Hino do Duran
2 Segundo Capítulo
Palácio da República, Brasília.
21 horas e 05 minutos.
1 hora para o assalto.
Um loiro caminhava com passos atrapalhados, carregando uma bandeja com um maço de cigarros, vicodin e uma garrafa de Bourbon.
- É sempre tão bom ter uma quase puta para fazer serviços domésticos. – House.
Robert Chase não ousava negar o apelido que lhe fora dado, entretanto por dentro sentia uma vontade descomunal de socar o queixo daquele homem, mas jamais o faria. Jamais admitiria também que, no fundo, ele admirava aquele ser detestável.
- Sua cota mensal do desvio já está numa maleta em seu carro para o embarque para São Paulo. Tudo pronto para a viagem de amanhã.
- É a cota da previdência ou da saúde?
- Não sei.
- Que imprestável! Trate de ir descobrir! Se for da previdência vou poder de São Paulo ir para Nova York e terminar meus serviços por lá.
Local desconhecido, São Paulo.
21 horas e 30 minutos.
Meia-hora para o assalto.
- A gente só sai depois que der o toque de recolher. O companheiro aqui tem um plano. Gostaria de passar a palavra para ele.
- O general House vem a São Paulo em dois dias...
- Na verdade, ele vem amanhã. – falou uma voz que parecia vir da porta.
- Quem é você? – falava Lisa tremendo e apontando uma arma na direção da voz. Ela odiava a violência, mas naquele mundo, naquela realidade em que viviam, era salvar-se por um mundo melhor.
- Fique calma. Sou Eric Foreman – disse o dono da voz, entregando um envelope para Wilson e levantando as mãos – Eu tenho informantes dentro do Ministério. Sou tão procurado quanto vocês.
- Como eu sei que posso confiar em você? – falou Lisa, sem abaixar a arma.
- Lisa, calma. – Wilson pondo a mão sobre a arma e a mão dela e abaixando-a – Ele não traria um envelope com informações se fosse um agente disfarçado.
- O que diz no envelope?
- Local e hora da chegada do presidente e algumas falhas na segurança.
- Qual é o plano? – falou Remy, arrumando-se desconfortavelmente na cadeira em que estava sentada.
- Um golpe de Estado. — Quatro palavras saídas da boca de James que trouxeram medo e esperança ao mesmo tempo para todos que estavam ali.
Ninguém ousava dizer nada, aparentemente até mesmo respirar tornara-se algo inviável.
Desde o início do Governo House, o povo tapou seus olhos, já cansados, para toda a corrupção e hipocrisia que estava acontecendo. A inflação chegava a níveis exorbitantes, cada vez mais pessoas morriam em combates, cada vez mais pessoas desapareciam sem deixar rastros, tornavam-se fantasmas.
A Militância não lutava apenas contra a ditadura militar, mas contra a ditadura da voz. Todos tiveram de calar-se por meio de leis e Atos Institucionais. O pulso outrora levantado abaixava-se melancolicamente derrotado.
- Nós temos que conseguir segurar o presidente tempo suficiente para que os amigos da luta armada invadam o palácio da república e tomem o governo. Há algum tempo, eu e a Lisa temos um plano de governo sólido para implantar caso tenhamos sucesso no golpe. Essa parece a oportunidade certa.
As pessoas na sala estavam assustadas. Apesar de muito corajosas, depois do seqüestro do embaixador norte-americano tudo havia piorado. O cerco havia se fechado, a luz lá no fim do túnel desaparecia.
Apesar da luta ser necessária, um golpe de estado era um ato muito extremo. A Revolução Brasileira pedia isso, necessitava disso, mas estariam eles, estaria o país preparado?
Palácio da República, Brasília.
22 horas e 02 minutos.
5 minutos antes do assalto.
- Querida Allison, você ainda não me disse se estão todos meus brinquedinhos indo capturar e torturar os viúvos do Che Guevara.
- Sim, senhor. Todos serão levados às instalações da agência – respondeu ela, incomodada.
- Diga ao Papa que tem a minha benção. – disse House, utilizando o apelido do mais cruel dos torturadores. — Pobres coitados.
Ela apenas confirmou com a cabeça. Sua voz travou na garganta, comovida por uma ânsia de si própria. Só conseguiu voltar a respirar longe dali, no exílio de sua sala.
House jogava uma bola vermelha para cima enquanto tentava decifrar problemas que não eram seus. A comissão fazia o trabalho sujo de carimbar na testa das pessoas quem era ou não comunista, a ele cabia ser cruel, roubar dinheiro e manter o Brasil entre suas presas.
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