Hikari to Kage
4 Preciptação...?
Notas iniciais
Hoje é sábado e a tensão, ansiedade, medo, euforia, correm em minhas veias. Kuroko já pediu que eu me acalmasse centenas de vezes, mas fico mais nervoso a cada passo que dou e a cada distância encurtada da casa dos pais dele. O pequeno me disse que ia ficar tudo bem, desde que eu não me espelhasse na atitude do Aomine. Aquele desgraçado, tenho até vergonha só de imaginá-lo falando algo daquele tipo.
Ontem à noite Kuroko ligou para seus pais avisando que estava indo até lá para jantar. Mas a mãe do azulado insistiu para que fossemos pela manhã. São apenas dez horas, a brisa está levemente fria, não só pela neve no chão, mas também como pela estação.
–- Kagami-kun! Eu já repeti para que se acalme!
–- Estou calmo.
–- Não tente me enganar, você está fazendo caretas desde que saímos de casa. Está tudo bem, se você não conseguir... -- olhou o chão, para logo depois voltar a mim com um termo sorriso.
–- Ei, eu sei que não estará, okay? Se você pediu é porque espera que eu faça. Então, darei um jeito.
–- Se a rua não estivesse assim tão cheia, eu lhe daria um beijo. -- suas bochechas coloriram.
–- Você poderia ter dado uma desculpa melhor para sua vergonha de fazer. Não há pessoas ao nosso redor, e se formos contar dez é o máximo que alcançaremos.
–- Tudo bem, dormiremos em meu quarto. Poderei fazer lá, sem que ninguém esteja olhando.
Esqueci de mencionar a parte em que dormiríamos lá. E que o pai do garoto nos levaria para o treino na segunda. Será um pouco estranha a parte que dormiremos juntos depois que eles estiverem sabendo do que temos.
–- Acredita que eles nos deixarão dormir juntos?!
–- Meus pais não são este tipo de pessoas. O problema disso tudo é que ainda não consegui imaginar o tipo de reação deles. -- suspirou.
–- Vai dar tudo certo, você mesmo disse. -- segurei sua mão, dando-lhe um sorriso confiante, mesmo que eu quisesse parecer mais do que realmente estava.
Tremi dos pés a cabeça quando vi a casa dos pais de Kuroko logo a nossa vista. Com as solas sobre o tapete de ‘bem vindo’ do apartamento, o outro tocou a campainha. Segurei firme a alça de minha mochila sobre um único ombro meu e puxei o ar fortemente. O barulho da tranca se desfazendo se fez ouvir e a porta se abriu. Uma mulher de cabelos escuros e olhos grandes e negros se fez presente a nossa frente.
–- AH! Kuroko, meu filho. -- sorriu, tomando o outro em um abraço apertado.
–- Mãe. -- sorriu junto a ela, retribuindo o gesto.
–- Ah, Kagami-kun, seja bem vindo você também. -- me tomou nos braços.
–- Obrigado pelo convite.
–- Venham, entrem. -- nos deu passagem. -- Querido, eles chegaram. -- passou por nós. -- Garotos, coloquem suas coisas no quarto do Kuro-chan.
–- Kuro-chan? -- segurei o riso enquanto subíamos as escadas para o quarto.
–- Para, Kagami-kun, eu já pedi a ela para não me chamar assim. É constrangedor.
–- É bonitinho. -- pus a mão sobre a boca.
–- Não, não é. -- abriu a porta, deixando a mochila sobre a cama meio casal forrado com lençol azul, havia dentro do cômodo prateleiras de vidro, com muitos livros e troféus, uma cômoda com alguns action figure, e um porta retrato contendo uma foto de todos da Geração. Ouvi um latido ao longe e me assustei ao olhar para a porta e ver aquele cachorro que tinha o mesmo olhar do Tetsu. -- Tetsuya dois.
–- O-O que ele está fazendo aqui? -- me encolhi contra o guarda roupa.
–- Ah, Kagami-kun, não tenha medo dele. Vamos, já conversamos sobre isso. -- se aproximou com ele no colo.
–- Ei, Kuroko, afasta ele! -- eu estava para surtar, quando o pai do outro surgiu na porta, nos olhando.
–- Ora, Kagami-san, agora sabemos o motivo de o Tetsu tê-lo deixado aqui. -- sorriu com as mãos dentro dos bolsos da calça social. Parecia muito com o azulado a meu lado, se não fosse pelo tom azul escuro de seus cabelos e o olhar um pouco mais severo. Um pouco? Há, desde quando o meu pequeno tem olhar severo? E isso foi o que me deixou com o coração na mão. Não será fácil. Ao que parece.
–- Pai. -- sorriu de leve, e eu juraria ter visto um pouco de hesitação em sua face, talvez pelo mesmo motivo que eu tenha pensado.
–- Estou saindo, mas voltei antes do almoço. Fiquem a vontade. -- jogou a mão para o lado em um curto adeus.
Quando ficamos a sós com o cachorro, me sentei ao seu lado. Respirando pesado e encarando o chão. Kuroko colocou o cão para descer, descansando a palma pequena em minhas costas.
–- Está tudo bem?
–- Está, não... -- prensei um lábio no outro. -- Não se preocupe.
–- Tentarei. -- não me abriu seu costumeiro sorriso, isso significa que ele também está tenso.
–- Desculpe, não quero preocupar você. -- deslizei o indicador em sua bochecha, trazendo por seu queixo, sua boca a minha.
–- Kagami-kun... Não... -- seu protesto não fora além disso, e as pequenas mãos me seguraram as vestes em desespero, respondendo a altura o feroz beijo.
–- Kuro-chan! -- ouvimos passos na escada, seu olhar cruzou o meu enquanto se afastava devagar. -- Então, -- surgiu sorridente. -- como anda o time?
–- Bem, mãe. Obrigado por perguntar.
–- Ei, pare com essa mania de ser polido com sua família. -- abanou a mão. -- Nee, não havia nenhuma garota bonita em sua classe?
–- Não... -- sussurrou.
–- Não seja exigente, Kuro-chan. Você tem dezesseis anos e nunca nos apresentou ninguém.
Nos entreolhamos, a moça calou-se para prestar atenção em nós.
–- O que foi? O Kagami-kun também não tem namorada?
–- Não é bem isso. -- cocei a bochecha. Essa não... Não estou preparado. Apertei minhas calças.
–- Mãe. O Kagami-kun cozinha maravilhosamente bem, ele deveria ajudar no almoço. -- deu um mínimo sorriso, olhei para ele, encarando vaziamente a mulher em sua frente.
–- Seria uma honra tê-lo em minha cozinha, tudo bem para você?
–- Claro, por mim tudo ótimo.
–- Ora, ora, irei ver as receitas. -- girou nos calcanhares, saindo por onde entrou, mais animada que antes.
–- Bem, eu acho que eles mudaram... Talvez devêssemos esquecer... Estamos, estamos bem como estamos.
–- Quantas vezes terei que dizer? Você pediu e farei. Agora vamos descer. Tenho um almoço para preparar. -- tentei ao menos sorrir, o azulado acompanhou o gesto, com uma luz em seus olhos.
Descendo e a senhora admirava um livro de culinária.
–- Hãn... Que tal curry? -- me aproximei do balcão, aquela dela ficar olhando aquele treco não nos levaria a uma decisão.
–- Ótimo. Bela escolha. -- guardou a brochura. -- Me faltam alguns ingredientes. Irei comprá-los, não demorarei na volta. -- beijou de leve a testa do garoto ao meu lado e saiu pela porta, após pegar sua bolsa sobre o sofá e o casaco no pendurador.
–- Hum... Você tem um texto, ou algo assim?
–- Não. Se eu fizesse isso faria besteira. -- puxei uma cadeira. -- Vem aqui... -- seu peso quase não fez diferença em minhas coxas. -- Darei um jeito, okay? Viemos para isso, não foi? Hoje à noite conversaremos com ele. -- não me encarava, mais parecia uma criança pequena a brincar com meu colar.
–- Está bem. -- limitou-se nas palavras. Para então selar nossos lábios.
Suas pernas me cercaram a cintura pela cadeira. Abracei seu corpo a fim de trazê-lo o máximo possível para colar contra mim. A preocupação dessa vez de ser pego por alguém fora totalmente jogada para os ares, e a cada novo estalo em nossas línguas as coisas iam tornando-se mais e mais necessitadas.
–- Não, não, não, K-Kagami-kun. Não podemos... Ei. -- abortei novamente seus lábios, tinha hora que suas reclamações quanto a pausas eram irritantes.
Desci a seu pescoço, sentindo suas falanges se prenderem em meus fios, puxando-os na medida em que os gemidos iam desvanecendo de sua garganta. Rolei meus olhos à porta da cozinha, que fazia divisa com a sala e vi aquele par de olhos azuis me encarando, com o rabo de cartilagens balançando. Enterrei meu rosto no pescoço em frente, aspirando fundo o perfume proveniente.
–- Não consigo com ele me olhando. -- finalmente arranquei um riso verdadeiro vindo do outro, que acabou retribuindo o abraço, acariciando até onde seus braços o limitavam.
–- Ainda bem que ele apareceu, você deveria me ouvir. Minha mão chegasse, provavelmente a situação na qual seriamos pegos não seria favorável, além de muito constrangedora.
–- Às vezes você corta o clima, poxa.
–- Agora seria necessário cortá-lo. Você anda tão, tão insaciável. Assim não aguento. Eu sei que você está tenso com isso, também estou. Mas não é só sexo que vai resolver...
Pisquei algumas vezes para absorver o que havia sido me dito.
–- Eu não sabia que estava agindo desse jeito.
–- Agora sabe. Você fica um pouco aéreo quando sobre pressão. Por isso lhe tiramos dos jogos às vezes. E sempre acontece quando é contra o Aomine-kun.
Talvez o tempo tenha passado rápido demais. Já era pouco mais das cinco, estávamos no quarto, Kuroko na cama, e eu sentado no chão com a cabeça sobre o colchão.
–- Não deveria ter medo dele. -- Tetsuya ainda ria da minha reclamação sobre o porquê de um cachorro ser mascote. -- Ele é fofo e todos gostam.
–- Ele é a sua cara. Tem os mesmos olhar. Chega a ser estranho.
–- Hahaha, então temos mais um motivo para que você goste dele.
O silêncio se instalou e apenas nos encarávamos. Seus grandes olhos azuis olhando os meus. Sorri largo e vi suas bochechas avermelharem, junto com os orbes desviados.
–- Não faça isso, olhe para mim.
Mesmo em um movimento totalmente coberto de vergonha ele fez.
Seu pai depois do almoço conversou com nós dois. Mostrou-se boa pessoa, assim como sua esposa, porém não podemos dizer como ele reagiria diante da notícia. E nem ela. Isso só faz meu coração bater mais rápido a cada segundo.
Caminhei com minha mão sobre a cama, encontrando a dele no meio do caminho. Acariciei seu dorso com o polegar, recebendo um sorriso sem dentes e um desvio do olhar para nossas mãos unidas.
–- Kuroko... -- chamei baixinho, ele se inclinou até mim quando o chamei com o indicador. -- Amo você, pequeno. -- envolvi sua nuca, roçando a ponta dos dedos em seus fios, aspirei seu pescoço, ouvindo minhas palavras de volta no mais baixo tom. Não pude deixar de sorrir quando fui abraçado por seus braços finos, e o corpo esquio se arrastou pela cama em prol de se encolher sobre meu colo. -- Está parecendo uma criança. -- ainda baixo falei. -- Uma criança mimada.
–- E sim, eu sou uma. -- acompanhou-me rindo, por esse momento esquecemos que não estávamos em casa, e trocamos carinhos não só nas palavras como em atitudes. Mas, o acordar à realidade veio da voz da senhora mãe dele chamando-nos para o jantar. -- Como eu pude esquecer que estava aqui? -- levantou, ajudando-me em seguida.
–- Hahaha, calma, não fora só você. -- agarrei seu cotovelo antes que ele saísse do quarto. -- À hora chegou certo? -- ele assentiu. -- Independente do que se suceder na conversa... Me promete, que continuará comigo?
–- Prometo.
–- Obrigado. -- selei nossos lábios. -- Agora, a hora da verdade. -- caminhamos em direção a porta.
Estamos jantando e a conversa está alegre e casual, apesar da minha barriga parecer um freezer. Estamos de frente um para o outro, o que faço? Não tenho ideia de como falar sobre tal coisa.
“Senhor e senhora Tetsuya, Kuroko e eu temos um assunto sério a tratar a com vocês.” Ou “Senhor e senhora Tetsuya, tenho um pedido a fazer.” O que e como eu falo, alguém me ajude!
–- Você cozinha muito bem, Kagami. -- começou o pai, sim, apenas Kagami, não me sentia bem com o ‘san’ no final. -- Seus pais ensinaram?
–- Não, eu moraria aqui com meu pai, porém ele desistiu da ideia, então tive que aprender para não comer em fastfood o tempo inteiro.
–- O Kuro-chan está se dando bem em sua casa. Espero que não esteja dando muito trabalho.
–- Imagina, dona. Às vezes nem noto a sua presença.
–- Hahaha, isso era de se esperar. O Kuro-chan sempre fora esse menino tímido.
–- “A senhora diz isso porque nunca o viu na cama... Ah Kuroko...!” Sim, e é isso é uma das qualidades que o faz um ótimo jogador. -- sorri para ele.
O papo continua, estou tentando me manter frio, mas deuses estou verdadeiramente nervoso quanto a isso. Mas é isso!
Pigarreei, chamando a atenção de todos.
–- E-Eu tenho uma coisa para falar com os senhores. -- vi o rosto de Kuroko se avermelhar e os olhos aumentarem. Meu coração bate feito louco e quase não consigo segurar o queixo querendo tremer.
–- E o que seria?
–- Tem algo a ver com o motivo de nós dois termos vindo aqui.
–- Kagami-kun... -- Tetsuya falou baixinho, olhando fixo em mim. Seria agora ou nunca. Apesar da minha nula preparação e falta de saber o que falar tem que ser agora.
–- O Kuroko e eu... E-Estamos... -- respirei fundo, levantando os olhos para encarar o pai do outro que estava ao se lado. -- Senhor, quero pedir a permissão de continuar com seu filho, sabendo que mesmo que não permitam o amor que sentimos não deixará de nos manter unidos. -- é isso! AH! Pronto! Falei!
O olhar caído do garoto era de pânico, sua mãe a pai nos encarava alternadamente, as bocas abertas em surpresa.
–- Kuroko o que significa isso? -- seu pai começou.
–- Exatamente o que parece. -- não elevava os olhos das mãos sobre as pernas.
–- Kuro-chan, desde quando?
–- Semanas antes das férias começarem. -- estão me ignorando? Isso não parece bom.
–- Kagami, pode subir e nos deixar a sós, por favor?! -- seu pai novamente, Kuroko me olhou desesperado, como se implorasse.
–- Não posso, desculpe.
–- Precisamos de uma conversa em família.
–- Vai, Kagami-kun.
–- Mas Kuroko -
–- Tudo bem, apenas suba... Não complique as coisas, está bem?
Mesmo contrariado pedi licença e subi. Não antes de demonstrar para o azulado minha insatisfação de deixá-lo sozinho. Sentei no chão, costas no guarda roupa e cabeça a tentar imaginar o que estaria acontecendo lá embaixo, temos pouco mais de um mês e meio juntos, talvez tenha sido um pouco cedo demais para falar com eles?
–- Droga. -- apertei os cabelos nos dedos.
–- Kagami-kun? -- sua mãe surgiu. -- Não sei o que falar. -- uma longa pausa surgiu. -- Mas meu marido e eu não concordamos com esse tipo de relação.
–- Não concorda com duas pessoas se amando? Eu amo o seu filho, dona. Apenas isso. E só quero que saiba que estou com ele, e feliz.
–- Não acho que vocês tenham futuro. Tetsu-chan sentirá vontade de ter descendentes.
–- Pelo jeito vocês não o conhecem...
–- Talvez não, mas desista da ideia. Ele voltará a morar conosco. Meu marido irá levá-lo para casa.
–- Se é para ir e deixá-lo, prefiro ir a pé.
–- Então, faça, por favor. -- e saiu.
Desci as escadas com minha mochila. Kuroko estava de pé na cozinha, tentei passar de modo a não ser visto, mas falhei.
–- Kagami-kun! Aonde vai? -- correu até mim que já estava na porta.
–- Sua mãe, ela... Pediu que eu fosse embora.
–- Não, você não pode. -- seus olhos tinham lágrimas.
–- Ei, não chore, okay? Eu estou aqui ainda. -- segurei seu rosto, sentia o par de olhos lá trás nos observando, mas ignorei. -- Não é isso que me fará não te amar.
–- Não, por favor, Kagami-kun. -- ergueu-se na ponta dos pés unindo nossos lábios, passei minhas mãos em suas costas.
–- Já chega! Kagami! -- a voz não era da mulher.
–- Se vai nos separar ao menos nos deixe ter uma digna despedida. Nos veremos no treino, segunda?
–- Ele não irá.
–- Precisamos dele. Eu preciso!
–- Vocês têm reservas.
–- Pai!! Vocês não podem fazer isso, não podem me tirar tudo que amo assim! Se o Kagami-kun for irei com ele.
Pela cara de espanto de ambos, essa foi a primeira vez que o pequeno os enfrentou.
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