Hinan

32 O líder dos shikõs


― quanto tempo até que a retirada dos poderes seja efetuada?

Taiko havia entrado em uma espécie de laboratório repleto de computadores e instrumentos de tecnologia avançada.

― ele já está preparado senhor!

Um homem de idade avançada se curvava em reverencia ao alien.

― então vamos começar...

― eu acho essa ideia um tanto estúpida, se me permite dizer.

Uma mulher de longos cabelos brancos e pele pálida, se aproximava dos dois.

― Mizuno...

Taiko sussurrava.

― isso me lembra do procedimento feito com o Ivan há 4 anos. Vocês retiraram os poderes dele e o introduziram naquele humano, foi total perca de tempo.

A miraniana se apoiava em uma mesa que se encontrava ali ― o Ivan era um dos guardiões mais poderosos, depois do Eize é claro, mas de qualquer forma, o nível de força dele era incrível. Mas quando o poder foi extraído e depositado no garoto, foi reduzido a menos da metade! Venhamos e convenhamos Taiko, o elemento fogo não é visto há mais de 300 anos! É difícil acreditar que você queria desperdiça toda essa grandiosidade de forma tão ridícula.

― e qual é a sua sugestão?

Taiko a observava com um semblante de desprezo.

― qual é Taiko... você é melhor do que isso.

A garota agora tocava os ombros do homem polvo ― você não era o grande mago de Miran? Especializado em controle mental? Não me diga que os anos te fizeram tão mal.

― não seja ridícula Mizuno! Qual o sentido de tudo isso?

Taiko rebatia.

― nem tudo nessa vida é ciência Taiko... a função de guardião é o maior exemplo disso! Não se escolhe poderes, eles escolhem você!

Mizuno dizia com um tom de voz firme ― eles nascem com você, queira você ou não.

A garota agora assumia um semblante de tristeza.

―então acha mais viável transformá-lo em um de nossos escravos? É possível que o controle mental não dure muito.

― não é necessário que dure!

Mizuno encarava Taiko.

― existe um shikõ, muito poderoso chamado Jon. Talvez eu consiga derrotá-lo, mas devo admitir que daria um belo trabalho. Sei que é difícil exercer controle mental em shikõs desse nível, mas quando se trata de alguém que tem a chama do dragão explodindo em suas veias, as coisas se tornam mais fáceis!

Em silêncio Taiko a encarava, demonstrando certo interesse pelo plano da garota.

― Taiko, preciso apenas que ponha as ordens dentro da cabeça dele, do resto eu me encarrego! Depois que o serviço estiver completo, faça o que bem entender com o cara.

Mizuno dizia com um tom autoritário.

―então seu plano é por irmão contra irmão...

Taiko dizia em voz baixa enquanto observava o homem desacordado, mergulhado em um liquido transparente em uma espécie de recipiente de vidro.

― sim, essa é a beleza da coisa!

Mizuno dizia com um sorriso cruel em seus lábios.

**

― A área norte já está totalmente limpa senhora!

Um homem de pele pálida e uniforme da policia se aproximava.

― ótimo! Agora partiremos para o outro lado da cidade.

Vallery dizia enquanto avançava em alta velocidade em direção a outra parte da cidade. Seus companheiros lutavam lado a lado com ela, mas não tinham a mesma sincronia... a mesma cumplicidade que elas..

Meninas...

Vallery havia se lembrado de seu pelotão de elite, de suas amigas, sua família. Aonde elas poderiam estar? Será que estavam dando conta da situação? Com certeza estavam, mas ela precisava saber, precisava ter certeza.

― ei você!

Vallery havia avistado um soldado que também frequentava a sede.

― Vallery!

O homem parecia surpreso ao avistá-la.

― você sabe aonde se encontram as integrantes do meu pelotão?

A guerreira perguntava.

― Sayo, Lucy e Lily, partiram para uma missão fora de Hinan! Não me deram detalhes, a Sayo apenas entrou e pegou o carro.

O homem explicava.

― que estupidez! A cidade está um caos, e elas resolveram sair para passear?

Vallery estava indignada.

―parece que a Masayoshi foi roubada por uma shikõ poderosa.

O soldado completava.

― uma shikõ poderosa...

Vallery arregalava os olhos.

― você não entende Val? Precisamos de você! Nós somos uma família, sempre fomos! E não é fácil ver alguém abandonar a família...

As palavras de Sayo vieram lhe a mente.

― ei senhora! Aonde vai?

O homem gritava para Vallery, que já havia começado a correr.

― preciso salvar minha equipe! É isso que um pelotão faz, cuida um dos outros!

Vallery dizia enquanto acenava.

― pode deixar que nós cuidamos de tudo aqui!

O homem sorria.

― aguentem meninas, eu estou chegando.

**

― quanto tempo até a alcançarmos?

Lucy perguntava.

― é difícil dizer, não sou um GPS!

Lily se irritava.

― mas você faz as suas macumbas e descobre rapidinho.

Sayo dizia com um sorriso no rosto.

― macumbas...

Lily resmungava. O vento forte faziam os cabelos de Raque voarem, em silêncio a garota estava mergulhada em seus pensamentos.

― o Taiko havia comentado que você era uma ameaça.

A voz de Erii fez Raque se assustar.

― o Taiko fala muitas besteiras...

A menina desconversava.

― quando os soldados a prenderam nas masmorras, ele não tinha ideia de quem era você, só havia descoberto após a sua fuga. Então ele mandou que eu a encontrasse e a matasse.

Sentado no canto oposto do carro, Erii observava a paisagem deixada para trás, devido a alta velocidade do veículo.

―eu sou a única restante da minha família, então é natural que ele queira me ver morta.

Raque argumentava.

― eu sei sobre a historia de Miran... o filho mais novo, preso por uma maldição hereditária, na qual seu corpo é hospedeiro do mal e blá, blá, blá...

Raque se manteve em silêncio, mantinha os olhos fixos na janela do carro, evitando dessa forma olhar para o shikõ.

― você é a filha mais nova não é? Ou estou enganado?

Erii agora se virava para Raque, que mesmo estando com um semblante assustado, não se virava para o garoto ― o seu irmão, Ally, tinha 16 anos quando você fugiu de Miran e você 12, logo...

― é eu já saquei que você entende a situação.

Raque parecia irritada.

― você é um tipo de demônio como o Céverus?

Erii parecia curioso.

―NÃO!

Raque havia se alterado. Pouco a pouco a garota se acalmava e com uma expressão triste, voltava a observar a janela do carro.

―então porque ele quer tanto você morta? Porque ele te teme?

Erii a pressionava.

― porque quer tanto saber?

Raque estava com a voz falha.

― só curiosidade... imagino que alguém que seja considerada tão “ poderosa” não seria facilmente derrotada por um minotauro.

Erii dizia com uma voz séria.

― poder... é muito mais complexo do que parece.

Raque sussurrava.

― usar sua força pra proteger seus amigos não parece algo complexo.

O shikõ debatia.

― existem consequências pra tudo na vida. Algumas maiores do que as outras...

Raque parecia refletir sobre algo.

― e qual o tamanho da sua consequência?

Erii acompanhava a linha de raciocínio da jovem garota.

― grande ao ponto de eu deixar de ser eu e me tornar uma ameaça para tudo o que amo.

O tom de voz baixo de Raque provocou uma certa inquietação em Erii.

― dane-se essa droga de maldição...

A voz de Lily vinha da parte superior do carro ― você não vai deixar de ser quem você é, por algo que uns otários fizeram há 300 anos!

― seu argumento não faz sentido.

Erii rebatia. Raque sorriu. Um sorriso puro, que talvez jamais seria visto novamente.

― eu to vendo alguma coisa!

Lucy gritava da parte superior do veículo, quase que imediatamente, Erii pôs a cabeça para fora do carro.

― essa é a torre principal dos seguidores de Céverus.

O shikõ apontava.

― que audácia fazer isso tão próximo das Hinans.

Sayo se indignava.

― como a gente viu isso aqui antes?

Lily parecia surpresa.

― é um feitiço de camuflagem da Mizusha.

Erii explicava.

― e porque podemos ver agora?

Lucy questionava.

― talvez porque querem que nós os encontremos...

Raque dizia com um tom de voz sério.

― bom. Vamos parar aqui.

Sayo dizia enquanto freava o carro ― estamos a poucos metros da torre, o ronco do motor pode denunciar nossa aproximação.

― ta todo mundo pronto?

Erii perguntava.

― sim!

― sim!

Sayo e Lucy respondiam com animação. Com os olhos fechados, Lily demonstrava concentração, uma aura de cor púrpura cobria o corpo de Lily. Logo os pequenos arranhões que a maga possuía foram desaparecendo.

― o que está fazendo?

Erii a encarava.

― estou me recuperando da minha ultima batalha!

Lily respondia com um sorriso.

― e você pode fazer isso quando bem entender?

Erii parecia surpreso.

― na verdade, depois que a ação passar ela vai ficar em coma por três ou quatro dias.

Raque respondia de forma ríspida.

―chaaaata!

Lily birrava como uma criança.

― isso é verdade?

Erii demonstrava certa irritação.

―de certa forma.

Lily parecia sem graça.

Com um semblante sério, Erii se virou e partiu em direção a torre.

― ele ficou bravo?

Sayo o observava.

― ele sempre fica bravo.

Lily lamentava.

**

― senhor, o Andy e o Marius já voltaram da missão.

Lóris entrava na sala do trono.

― chame-o até...

― já estou aqui.

Andy entrava na sala.

― encontre a Raque e monte uma pequena equipe de busca.

― a Raque está na área morta.

Andy dizia com um tom de voz sério.

― o que aquela pirralha imbecil foi procurar na zona morta?

Jon parecia nervoso.

― não acredito que a Raque esteja lá dando um passeio, tem grandes chances de ela estar correndo grave perigo.

Andy o encarava. Jon agora assumia uma expressão de preocupação.

― vou tentar me comunicar com ela.

Andy informava.

― senhor!

Cute entrava com rapidez na sala ― senhor a Hinan do norte foi atacada por um exército de Kotonarus!

― e daí?

Jon mostrava certo desinteresse.

― o coronel Blade ligou pedindo apoio e...

― diga que estamos ocupados.

Jon respondia a Cute de forma ríspida.

― mas senhor, pessoas estão morrendo e...

― não é da minha conta!

Jon o interrompeu com um tom de voz firme.

― Jon, acabei de falar com Raque, nesse momento ela está no castelo do inimigo.

Andy havia voltado até a sala.

― ela está aonde?

Jon arregalava os olhos. Meu Deus qual é o problema dessa garota estúpida? E agora? O que eu vou fazer? INFERNO!

Jon estava alterado.

― ela disse que foi atrás da Masayoshi e que se os inimigos se apossassem dela, seria o nosso fim!

Andy completava.

― MALDIÇÃO!

Jon se alterava ainda mais.

― talvez a atitude da Raque não tenha sido algo tão ruim.

Allk que a pouco havia chegado, se aproximava de Jon.

― como assim “não tenha sido algo tão ruim”? Você ta delirando Allk?

Jon parecia não acreditar nas palavras ditas pelo seu fiel conselheiro.

― chega Jon! Já passamos muito tempo nos escondendo! É hora de contratacar!

Allk parecia extremamente motivado.

― isso é tolice Allk! Você é um dos poucos que está totalmente ciente da nossa situação, ainda mais militarmente falando! Se iniciarmos uma guerra do jeito que estamos, seremos massacrados!

O líder dos shikõs não escondia sua indignação diante da proposta vinda de Allk.

―sim Jon, eu sei de todos os fatos. Mas sejamos coerentes, se o que a Raque falou sobre o Céverus for verdade, ficando aqui, seremos massacrados da mesma forma! Precisamos achar a espada e...

― Céverus? Isso é uma história boba da mente de uma pirralha problemática.

Jon debochava.

― quem garante? Ninguém sabe de onde a Raque surgiu, você estava junto quando ela foi encontrada, o que faz com que você duvide que toda a história dela não seja real? E de onde surgiram esses shikõs? O Erii era tão forte quanto você Jon... por que é tão difícil aceitar que a teoria dos aliens é verdadeira?

Allk mais uma vez intercedia a favor da jovem shikõ.

― você ta se ouvindo Allk? “ teoria dos aliens”? sério que eu levantei da minha cama hoje pra ouvir esse tipo de coisa?

―eu estou com o Allk.

Marius havia acabado de entrar na sala.

― deveria pensar com clareza Jon.

Lorena também opinava.

― estão todos contra mim? Não entendem que eu só estou pensando na segurança da sociedade????

Jon andava de um lado para o outro, deixando bem claro todo o seu nervosismo.

― nós entendemos Jon e estamos te apoiando. Você é o líder da sociedade, mas nós somos a sociedade! Temos direito de escolher qual decisão tomar. Sei que quer nos proteger, mas hoje estamos tomando as rédeas das coisas, estamos dispostos a lutar pela nossa própria proteção!

Butcher também havia chegado até a sala do trono. Foi naquele momento que Jon parou.

― ok.

Jon dizia em voz baixa ― vamos organizar uma equipe de resgate, traremos de volta a espada e a garota.

― e Hinan?

Cute perguntava com receio.

― foda-se.

Jon se virava em direção ao seu trono.

― mas Jon...

― QUANTAS VEZES EU PRECISO DIZER QUE JÁ TEMOS PROBLEMAS DEMAIS PARA TOMAR AS DORES DOS OUTROS?

Jon interrompia Cute com berros.

― você assumiu o trono do mestre Kannot, precisa também assumir as responsabilidades dele! Se você não organizar uma equipe de apoio, eu mesma me encarregarei de forma uma!

Lóris assumia uma posição firme. Jon a observava.

―huuu! Ta sem moral senpai!

Jack comentava do fundo da sala. O silêncio reinou por alguns segundos na sala

― nós não podemos tirar todos os shikõs de batalha do castelo, isso pode ser outro plano daqueles malditos para acabar com a sociedade.

Jon explicava sua desconfiança.

― a gente da um jeito!

Lóris sorria. Observando a feição da garota por alguns segundos, Jon havia tomado sua decisão final.

― Nael, Marius e Bisco, vocês vão para Hinan! Como são apenas kotonarus sei que sozinhos darão um jeito! Marius assuma a liderança dessa equipe.

― sim senhor!

Marius fazia posição de sentido.

― Butcher e Allk, vocês dois virão comigo. Essa missão é perigosa, não quero envolver muitos, preciso dos mais fortes!

Jon andava de um lado para o outro ― Andy permaneça no castelo, além de ser uma segurança, será nosso ponto de informações por telepatia. Cute você vai supervisionar tudo e me trazer informações, se mantenha em movimento nos três locais, em caso de emergência, você será nossa fuga!

― sim senhor!

Cute fazia posição de sentido.

― e eu!

Jack questionava do fundo da sala.

― você fica aqui, porque é seguro!

Allk dizia com uma voz suave.

― eu posso dar um tiro na sua cabeça sabia?

Jack não escondia sua insatisfação.

― kouhai, permaneça aqui, o Andy precisará de ajuda, caso algo inesperado aconteça.

Jon sorria.

― vamos rapazes! Está na hora de contratacar!

O líder dos shikõs erguia a mão para o alto, fazendo com que todos na sala repetissem o gesto.

**

― está muito silencioso.

Sayo sussurrava. A aquela altura, os guerreiros já haviam entrado no castelo, por uma pequena abertura na lateral que levava até um enorme salão.

― seremos atacados a qualquer momento, só tenham isso em mente.

Lucy parecia extremamente calma.

― estou me sentindo bem mais tranquila agora Lucy, obrigada.

Foi então que uma forte ventania fez todos se assustarem. Um pequeno redemoinho se formou ao de Erii. O shikõ caiu de joelhos. Levando a mão a garganta, parecia lhe faltar o ar.

― ERIII!

Lily gritava. O vento forte continuava, foi então que a imagem de um homem surgiu, seus cabelos lisos e castanhos voavam em meio aquela ventania.

― não consigo me mover!

Lucy dizia com uma voz falha.

Com apenas um sinal de mão o homem lançou Sayo e Lucy para uma sala ao lado, a porta fechou imediatamente. Antes mesmo que elas pudessem entender a situação, o homem desapareceu, juntamente com Erii.

― LUCY! SAYO! ERII!

Após o cessar da ventania Lily esmurrava a enorme porta que a separava de suas amigas.

― Eize...

Raque parecia apática.

― hum... então vocês são as intrusas.

Uma voz feminina ecoava naquele enorme cômodo.

― Mizusha...

Raque havia reconhecido sua amiga de infância.

― Raque! Você aqui? Isso está cada vez mais divertido!

A mulher dizia com um sorriso no rosto.