sua porta. Mas antes de tudo, precisava pensar no que deveria fazer com ele. Poderia levá-lo para a cidade e encontrar alguém que o quisesse, mas ainda tinha cicatrizes que o lembravam de como fora tratado na casa do mercador que se oferecera para criá-lo e, mesmo que não as tivesse, não sabia a razão de o menino ter sido abandonado em sua porta. Aquela criança poderia estar correndo risco de vida, não poderia simplesmente levá-lo para a cidade e entregá-lo nas mãos de qualquer pessoa.

- Vou ter que cuidar de você. — falou para o menino que, em resposta, fechou os olhos novamente e voltou a dormir.

Notas finais
A história está em progresso, estou escrevendo o primeiro capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.