Hippies versus Punks
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Os meninos e Mary se recuperaram rápido, mas no acampamento não tinham um atendimento médico verdadeiro. Às vezes eu me perguntava por que vivíamos em um lugar como aquele, cercado de pessoas consumindo drogas licitas e ilícitas, dormindo em barracas ou ao relento, mas logo vinha a resposta : não temos para onde ir, nossos ancestrais viviam assim no festival de Woodstock, e se tornou o modo que nós vivemos hoje, esse acampamento onde moro até que é bem organizado, todos contribuem com o dinheiro, e um grupo vai até a cidade e compra o que é necessário para todos.
Falando sério, não é fácil viver no mundo de hoje. Há muitos anos atrás, tivemos sérias guerras que acabaram na morte de milhões. Por causa disso os aliterados, antes chamados de governantes, resolveram que as diferenças foram causadas pelo fato de existirem “tribos” demais, então eles resolveram que só existiriam seis tribos: os Smokes (derivados dos punks, embora muito mais violentos), os Wilds (basicamente hippies), Aliterados (pessoas do governo) e os Simple, os Comunis e os Intrute.
O governo controla todos muito bem, embora ás vezes a solução seja partir pra agressão física. Como aquele grupo de Smokes que nos pegaram semana passada, acho que eles tinham alguma influencia anarquista. Bom, parecia que o garoto da pulseira, Lukas, não estava assim tão entusiasmado em bater em alguém com um lema de paz e amor. Eu tinha que tira-lo de minha mente, eu sabia que não podia conquista-lo mesmo se quisesse, e além disso me envolver com um punk está fora de cogitação. Saí de minha barraca e fiquei andando um tempo, meio que sem rumo, até que uma voz me resgata ao meu mundo.
— E ai? Como vai a morena mais bonita que eu conheço? — Disse Victor me seguindo.
Um rapaz bem-apessoado e tinha carisma para dar e vender, loiro de olhos vedes, metade do acampamento caia de amores por ele, inclusive alguns homens. Naquele dia estava estonteante em uma calça jeans com boca de sino pequena, um cinto roxo e uma faixa em seus cabelos curtos com as cores do arco-íris. Nossas roupas eram nossa herança, nosso modo de vida.
— A mais bonita? Ah Vic, por acaso todas as morenas sumiram da face da terra e só eu sobrei? — Respondi em tom de sarcasmo.
Ele me olhava incessantemente, e eu estava em uma situação nada confortável, já que eu tinha pegado um short tiy-diy e a parte de cima de um biquíni branco, estava muito calor, ao ponto de até Vic estar sem camisa.
— Naya, por favor. Você é sim a morena mais bonita que eu conheço, fica ai se achando feia, mas não passa de piração sua. Seu rosto é perfeito, boca, cabelo, corpo... — Dizia enquanto vinha pra cima de mim.
— Opa, espera — Empurrei-o de leve para que se afastasse — Só porque é um dos garotos mais bonitos desse acampamento, eu não preciso fazer parte dos seus joguinhos, não é? — Nós dois caímos na gargalhada enquanto andávamos pelo acampamento. Ele era meu amigo desde criança, nós crescemos juntos.
— Me disseram que você, a Mary, e os gêmeos foram rodados semana passada. É verdade?—Victor disse seriamente.
— É, quero dizer, em parte foi isso sim. —Lembrar aquilo não tem sido muito bom pra mim, mas a voz rouca e compassada de Victor me acalma.
— E me disseram também que você... —Ele toma coragem para continuar – N-não apanhou, por quê?
— Queria que eu tivesse apanhado? – Disse rindo – Na verdade, nem eu sei muito bem o porquê, acho que levei sorte.
Ficamos parados um tempo, perto do que restava de uma fogueira que teria de ser acesa para o almoço, olhando um para o outro. Foi quando um incidente nos trouxe de volta à tona. Um incêndio na parte norte do acampamento onde ficava a minha barraca.
Só um pensamento me envolveu, a bolsa, a pulseira. Mas no que eu mais me focava eram as lembranças de meus pais.
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