Hikari to Kage
6 Tratamentos
Notas iniciais
“-- Taiga!! -- as minhas costas alguém gritava, um arrepio em minha espinha.
–- Himuro? -- virei e vi um garoto quase da minha altura, com seu olho esquerdo coberto por sua franja negra, e uma pinta embaixo do olho amostra, engoli a seco, Kuroko me olhava de baixo e pedia claramente explicação sobre quem era aquele.
–- Taiga! Há quanto tempo. -- tomou-me nos braços. O que faço?
–- Himuro? -- eu somente repetia isso.
–- Claro. -- sorriu. -- Quem pensa que sou?! -- dobrou a cabeça para o lado.
–- Ah... Tatsuya, esse é o Kuroko, Tetsuya Kuroko. Tetsu esse é o Tatsuya Himuro.
–- Yo, -- cantarolou levantando a mão. -- Tetsuya-kun, muito prazer.
–- Muito prazer, Himuro-kun. -- sua voz era indiferente, mas eu sei que ele está bravo. -- Eu vou na frente, Kagami-kun. Te vejo depois. -- me deu as costas, antes me lançando aquele olhar “Não me siga.”
Estou encrencado...”
Continuei observando o corpo do menor se afastar de mim, apertei a alça sobre meu ombro direito. Depois de respirar fundo, olhei para o garoto ao meu lado.
–- Quando chegou?
–- Ontem, eu estava indo visitar você. -- sorria. -- Quem era o seu amigo? -- se inclinou para o lado procurando por Kuroko.
–- Não é meu amigo, é meu namorado, Tatsuya.
–- Ah... -- balançou a cabeça em um sim. -- Desculpa, eu não sabia, vou indo, já que é assim.
–- Tudo bem, -- passei a mão na testa. -- quero dizer, não tudo bem, mas já que está aqui vamos à lanchonete.
–- Tem certeza?
–- Já estou encrencado mesmo... -- olhei para trás, ele já havia sumido.
Fomos para a lanchonete a qual Kuroko e eu sempre parávamos para lanchar. Mas somente o outro comeu.
–- Então, como anda o time? Da última vez em que eu estive aqui vocês estavam em boa forma.
–- Melhoramos muito de lá para cá. -- tirei os olhos da rua, encarando-o. -- O que veio fazer aqui?
–- Além de uma visita? Não sei, estou pensando em mudar. -- remexia nas batatas fritas.
–- Pensando em mudar? M-Mas!
–- Calma, não foi pôr você, ainda mais agora que sei que está namorando. Combinamos que seriamos amigos, não? Então, continuo seguindo está regra.
–- Sim, claro...
–- Deveria ir para casa, vamos conversar outro dia, Taiga. -- encarava-me, sério. -- Você está aéreo e pensando no Tetsuya. Vá, ficarei tempo suficiente aqui para que nos vejamos mais algumas vezes. Se tiver papel e caneta posso deixar meu número com você.
–- Não se incomode, se não mudou eu o tenho. -- levantei.
–- Ótimo, -- levantou-se também. -- espero não ter causado sérios problemas. Foi bom rever você. -- sorria. Tomando-me nos braços. -- Espero conversarmos novamente, tenho muito que falar. -- seu olhar único a vista era travesso, e particularmente falando não gostei disso. -- Vejo você depois. -- sentou de volta, tirando do bolso o celular.
Caminhei até a fila e comprei um Milk shake de baunilha para Kuroko, não seria um pedido de desculpas nem nada desse tipo, é apenas porque sei que é o preferido dele; andei devagar de volta para casa, pensativo em como deveria agir com ele. Principalmente não sabendo o quanto ele estava bravo pelo Himuro.
Ele sabe pouco sobre o garoto, mas o bastante para saber que namoramos por um longo tempo. E em comparação há quanto tempo tenho com ele, não é nada. Infelizmente.
Himuro fora meu primeiro amigo nos Estados Unidos. Me ensinou a jogar basquete, e a me apaixonar pelo esporte. Em uma de nossas brincadeiras de fim de tarde, quando tínhamos dez anos, o clima entre nós ficou ‘estranho’, e acabamos nos beijando na quadra. Depois daquele dia, paramos de nos falar por mais ou menos duas semanas, e quando dei o primeiro passo para nos falarmos novamente, fui direto e pedi-o em namoro; no começo fora um namoro bem infantil. Mas quando fizemos quatorze, e ainda estávamos juntos, por mais que tivéssemos diversas brigas por rivalidade e outras coisas relacionadas ao esporte, não poderíamos terminar, a partir daí as coisas evoluíram gradativamente, até quando fizemos dezesseis.
Foi difícil, tanto para mim, quanto para ele termos essa separação. A decisão inicial fora de meu pai, viríamos juntos para o Japão. Mas o velho desistiu da ideia depois de passar um mês aqui. E como as aulas já tinham começado, para mim ficou mais complicado voltar. Himuro não aceitou que eu não voltasse para casa. Na verdade, achei que ele estivesse bem puto ainda. Não foi a coisa certa, mas eu já tinha conseguido firmar uma vida aqui, mesmo no pouco tempo que estava, voltar seria a coisa certa a fazer, mas... Temos os ‘mas’. Gradativamente fomos não tocando mais no assunto e fui me aproximando do Tetsu, até estarmos finalmente juntos. Então meses, não se comparam há anos, e espero que isso não caía em nossa conversa. Será uma facada para mim.
–- Kuroko? -- a casa estava silenciosa, como se o menor nem lá estivesse. -- Eu trouxe Milk shake. -- não obtive respostas, e desisti de tentar tê-las.
Passando pela frente do quarto de hóspedes, que era o meu quarto quando papai estava aqui, a luz estava acesa, revirei os olhos. O azulado estava planejando dormir ali.
–- Posso entrar?
–- A casa é sua, você entra onde quiser, Kagami-kun.
–- Não fale assim comigo... -- ele arrumava a cama. -- Eu ia lhe contar que ele estava vindo pro Japão. Foi sobre isso que eu disse que precisávamos conversar quando chegasse em casa.
–- Está bem. -- sentou no móvel já arrumado.
–- Você sabe que não gosto de ficar falando sobre meu relacionamento anterior. Não acho necessário...
–- Faz parecer que você ainda não o esqueceu.
–- Como? -- franzi a testa.
–- Faz parecer que você ainda não o esqueceu, Kagami-kun. -- ergueu os olhos do chão. -- Vocês ficaram juntos por seis anos, tudo bem, eu... Eu entendo.
–- Não, não é nada disso... -- fechei a porta em minhas costas, mesmo que não houvesse necessidade, já virara mania.
–- Não tente se explicar, só vai complicar as coisas. Onde está meu Milk shake?
–- Na geladeira. E-.
–- Está tudo bem, -- se desvencilhou das mãos que seguravam as dele. -- eu vou buscar, e vou dormir, estou cansado.
–- Kuroko...! Não seja assim... -- falei baixo. Segui o menor até a cozinha. -- Vai dormir no quarto de hóspedes?
–- Uhum. -- puxou ar, depois de largar o canudo do vaso de plástico. -- Ele não sabia que você está namorando?
–- Não conversamos há tempos, uns sete ou oito meses, não estávamos juntos, e ele me mandou essa mensagem há umas duas semanas, nem eu lembrava dela, não até a casa de seus pais e todo o alvoroço sobre nós. Eu não fiz por mal...
–- Sei que não. -- passou por mim, fechando a porta do quarto quando entrou.
Tomei banho, comi algo, mesmo que não passasse da maneira mais agradável pela minha garganta. E fui para cama, somente fui, porque pregar o olho que é bom: nada.
–- Tetsu... Está dormindo?
–- Estaria, se você não batesse na porta.
–- Para. -- encostei a testa na madeira. -- Isso não é justo.
–- Com quem? Com você? -- abriu a porta de vez. -- Vocês não terminaram por causa de uma briga, ou de algo escandaloso, Kagami-kun! Foi porque você veio para cá! E se não fosse isso, agora vocês estariam juntos. O que quer que eu pense?
–- Estaríamos juntos, talvez. Mas agora eu estou com você, não é?
–- Por quê?
–- Porque eu gosto de você, Kuroko. Eu passei a amar você, e não importa quanto tempo fiquei com o Tatsuya, é você quem quero agora.
O olhar do outro não amoleceu, apenas me encarava frio, inexpressivo.
–- Eu acredito em você. Mas, ainda assim não é uma coisa que irei aceitar facilmente. Meu namorado de amizade com o ex.
–- Não estou de amizade com ele. Talvez se não existisse um nós na história eu estaria com ele agora, e não voltaria para casa preocupado em pedir desculpas...
–- Ele ainda não superou e espero que saiba disso, e também que deixe claro a ele seus sentimentos.
–- Farei isso. -- abaixei para selar nossos lábios, mas o outro colocou um dedo entre os meus, balançando a cabeça em não.
–- Boa noite, Kagami-kun.
–- Você não vai lá pro quarto? -- ele olhou para trás, apagando a luz seguiu em minha frente, embolando-se no lençol de costas para a ponta da cama, na outra extremidade.
–- Boa noite, pequeno. -- liguei o abajur.
Não me atrevi a abraçá-lo pelas costas, e não por isso demorei a pegar no sono.
Acordei mais cedo do que era de se esperar, talvez pela tensão que passamos no dia anterior. Mesmo na inconsciência Tetsu estava empoleirado em meu peito, com a mão ao lado de meu rosto, ronronava baixinho dormindo, sorri. Mesmo estando chateado, seus hábitos noturnos superaram isso. Dei um jeito de sair sem acordá-lo, o que foi fácil, pelo fato de que como ele mesmo dissera estava cansado não só do treino, mas do que aconteceu.
Fiz nosso café após a higiene matinal, eram pouco mais das nove da manhã, o que me fez esperar mais um pouco quanto a acordá-lo para comer, fora que eu tinha que pensar sobre como ele iria reagir quando fosse acordado; beijei sua testa, o azulado se remexeu, encolhendo-se e puxando o cobertor sobre o ombro. Sentei na ponta da cama, levando a mão em seus cabelos numa leve carícia.
–- Kuroko? -- sussurrei. -- Acorda... -- resmungando algo que não captei, cobriu o rosto com o lençol e virou para o outro lado, me dando as costas. Suspirei. -- Ei. -- enfiei-me debaixo das cobertas também. -- Vem, levanta. O café está na mesa.
–- Eu não quero levantar... -- mantinha os olhos fechados, a voz baixa.
–- O dia está frio, fiz chocolate quente. Mas não será quente se você continuar assim.
–- Okay. -- abriu os olhos olhando para o pano branco que o cobria, rolou os olhos a mim, mas não sorriu como costuma fazer. -- Bom dia. -- levantou, indo ao banheiro, após uma breve e funda respiração saí do quarto. Não estava a fim de aturar um Kuroko daquele jeito.
–- Continuará a me tratar desse jeito? -- ele sentou a mesa.
–- Eu não sei. -- bebeu do chocolate. -- É complicado, sabe disso...
–- Irá deixar a aparição de meu ex desandar o que temos?! -- deixei a torrada sobre o pires.
–- Não é isso.
–- Não?! O que então? Olha, eu sei que fiquei anos com ele, e que terminamos não porque brigamos ou nada parecido, mas eu não admito que você ache que irei lhe trocar porque nos vimos e ele pensa em morar aqui no Japão. Se for assim, porque estou com você?! -- levantei, pegando o casaco sobre o encosto do sofá e seguindo para a porta, onde ao lado do calçado estava a mala de basquete.
–- Kagami-kun! -- Kuroko berrou da cozinha. -- Aonde vai?! -- veio até o pequeno corredor que levava à sala.
–- Não sei, na lanchonete, talvez?!
–- Você não terminou seu café.
–- Perdi a fome. O almoço esta na geladeira, caso você volte antes de mim. Até mais. -- fechei a porta.
Meus trajes não eram nada adequados ao clima que fazia; bermuda, camisa regata, e sandálias. Se bem que estava de casaco, mas isso não significava que não faria frio, sim, faria, e muito. Não havia muitas pessoas na rua, e as que estavam se protegiam com guarda-chuvas dos flocos de neve que começava a cair. Desnecessário.
Enfiei as mãos dentro dos bolsos do capote, não trouxe luvas, então teria que me virar do jeito que estava. Caminhei para a escola, apertando com força a alça que pendia sobre meu ombro. Sentei em um banco da praça próximo a meu apartamento, provavelmente se o azulado chegasse da varanda daria para me ver, mas essa não era a intenção, por isso me afastei um pouco mais. Respirei fundo algumas dezenas de vezes, antes de finalmente tomar a coragem necessária para seguir em frente, e rever o pessoal do time.
–- Onde está o Kuroko? -- perguntou Teppei.
–- Deve estar vindo. Com licença. -- me dirigi ao vestiário, mas senti os olhos dos que estavam em quadra me seguindo.
Tirei os tênis de dentro da sacola, o uniforme e subi novamente para onde estavam todos. Kuroko acabara de desapontar, e cumprimentava a treinadora. Senti seu olhar em mim quando peguei a bola e comecei a fazê-la quicar. Na realidade a minha vontade de vir treinar hoje era nula.
O treino não fora tão rígido, fomos divididos em equipes, e jogamos uns contra os outros. Com a exceção de que ouvíamos gritos da Riko de tempos em tempos por eu não estar fazendo tantas cestas quanto costumava, ou pelo azulado estar fazendo passes que pudessem ser visualizados e interceptados.
–- O que há com vocês dois? -- fomos postos no banco, ela puxava nossa orelha, literalmente.
–- Riko, se puder me dispensar hoje, seria um enorme favor. -- joguei a toalha sobre a cabeça, a garota tragou do ar, notando que de nada adiantará a voz firme ou a pergunta sobre acontecimentos.
–- Está bem, Kagami-kun, pode ir.
Murmurei um baixo agradecimento, e a ouvi dispensar o Tetsuya também. Com seus baixos passos ele veio atrás de mim durante todo o corredor até onde nossas bolsas estavam. Saí do ginásio primeiro, sendo seguido por ele, na sinaleira atravessamos quase lado a lado. E se não fosse à multidão teríamos ido para a quadra de rua a qual eu segui.
Fiz cesta sozinho, driblei a mim mesmo, e extravasei algumas emoções reprimidas ou não tanto assim. Quando o meio de tarde chegou, eu estava suado e ofegando como se houvesse tido um orgasmo intenso. O que certamente demoraria a se tornar realidade. Eu jogaria mais, se a fome permitisse.
Passados no máximo vinte minutos que estava jogado ao chão o celular esquecido na bolsa vibrou, encarei o visor, mensagem do Tetsuya. Estava em branco, achei que tinha sido engano, mas logo veio a ligação.
–- Eu iria mandar mensagem, acabei enviando sem querer, mas...–- puxou ar como se tomasse coragem, esperei suas palavras. -- Me desculpa, Kagami-kun... Volta, eu quero ver você, e alem disso está ficando cada vez mais frio. Você não comeu...
Não respondi, comecei a caminhar de volta para o apartamento um sorriso de lado estava em meus lábios, que no máximo ficava a quinze minutos da quadra, isso a passos lentos, porém do jeito que eu estava andando chegaria em cinco. Eu podia ouvir sua respiração do outro lado do fone, esperei que mais falas viessem, mas não. Toquei a campainha de casa, e ele me atendeu com o telefone na orelha, jogando-se em um abraço.
–- Não deveria ter feito aquilo... Fiquei chateado porque você não disse logo que ele estava aqui, mas não era motivo, não quando estamos juntos. -- enterrou o rosto em meu peito.
–- Está tudo bem. -- tirei seu rosto do local, trazendo seus lábios aos meus. -- Tudo bem. -- sorri de leve, sua ação foi nos conduzir a outro beijo. -- Ele estar aqui não muda nada, -- passei ambas as mãos por seus fios. -- nada. -- franzi a testa.
–- Fui idiota, desculpa. Não depois de você e eu termos enfrentado meus pais por nós. -- apertou mais os braços em minha cintura.
Meu celular tocou novamente enquanto seus lábios estavam nos meus.
–- Atende...
–- Não, é o Tatsuya.
–- Atende Kagami-kun.
–- Mas -
–- Atende! -- forçou a voz, me soltando.
Prensei um lábio no outro para só então atender.
–- Alô?!
–- Taiga! E então, como vão as coisas?! Conseguiu resolver a situação de ontem?
–- Sim, eu acho. -- encarei o menor que olhava para cima a face mais uma vez com aquela expressão impassível. -- O que quer?
–- Poderia nos encontrar mais tarde?
–- O Kuroko irá comigo.
–- Irá?! -- deu uma pausa. -- Está bem, nos encontramos às 18h.
–- Sim, às 18h.
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