Hinata
30 Contato
Notas iniciais
Eles estavam lado a lado, não demoraram mais que alguns minutos para chegarem no prédio em que viveram. O Uzumaki poderia deixá-la ir sozinha, porém, ele sentia que devia acompanhá-la e a azulada não pareceu se incomodar, ao contrário, ela agradecia pela atitude.
Hinata o fitou, como se fizesse um pedido mudo de apoio. O loiro não disse nada, apenas lhe retribuiu com um olhar firme e em seguida, discorreu suas safiras até a porta.
Naruto a viu respirar, longamente, e então, levou a mão até a campainha, anunciando sua chegada. Não demorou mais que um segundo, para que fosse atendida. Kurenai saiu pelo portal, sem dar chances para que a filha falasse e a abraçou como se um mundo fosse acabar.
Por fim, Naruto cruzou seu olhar com o homem moreno, que estava em pé e permanecia no mesmo local, aparentando não saber qual atitude tomar. O mais velho acenou com a cabeça e o Uzumaki retribuiu.
Ele tinha olheiras profundas, demonstrando seu estado cansado, triste e sem esperanças. Tudo isso resultado dos últimos acontecimentos, que tiveram o poder de desestruturar toda sua vida, a transformando em pó diante de seus olhos, sem que ele pudesse fazer nada.
Faziam poucas semanas desde que Hinata se casou com outro e o loiros estava devastado por não conseguir reagir e saber como sair daquela situação. Então focou no único objetivo que poderia servir como incentivo para poder ter paz mais uma vez: fazer com que os responsáveis pela morte de seus pais pagassem pelo que fizeram.
Portanto, entrou de cabeça no mundo que Toneri lhe apresentou, apesar dos protestos do avô, Naruto tentava extrair e aprender ao máximo sobre a operação para desmantelar e dar fim à Akatsuki e ao maldito Madara.
Naquele momento, na companhia do Otsutsuki, havia voltado para Konoha, atendendo ao pedido do albino, eles estavam em um restaurante de Hotel luxuoso da cidade — que com exceção dos dois, estava vazio — . O loiro sentia a curiosidade entre seus poros, pois Toneri apenas lhe informou que eles encontrariam alguém importante, todavia não revelou mais nada relevante a respeito.
Seu interesse fora sanado, quando um homem adentrou o local. Toneri se levantou para recebê-lo e sem saber o que fazer, o Uzumaki optou por copiá-lo.
— Naruto, este é Hyuuga Hiashi — o albino apertou as mãos do moreno — o nosso maior benfeitor.
— É um prazer conhecê-lo — o mais velho estendeu a mão, percebeu que o loiro o fitou por alguns segundos a mais, até retribuir o cumprimento. O Hyuuga decidiu começar um diálogo — seu pai foi um homem admirável.
O Uzumaki, logo reagiu, pois qualquer coisa sobre seus pais, lhe interessavam.
— Você o conheceu? — questionou, rapidamente.
— Sim, o vi pessoalmente, uma vez. Se você me permitir dizer — ele apontou para as mesas e os três se sentaram. Hiashi quase sorriu, ao ver a forma atenta do jovem — após a morte do meu pai, eu assumi os negócios da família.
“Durante muito tempo, eu estava amadurecendo uma idéia na minha mente, queria investir no ramo automobilístico. A opção mais óbvia, seria fazer negócios com os Uchiha, no entanto, Namikaze Minato atraiu minha atenção. A forma como ele conduzia sua empresa era formidável e seu sucesso só provara sua capacidade e talento.
É claro que antes de entrar em contato com ele, tive que averiguar e, para minha surpresa, descobri que seus negócios estavam ruindo, não for falta de competência ou por escolhas ruins, mas por culpa de seus concorrentes, que estavam sendo desleais e dificultando seu trabalho.
Isso não me fez recuar, apenas tive mais vontade de ir a fundo. Como eu te disse no começou, eu vi seu pai uma vez, ele estava acompanhado de sua mãe, foi aqui em Konoha, em um baile beneficente. Ambos foram muito educados e receptivos, então eu acreditava que minha proposta seria bem aceita pelos dois.
Minha intenção era marcar uma reunião com o seu pai, porém ela nunca aconteceu… Por causa do incêndio que ocorreu. Todavia, sabendo do que estava acontecendo e tendo noção de que as pessoas são capazes de tudo, eu nunca acreditei que tenha sido acidental. Portanto, me aproximei da investigação e acabei conhecendo Toneri, que acreditava no mesmo que eu, na verdade, ele foi além, disse que a Akatsuki fora responsável pela morte dos seus pais e de outras pessoas. Resolvi dar um voto de confiança e usei da minha influência com o governo, para dar mais liberdade à Toneri, para que ele se dedicasse única e exclusivamente, para o desmantelamento dessa organização.”
— Eu não quero parecer grosseiro, mas por qual motivo o senhor está tentando ajudar? — Naruto indagou.
Depois de todas as informações que recebeu, era mais do que normal, ter desconfiança de todos. Hiashi sabia disso e Toneri também, o albino que preferiu se manter calado, por quase todo tempo e deixou que os dois dialogassem.
— Não quero parecer nenhum tipo de herói ou salvador, mas o que aconteceu com os seus pais, me fez pensar que poderia ter sido eu no lugar deles. E deixar minha filha e meu sobrinho, que já perdeu os pais, está fora de questão.
A refeição ocorreu sem grandes acontecimentos, até que o Otsutsuki pediu licença para atender uma ligação. Percebendo a forma como o loiro o fitava, Hiashi resolveu fazer com que o mais jovem se sentisse confortável.
— Você quer me dizer algo? — questionou, educado.
— Ah! É que… — Naruto coçou a nunca constrangido, desde que viu o homem, estava com algo que não saía de sua cabeça e ao que aparentava, o moreno percebeu — eu conheço uma pessoa que tem os olhos muito parecidos com os seus.
— Você já viu algum Hyuuga? — recebeu um aceno negativo do Uzumaki, em resposta — apenas membros da minha família possuem esta anomalia genética. Você deve ter se confundido — explicou com um sorriso.
Naruto voltou ao presente, olhou mais uma vez para Hiashi, que agora voltou a fitar mãe e filha. O loiro deu meia volta, aquele era um momento particular, em que apenas os três envolvidos, deveriam estar. Mas antes de ir embora, deslizou suas safiras até seu antigo apartamento, suspirou e começou a se afastar. Ele ainda tinha um compromisso e com toda a situação que se desenrolou, acabou se esquecendo e, com certeza, estava atrasado.
— Até que fim, você chegou — foi recebido pelo avô — já tinha perdido as esperanças, pensei que você continuaria me ignorando.
Naruto revirou os olhos, ignorando a última parte, embora soubesse que o escritor não falava de todo mentira.
— Desculpe, Velho Tarado — olhou para o apartamento, era a primeira vez em que estava ali — eu tive um imprevisto.
— Tudo bem. Entre! Entre! — deu passagem para o neto.
— Hum! Você está agindo como se fosse o dono da casa — provocou.
O mais velho apertou as orbes, daria uma resposta malcriada, entretanto, antes que pudesse, a bela loira saiu do interior do apartamento e deu um abraço apertado em seu neto.
— Ei, você está mais lindo do que nunca. Espero que agora, não suma de vez e venha me ver — chamou sua atenção “carinhosamente”.
— Não se preocupe, vovó — a abraçou de volta.
— Não me chame de vovó, moleque — a Senju ralhou.
— Ué, agora você é, justamente, minha avó — o Uzumaki riu, enquanto se esquivou dos punhos dela.
— Tsu, não dê bola para o Naruto. Ele só quer te perturbar — abraçou a mulher.
— Eu sabia que vocês ainda ficariam juntos — O mais jovem confessou.
— Eu também sabia disso, só precisava demonstrar meus dotes — seu tom deixava claro, suas segundas intenções.
— Seu pervertido! — a Senju deu um cascudo no grisalho, que ficou resmungando, mas ela não deu muita atenção para aquilo.
Jiraya a procurou há algumas semanas, desde em que voltou para o país. Para ser sincera, sentia muita falta dele e de seu neto também, não tinha muitas esperanças de voltar a vê-lo, levando em consideração, que o homem sempre mudava de paradeiro. Contudo, seu amigo de infância, lhe garantiu que dessa vez, queria se assentar e que aquela vida de andarilho, já não era mais para ele. O homem também lhe confidenciou seus segredos e medos, além da relação delicada que estava enfrentando junto ao neto.
O homem poderia ser um tarado e pervertido, mas tinha tantas qualidades: era verdadeiro, leal e justo. E ele, mais uma vez, lhe disse seus sentimentos, sem vergonha ou restrições. No passado, a Senju nunca o levou a sério, contudo, agora podia sentir o quão honesto ele era. Apesar de no começo ter relutado, ela acabou dando uma chance à ele e estava disposta fazer dar certo e a ajudá-lo com seus problemas. Por isso, deu a ideia ao escritor, de convidar o neto para ir em sua casa e pelo visto, apesar da demora, deu certo.
A loira preparou uma refeição agradável para ocasião. Os três se acomodaram na mesa e a conversa fluía, naturalmente, até Naruto mudou completamente de assunto:
— Você sabia que Hyuuga Hiashi é o pai de Hinata? — seu questionamento foi direcionado à Tsunade, pois ele sabia o grau de intimidade que ela compartilhava com Kurenai, havia uma probabilidade, muito grande da médica saber.
— Aquele Hiashi? — seu avô comentou.
O mais jovem apertou os olhos em concordância, era óbvio de quem se tratava.
— Sim — a Senju respondeu — mas como você soube? — rebateu.
— Eu estava com Konohamaru, como vocês sabem e por acaso, acabei encontrando Hinata e ela me contou. Por isso, eu me atrasei.
— E mesmo depois de tudo que aconteceu, você ainda mantém contato com essa menina — o tom de Jiraya estava longe de ser acusatório, era pura e simples constatação — você ainda nutre sentimentos por ela.
Naruto fechou a expressão, contrastando com o sorriso do grisalho. A sensação que o velho teve, quando seu neto apresentou a jovem de cabelos azulados, fora a mesma que seu filho lhe apresentou a ruiva endiabrada pela primeira primeira vez.
— Dando uma resposta decente a sua pergunta — Tsunade ganhou atenção dele — eu conheci Kurenai de uma forma, no mínimo, curiosa. Ela era muito jovem, estava desamparada sentada em uma banco qualquer numa rua. A barriga enorme, que não deixava dúvidas, da gravidez avançada. Eu passava de carro e foi impossível deixá-la naquela situação e acabei a ajudando. E minha intervenção se provou de extrema necessidade, levando em consideração que estava em trabalho de parto e no caminho para o hospital, Kurenai me contou muitas coisas sobre seu passado. Como esquecer…. — divagou um pouco — essas mãos te trouxeram ao mundo em dez de Outubro, o dia estava tão bonito, firme e quente; enquanto, meses depois, foi a vez de Hinata, ela nasceu no mesmo dia em que conheci Kurenai, em vinte e sete de Dezembro, frio e chuvoso. Os últimos partos que eu fiz, duas situações excepcionais, diga-se de passagem.
Diante do olhar incrédulo do Uzumaki, por conta da coincidência chocante, a Senju continuou:
— Quando a Kurenai me contou sobre o seu relacionamento com Hinata, cheguei a conclusão de que, de alguma forma, o destino de vocês, sempre esteve ligado de alguma forma.
Konoha era uma cidade pequena. E se seus pais não tivessem morrido? E se Hinata tivesse sido criada junto ao pai? E se Hiashi tivesse investido nos negócios de Minato? Todas as possibilidades apontavam que sim, havia muita probabilidade de que a vida deles se cruzaria em algum momento.
Os pensamentos de Naruto foram cortados pela médica:
— Eu vou trazer mais suco — ela deu uma deixa para que Jiraya pudesse ter mais privacidade com o neto.
— Ei, você conseguiu encontrar alguma coisa? — o velho indagou. Ele não precisava dizer mais nada, pois o loiro sabia do que se tratava.
— Não — comentou com desgosto — o Toneri tinha razão em dizer que o Madara tomou cuidado para não misturar seus negócios sujos com o nome da família.
O escritor apenas franziu o cenho, não diria nada, porque o outro sabia sua opinião acerca do assunto: não concordava e achava uma decisão impulsiva e perigosa.
— Por falar em Toneri, ele disse que em breve fará uma reunião.
Naruto balançou a cabeça em concordância, sem ao menos se dar o trabalho de ouví-lo. Ainda continuava perplexo com tudo que aconteceu no dia, desde o encontro inesperado com Hinata, até a confissão de Tsunade.
….
Ela podia sentir o nervosismo se espalhando por todo corpo. Desde muito pequena, imaginara várias vezes, como seria conhecer seu pai, contudo, nada se comparava aquilo. Estava com receio e também bastante insegura. Quem diria que sua visita inocente, em busca de conselhos da mãe, pudesse se desenrolar daquela forma?
Portanto, estava agradecida por ter a presença silenciosa de Naruto, ao seu lado. Ele não tinha qualquer obrigação de estar ali. Porém, por mais absurdo que fosse, levando em consideração o histórico deles, era reconfortante a maneira como o Uzumaki se portou consigo naquele dia.
Respirou, estava decidida que precisava seguir em frente, mesmo sabendo que sua vida não seria mais a mesma. Anunciou sua chegada e em instantes depois, fora recebida com um forte abraço de sua mãe, o impacto teve o poder de desestabilizar seu equilíbrio, além de sentir que estava sendo esmagada pelos braços da mais velha.
O aperto só diminuiu no momento em que a Yuuhi se afastou analisando cada parte do corpo da filha, a procura de algum hematoma ou arranhão. Percebendo sua menina parecia normal, fez boa parte do peso em suas costas se aliviar. A morena teve muito medo que Hinata fizesse alguma besteira, ou pelo estresse emocional, poderia não ser cuidadosa ao atravessar a rua, por exemplo, acarretando em um acidente. Só de pensar nesse tipo de coisa, seu corpo se arrepiava. Jamais viveria em paz, se perdesse sua menina.
Além do seu próprio sofrimento, Kurenai sofria pela dor da filha, pela confusão e todos os sentimentos conflitantes, que o encontro com Hiashi causou.
Mas o pior de tudo, aquilo que o coração da professora não poderia suportar, era o medo de ser rejeitada pela filha. Preferia morrer do que perder o amor de Hinata, sua menina era tudo para ela.
— Por favor, não me odeie — suplicou — eu sei que deveria ter te contado, mas…
— Eu não te odeio — cortou sua mãe.
E como poderia? Justo ela que escondia tantas coisas, além do mais, amadureceu, apesar de tudo. Já não era mais aquela garota tão imatura, que sempre pressionou a mãe para falar sobre suas origens. Chegou a conclusão de que não estaria pronta para saber de tudo e que, sem dúvidas, ficaria com muita raiva da mãe e diria coisas que a magoaria profundamente. Claro, suas ofensas seriam da boca para fora, contudo, não diminuiria o estrago.
— Você teve seus motivos — Hinata completou. Agora ela tinha ciência de que dizer a verdade para quem se ama, nem sempre era a melhor opção.
— Ah, meu amor — Kurenai tinha lágrimas nos olhos avermelhados, abraçou a filha, mais uma vez — eu fico tão aliviada por ouvir isso, tive tanto medo.
A azulada escorregou seu olhar, só então percebeu que Naruto já não estava mais ali. Por fim, continuou perscrutando seu antigo lar, até se deparar com o homem, que mantinha seu olhar, igualmente, fixado no dela. A Uchiha sentiu o nervosismo, novamente.
Percebendo que a situação precisava evoluir, a Yuuhi se adiantou:
— Você já se alimentou? — conhecendo a expressão da filha, respondeu antes que ela pudesse dizer algo — vou fazer algo.
A perolada se aproximou cautelosa do homem, a forma como ele a fitava, a fazia se sentir uma menina, mas também havia uma sensação de firmeza, como se soubesse de seu receio e estivesse tentando passar segurança. Isso era ter pai?
— Você é linda — ele comentou admirado e um tanto emocionado. A jovem era, literalmente, a personificação de seu amor, uma mistura dele e de Kurenai. Não poderia haver ser mais perfeito — você se parece muito com a sua avó e sua mãe se encarregou, para que você também herdasse o nome dela.
— Ah, confesso que pensei muitas coisas à respeito. Imaginei que talvez você tivesse rejeitado minha mãe, quando soube que ela estava grávida ou que eu fosse fruto de adultério, ou se fossem as duas coisas juntas.
— Sua imaginação é fértil — sorriu e depois ficou sério, progressivamente, ao contar a mais jovem, o mesmo que relatou à Kurenai.
Hiashi estava, igualmente, apreensivo. Se Kurenai tinha medo de sua filha não perdoá-la, o temor dele, por sua vez, era não ser aceito por Hinata. Então, quando enxergou a forma como a azulada estava tensa, ele tentou ao máximo, garantir uma áurea tranquila e confortável.
Estava atento a todas as expressões dela, queria decifrar seus pensamentos, para saber qual a melhor abordagem a ser seguida, além do fato de querer conhecer mais sobre a jovem. Contudo, ela não estava colaborando, pois era difícil saber como estava se sentindo, visto que Hinata mantinha os músculos da face impassíveis. Até que o Hyuuga percebeu um ligeiro arquear de sobrancelhas, então por fim, ela se pronunciou:
— Você me disse antes, que pareço com a sua mãe. Ela está viva?
O homem viu a forma como ela ignorou totalmente, a história de seu passado com Kurenai até ele reencontrá-la. A reação dela fora diferente do que previa, se mostrou peculiar, talvez fosse sua forma de absorver todas as informações. Não se sentia frustrado, pelo contrário estava motivado, até porque a perolada demonstrou interesse em algo e lhe deu uma brecha para adentrar.
— Infelizmente, não. Ela se foi, quando eu ainda era jovem — não havia pesar na sua explicação, apenas saudades — mas existem pessoas que eu quero que você conheça — pausou, enquanto reparava no olhar curioso que recebia — seu primo e a sua irmã.
— Eu tenho uma irmã? — Hinata ainda não sabia como se sentia em relação aquilo.
Kurenai demorou mais que o necessário para preparar suco e sanduíches, a verdade é que ela estava demorando de propósito, para que os dois tivessem mais privacidade e também porque era difícil toda situação, além do mais, precisava se recompor de todos os sentimentos intensos, que se apossaram dela em tão pouco tempo. Ela voltou até a sala e ouviu proferirem as duas últimas frases, teve que segurar a bandeja que segurava com mais força para não cair. Por sorte, ninguém percebeu o seu abalo. Ela era louca, isso sim. Não havia motivos para se sentir atingida pela notícia.
Sem dizer nada, a mulher deixou a bandeja na mesa de centro, em frente ao sofá que os dois estavam sentados, chamando a atenção, mesmo não querendo, a morena iria sair.
— Fique, por favor — Hiashi pediu.
Ela iria protestar, no entanto, o olhar da filha, a fez acatar e acabou se sentando na poltrona ao lado. Era quase impossível segurar sua emoção e a imaginação de como seria a vida, ao ver pai e filha juntos. A Yuuhi que tanto idealizou o momento. Por isso, ela não se atreveu a abrir a boca, apenas assistia a interação entre eles, como se estivesse vendo algum filme.
O Hyuuga se voltou para Hinata, que tinha pego o lanche para se alimentar e então se deu conta de que havia outro copo e sanduíche intactos. Conteve o sorriso, era para ele. Kurenai continuava a mesma mulher doce. Ele sabia que não era apenas um ato de educação, mas ela fazia aquilo, principalmente, por se importar. Ela ainda se importava com ele. Por isso, de bom grado acompanhou sua filha.
O homem retirou seu celular do bolso e olhou sugestivamente para Hinata, que aproximou o tronco para olhar a tela do aparelho. Havia um homem e uma menina. Eles estavam sérios, contudo, era possível notar a intimidade e afeto entre eles.
— Neji e Hanabi — proferiu orgulhoso — sabe, eu sei que perdi tantas coisas, mas eu quero construir um futuro em que você faça parte — tocou no rosto dela, o toque era acolhedor e a azulada fechou os olhos, instintivamente — quero te conhecer e que você me conheça também. Você me dá uma chance?
“Quem sabe algum dia, eu seja chamado de pai”. Aquela frase ficou guardada apenas para ele, não queria apressar as coisas e nem deixá-la insegura. Todavia, era o seu maior anseio.
— Sim — Hinata respondeu. Ela não tinha nada a perder, além do mais, havia uma necessidade de receber afeto crescente em seu âmago.
— Posso te abraçar? — o Hyuuga perguntou acanhado e recebeu um aceno positivo de volta. Ela a envolveu com os braços, memorizando seu perfume. O mais velho sentia, tardiamente, como era poder abraçar sua filha. Mentiria se negasse que estava emocionado, mesmo não sendo do seu feitio.
Hinata, mais uma vez, se sentiu uma menininha, sendo amparada e recebendo segurança. Era tão confortável quanto os braços de sua mãe, porém de maneiras diferentes.
Já Kurenai, não conseguiu segurar duas lágrimas, que teimaram em escapar. Entretanto, as secou com pressa. Era tão bonito vê-los envolvidos e criando um laço, algo que a mulher sempre sonhou e também sentia remorso por negar ao pai e a filha, o direito de se conhecerem e conviverem. Ela não se atreveu a dizer nada, apenas ficou recolhida onde estava.
— Me fale sobre você — Hiashi se pronunciou, após se separarem — eu soube que você é casada.
— Ah, sim, há seis anos — fora pega de surpresa pelo assunto abordado pelo homem.
— Como o conheceu? — para ser sincero, Hiashi estava preocupado com o fato de sua filha estar ligada com a família Uchiha. Era perigoso demais.
— Bem, é uma longa história — a perolada desconversou.
— E o rapaz que estava com você? — o moreno se referia ao Naruto, no entanto, evitaria mostrar que o conheci, pois não poderia explicar como — é seu amigo? — ele estava, genuinamente, curioso sobre aquele fato.
— Eles namoraram no passado — Kurenai se manifestou pela primeira vez, aliás, em meio aos acontecimentos, acabou por esquecer de Naruto. Porém, esperaria o momento mais oportuno para questionar a filha.
Hinata franziu o cenho, em sinal de descontentamento, à intromissão de sua mãe.
— É complicado — a azulada tentou sair pela tangente, mais uma vez.
— Eu tenho todo tempo do mundo, para ouvir sua “longa história complicada” — o Hyuuga ficou mais surpreso ainda, pela declaração da Yuuhi. Preferia que sua filha continuasse com Naruto, do que casada com um Uchiha — a menos que você não queira me contar.
Diante da fala dele, Hinata não queria desapontá-lo ou que ele pensasse que estava fazendo pouco caso. A jovem acabou relatando por alto, sua relação e término com Naruto até seu casamento com Itachi, claro, omitindo vários detalhes importantes. A conversa se estendeu até a noite, quando Hiashi se despediu dela a abraçando de novo e sob a promessa de um novo encontro.
Hinata olhava o céus escuro, pela sacada do apartamento, quando Kurenai se aproximou dela:
— Mãe, eu posso dormir aqui hoje? — a Uchiha não tinha a mínima vontade de voltar para casa. Ela se sentia muito mais em paz ali, do que naquela mansão. Em pensar que no passado, tudo que ela almejava, era justamente sair daquele apartamento e viver ao redor do luxo.
— É claro, querida. Será como nos velhos tempos — respondeu animada, era muito bom, depois de tanto tempo, poder ficar junto da filha. Mas então, ela ficou séria — e o seu marido?
— Ela não vai se importar — comentou com descaso.
— Filha, foi por isso que você veio me procurar, hoje na escola? — perguntou interessada e curiosa.
— Eu só queria te ver e passar um tempo com você. Só isso — declarou.
Kurenai pensou, sua menina estava estranha. Com certeza estava com problemas, provavelmente no casamento.
— Meu amor, isso tem a ver com o Naruto? — estava tentando ser cautelosa ao máximo, pois sabia que seria difícil extrair algo dela.
— Por que você acha isso, mamãe? — devolveu com outro questionamento.
— Levando em consideração, que depois de anos, no nada, ele me ligou dizendo que estava com você e depois ainda te acompanhou até aqui… — articulou, sugestiva — eu estava tão desesperada, que nem falei com ele.
— Você não esconde que gosta do Naruto — Hinata, concluiu.
— Sabe do que eu gosto, da forma como ele te fazia sorrir. De como ele te olhava e de como você retribuía — “não que seu marido seja má pessoa, mas eu nunca vi isso entre vocês”, aquela parte, Kurenai preferia manter para ela, não queria entrar naquele mérito e iniciar uma discussão ou acabar com momento delas. Até porque, sua menina sabia o que ela pensava a respeito.
A perolada ficou em silêncio.
— Querida, eu só quero que você saiba que pode contar comigo, em qualquer situação — a abraçou e afagou suas costas, como fazia quando era criança. Se separou e concluiu — seu quarto continua da mesma forma que você deixou, inclusive suas roupas, caso você queira tomar um banho. Depois me ajude com o jantar.
Seu coração estava aliviado por saber que tinha o apoio de sua mãe. E por Deus! Como ela teve vontade de dizer tudo, mas ela não podia.
Continuou mais algum tempo ali, refletindo sobre tudo que aconteceu naquele dia atípico. Finalmente conheceu seu pai e ainda tinha Naruto.
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