Notas iniciais
Quem é viva sempre aparece meu povo! hahaha. Mil desculpas pela demora, e muito obrigada a todos que continuam acompanhando e, principalmente, comentando. Boa leitura! *-*

Deborah olhou para o infinito preto abaixo de si e sentiu seu corpo estremecer um pouco. Não tinha fobia de altura, mas tinha um pouco de medo. Sem falar que ela iria descer o Cânion. Ninguém descia o Cânion ( a não ser que você fosse um aventureiro em busca de adrenalina ou quisesse entrar para o Guinness como o mais idiota ou tolo).

–Com medo, loirinha? — Perguntou Kishan, sem conter o tom provocativo na voz. Sabia que a garota estava com medo, percebera quando ela estremecera, mas aquela adrenalina estava deixando-o animado e ele gostava de implicar um pouco com a garota.

–Não sinto medo, Kishan! — Rebateu a garota, embora tenha mantido seu olhar fixo nas profundezas do lugar.

Kishan bufou e começou a arrumar a corda para iniciar a descida deles. Deborah pensou em ajudá-lo, mas percebeu que suas mãos tremiam um pouco, por isso achou melhor ficar quieta e deixar o trabalho por conta do tigre.

Menos de dois minutos depois – o que era rápido demais na humilde opinião da jovem, o príncipe já estava sorridente ao seu lado dizendo:

–Vamos?

Deborah olhou para o fundo do precipício e por um segundo pensou em desistir daquela loucura antes que acabasse se matando ou machucando gravemente, mas ao virar-se para o belo indiano a sua frente, desistiu de voltar atrás. Mais do que nunca os olhos de Kishan pareciam cobre ou bronze derretido e brilhavam, provavelmente por causa da excitação que o tomava antes de embarcar naquela aventura. A jovem teve certeza que não conseguiria se despedir dele, ainda mais quando ainda tinha a oportunidade de ficar com ele.

–Vamos! — afirmou ela, demonstrando confiança em sua resposta. O sorriso do tigre se alargou ainda mais.

Ambos se encaminharam até onde Kishan havia prendido devidamente às cordas. Haviam duas, uma para cada um. A descida deveria levar tempo, isso se eles não encontrassem nenhuma barreira pelo caminho. Deborah não gostava de pensar nessa possibilidade, mas Kishan parecia mais entusiasmado com essa perspectiva.

Com habilidade digna de um felino, Kishan se posicionou para iniciar a descida. Deborah também teve facilidade, mas suas mãos tremiam, fazendo com que a corda também o fizesse.

–Ei, olha para mim! — Falou Kishan, percebendo o desconforto da moça. A loira fez o que ele pediu e o encontrou sério. — Eu não vou tentar te convencer a desistir de me acompanhar porque sou egoísta e gosto de sua companhia e também sei reconhecer que dificilmente eu voltarei vivo se for sozinho, mas quero que saiba que vou te proteger de todo perigo que aparecer. Custe o que custar você voltará sã e salva para a praia, está ouvindo?

Deborah nunca tinha ouvido palavras tão sinceras em sua vida. Não sabendo como responder àquela promessa, a garota disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça:

–Se nós não estivéssemos pendurados em cordas descendo por um precipício, eu te beijaria agora!

Assim que falou, a loira corou. Mas Kishan riu, da forma como só ele era capaz, fazendo-a rir também, descontraindo o momento.

–Não seja por isso, em breve estaremos em algum lugar firma então cobrarei isso! — Afirmou o príncipe, deixando a jovem constrangida. Mas suas mãos não tremiam mais. Embora sentisse um incomodo no estômago (e ela tinha certeza que o mesmo não era ocasionado pela descida).

–Chega de enrolar! — Falou ela, tentando fugir do assunto. — Vamos descer!

Kishan assentiu e eles deslizaram alguns centímetros.

Aos poucos Deborah foi pegando o jeito, embora, sem dúvidas, sozinho Kishan fosse chegar mais rápido. Ele descia com naturalidade, como se fizesse aquilo o tempo todo. Mas em momento algum ele apressou a loira, que sentia-se melhor assim. Era péssima em agir sobre pressão. E Kishan nem por um segundo cogitou seguir sem a bela, a companhia era excelente demais para ele reclamar.

–Minhas mãos estão ficando doloridas. — Falou Deborah, um bom tempo depois de terem iniciado a descida. Até então tinham feito silêncio, mas as mãos da jovem estavam criando bolhas, ela não conseguiu deter o comentário.

–Aguente mais um pouco! — Falou Kishan, surpreso com a demora da garota em reclamar. — Tenho certeza que já estamos chegando ao segundo ponto de nossa viagem.

–Segundo ponto? — Perguntou, ofegante, Deborah.

–Sim. Alguns manuscritos antigos que li fazem referência a uma caverna da deusa nessas paredes. Segundo a lenda, a caverna aparece quando chegamos a uma certa profundidade, não importa em que lado estejamos, a caverna aparece.

–Se me falassem isso até um mês atrás eu diria que a pessoa estava louca! Mas, veja bem, eu estou conversando com uma personagem de um dos meus livros favoritos! Creio que não possa definir muito bem o que é insano ou não.

Kishan soltou uma leve e rouca risada. Deborah amava aquela risada, era tão...perfeita. Completava a personalidade dele. Porém, a jovem não conseguia rir, suas forças estavam quase terminando. Ela precisava fazer uma pausa o mais rápido possível, se não temia cair naquele abismo.

Com a demora ainda maior da loira em acompanhar o ritmo, o tigre acabou ultrapassando-a. Deborah sentia seus pulmões cansados. O suor escorria pelo seu corpo, deixando-a pegajosa e agoniada. Entretanto, quando estava prestes a desistir, o indiano falou:

–Aqui! Deborah, desça mais um pouco, cheguei a caverna.

–Àquela que aparece no meio da jornada? — Perguntou a jovem, tentando não parecer muito ofegante enquanto falava. A descida a deixara cansada, mesmo que fosse acostumada a fazer exercícios físicos.

–Não tem como eu saber, mas foi a única caverna que achei até agora. — Respondeu Kishan e a loira revirou os olhos. As vezes se esquecia de como ele podia ser...sarcástico. Embora aquilo fosse uma das coisas que mais gostasse nele, desde antes de conhecê-lo de verdade.

Pela primeira vez desde que começara a descer a jovem arriscou olhar para baixo. Sentiu um leve tremor ao ver que ainda não avistava o fim do precipício, ainda mais por ser noite. Mas lembrou-se da promessa de Kishan e sentiu um alívio, tinha certeza de que podia confiar nele.

Descendo mais um metro e meio a garota chegou a entrada da caverna, onde Kishan esperava ela, para ajudá-la a retirar um pouco do equipamento que estava utilizando.

A primeira coisa que Deborah fez assim que pôs seus pés na caverna foi passar a mão pelo seu rosto, enxugando-o um pouco do suor que corria livre por todo seu corpo. Tinha certeza que queimara uma boa quantia de calorias com aquele exercício. Mas a roupa, que grudava um pouco em seu corpo a fazia desejar tomar um banho o mais rápido possível. Entretanto ela não tinha certeza de que aquilo seria possível naquela “pequena” aventura.

A segunda coisa que a jovem fez foi observar a caverna em que se encontrava. Quando ouvia a palavra caverna a primeira coisa que vinha à sua mente era um local escuro, úmido, com cheiro de mofo e morcegos pendurados no teto. Aquela, entretanto, contrariava – de forma positiva, todas suas expectativas.

O teto da caverna era feito de inúmeras pedras brilhosas que pareciam diamantes, o chão era de terra, mas sem buracos, liso (melhor que muitas ruas pelas quais a jovem já passara), as paredes eram de pedra e vertiam um pouco de água. Mas de longe em longe via-se detalhes feitos em pedras vermelhas, rosas e azuis. No fim da caverna havia uma espécie de altar, todo em pedra e em cima do mesmo encontrava-se a estátua mais bela que a garota já vira. Era uma deusa esculpida em uma esmeralda. Sim, uma esmeralda com cerca de 1 metro e meio de altura, inteiriça, sem emendas.

Kishan olhava divertido para Deborah. A reação da loira perante a beleza da caverna era impagável. A boca dela encontrava-se levemente aberta e seus belos olhos brilhavam. O indiano não sabia dizer se o brilho era originado do reflexo dos diamantes ou do encanto que ela sentia pelo ambiente em si.

Deborah sentiu o olhar do tigre em cima dela e virou-se para ele, que mantinha um sorriso brincalhão nos lábios e os olhos pareciam, mais do que nunca, ouro derretido.

–O que foi? — Perguntou a loira.

–Suas reações de admiração para com a caverna. São diferentes de tudo que já vi! — Respondeu ele, aumentando o sorriso. A jovem bufou.

–Agora me sinto uma idiota esquisita!

–Não deveria se sentir assim! — Afirmou ele, entendendo que ela havia interpretado sua fala de maneira errônea.

–E como eu deveria me sentir? — Perguntou ela, revirando os olhos.

–Como a mulher mais linda do mundo! — Afirmou Kishan, encantando-se ainda mais ao ver o tom avermelhado que a face da jovem assumiu.

–Você é um ótimo galanteador! — Afirmou ela, desviando os olhos dos dele e olhando, novamente a estátua.

–E você fica perfeita constrangida! — Revidou ele, rindo ao observá-la corando mais.

–Isso não tem graça! — Falou Deborah, indo para cima do moreno, com a intenção de socá-lo. Porém, ele segurou seus pulsos antes que ela realizasse seu intento.

–Calma tigresa! — Falou ele, sorrindo. Deborah sentiu-se ofegar internamente. Seu corpo estava completamente colado ao dele, sentindo seus músculos e aquele sorriso só a desconcertava ainda mais.

Ignorando o que ele dissera, a jovem afastou-se um pouco, embora Kishan continuasse a segurar seus pulsos. O perfume da garota rescendera por causa do suor e era uma aroma bom demais para ele ficar distante.

–Aquela é Durga? — Perguntou Deborah, apontando com a cabeça em direção à estátua.

–Não, ao menos não se parece nenhum pouco com ela.

–Ainda assim é muito linda! — Falou Deborah, ainda encantada com a beleza daquele lugar.

–Você é mais. — Revidou Kishan, com toda sinceridade que possuía. O reflexo das joias sobre a loira estavam deixando-a tentadora demais.

Entretanto, antes que Deborah conseguisse responder algo, a caverna começou a tremer.

Notas finais
E ai, o que acharam? Comentem seus (suas) lindos (as) *---* Bom domingo para vocês! Beijão.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.