Hinan

37 O Resgate


O vento forte causado pela alta velocidade da moto, bagunçavam os cabelos de Vallery.

Freando o veiculo por alguns segundos, a guerreira tirou do bolso uma espécie de localizador.

— a Lily ta perto...

Vallery sussurrava enquanto observava o aparelho. O microchip na pele da pequena maga era a melhor chance de Vallery.

Depois de se certificar da localização correta, Vallery seguiu mais rápido que antes.

Com os olhos confusos, a guerreira temia pela sua vida e pela vida de suas amigas, a mudança de paisagem já denunciava que ela havia adentrado na zona morta, levando a mão ao peito ela tentava acalmar suas batidas, em vão.

— calma Vallery... não é hora para covardia!

**

— quem é você?

Mizusha observava o recém-chegado.

— me chamo Butcher, comandante do exército shikõ.

— você parece forte...

A guardiã caminhava em direção ao shikõ.

— fique onde está.

Butcher assumia uma posição de ameaça.

— se não...?

A mulher sorria de forma sarcástica.

— acaba com ela Butcher! Ela é perigosa!

Sayo gritava do fundo da sala.

— se não eu vou te mandar para o inferno.

Butcher se preparava para o ataque.

— cuidado shikõ! Ela é perigosa não a ataque com...

As palavras de Lucy foram interrompidas por enorme estrondo e um clarão.

— droga...

Lucy arregalava os olhos. Um segundo estrondo seguido por uma explosão fez com que o shikõ fosse lançado para fora da sala. Mizusha gargalhava diabolicamente, alguns segundos depois Butcher voltou para sala. Seu corpo estava coberto de feridas e seu uniforme completamente rasgado, deixando parte de seu peito a mostra.

— olha aquilo...

Sayo cochichava com Lucy enquanto seus olhos brilhavam.

— não é hora pra isso Sayo! O poder desse shikõ é muito grande, se ele continuar atacando a Mizusha com esse nível de força ele vai morrer em poucos minutos e de quebra leva a gente também.

Lucy não escondia sua preocupação.

— ai meu Deus! Meu Butcher não!

A guerreira levava a mão aos lábios.

— só temos uma alternativa...

Lucy encarava o shikõ — ei Butcher!

Lucy gritava enquanto corria na direção do homem.

— o que ela pretende...?

Sayo observava a arqueira cochichar alguma coisa no ouvido de seu amado. Não era possível entender o que diziam, mas suas expressões eram confusas. Enquanto Lucy se mostrava apreensiva, Butcher parecia relutante. Um pouco distante dos dois Mizusha se mantinha em silêncio, sua confiança parecia inabalável, como se não enxergasse um desfecho diferente para aquela batalha, se não a sua vitória.

Um grande clarão surgiu, os poucos segundos em que Sayo havia se distraído com a inimiga foram suficientes para que ficasse completamente confusa com que estava acontecendo. A grande quantidade de luz a havia cegado.

— vem Sayo!

A guerreira sentiu uma mão puxar o seu braço, mesmo sem entender apenas seguiu a voz de sua companheira. Correu por alguns segundos, aos poucos sua visão voltava ao normal, ainda um pouco embaçada, mas suficiente para ver Butcher e Lucy correndo a sua frente. Olhou para trás, e pode ver uma enorme luz reluzindo de uma porta já distante, eles haviam fugido, agora tudo parecia fazer sentido. Foi então que Lucy soltou a mão da guerreira.

— continue correndo, não vamos parar até encontrarmos os outros!

Lucy dava as coordenadas.

Sayo apenas acenou positivamente com a cabeça enquanto a seguia.

**

— esses corredores parecem não ter fim!

Lily reclamava enquanto percorria as pressas atrás de alguma pista de seu companheiro.

— ei Lily!

Raque puxava a pequena maga com brutalidade e a jogava de costas para uma parede, em seguida fazia o mesmo.

— ai!

Lily esfregava a cabeça — o que, que te deu Raque?

— shiii!

Raque levava o dedo indicador aos lábios — escuta... é a voz do Taiko.

Lily se silenciou.

— A máquina já está pronta?

— sim senhor!

— então já é hora de começar a extração!

Em silêncio as garotas se atentavam a conversa.

— do que eles estão falando?

Lily sussurrava.

— querem retirar os poderes do Erii...

Raque mantinha o mesmo tom de voz — precisamos fazer alguma coisa depressa, a extração leva a morte imediata.

— que horror!

Lily arregalava os olhos.

— eu não sei o que fazer...

Raque se agachava contra a parede, Lily a observava — acabamos de enfrentar a Mizuno e já foi deixado claro que não temos chance, e o Taiko está lá... você tem noção de como ele é forte?

— se conseguirmos libertar o Erii, teremos muito mais chances!

Lily parecia animada — precisamos da espada não é mesmo?

Raque concordou com a cabeça — então precisamos tentar! Se a missão falhar... a gente morre. Se não tentarmos... a gente morre do mesmo jeito. E tentando a gente tem mais chance!

Lily fazia gestos e expressões, semelhantes a de uma criança.

— é...

Raque respirava fundo — qual é o plano?

A jovem miraniana encarava Lily.

— vejamos...

Lily se mostrava pensativa — JÁ SEI!

**

— Cuide disso Mizuno! Preciso cuidar dos preparativos finais...

Após passar as ordens Taiko se retirou da sala.

— Erii...

Mizuno tocava a superfície de vidro que servia de prisão para o shikõ — entregue o jogo logo.

Se continuar se mostrando tão resistente, serei obrigada a te fazer assistir como foi a morte da sua querida namoradinha...

— eu não vou facilitar nada pra você Mizuno... porque não tenta do jeito mais difícil?

Erii forçava um sorriso, enquanto se mantinha agachado no canto da gaiola de vidro.

— então vamos lá!

Mizuno sorria.

— deixa ele em paz!

A voz estridente de Raque fez com que todos os olhos fossem voltados para a porta de entrada. Os guardas se preparavam para atacar, mas um sinal vindo de Mizuno fez com que todos parassem.

— então você ficou viva.

Mizuno tirava uma mecha de seus longos cabelos brancos do rosto.

— sim! E eu vim salvar o Erii!

Raque fez então surgir seu bastão de batalha.

— RAQUE FOJE! A MIZUNO NÃO É ADVERSÁRA PRA VOCÊ!

Erii batia com força no vidro enquanto gritava para a garota.

— ai ai... talvez você queira se lembrar de quando...

— talvez VOCÊ queira se lembrar Mizuno!

Lily havia entrado na sala.

— como você...

— talvez você queira se lembrar da sua infância Mizuno, de quando foi retirada a força de seus pais, junto com a sua irmã, foi mandada para um lugar aonde você não conhecia ninguém! Foi privada de viver, de fazer suas próprias escolhas... de se apaixonar.

— sai da minha cabeça... você não tem o direito...

Mizuno caía de joelhos.

— é muito bom invadir a cabeça dos outros não é mesmo Mizuno? É bom acusar e mostrar aos outros seus erros...

Lily prosseguia com a tortura.

— VOCÊ NÃO PÔDE SALVAR SEUS AMIGOS!

— e nem você os seus!

A pequena maga a encarava. Mizuno arregalava os olhos — na verdade você foi a peça chave para a morte dele não é Mizuno?

— Ivan...

Raque sussurrava no canto da sala, permitindo que algumas lágrimas brotassem de seus olhos — POR QUE??? Ele sempre foi tão bom com todo mundo!

— claro... sempre tão bom...

Mizuno dizia com um tom de voz sarcástico.

Em silêncio Lily assistia a revolta de Raque.

— por que matou o Ivan?

Lily encarava Mizuno.

— não é da sua conta!

Mizuno tentava se levantar com dificuldades.

— você ajudou o Eize na batalha, era inevitável que o Ivan fosse vencedor, afinal suas habilidades eram as melhores... era mais forte e mais esperto. Mas você o traiu, enquanto ele lutava para proteger o reino.

— não foi assim...

Pequenas manchas molhadas cobriam o chão, fruto das lágrimas da guardiã — quando o golpe de estado estourou todos ficamos desesperados... sabíamos o tamanho da força do mestre Céverus e pior... o Eize estava com eles. O rei estava morto e Taiko também era nosso inimigo... eu, Ivan e Mizusha estávamos visivelmente em desvantagem, mas não iriamos nos render, havíamos vivido para aquilo... nos dedicado e lutaríamos até o nosso último suspiro, mas naquele dia...

**

— Mizuno, Mizusha vão para a entrada do castelo, mantenham a família real em segurança!

— Ivan, precisamos proteger a sala da esfera!

Mizusha se aproximava de seu comandante.

— sigam as ordens!

— mas...

— AGORA!

Ivan se alterava.

— vamos Mizusha!

Mizuno puxava a irmã pelo braço.

— achei vocês!

A voz grave de Eize fez com que as duas garotas parassem.

— afaste-se delas.

Com apenas um sinal de mãos, Ivan fez surgir uma imensa parede de pedras pontiagudas, habilmente o manipulador de vento se desviou do ataque, não rápido o suficiente para evitar que seu braço fosse gravemente ferido.

— maldito desgraçado...

O sangue escorria pelo braço de Eize, era notável que aquele membro estava inutilizável.

— meninas... VÃO!

Sem hesitar as duas garotas seguiram as pressas rumo ao pátio do castelo. Mizusha parou.

— deveríamos voltar para proteger a esfera...

— o Ivan deu as ordens!

Mizuno repreendia a irmã.

— olha aquilo.

Mizusha apontava para um enorme grupo de soldados — eles estão indo para o pátio, a esfera está desprotegida... é nossa obrigação cuidar dela Zuno.

Parada por alguns segundos, Mizuno refletia sobre o que havia ouvido.

— ok, vamos lá!

As duas garotas seguiram para a sala sagrada.

**

— quando chegamos lá... ele estava a nossa espera.

Mizuno prosseguia com o relato.

— “ o que vieram fazer aqui?” ele disse... “ não há nada para proteger crianças...” ele disse...

Mizuno enxugava as lágrimas enquanto se colocava de pé.

— o que?

Raque parecia perplexa.

— NÃO TINHA NADA LÁ! DEDICAMOS ANOS DE NOSSAS VIDAS PRA PROTEGER UMA SALA VAZIA!

Mizuno berrava.

— mas aonde... aonde está?

Raque a encarava.

— de que importa? Pelo visto não é algo que seja necessário manter seguro...

Mizuno sorria de forma desvaira — a pior parte disso tudo... era que o Ivan sempre soube... sempre...

— isso não justifica você compactuar com a destruição de um planeta e consecutivamente repetir o ato com outro! Você ajudou Céverus a dominar Miran e sabe lá Deus o que houve com as habitantes de lá... agora quer ajudar o Taiko a trazer ele pra cá! Não pode descontar no universo as suas frustações!

Lily se mantinha em pé diante da inimiga.

— VÁ PARA O INFERNO!

Mizuno inclinava seu corpo para frente enquanto levantava suas duas mãos a frente do corpo.

— o que... o que houve?

A guardiã olhava para suas mãos, com uma expressão de incredulidade.

— o feitiço que eu lancei em você é uma mágica de absorção... seus poderes agora são meus, por tempo indeterminado.

Lily sorria.

— maldita desgraçada...

Mizuno sussurrava em meio a lágrimas.

— que beleza.

Um homem havia entrado na sala.

— LILY, RAQUE! CORRAM DAQUI O EIZE É PERIGOSO!

Erii gritava desesperado.

— é melhor você ficar longe...

Lily assumia posição de ataque.

— você é a humana que manipula matéria... interessante.

Eize observava a pequena maga.

— VAI AGORA!

Erii esmurrava os vidro de contenção desesperadamente.

— ora, ora Mizuno... quem diria! Chega a ser gratificante te ver assim, de joelhos!

Eize sorria. Com um semblante abatido, a garota se mantinha de cabeça baixa.

— por que a está humilhando? Não estão do mesmo lado?

Raque o encarava.

— ela não faz diferença pra mim, viva ou morta!

Com essas palavras o guardião fez surgir um redemoinho de lâminas ao redor de Mizuno, sem hesitar Raque projetou um escudo de proteção, evitando a morte da garota momentaneamente indefesa.

— você a está protegendo... mesmo depois de ela te torturar e tentar te matar?

Eize carregava espanto em sua voz, seguiu então com uma gargalhada — você é muito burra! Não é atoa que só tem se ferrado na vida.

— torikowase!

Lily havia lançado o primeiro ataque. Eize desviou com facilidade.

— patético.

O guardião sussurrava. Erguendo sua mão em posição de ataque, fez surgir uma imensa ventania, arremessando a maga contra a parede.

Do lado oposto da sala, Raque tremia, ainda se lembrava o quanto Eize te dava arrepios desde a infância.

— vai ficar ai olhando?

Eize encarava Raque enquanto mantinha Lily presa contra a parede, com uma imensa pressão sobre seu corpo — ela vai morrer daqui a pouco.

Eize sorria.

— LILY!

Erii tentava de todas as formas se libertar.

— olha que lindo Erii! Ela ta ficando vermelha... que fofa!

O guardião debochava.

— SOLTA ELA DESGRAÇADO! ME LIBERTE E VEJA O QUE EU FAÇO COM VOCÊ.

— tic tac... tic tac... a anãzinha vai morrer pessoal! Façam alguma coisa!

Eize ria como uma criança.

— solta ela!

Raque agarrava o braço do inimigo. Com um semblante cruel Eize a atingiu com força no rosto, fazendo com que a garota caísse brutalmente no chão.

— sério Raque? Pensei que soubesse alguma truque especial, sei lá... mas tudo que sabe fazer é campos de forças! E nos momentos em que precisa lutar avança numa luta corporal com um inimigo mesmo sem força física nenhuma? Isso é realmente decepcionante...

Eize franzia as sobrancelhas.

— não gosto de homens que agridem garotinhas fofas...

Uma imagem familiar havia entrado na sala.

— Allk?

Raque se mostrava surpresa.

— olá Raque.

Allk sorria para a companheira.

— você é...?

Eize parecia desinteressado.

O semblante de Allk, antes pacífico, agora se mostrava intimidador.

— não lhe devo satisfações...

Em um movimento rápido Allk fez surgir correntes gigantescas do solo.

Eize saltou para uma distância segura, Lily caiu no chão ofegante.

— Lily!

Raque correu ao socorro da amiga.

— quem é esse?

Lily dizia em meio a arfadas desesperadas.

— é um amigo...

Raque respondia

— ele é forte?

— sim... mas não sei se é o suficiente para derrotar o Eize.

As duas garotas observavam a batalha.

— então vá soltar o Erii depressa... vou ver no que posso ajudar!

Lily parecia pensativa.

— mas Lily...

— vai Raque! Cada segundo é precioso!

Lily parecia preocupada. Raque acenou positivamente e se dirigiu as pressas para a mesa de computadores.

— COMO ABRE ISSO?

Raque se dirigia a Erii.

— COMO EU VOU SABER? Você é uma garota inteligente vai saber...

A fala de Erii foi interrompida pelas batidas incessantes de Raque nos botões, não satisfeita com a violência usada, a garota erguia alto uma cadeira que havia encontrado e arremessava contra os controles, repetindo essa ação diversas vezes, até que começassem a cheirar fumaça — isso não pareceu muito inteligente...

Erii parecia decepcionado.