Hino do Duran

5 Quinto Capítulo


Local Desconhecido, São Paulo.
13 horas e 25minutos.
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Você acha que pessoas como você, como seus amiguinhos estupradinhos do Brasil, vão conseguir governar alguma coisa? É preciso ser sujo, botar a mão na merda para governar um país medíocre como esse.
- É por isso que nós vamos assumir e é por isso que pessoas como você serão exiladas e não como o Betinho ou como aqueles Frades que eram pessoas de bem.
- Pessoas de bem? Qualquer pessoa é corruptível, só é preciso saber aonde. E você... Não é? Se não, deve ter algum problema no cérebro ou mais embaixo. – falou House gargalhando tal qual aqueles torturadores.
Wilson aproximou-se dele, até que seus rostos ficaram perigosamente próximos. Seus olhos lutavam odiosos, inescrupulosos, profundos de mágoa. Ele se afastou.
— Você já perdeu alguém? Hein? Claro que não... Você não sabe a dor de perder alguém unicamente por elas acreditarem em algo diferente! Seu pai devia ser um general facínora como você e sua mãe uma dona de casa subserviente que acata gentilmente tudo que lhe impõem! Vocês todos são muito acomodados, estão muito satisfeitos com tudo como está! Então vamos calar a boca de todos aqueles que têm opinião própria para que o povo continue ingênuo e o país continue a mesma coisa, com todos comendo em nossas mãos. Claro que isso é uma metáfora já que comida é luxo e são poucas as pessoas que têm o que pôr na mesa nos dias de hoje.
House tinha um olho roxo e as mãos amarradas atrás do encosto da cadeira em que estava sentado.
- Sabe o que vai acontecer com o país quando vocês assumirem? Vai virar Cuba.
— Não existem mendigos em Cuba, ninguém passa fome em Cuba.
— Vai viver lá então, afilhado do Fidel Castro! Todo mundo come o mesmo tanto, ou seja, ninguém come quase nada. Eles têm carros velhos, o país está caindo aos pedaços...

- Você diz isso porque ainda vive no seu país.Vamos ver se quando você for exilado, você não vai querer viver em um país comunista. Você é como um peixe, uma baleia, majestosa que manda no mar, ninguém chega perto dela, mas quando a capturam ela obedece e ainda faz show!
- Wilson. – chamou uma voz da porta no momento em que ele levantava as mãos em frustração, exasperado. – Eles conseguiram entrar na sede do governo, o exército está nas ruas, contudo a luta armada está conseguindo contê-los. – Foreman declarou cada palavra com um sorriso limpo e vitorioso crescendo nos lábios. Ele olhou profundamente dentro dos olhos de House que estava do outro lado da sala e disse. – Uma hora, um egoísta, filho da puta como você iria cair House, era só questão de tempo.

Palácio da República.
14 horas e 02 minutos.


Ela tremia. Os sons ficavam cada vez mais altos. Ele tremia e temia tanto quanto ela, entretanto tentava demonstrar calma e segurança para que ela não se perdesse de vez.
Um turbilhão de coisas fazia com que todo seu corpo se arrepiasse, dependendo de quem estava tomando o poder, eles morreriam em alguns minutos ou segundos. A porta do armário embutido em que estavam escondidos, encolhidos, foi aberta. E por puro exagero romântico, Cameron repassou tudo de mais marcante que havia vivido até aquele instante.
Chase abriu um dos olhos. A coragem não era suficiente para abrir ambos. Uma mulher de sorriso limpo e quente estendeu-lhes a mão.
- Vamos, estão escondidos de quem? Não somos milicos.
Cameron olhou para ela, e seu coração que estava prestes a parar acalmou e aceitou a mão.
— Vocês e a nação estão livres agora.

Local desconhecido, São Paulo.
14 horas e 30 minutos.


- O que vai acontecer com ele? – perguntava Foreman, fazendo carinho no cano da 38 que estava na braguilha.
- Vai continuar aqui, no Brasil. – todos os olhares tornaram a Wilson que levava House escorado ao seu ombro.

- O pior castigo dele é viver sem ser General, sem ser presidente e ver o país livre e as pessoas felizes como ele jamais poderá ser. – disse Wilson, colocando House sentado no sofá velho e rasgado.
- E o que nós vamos fazer? – essa era a pergunta que saltitava na cabeça de todos. Pelo que viveriam?
Todos ali viviam pela luta, lutar por um país mais justo era tudo que tinham, era tudo que queriam ter também, verdade seja dita. O que seria a vida depois que ganhassem? Agora que venceram? O que era essa vitória afinal? Não queriam instaurar o mesmo regime de Cuba e dos outros países comunistas, da mesma forma que numa ditadura, pessoas morriam diariamente por pensarem.
— No momento? Vamos libertar companheiros e depois... Vamos comer. – Wilson sorriu abertamente, mostrando praticamente todos os dentes, House grunhiu.

Instalações do Dói-Códi.
15 horas e 01 minuto.


Lisa acordara sendo levada por braços gentis, que a cobriram com uma toalha. Estava completamente nua quando foi encontrada na “máquina de tortura”.
Vários vergões, hematomas grandes, queimaduras de segundo grau na região dos seios. Tudo doía, contudo o olhar calmo com que aquela pessoa a olhava lhe acolhia de forma confortante e ela entendia que estava a salvo.
— A gente venceu, James? – A única lágrima que ela tinha força para verter deslizou por seu rosto.
- A gente sobreviveu Lisa. – ele a cobria fraternalmente. – E está um dia lindo lá fora.
Por todos os lados pessoas saíam, mancando. Alguns mancavam, outros como Lisa eram carregados pelos que ainda tinham forças. Os estudantes marchavam pelas ruas enquanto ele a colocava dentro do carro. Uma jovem passava rindo e jogando pétalas de rosa para cima.

Mesmo se aquela festa acabasse no dia seguinte, quando ninguém soubesse o que fazer, a imagem, o som, o gosto que tudo aquilo era lírico demais para ser ignorado, nem a chuva que caia na Terra da Garoa incomodava, era a festa do povo. Os universitários que eram a massa usada para tudo nesse país, festejava por ser uma massa qualquer, vivente, alegre comemorando sua vitória de ideal.
— E o General House?
- Sobreviveu para ver amanhã outro dia nascer agora sem ele no poder.

\"Alô, Liberdade levante, lava o rosto. Fica em pé, como é, Liberdade... Vou ter que requentar o teu café...\" — Chico Buarque

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