Hipnose
1 — Hipnose?
Notas iniciais
Eu literalmente acabei de escrever essa fic. Eu não revisei, nem acho que ela é a melhor coisa que já escrevi. Só... Me deu vontade de escrever, e escrevi!
Foi bem impulsivo, e talvez eu a delete se me parecer que foi uma má ideia, pfft.
Fora isso, boa leitura! É bem curtinho.
P.s.: Foi mal, Dudo, mas é a única coisa que eu consigo tirar de quando você me manda aqueles vídeos de ciência.
Dizem que a hipnose é um processo que depende muito mais da pessoa que vai ser colocada em transe do que do próprio hipnotizador. Aparentemente, trata-se da disposição da sua mente à receber certos comandos, e confiança em quem está te guiando. Um hipnotizador não pode te obrigar a fazer algo que vá contra a sua moral, ou convicções.
Na época que ouvi isso, não parecia uma informação relevante. Simplesmente balancei a cabeça e assenti, reagindo da forma mais educada à uma nota cultural inútil.
Entretanto, ali, sentado naquela cadeira, eu compreendia o significado maior daquilo. Meus olhos pareciam desobedecer às ordens da minha mente, o que só me fazia mais nervoso e inquieto.
Sempre fui de me esconder pelos cantos. Olhares desviados, engolir a seco, vomitar ao falar em público, chorar no travesseiro. É o tipo de pessoa que eu sou, que sempre fui. Talvez as regras do universo não se aplicassem ali, naquele momento. Talvez eu tivesse sido sugado pra uma outra dimensão, ou um outro estado da matéria!
Meu dedos se espremeram no tecido da minha calça, que parecia muito real e sólido.
Ele me olhava de volta.
Olhar desviado, engolindo a seco, quase vomitando e quase chorando.
Se a hipnose não te faz ir contra você, como ele conseguia me deixar daquele jeito? A pele cor de avelã, o sorriso tranquilo, os cabelos enrolados, o sinal debaixo do olho esquerdo. Ele sempre foi tão bonito assim? Meu corpo parecia se deleitar com cada informação que eu obtinha ao olhar pro rapaz por tanto tempo.
Ninguém tinha percebido ainda. Ele tinha uma postura relaxada, levemente curvada para frente. Mãos nos bolsos, mascando chiclete, e os cachos caindo pelo rosto meio quadrado que ele tinha. As pessoas falavam alto, riam, interagiam…
Nós dois éramos os únicos calados, provavelmente.
A hipnose era forte, e parecia me dominar cada vez mais. Seus olhos sempre foram dessa cor mel? Seus dentes sempre foram tão brancos? Não era humanamente possível.
Sob o transe, minha mente se confundiu. O que era real? O que era coisa da minha mente? Cogitei a possibilidade de levantar e ir até ele. Segurá-lo pelo pulso, arrastar pra fora da sala, pra longe daquelas milhares de vozes — que talvez só fossem tantas na minha cabeça.
Eu queria cair com ele na grama dos fundos da escola e beijá-lo antes que algum monitor aparecesse pra nos punir. Talvez ele até me fizesse um carinho. Talvez ele não me achasse tedioso, medíocre, feio.
Talvez eu não fosse.
Minha mente processava tudo muito rápido, como um moedor de carne. Talvez não houvesse problema! Ele era um garoto, e eu também… Qual o problema? Talvez ele não se importasse. Talvez ele quisesse. Talvez ele pensasse em mim às vezes, do mesmo jeito que eu pensava nele sempre.
Não! Não pensava! O quê? Eu nunca...
...Que tipo de hipnose era aquela?!
Meu estômago já embrulhava… Quando, de repente, ele voltou a se virar para seu grupo de amigos. Conversavam sobre algo que eu não entendia, algo que não me importava. Eu já não o via sorrir pra mim, e foi um alívio. Um alívio… Triste.
Respirei fundo, deixando meu corpo relaxar. Saindo do transe em um… Dois…
Três.
Baixei a cabeça. Finalmente, estava livre daquele olhar.
...Mas havia algo fora do lugar. Um bilhete amassado entre meus dedos, do qual eu não me lembrava depois do episódio de delírios anterior. Ainda regulando minha respiração, decidi abrir o pedaço de papel.
“Te encontro nos fundos da escola depois da aula. Não esquece!”
…
Ah, claro! É verdade…
Deitei minha cabeça sobre a mesa, rindo comigo mesmo.
Eu sempre esquecia…
Tudo por culpa da hipnose.
Notas finais
O que você acha que isso tudo quis dizer?
Nos vemos depois!
Beijocas com glitter,
Queen Vee~
Fale com o autor