Hinan
13 Preparem-se! A Batalha Começou
Notas iniciais
– como está indo o plano?
Uma voz misteriosa ecoava do lado escuro da sala.
– perfeitamente bem.
Erii respondeu.
– perfeito! Está na hora de derrubar a sociedade.
**
– TORIKOWASE
Com essas palavras, Andy fez surgir uma grande bola de energia e a lançou contra o inimigo.
– truquinho legal! Não me lembro de você ter esse bônus.
Jack dizia enquanto encarava o mago.
– é uma das técnicas da Jordy... ela nunca gostou que eu as copiasse.
O monstro que havia caído, agora mais uma vez se levantava.
– FAZ DE NOVO! FAZ DE NOVO!
Jack gritava desesperada enquanto chacoalhava o shikõ.
– TORIKOWASE...
**
– bom pessoal, nós vamos fazer uma varredura de rotina em toda área. Estaremos de volta a sede ao amanhecer.
A pequena soldada, antes novata, agora fazia parte da equipe de elite da I.O.S e liderava um esquadrão inteiro.
Atentos a recomendação de sua líder todos os soldados se retiraram, permanecendo apenas Lily. Espreguiçando-se de forma
tranquila, Lily deixava bem a vista todo o seu desânimo. Seguindo as escalas, ela liderava uma equipe de varredura pelo menos uma vez ao mês. Não era a atividade dos sonhos de um soldado, na verdade era extremamente entediante, mas regras eram regras e ela precisava cumpri-las.
Foi naquele momento que Lily pressentiu uma energia maligna se aproximar, virando-se rapidamente a pequena maga se assustou.
– como você conseguiu se aproximar tão depressa sem ser notado?
Os raios de sol inicialmente impediam uma visão nítida do rosto do inimigo.
– não foi muito dificil.
– essa voz...
Lily sussurava ainda com dificuldades para identificar. Dando alguns passos a frente, o inimigo então se pôs a vista.
– você...
Os olhos de Lily estavam arregalados, sentiu um arrepio na espinha, dando alguns passos para trás, a garota estava em choque.
– Erii? É você mesmo?
Ela parecia não acreditar no que estava vendo. Aproximando-se da garota, Erii a socou, forte o suficiente para deixa-la desacordada.
– você vem comigo.
**
– TORIKOWASE
– de novo! De novo! Não ta mais fazendo efeito!
Jack gritava desesperada enquanto via que os ataques de Andy não eram mais suficientes para segurar o minotauro.
– não dá mais Jack... já estou no meu limite.
Andy dizia enquanto caía de joelhos, desmaiando em seguida.
– como assim? Droga...
Entrando na frente de seu companheiro indefeso, Jack preparava suas metralhadoras.
Vencer ou morrer... não havia meio termo.
Jack refletia sobre suas opções, a aproximação do monstro era iminente e suas balas não faziam mais efeito.
Com os olhos marejados de lágrimas, talvez pelo desespero, a garota não pensou em nenhum momento abandonar seu amigo de longa data ali para servir de isca. Mesmo em meio a tantas brincadeiras, ela sabia que cada shikõ era parte da família, mesmo aqueles que não nasciam no mesmo dia como o Butcher e o Cute. Todos eram como irmãos, pois afinal tinham o mesmo pai... o mestre Kannot. Ainda que não compartilhassem do mesmo sangue, aquele velho gaga tinha cuidado de cada um com amor e carinho.
Allk...
Arregalando os olhos, Jack havia se lembrado da pessoa que mais lhe importava no mundo. Com um sorriso singelo no rosto a Jovem shikõ deixou que uma lagrima escorresse pelo seu rosto.
Ele vai ficar muito bravo se eu não voltar... me perdoe amor.
Eram poucos os metros que separavam os dois shikõs da besta gigantesca que erguia seu tacape, pronta para atacar. Os passos do minotauro eram suficientes para tremer o chão, o vento forte causado pela suas passadas faziam o cabelo de Jack voar.
A garota então parou de atirar, estava exausta... encarando o monstro frente a frente, ela estava pronta pro seu fim. Com as mãos apontadas para o inimigo Jack, sorriu.
– FODA-SE!
Ela gritava para besta enquanto levantava o dedo do meio de ambas as mãos.
**
O sol de fim de tarde estava lindo dentro da sede da I.O.S. Lucy por sua vez se deliciava da brisa do entardecer, encostada em uma árvore na área de treinamentos.
– o que você está comendo?
Sayo se aproximava da amiga.
– bolo de cenoura... quer um pouco?
Lucy oferecia com um sorriso no rosto.
– ah! Já que você está oferecendo...
Sayo dirigia sua mão até o bolo da amiga.
– sabe...
Sayo parou. Lucy continuou a falar — quando eu era criança, eu queria uma girafa de pelúcia... e o meu pai não me deu.
Com essas palavras Lucy enfiou o ultimo pedaço de bolo na boca.
– nem sempre a gente tem o que quer!
– TEU AZ DE COPA!
Sayo gritava, seguindo de um tapa na cabeça da amiga.
– AI SAYO!
Lucy gritava enquanto esfregava a mão no lugar da pancada.
– SE NÃO QUERIA DAR, PORQUE OFERECEU?
– eu só perguntei se você queria, em nenhum momento disse que ia te dar, era só uma curiosidade.
**
A quatro quilômetros de Hinan, a batalha pela vida tinha o seu fim próximo, com o tacape erguido a besta preparava o golpe fatal. As lágrimas teimavam em cair do rosto da shikõ desesperada, o fim era eminente. Foi naquele momento que um estrondo muito forte fez Jack cair.
– o que foi isso?
A shikõ perguntava confusa. A densa núvem de fumaça, atrapalhava a visão, mas o pouco de visibilidade que restava era suficiente para ver o minotauro caído.
Os raios alaranjados do pôr do sol, tornou-se a imagem de um homem.
– SENPAI!!!!
A garota gritava animada. Saltando para perto de Jack, Jon sorriu.
– Kouhai! Nossa esse cara tem uma cabeça bem dura.
Jon dizia enquanto relaxava o pulso.
– SENPAI!!!
Jack se aproximou de Jon.
– acalme-se kouhai... eu estou aqui.
– MALDITO!
Jack gritava enquanto socava Jon.
– Aii!
– você sabe o que eu passei? Até o quatro olhos ta desacordado! Porque você demorou tanto? O que foi? Foi fazer unhas antes? Não podia perder o horário da manicure?
– minha manicure é na quinta e... PORQUE MOTIVO ESTAMOS FALANDO DISSO?
Jack não estava mais prestando atenção em Jon, seus olhos estavam fixos no alvo atrás dele.
– o mi-mi-mi-minotauro...
Jack apontava para o monstro:
– o que tem ele?
Jon perguntava ainda de costas.
– LEVANTOU!
Sacando rapidamente sua espada, Jon encarou o inimigo.
– Jack, saia daqui e leve o Andy... AGORA!
Acenando positivamente com a cabeça, Jack então ergueu o companheiro com dificuldade e o arrastou para longe.
– agora somos eu e você chifrudo.
**
– você está melhor?
Dragon perguntava para Vallery.
– sim.
A garota enxugava os ultimos vestígios de lágrimas que tinham em seu rosto.
– ótimo! Você precisa estar em seu melhor estado para quando chegar a hora de enfrentar eles.
– eles... pra início de conversa... quem são eles?
Vallery parecia angustiada.
– não sabemos. Estamos na mesma situação que os humanos. Eles simplesmente apareceram do nada! De acordo com os registros dos shikõs exploradores, não existem shikõs fora do território do castelo. Eles não são daqui...
– como assim não são daqui?
A garota perguntava confusa.
– creio eu que sejam fruto de um novo desastre.
– desastre?
– como o que aconteceu a 300 anos atrás.
– um outro meteoro?
– sim.
– Dragon é impossível que um meteoro tenha passado despercebido por nós.
– Vallery, seja racional... os shikõs e os humanos juntos não chegam a ocupar nem um terço do planeta. É natural que aconteçam coisas que não são de nosso conhecimento.
Vallery naquele momento sentiu seu estômago revirar, a muito tempo não sentia tanta ansiedade.
Foi então que um barulho muito alto interrompeu a conversa dos dois.
– isso foi uma explosão?
Vallery perguntou assustada.
– é o que parece.
– foi fora dos muros de Hinan... graças a Deus!
– vou verificar! Espere aqui.
Dragon dizia enquanto corria numa velocidade impressionante na direção do barulho.
– até parece.
Vallery o seguiu.
**
– MATA LOGO ELE SENPAI!
– FIQUE QUIETA JACK! SE FOSSE TÃO FÁCIL VOCÊ NÃO PRECISARIA DA MINHA AJUDA.
– EXATAMENTE! MAS VOCÊ NÃO TA AJUDANDO!
– OLHA AQUI...
As palavras de Jon foram interrompidas por um golpe do Minotauro.
– SENPAI VOCÊ MORREU?
Jack perguntava, ainda escondida de trás de uma rocha.
Usando as pedras ao seu redor como apoio para se levantar Jon desafiava o minotauro:
– não serei derrotado tão facilmente! Pode vim seu...
A tacada do gigante foi suficiente para calar o shikõ e também para lançá-lo a vários metros de distancia.
Levando a mão ao rosto, Jack tentava segurar as risadas.
– AHHH! MALDITO! MORRA!
Uma grande onda de energia emanava do corpo de Jon, um vento forte fez com que Jack se abaixasse.
– MORRA!
Jon gritava enquanto disparava uma série de bolas de energias no minotauro, impedido de reagir o monstro caiu de joelhos. Não satisfeito, Jon soltou uma rajada de energia na besta, fazendo com que dessa forma, ela fosse pulverizada.
Apoiando-se nos joelhos Jon demonstrava estar cansado.
– PRA QUE TODO ESSE EXAGERO? EU QUASE MORRI SABIA?
Jack gritava, enquanto se aproximava de Jon.
– onde está o Andy.
Os olhos de Jack se arregalaram.
– opa... acho que perdi ele.
A menina sussurou.
– VOCÊ O QUE?
**
Do ponto mais alto do castelo shikõ, Raque e Butcher observavam a paisagem.
– é Raque... um dia isso tudo vai ser seu!
Debruçada em uma das ameias, a menina se manteve em silêcio.
– o que foi Raque? Não gosta da ideia?
– não é isso Butcher... é que... ninguém me perguntou se era isso que eu queria!
– como assim? Ter um exército inteiro ao seu dispor, não é algo que alguém recusaria.
– acho que um governante deve passar segurança para os seus súditos, assim como o vovô passa para todos. E eu não sou a pessoa ideal pra isso, mal posso cuidar de mim mesma.
– não foi o que pareceu naquele dia na Hinan do Norte, você salvou a todos Raque.
– sim mas... o Jon também salvou todo mundo inúmeras vezes. Quando as coisas apertam e a ele quem chamam! Ele nunca se recusou! Ele sempre se importou com cada um aqui.
– o Jon não tem nenhum afeto pelos humanos e...
– porque devemos nos importar com os humanos? Eles não se importam conosco. O Jon disse que eles são um grupo de egoístas sem coração.
– isso não é verdade.
– claro que é! Quando invadimos a Hinan do Norte, seguimos as regras do Kannot e não matamos nenhum deles, apenas os aprisionamos e alguns poucos foram nocauteados. Mas e eles? Eles mataram quase todos do nosso exército!
– Raque...
Butcher olhou firme para a garota e continuou — o Jon disse que os humanos são egoístas e sem coração... mas, o que Kannot lhe disse?
Desviando o olhar Raque resspondeu em uma voz baixa.
– ele disse que os humanos são criaturas boas, porém bobas e que muitas vezes fazem atos impensados.
– e em quem você confia mais?
– no vovô é claro! Mas Butcher... o vovô tem um coração bom, até demais! Isso muitas vezes faz dele ingênuo.
– sim Raque! É isso que faz com que todos os shikõs o amem incondicionalmente, é essa bondade que nos faz viver tranquilamente, é saber que existe alguém que nos ama como filhos, que está diposto a dar vidas por nós... é isso que faz nos sentirmos vivos.
As belas palavras de Butcher, foram o suficiente para arrancar uma lágrima de Raque. Ela então o abraçou:
– fique tranquila Raque! Eu posso ver essa bondade em você!
Afastando-se de Butcher, Raque mais uma vez observava o pôr do sol. Olhando mais atentamente, ela pode notar uma grande movimentação ao longe.
– o que é aquilo? São... humanos?
Voltando-se para a direção que a menina apontava, Butcher aregalou os olhos.
– não são humanos... são shikõs... estamos sendo atacados... ESTAMOS SENDO ATACADOS!
Butcher correu em direção a ameia e gritou para os soldados que estavam na frente do castelo:
– TOQUEM O ALARME! ESTAMOS SENDO ATACADOS.
Sentados no sofá da sala de jogos, Nael e Marius assistiam tv.
– atacados? Mais kotonarus?
Nael perguntava com um certo desinteresse. Foi então que Cute apareceu, seu semblante era de pavor.
– não são kotonarus... são shikõs... milhares deles.
– o que?
Foi naquele momento que uma forte explosão fez parte da sala vir abaixo. Uma parede de gelo feita por Nael, foi o bastante para proteger os três do impacto.
– já começou.
Marius dizia com uma expressão séria.
**
– Jon? O que você está fazendo aqui?
Dragon dizia ao ver que o shikõ era o motivo da explosão.
– vim cumprir a missão que foi dada a você!
– ISSO MESMO! ESTÁVAMOS QUASE MORRENDO! ONDE É QUE VOCÊ TAVA FOLGADO?
Um olhar de ódio vindo de Dragon foi o suficiente para fazer Jack calar.
– Jon...
A voz falha de uma mulher ecoou de trás de Dragon. Com os olhos arregalados, por um momento, Dragon havia se esquecido que Vallery o havia seguido.
Naquele instante o corpo inteiro de Vallery estava vibrando... ela não podia acreditar que depois de quatro anos, o destino havia lhe dado uma segunda chance. Ele estava ali mais uma vez, diante dela, diante de sua espada que urrava por vingança.
Sua expressão de surpresa logo foi substituída por um sorriso.
– em fim estamos juntos outra vez... Jon.
A guerreira continuou — espero que não tenha esquecido do meu rosto...
– me lembro bem do seu rosto filha de Zaikki.
Jon dizia com certa ironia.
– ótimo! É mais tranquilo que o ultimo rosto que você veja antes de ir para o inferno, seja familiar.
Dragon sentiu seu corpo gelar, ele era a única coisa que separava Jon e Vallery, mas sabia que ultrapassa-lo não seria nenhum desafio para os dois guerreiros. Sim, naquele momento ele estava diante de uma batalha sangrenta que ele não poderia impedir.
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