Hino do Duran
4 Quarto Capítulo
Notas iniciais
Base Aérea de São Paulo.
11 horas e 45 minutos.
- Mas que tipo de General se atrasa 3 horas para uma viagem oficial? – perguntou, Wilson andando de um lado a outro.
- O House. – respondeu simplesmente Foreman.
O carro presidencial parou em frente à Base, Foreman aproximou-se.
- Taub, hoje eu que dirigirei para o General, te deram o dia de folga. – Taub olhou para Foreman, ele era conhecido por trabalhar com o General e ter pego certas características dele. Certa vez ele teve a ousadia de usar um sapato igual.
- Tudo bem, Eric. – saiu do carro. – Volto com o carro reserva que está na Base. – acenou com o quepe e sumiu aos poucos no horizonte.
Foreman entrou no carro presidencial,Wilson entrou em uma Brasília que estava estacionada a uma distância segura.
House passou por todos sem olhar nos olhos de ninguém, ignorando completamente os outros seres humanos que batiam continência à sua presença. Entrou no carro, jogando um vicodin para o alto e pegando-o com a boca.
Foreman deu a partida no carro e pisou fundo no acelerador. Foi aí que House viu os olhos do velho conhecido pelo retrovisor e retribuiu o olhar de desprezo e ódio com um sorriso torto.
- Vocês serão pegos antes do anoitecer.
Local Desconhecido, São Paulo.
13 horas e 20 minutos.
- Por que você não afoga ele? – falou Remy, com um sorriso sádico nos lábios.
- Nós não vamos nos igualar a eles. Há essa hora já devem estar à procura do presidente, precisamos agir rápido. Os companheiros das outras organizações já estão fazendo sua parte? – perguntou Wilson para Kutner, cruzando os braços.
- Sim, já há uma passeata no Rio, uma em Curitiba, uma em Salvador e a de São Paulo sai em alguns minutos. O orelhão da rua debaixo foi vandalizado, tive que andar quatro quadras...
- Obrigado, me deixem a sós com ele. – todos se entreolharam, tinham medo dele cometer alguma atitude extrema. Apesar de odiarem o presidente, se o golpe não desse certo e ele estivesse morto, seria a sentença de morte de todos ali, seria uma chacina!
Palácio da República.
13 horas e 25 minutos.
Cameron corria pelos largos corredores.
- Chase! O Presidente desapareceu. Ele não compareceu ao encontro na Câmara de São Paulo. – ela estava ofegante, com a mão no peito não sabia se possuía sentimentos de tristeza ou felicidade.
- Deve ter se atrasado como sempre. – um grande estouro fez-se ouvir do lado de fora. Eles se entreolharam apavorados, desesperados por sua vida.
- Você acha que... A Militância... – seus olhos lacrimejavam.
- Vamos nos esconder e pensar no pior. Precisamos de um bom esconderijo. – Chase agarrou a mão de Alisson e ambos saíram correndo.
O barulho aumentou como se estivessem quebrando as portas com dinamites. Alguns tiros foram disparados, os olhos de Cameron cresciam em pavor.
- Você acha que foi o Foreman?
- Ele é idiota o bastante pra ter se juntado ao outro lado.
Instalações do Dói-Códi.
13 horas e 25 minutos.
A cela abriu num estalo forte como se a porta fosse ser arrancada. Lisa acordou de sobressalto de um sono perturbado e sem sossego.
- Vamos lá, cadela, seus amigos seqüestraram o General, você agora vai abrir essa porra dessa boca. – um agente puxou-a e foi levando para a maldita, desgraçada daquela sala.
Ela tremeu ao perceber aonde seria posta. No pau-de-arara. O estômago vazio embrulhava diante da idéia de tudo que iria acontecer e a febre não cedia.
- Pensa que vamos te deixar mofando aí? – o torturador soltou uma gargalhada seca e forçada e sádica que ecoou na sala após ele colocar a moça no instrumento de tortura – Não temos tempo. Para onde levaram o General? – ele levantou a palmatória circular com alguns furos e, para que a dor fosse mais intensa, com toda a força que possuía, bateu-a contra Lisa.
Ela urrou como um animal, orando para um Deus já esquecido que a matasse logo. Ela não contaria nada, eles piorariam os ataques, ela morreria com quase todos os ossos quebrados, ferimentos internos, seria doloroso demais, seria muito melhor se a vida fosse tragada de si agora naquele momento em um daqueles movimentos da férula.
Mais cedo, na cela ela imaginava como os dentes permaneciam todos em sua boca. Aos poucos a lucidez sumia. A dor consumia tudo até mesmo seus sentidos. A dor era tanta que não sentia nada.
- Eu só espero que vocês sejam exilados. – disse ela, no último suspiro, antes de ficar inconsciente.
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