Hinata
7 Maldito Vizinho
Notas iniciais
A loira passava as mãos pelos cabelos, eles estavam muito ressecados, precisavam de uma hidratação, porém, ela não tinha tempo nem ânimo. Desde que assumiu o grupo No Sabaku, Temari quase não tinha tempo para nada.
Mas, ela amava trabalhar, sempre foi uma mulher independente e decidida. Porém, no fundo era amável e preocupada, e ela fazia questão de esconder seu lado doce, com sua capa de durona.
Temari era a filha do meio de três irmãos, os amava mais do que tudo, por isso, sofria diretamente, por Gaara, seu irmão mais novo. O ruivo sempre teve problemas de personalidade, além é claro, de sua péssima relação com o pai o "Kazekage", como era conhecido o magnata das comunicações.
Tudo começou há muitos anos atrás, mais precisamente, no nascimento de Gaara. A mãe de ambos, Pakura, mesmo tendo uma gravidez de risco, preferiu levar a gestação a diante. Mesmo que seu marido tivesse implorado para que ela desistisse, alegando que o casal já tinha dois filhos. A mulher foi firme em sua decisão "eu jamais abandonarei um filho", Temari era muito pequena, todavia, se lembrava muito bem das discussões dos pais, e essa frase de sua mãe ficou gravada em sua memória.
Dito e feito, a mulher não sobreviveu ao parto, mas havia deixado um presente para família, porém, o homem não pensava dessa forma e rejeitou o filho mais novo. Felizmente, Temari com seus quatro anos e Kankuro de oito, amaram o irmão desde seu nascimento, quando o viram pela primeira vez, na verdade, a nascimento de Gaara, aliviou um pouco a grande dor da perda, da mãe.
Anos se passaram e a relação do pai e do filho mais novo estava cada vez pior. Para o Kazekage, seus únicos filhos eram Kankuro, seu primogênito e Temari, sua loira destemida. Com Gaara, ele fazia questão de diferenciar o tratamento e por mais que os irmãos se esforçassem, para o mais novo se sentira amado e acolhido pela família, isso não foi o suficiente, para que o ruivo não ficasse cada vez mais solitário.
Há cerca de três anos o pai de ambos, veio à falecer. O óbito foi causado por um infarto fulminante. Todos os filhos sofreram, até Gaara, mesmo que não admitisse. Kankuro assumiu a empresa, como era esperado, já que foi treinado a vida inteira para assumir o posto de presidente. Poderia soar mórbido, mas depois da morte do progenitor, a relação da família melhorou muito.
A família passou por um período sem turbulências.Porém, o pior estava por vir, a morte de Kankuro num acidente de carro, a dois meses atrás, foi um golpe duríssimo e talvez impossível de ser superado. O irmão mais velho, sempre foi o porto seguro dos mais novos, principalmente de Gaara. Kankuro foi uma espécie de pai para o ruivo, o único que ele ouvia. Depois da tragédia, Gaara se fechou ainda mais em seu casulo, sumia dias sem se importar de avisar a irmã. Temari ficava com o coração na mão, só de pensar que o irmão poderia estar morto ou envolvido com drogas.
A loira mordia a tampa da caneta nervosamente com a hipótese,porém seus pensamentos são cortados, pelo barulho que a porta de seu escritório fez, por causa da brusquidão usada no ato.
E lá estava o causador de seus pensamentos nostalgicos e preocupados.
Sabaku no Gaara, era o típico "rebelde sem causa". Sempre bêbado, sempre causando problemas. Gaara nem aparentava ter apenas vinte anos, as farras e a falta de cuidado consigo, eram visíveis. O jovem ruivo tinham profundos olhos cor de jade, o cabelo vermelho como fogo, além da chamativa tatuagem acima do que deveria ser sua sobrancelha esquerda. O estado do jovem era péssimo, sujo com as vestes rasgadas e olheiras abaixo dos olhos.
– Gaara, onde você estava? — Temari logo bombardeou o irmão.
– Eu estava por aí — o ruivo diz monotonamente.
– "Eu estava por aí" — a loira repete irritada — você some por quatro dias e só me diz isso? — como ele poderia agir como se nada tivesse acontecido?
– Eu já passei aqui, como você pediu. Então, eu já vou — ele falava friamente.
Gaara não entendia o porquê de Temari se preocupar tanto com ele. Será que a irmã não entendia que ele não merecia? Ele era um miserável que tirou a vida da própria mãe. A mulher que lhe deu a vida e o amava, apesar de não ter convivido com Pakura, sabia que aquela mulher era incrível e o amava, Gaara também amava a mãe, prova disso, era a foto da mulher, que ele guardava desde pequeno. Quando menor, o ruivinho não entendia a indiferença do pai, mas depois que cresceu, por mais que brigasse com o "Kazekage", não o chamava de pai, concordava com ele, sua mãe deveria ter escolhido sua vida, hoje poderia viver com o marido e os dois filhos, e ele não faria diferença alguma.
– Espera — a mulher levanta e impede o irmão de continuar — Onde você vai? Você vai para casa, não é?
– Sim — ele se vira, mas a loira o segura novamente e o abraça.
– Eu te amo, Gaara.
O ruivo não responde e sai.
Parece que hoje Ino levantou com o pé esquerdo, perdeu a hora e chegou atrasada, a Yamanaka estava cheia de trabalho, prova disso, eram os inúmeros papeis em seus braços, e para completar sua felicidade, ainda teria que falar com sua chefe, a mulher solicitou sua presença, na certa, a machona iria arrancar seu fígado, por até agora, não ter conseguido a bendita matéria.
A loira andava apressada pelos corredores da emissora, até ser atropelada por um trator e todos seus papeis caírem no chão. Hoje, definitivamente era o dia mundial de "Irrite Yamanaka Ino".
– Você não olha por onde anda? — a loira disse totalmente raivosa para ruivo a sua frente.
O homem por sua vez, não lhe disse nada, apenas lhe deu um sorriso safado e passou por ela.
– Esse cabeça de fósforo, não tem educação? — que cara ridículo, nem para pedir desculpas e ajudá-la a catar os papeis do chão.
Só restava a Yamanaka se abaixar para pegá-los.
– Bela visão — o ruivo disse já no fim do corredor.
– Idiota — a loira estava de quatro no chão e se virou para trás, mas o homem não estava mais ali.
Após duas batidas na porta, Temari permite a entrada:
– Entre — o Sabaku seca uma lágrima solitária, porém, Ino vê.
– Com licença — a Yamanaka não acreditava no que viu. A machona estava chorando, algo bem grave deve ter acontecido. Por mais que Ino fosse um pouco "avoada", ela se preocupava com o bem estar alheio.
– Por que será, que as pessoas não entendem que nós tomamos certas atitudes por amor? — Temari dizia de forma distante.
A coisa estava pior do que Ino poderia prever. A jovem sentou na cadeira que ficava de frente para a mesa da Sabaku. Segurou as mãos de Temari, que estavam em cima da mesa.
"Talvez a machona não seja tão bruxa quanto eu pensei"
– Se você precisar de alguma coisa, eu estarei aqui para ajudá-la. — Ino usa de sua solidariedade.
Temari quebra o contato das mãos, muda sua expressão:
– Foi bom você ter dito isso, Yamanaka. Eu preciso que você consiga uma bendita entrevista — a mulher fala duramente.
"Retiro o que eu disse" — pensou Ino.
....
– Tudo bem, Ino... Eu falarei com o Gai... beijos tchau.
Hinata havia acabado de falar com a amiga. A Yuuhi acabara de tomar seu café da manhã, quando recebeu a ligação " Hina, eu te imploro, consiga uma entrevista com Gai. Senão essa será a última vez que você falará com sua amiga. Porque amanhã estarei morta" — lógico, típico da loira ser tão dramática, mas Hinata não poderia negar que se divertia e gostava muito da amiga.
A azulada esta só em casa, visto que, Kurenai teve que sair mais cedo para uma reunião.
Nesse útimo final de semana, nada demais aconteceu na vida de Hinata, havia conversado com Itachi por telefone, há algum tempo o casal não saia, pelo que o Uchiha lhe disse, estava muito ocupado com a empresa.
A perolada pega sua bolsa e sai de casa, antes de ir para faculdade falaria com Gai e acabaria com isso de "entrevista" de uma vez por todas.
Por sorte, assim que Hinata descia de seu andar, já avistava pai e filho, claro, só um cego não veria "duas gays" vestidas de verde, o meio do corredor.
– Olha papi, quem vem ali — Lee tinha acabado de mirar Hinata.
Gai por sua vez, olha na direção que o filho apontou:
– Diva, a quanto tempo — o sombracelhudo pai, exclama.
Hinata se aproxima de pai e filho, dá dois beijos em Gai e repete o processo com Lee:
– Foi ótimo encontrar vocês aqui. Era com vocês mesmo, que eu queria falar.
– Ai, agora fiquei curiosa. Fale Diva — Lee tomou a frente.
– Minha amiga, Yamanaka Ino, queria que vocês concedessem uma entrevista — Hinata fala com humor, sabia que eles amariam.
– É claro que eu aceito — disse Gai, fazendo pose.
– Imagina, papi. Nós dois dando entrevista e ficando famosos em todo país.
Os olhos de Lee brilhavam com a possibilidade ele estava tão animado que dava giros pelo corredor e batia palminhas.
– Ai, é verdade filhote. Nós dois famosos!!! — Gai se junta a Lee.
Hinata gargalhava pela comemoração de pai e filho.
– Bom, então eu vou indo.
– Espera, Hina-chan!!! — era só o que faltava. Aquela "coisa loira".
Para variar, naquela manhã, Naruto havia acordado tarde. Mas, que culpa ele teve de "sem querer", jogar o despertado na parede? Resultado era provável que o loiro se atrasasse para seu primeiro dia na faculdade. Ele se levantou rapidamente, tomou um banho em tempo record, vestiu uma calça jeans e uma camisa laranja, para variar. Seu estômago roncou, mas ele não tinha nada em casa. Fez uma nota mental de comprar comida.
Se ele tivesse sorte, conseguiria alcançar Hinata, para que os dois fossem juntos para faculdade. Naruto poderia ser um tanto bobo e atrapalhado, porém tinha uma inteligência emocional absurda, conseguia entender as pessoas e decifrar seus problemas. O loiro fez uma promessa a si mesmo, iria desvendar todos os mistérios daquela perola, que cada vez mais, mexia com seus pensamentos. E claro, irem juntos para Universidade, seria uma ótima maneira para começar sua "missão".
Assim que desceu as escadas do andar em que morava, avistou Hinata e mais dois "homens".
A Yuhhi mudou sua feição, seu humor despencou:
– O quê você quer? — o tom era bastante irritado.
Só então, Gai e Lee, perceberam o loiro se aproximando:
– Você se esqueceu? Nós combinamos de irmos juntos para Universidade. — o Uzumaki deu um sorriso estonteante.
Hinata tinha vontade de dar um soco na boca daquele idiota, quem sabe assim, ele poderia parar de dar aqueles sorrisos que tiravam seu fôlego.... que lhe irritavam profundamente, isso sim:
– Eu não combinei nada com você — mas, que droga!!! Estava tão irritada com Naruto e consigo mesma por seus pensamentos idiotas.
– Mas, isso não importa agora — Naruto sorri novamente e coça a nuca.
– Olha filhote, que ótimo pretendente para você — Gai sussurrava no ouvido do filho.
– É mesmo papai, minha calcinha ficou molhada só de ver esse Deus Grego, de cabelos dourados.
– Ai, que lindo!!! Você só pode ser o novo vizinho, não é? — Lee dizia se aproximando de Naruto e piscando seus olhos, movimentando seus cílios postiços, que ele jurava serem naturais.
– Sim, eu sou o novo vizinho. É um prazer em conhecê-lo — Naruto estende a mão, simpatico como sempre. Inocentemente, nem percebe as reais intenções de Lee.
– É um prazer, conhece um lindo como você — Lee não segura a mão de Naruto e sim tenta abraçá-lo. Só então, o Uzumaki percebe o que o sombracelhudo queria.
– Ei, eu não tenho preconceitos, mas eu não gosto de homens — Naruto se afasta.
Hinata cai na gargalhada
– E agora, será que eu nunca irei encontrar meu príncipe? — Lee fala desanimado.
– Filhote, não foi dessa vez. Um dia você ainda vai encontrá-lo — Gai consola o filho.
– Tchau- o Uzumaki se apressa e puxa Hinata pelo braço. A azulada chorava de tanto rir.
– Tchau, meninos — ela diz com dificuldade, pelo ataque de risos.
....
Naruto e Hinata haviam acabado de chegar na Universidade. A Yuuhi foi direto para sua classe. Enquanto isso, o loiro foi para reitoria. Lá encontrou Shizune, a fiel secretária de Tsunade, o direcionou a sala da Senju:
Sihizune bate na porta e entra:
– Com licença, Tsunade-sama. Naruto-san está aqui.
– O mande entrar, Shizune — a loira disse firme. Mas, assim que a secretária saiu, Tsunade abriu um sorriso carinhoso. Ela havia gostado muito de Naruto. O escandaloso despertou nela, um sentimento que a muito tempo, a Senju queria dar. Amor de mãe. Algo naquele garoto lhe tocou profundamente, talvez a bondade nos olhos azuis. Mesmo que em aluns momentos ele lhe tirasse a paciência, a mulher poderia dizer com todas as letras: já amava o Uzumaki.
– Oi vovó, eu estava com saudades — Tsunade que o aguardava em pé, nem teve tempo de dar uma bronca, por tê-la chamado de vovó. Naruto a abraçou e tirou do chão.
A mulher reprimiu as lágrimas que queriam de manifestar. Será que se ela tivesse um filho, ele seria como Naruto? A abraçaria da mesma forma?
Depois do jovem tê-la soltado, a mulher se vira rapidamente e vai até sua mesa, pegando um envelope, que contia o resultado dos testes que o Uzumaki fez.
Tsunade já havia visto e se surpreendeu e orgulho pela ótima nota.
A mulher fica de frente para o loiro:
– Parabéns, Naruto. Você tirou uma excelente nota.
– Obrigado, eu me esforcei — o Uzumaki coça a nuca um pouco constrangido.
Talvez pelo abraço, o colar de pedra verde finalmente ficou visível e logo chamou a atenção da loira. Tsunade se aproxima e segura a pedra, entra os dedos. Esse colar lhe trazia recordações, ela lembrava muito bem do dia em que Jiraya lhe ofereceu, porém, a Senju não aceitou. Apesar de terem se passado mais de quarenta anos, Tsunade jamais esqueceria o olhar abatido pela recusa, do sempre tão confiante Namikaze:
– Quem te deu este colar? — a loira indagou curiosa.
– Meus pais -Naruto sorri genuinamente com a lembrança — Na verdade, o Velho Tarado deu para o meu pai e, meu pai deu para minha mãe e, finalmente eles me deram.
– E por falar, no pervertido do Jiraya, onde ele está?
– O velho viajou de novo.
– Eu pensei que ele ficaria aqui com você — a mulher não escondeu a decepção na voz.
Naruto ergue uma sobrancelha loira:
– A vovó é apaixonada pelo Velho Tarado — Naruto usa um tom ao qual está habituado a utilizar com o avô.
Tsunade fica completamente vermelha pela afirmação de Naruto. A mulher estava com vergonha, entretanto, a ira toma o lugar:
– Cala a boca garoto, me respeite!!! — Ela dava socos nos braços o Uzumaki
– Ai, vovó!!! Está me machucando — Naruto se defendia.
– Anda logo, eu irei te levar para sua sala — a mulher decidiu acabar com o momento constrangedor.
....
Kakashi nunca foi um modelo de moral e bons costumes. Sempre viveu a vida de forma boêmia. Adorava estar na companhia de uma bela mulher, bebendo um pouco. Além é claro, de amar livros da literatura erótica, principalmente Icha Icha Paradise, para o grisalho, Namikaze Jiraya era um mestre, um gênio. O professor gostava de uma avetura, de ser livre, sem amarras.
Porém, ultimamente andava se sentindo péssimo, pelo que houve entre ele e Hinata, por mais que a tivesse desejado, por mais que foi consensual. Nada, nenhum desses pensamentos tiraram o gosto amargo que se formava em sua boca. O momento foi sublime e maravilhoso, todavia, o professor se arrependia, tinha a sensação de que usou a jovem de alguma forma.
Ele precisava conversar com a jovem, por mais que durante os meses que se sucederam, a Yuuhi agia como se nada tivesse acontecido, não aparentava nenhum sinal de arrependimento. Apenas o tratava como um professor qualquer.
Kakashi havia acabado de falar sobre a matéria, os alunos faziam suas anotações, quando são ouvidas batidas na porta. O Katake vai atender e se surpreende, quando vê a própria Tsunade, acompanhada de um rapaz loiro:
– Com licença, Kakashi. Eu espero não estar atrapalhando — a Senju se adianta.
– Claro que não, Tsunade-sama — Kakashi estaria mentindo se não dissesse que estava curioso.
– Eu sei que não é costume, mas esse é um caso especial. Então, eu vim pessoalmente, apresentar Naruto, o novo aluno que eu já havia lhe falado anteriormente.
– Sim, Tsunade-sama. Então, entre Naruto. Eu espero que você goste daqui.
– Obrigado... Kakashi sensei.
– Eu já vou indo — Tsunade anuncia.
– Naruto mal entra na sala e logo avista Hinata:
– Ei, Hina-chan??!!! — o loiro berra, atraindo a atenção de toda a classe.
Hinata que até o momento se mantinha compenetrada, não acreditava no que estava ouvindo. Ela levanta a cabeça e focaliza o loiro:
– Vocês se conhecem? — o Hatake questiona.
– Sim, somos vizinhos — Naruto é quem responde.
– Ótimo, a Hinata-san pode ajudá-lo, para que você se adequar melhor a todas as matérias que já estudamos.
– É verdade. É uma excelente ideia — Naruto respondia alegre.
Será que ela havia morrido e estava no purgatório? Ela não acreditava que teria que aturar o loiro até ali.
Hinata estava em choque.
....
Sakura havia percebido a mudança do amado, por mais que ele continuasse um tanto frio e sarcástico, algo que fazia parte de sua persoalidade, a Haruno não pode deixar de constatar a forma como Sasuke a estava tratando atualmente, ele era bem menos grosseiro, até a elogiava mais. E claro, como uma boba apaixonada, que sempre foi, estava nas nuvens. Lógico que ela tinha seus receios, ao mesmo tempo em que sonhava que tudo daria certo de agora em diante, também tinha medo, medo de que acordasse e tudo não passasse de um sonho.
Estava decido. Ela sempre se arriscou, não seria agora que recuaria, o máximo que poderia acontecer novamente, era Sasuke voltar a ser como antigamente.
A rosada estava sentada no lugar de sempre, numa das mesas que ficavam ao ar livre, no campus da Senju.
Hinata tinha saído da bendita sala e para variar, Naruto estava em seu encalço:
– Espera Hina-chan — Naruto falava enquanto aumenta seus passos para seguir Hinata.
A azulada nem respondeu, apenas bufou. Chegando ao lado de fora, encontrou Sakura em uma das mesas, na qual ambas sempre ficavam:
– Hina, eu.... — a frase de Sakura morreu ao fitar o belo loiro ao lado da amiga, a Haruno olhou para o rapaz como se fizesse uma pergunta.
– Eu sou Uzumaki Naruto — o loiro percebeu o olhar da rosada e se apresenta.
– Prazer Naruto, eu me chamo Sakura. Eu sou a melhor amiga desse bravinha aí — ambos apertam as mãos.
– E eu sou vizinho e colega de classe, dessa bravinha. Mas, eu sou muito determinado.
– Olha Naruto, eu realmente gostei de você.
– Eu também gostei de você, Sakura-chan.
A perolada sentiu uma pontada, como assim "Sakura-chan"? Ela pensava que "chan", era sua exclusividade. Mas, esse loiro era uma abusado mesmo.
Hinata achava ridícula a forma que falavam dela, como se não estivesse presente no local.
Era só o que faltava, um complô contra ela:
– Você é um carente, deveria parar de me perseguir e arranjar um gato, isso sim.
– Mas, eu já arranjei uma gata — o Uzumaki levanta uma de suas sobrancelhas loiras e fita Hinata sugestivamente.
Sakura ri loucamente — ai Naruto, eu definitivamente gostei de você.
– Que frase mais idiota — a azulada bufa.
....
Pelo que Madara soube, seu neto mais novo, havia mudado de hábitos. Porém, ele próprio testemunhar isso, era muito impactante. Por mais que Zetsu, seu secretário eficiente e leal, lhe dissesse que seu neto, Sasuke estava ajudando o irmão na empresa, foi difícil de acreditar, mas ver com seus próprios olhos, Sasuke acordando cedo e dividindo a mesma mesa, no café da manhã:
– O que foi vovô? Você está me olhando como uma espécie a ser estudada — Sasuke diz em tom de escárnio, suas ônix brilhavam em divertimento.
Esse deboche com certeza, era algo de família, pois Sasuke se comportava quase igual ao irmão mais velho e a falecido pai.
Madara bufa, porém entra na brincadeira:
– Mas, sua espécie merece ser estudada. Eu soube que você está ajudando seu irmão. Eu fico feliz.
– É claro que você fica feliz, mais um para trabalhar como escravo, não é?
O Uchiha mais novo começa a se servir com torradas e geleia.
– É impossível tentar mater uma conversa com você e seu irmão.
Definitivamente, o ponto fraco de imponente e frio Madara, eram seus netos. O patriarca poderia não demostrar, mas se abalava com a atitude rude das pessoas que mais amava no mundo, na verdade, as únicas pessoas que amava no mundo. Se Itachi e Sasuke soubessem tudo que ele faz para o bem estar da família talvez dessem mais valor ao avô. Não. O Uchiha mais velho, não poderia criar expectativas e agir conforme ilusões, se tem algo que ele aprendeu para sempre ser bem sucedido em tudo, era a cautela. Então, Itachi o odiaria mais ainda e com certeza se viraria contra ele e claro, Sasuke sempre foi influenciado pelo irmão, sempre usando Itachi como espelho, ficaria do lado do irmão mais velho. Por que Itachi tinha que ter tantos escrúpulos assim? Tudo seria tão mais fácil. Haa!!! Quem Uchiha Madara queria enganar? Ele amava tanto Itachi, também amava Sasuke, mas Itachi era seu orgulho, era tão forte e destemido, tão inteligente e dono de seu próprio nariz. Tudo que Madara precisava, era uma forma de ter um pouco de controle sobre Itachi e consequentemente, Sasuke. Há anos ele tentava um jeito, porém todas as tentativas foram falhas e Itachi permanecia inabalável. Todavia, por sorte ou não, uma forma de manter as rédeas sobre Itachi, caiu do céu, em cima de seu colo e, Madara aproveitaria essa chance, mas por enquanto não era o momento, agiria no tempo certo.
Sasuke suspira — esse tom não combina com você, vovô. Mas, sim, eu estou ajudando o Itachi.
Desde a conversa de coração aberto que teve com o primogênito, Sasuke havia repensado suas atitudes e forma de agir. Ele sempre soube que suas atitudes não eram de um mocinho e nem se importava muito com isso, então, tudo foi ficando tanto no automático. Sasuke poderia não admitir em voz alta, mas sabia que suas atitudes tinham sido errôneas. O Uchiha mais novo, havia se comprometido em mudar e honraria sua palavra, claro, ele poderia melhor tratando Sakura de uma forma melhor e ajudando o irmão mais velho na empresa, mas isso não significava que ele deixaria de ser um tanto frio e ácido, fazia parte de sua personalidade. Tudo que o moreno queria era encontrar a si mesmo, se redescobrir. Há tempos Sasuke se sentia perdido como se não soubesse qual estrada percorrer. O que ele queria fazer? Quem era Uchiha Sasuke verdadeiramente? Ótimas perguntas que lhe rondavam a mente e talvez, pudessem finalmente serem respondidas, graças a conversa com Itachi.
– Ótimo. Como eu já disse, fico feliz por você.
– Bem, já está na minha hora. É melhor eu ir — Sasuke se levanta e antes de sair, pega um pedaço de bolo de chocolate, nunca gostou muito de doces, mas bolo de chocolate sempre foi seu favorito.
Madara vê o neto saindo de casa e beberica um pouco de seu chá. O homem abre um sorriso de canto pelo neto, uma marca registrada dos Uchiha's.
Como uma sombra, Zetsu aparece ao lado de Madara sem fazer qualquer barulho:
– Vamos, nós temos negócios a tratar — o Uchiha disse sem precisar olhar seu lado esquerdo, para saber de quem se tratava. O patriarca dos Uchiha's, pega sua bela bengala ao seu lado direito e se levanta.
....
Itachi estava concentrado em alguns documentos e ainda havia uma pilha interminável de papeis, que bloqueavam sua visão. Durante um tempo, o Uchiha havia diminuído sua carga de trabalho para ficar mais tempo com sua namorada, ele conseguia admistrar muito bem suas obrigações profissionais com sua vida pessoal. Todavia, de uns tempos para cá, os problemas pareciam surgir a cada minuto, e no final, o moreno não tinha tempo para respirar. E pior, não tinha tempo nem para Hinata, ele estava morrendo de saudades. Sentia falta do cheiro, da pele, dos olhos, da voz...
E por falar em Hinata, a perolada andava um pouco distante, talvez fosse impressão sua, ou não. Mas, algo lhe alertava, que sua amada estava diferente, das vezes que se falaram por telefone.
Por outro lado, estava feliz com as atitudes do irmão mais novo. Sasuke havia prometido e até o momento cumprido. O moreno realmente via sinceridade no irmão.
Yugito entra no escritório do chefe, a Nii estava trabalhado tanto quanto Itachi, prova disso, era a expressão de cansaço que ela aparentava, além das bolsas abaixo dos olhos, que denunciavam as noites mal dormidas pelo trabalho. Não que Itachi fosse um patrão explorador, ele mesmo a mandava ir para casa, mas a mulher insistia em trabalhar junto com o chefe, claro, Itachi a recompensava com um excelente salário. O Uchiha reconhecia, não sabia viver sem Yugito, uma mulher muito leal, companheira e prestativa e bela. Apesar de se esconder em baixo de roupas maiores que seu número e nem usar maquiagem ou penteado nos cabelos loiros-acinzentados e, ter uma altoestima muito baixa. O primogênito dos Uchiha's era muito observador e atento aos empregados, principalmente, Yugito que estava mais em seu convívio, mesmo a Nii não acreditando.
– Itachi-sama, mais um documento.... e bem... eu tomei a liberdade de trazer um café para o senhor — a secretaria falava um pouco receosa pela intromissão.
– Você fez muito bem em trazer um café. Sempre necessária, não é Yugito?
– O-o -q-que é isso, Itachi-sama. É apenas meu dever — após deixar o copo de café e o papel em cima da mesa, a mulher torcia as mãos nervosamente na barra de suas camisa. Ele ficou muito envergonhada pelo elogio.
– Você sabe que faz mais que uma secretária. E o seu café? você também precisa.
– Eu peguei um para mim também está na minha mesa.
– Traga para cá, tome comigo. Traga também seu material e trabalhe comigo. Eu tenho certeza, que esse trabalho cansativo se tornará mais agradável para nós dois.
Meu Deus! Será que aquele homem não facilitava as coisas para seu pobre coração? A Nii, tinha decidido, tentaria com todas suas forças, tirar o amor que sentia por Uchiha Itachi de dentro de si. Mas, parecia que mesmo inconscientemente, ele não facilitava. Todos os dias ele distribuía sua dose de carinho, gentileza e cavalheirismo. A mulher suspeitava que o moreno ficava a cada dia mais lindo, dentro do terno de grife, feito sob medida. Mesmo estando cheio de trabalho e um pouco cansado, nada tirava sua beleza, pelo contrário, ficava mais belo.
A loira era sadomasoquista ou o quê? Seus pensamentos já a traiam. Por que ficar alimento algo que não seria retribuído e nem daria em nada? Será que a Nii teria que relembrar todo sofrimento que passou? Como dizem, "o tempo cura todas as feridas", ela ainda sentia dor, mas era bem menos do que no começo. Quando soube que seu amado... que seu chefe, estava apaixonado e namorando. Essa notícia lhe rendeu muitas noites sem sono ou mal dormidas. Por isso, a Nii preferia gastar seu tempo com o trabalho, para manter a cabeça ocupada, só que existia um pequeno problema, quando você tenta esquecer alguém com o trabalho e esse alguém, é nada menos que seu chefe.
Yugito se perguntava se seu martírio teria fim algum dia.
....
Como ele era insuportável, Hinata tinha certeza, merecia ser canonizada por ter de aturar aquele escandaloso o dia todo. Além de serem vizinhos, eram colegas de classe e para completar, sua mãe ainda não cooperava e convidara o Uzumaki para o jantar, todos os dias era obrigada a dividir a mesa com aquele loiro idiota. Será que Kurenai achava Hinata tola? A perolada se fazia esta pergunta, pois não era nenhuma tonta e já havia percebido as intenções de sua mãe. Na verdade, Hinata achava que às vezes, Kurenai não fazia a mínima questão de esconder.
A noite caia em Tóquio, o céu estrelado brigava com as luzes dos prédios por atenção. A temperatura agradável, levemente fria, uma brisa gostosa. Dentro de casa, Hinata e Kurenai, se preparavam para o quase ritual de mãe e filha, a preparação do jantar. Isso acontecia desde que Hinata era bem pequena, a mais nova se lembrava de amar assistir a mãe cozinhar, achava sua mãe a mais maravilhosa e perfeita do mundo. Kurenai também amava este momento, pois durante o dia trabalhava e Hinata estudava, impossibilitando que as duas se vissem. Então, este momento desde muito tempo, servia para que as duas pudessem contar uma a outra como foram seus dias. A principal finalidade era manter a relação de mãe e filha próxima.
A Yuuhi mais velha não poderia negar que estava muito curiosa sobre o dia a filha com Naruto. A mulher gostava muito do rapaz, além de sentir que ele era a melhor chance de sua filha voltar a ser, nem que um pouco, quem já foi um dia:
– Como foi seu dia, querida? — a mulher perguntava carinhosa.
– Péssimo, aquele idiota me seguindo o dia todo. Eu não o suporto — Hinata parecia uma criança birrenta.
A morena abre um sorriso:
– Eu gostei muito do Naruto, acho ele um ótimo rapaz.
– Imagina se você não achasse. Ele se tornou seu queridinho — a jovem responde com ironia.
– Se eu não te conhecesse, diria que você está com ciumes — a professora responde bem humorada.
A campainha toca, não dando tempo de Hinata retrucar:
– Hina, atenda a porta, por favor. — Kurenai começava a separar os ingredientes que usaria.
Hinata vai até a porta e nem se surpreende mais:
– Ainda está cedo, sabia? O jantar ainda não está pronto.
– Eu sei que não. Eu vim justamente para ajudar a prepará-lo. É o mínimo que eu posso fazer, por toda hospitalidade que a Kurenai-san, me oferece — Naruto coça a nuca um pouco sem graça.
Hinata lhe deu passagem:
– E você sabe cozinhar? — ela pergunta.
– Eu me viro, pelo menos ninguém morreu depois que comeu algo feito por mim, não que eu saiba — ele diz divertido.
– Naruto, que bom ver você.
– Também é bom vê-la, Kurenai-san. Se você não se importar, eu gostaria de ajudá-la.
– Você sabe cozinhar? — a mulher faz a mesma pergunta da filha.
– Um pouco, eu via muito minha mãe cozinhando e também nas viagens com meu avô, eu aprendi. Mas qual será o cardápio?
– Rámem de porco.
– Eu não acredito. Meu prato favorito — os olhos de Naruto brilhavam.
O Uzumaki surpreendeu mãe e filha com sua destreza ao picar os alimentos:
– Olha, Hina-chan!!! — o loiro havia pego duas fatias de carne e as segurava como se estivessem saindo de seu nariz.
Kurenai sorria. Hinata também havia se rendido, por mais que fosse uma atitude boba, foi divertida.
Naruto amara ficar entre mãe e filha. Há muito tempo, não sentia essa sensação gostosa de estar em família. Seu peito ardia em uma chama quente e boa de sentir.
O jantar ocorreu sem problemas, o clima era agradável. Até Hinata se abriu mais um pouco. Naruto contava algumas das histórias de suas viagens com Jiraya.
Kurenai apenas se divertia e resolveu se retirar:
– Queridos, eu estou bastante cansada por causa da reunião que tive hoje. Boa noite para vocês — ela disse sem esperar resposta e se foi.
Naruto e Hinata recolheram a louça e lavaram, depois de tudo arrumado, já era hora do loiro ir embora, mas antes sua despedida surpreendeu a perolada:
– Hina-chan, obrigado por me proporcionar um jantar tão maravilhoso. Há muito tempo eu não me sentia assim tão bem — as safiras refletiam sinceridade incontestável.
Naruto se aproxima e abraça Hinata, ela realmente não esperava esta atitude, foi pega de surpresa. No começo ficou um tanto sem ação, mas depois retribuiu. Céus, como era confortável e acolhedor estar nos braços dele. A Yuuhi mais nova fechou os olhos apreciando a sensação causada pelo contato.
– Obrigado — a voz do Uzumaki não passou de um sussurro próximo ao ouvido de Hinata. E por fim, deu um beijo na bochecha direita da jovem. Ele se afastou e foi embora. A azulada sentiu o frio pelo abandono dos braços dele tocou na bochecha em que recebeu um beijo.
Agora deitada em sua cama, Hinata analisava os fatos. O que estava acontecendo com ela? Naruto lhe causava sensações desconhecidas, ela se sentia vulnerável a presença marcante e solar do loiro, ao toque e principalmente se sentia tão nua pelo olhar oceânico. Aqueles mares em forma de olhos, pareciam águas calmas e cristalinas, mas a qualquer momento se transformavam em fortes ondas que a puxavam e atraia para dentro deles e, seu medo não era se afogar e sim, gostar de se afogar neles.
Seu último pensamento foi dedicado ao loiro escandaloso, antes de se entregar aos braços de Morfeu.
Maldito vizinho.
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