Notas iniciais
Dia após dia minha vida ia passando, sem motivo...

Dia após dia minha vida ia passando, sem motivo, sem nexo!

Esses últimos dias tem sido difíceis pra mim, acho que para todos. Meu pai não me deixara sair do meu quarto, estamos em guerra... Todo o Japão!

– Senhorita Kaoru. – chamava meu guarda costa, temendo que eu já tivesse escapado pela janela em meu quarto.

– Estou trocando de roupa, você pode acreditar ou pode entrar e ver com seus próprios olhos. – Respondi com um sorriso no rosto.

– Me perdoe princesa, mas você sabe o que aconteceria comigo se eu fizesse isso. – Disse ele com uma voz gélida.

– Eu sabia muito bem o que aconteceria...

“Donna tokidatte

Tada hitoride

Unmei wasurete ikitekitanoni

Totsuzen no hikari no naka megasameru

Mayonakani

Shizukani

Deguchini tatte

Kurayami ni hikari wo ute”

– Quando terminei de me arrumar, saímos em direção a sala do Shõgun, os olhos dele pareciam com o céu em noite limpa sem nuvens...

– Você é linda! – Exclamou ele.

– Acho que a frase certa é você esta linda! – Corrigi desviando meu olhar do dele, tentando disfarça minhas bochechas agora rosadas.

– Eu nunca erro! – Afirmou ele com um sorriso simplório no rosto, enquanto abria a porta para o salão principal.

– Meu pai nos esperava, sempre bravo, com sua cara fechada. Por vezes pensei que seria mero costume, quem sabe não fosse.

– Kouji! – Chamou meu pai.

– Sim meu senhor?! – respondeu ele, sempre calmo.

– Você será enviado ao campo de batalha, nós tivemos inúmeras baixas. Eu preciso de meu melhor guerreiro em campo!

– Mas... e a princesa? Quem ficara como guarda em minha ausência? – Perguntou ele, agora não tão calmo como antes.

– Não se preocupe com isso, o sábio Soujirou é o melhor guerreiro de minha província ao norte, minha segunda esposa o enviou para essa tarefa.

– Mas senhor; será que... – Fora interrompido antes que concluísse seu pensamento.

– O que você esta tentando insinuar Kouji? – Perguntou meu pai já furioso.

– Nada meu senhor! – Respondeu.

– Kouji sabia que em tempos de guerra nossa família ficara em alerta, existia sempre uma briga pela sucessão do trono e nada melhor que um acidente militar pra eliminar um concorrente. O novo guarda veio me pegou pelo braço e indicou a porta de saída. Passei ao lado de meu amado, ele estava com uma face imutável, era claro seu olhar de ira. Quem sabe ele desconfiasse de algo que meu pai nem muito menos eu percebera. Ele se pôs enfrente ao novo guardião e mesmo baixo foi possível escutar.

– Se algo acontecer a ela em minha ausência não importa quantos nem quem esteja a te proteger, nem mesmo o shõgun ira me impedir de ir atrás de você. Eu te buscarei no inferno se for preciso! – O avisou pondo a mão sobre o cabo de sua espada ainda embainhada.

– Os lhos do meu novo guardião queimavam como fogo. Certamente se meu pai e eu estivéssemos presente muito sangue seria derramado.

– Certo “bouzo”. – Respondeu Soujirou menosprezando o aviso feito.

– Meu pai fingira não escutar nada. O que acontecia entre seus Samurais não era de seu interesse, para ele eram apenas armas de guerra. Kouji virou para meu pai tocando com seu dedo três vezes no cabo de sua espada...

– Nosso sinal! – Pensei enquanto saia escoltada.

– Sabia que naquela noite ele viria ao meu quarto. Caminhamos ate meu leito e após algumas horas Soujirou falou em um tom de deboche:

– Se o sinal feito por ele significa uma visita noturna, esqueça! Reze para que ele morra na guerra, pois se ele voltar com vida o destino que o espera aqui será mil vezes pior. – Perdi o chão ao ouvir aquilo.

– Por um instante jurei sentir meu coração parar, não termia a guerra. Kouji nunca perdera um duelo, então de onde vinha aquele medo? Deitei-me em minha cama esperando a noite. Ele não veio!

E os meses passaram...

“Imadoki yakusoku nante

Fuan ni saseru dakekana

Negai wo kuchi ni shitaidake sagasou

Kunimo shoukai suruyo kitto umaku ikuyo”

E os meses passaram... Sempre me perguntei se a chuva chama a tristeza ou se é a tristeza que a chama. Em meio a um mar de sangue me vi, sangue de minhas vitimas, dizimara uma legião de inimigos, pessoas iguais a mim; assassinos!

Quantos deles tinham família? Quantos deles lutavam para proteger alguém? Assim como eu luto. Não tinha resposta, mas também pouco me importava, eu poderia enfim rever minha cor favorita refletida nos olhos “dela”. Tudo poderia voltar ao normal, pelo menos era o que eu pensava.

– Capitão, capitão. – Gritava nosso mensageiro.

– O shõgun faleceu! O herdeiro do norte ficara em seu lugar!

– Meus pés saíram de orbita, a morte do Shõgun já era esperada já que sua saúde era bastante debilitada, mas por que a colônia do norte?

Dentre as seis colônias só a central e a do norte tinham herdeiros, contudo a central seria a principal já que a princesa Kaoru seria a mais velha dos filhos. Tentei não pensar no pior, porem pensei! A água descia dos céus em forma de chuva. Dei meia volta e regressei ao porto, não me importava que os outros pensassem que sou um traidor por abandonar a guerra em um momento tão critico como aquele. Peguei um dos barcos atracados no cais e ordenei que partíssemos e assim foi feito.

A viajem me custaria toda a noite, chegaria bem cedo. Uma voz dentro de mim dizia que algo estava errado. Escorei-me na parte interna da proa do barco procurando dormir, o sono não veio, nem viria, estava muito preocupado com ela.

Ao chegar na colônia central fui direto ao palácio do Shôgun. O castelo estava decadente, perguntei a um serviçal o que acontecera não me lembro o que o camponês falara já que meus ouvidos se perderam quando ele disse:

– A princesa foi vitima de uma emboscada, ela morreu!

– Sai feito louco pelos corredores do castelo, subi todas as escadas necessárias e cheguei ao quarto dela... Vazio!

Aquilo me gelara o peito, destruiu minha alma, pela primeira vez em todos esses anos derramei uma lagrima. Não só de tristeza, mas também de arrependimento, pensei em todos os possíveis “se”. Pus-me de joelhos, meu corpo caira no assoalho frio, mil coisas vieram a minha cabeça, mas só uma era clara.

Como um alguém que carrega o titulo de “Densetsu Akuma” perde tão fácil em um combate? Como um guerreiro desse nível se deixa cair em uma emboscada? Algo não se encaixava! E se isso tudo fosse verdade, onde ele estava? – Me questionei durante horas.

– Minha visão vagava pelo solo do quarto, embaixo de sua cama havia um pergaminho, era sua letra, era seu diário...

– Estaremos sempre juntos, não importa o momento, estarei sempre ao se lado! – Dizia a frase em destaque.

– Nesse momento eu não mais sentira as pernas...

“Donna tokidatte

Zutto futaride

Donna tokidatte

Soba ni irukara

Kimi to iu hikari ga watashi wo mitsukeru

Mayonakani”

Aquele verde me fazia tão bem, minha tonalidade favorita. Ela veio gentilmente me abraçando, colocou um lindo sorriso em seu rosto e sem querer no meu também. Estávamos em meio às montanhas, deliciávamos de uma sombra de sakura tão linda. O por do sol refletido em seus olhos cor de esmeralda me revelavam a verdadeira paz, e foi nesse cenário que nós nos beijamos pela primeira vez.

Quando enfim abrira os olhos, ela tinha desaparecido, em minhas mãos estavam minhas ferramentas de trabalho ainda sujas de sangue. Uma lagrima escorrera em meu rosto, não de tristeza, muito menos de remorso; chorava de pena, chorava pela família do pobre defunto que matara a única mulher que amei!

#Nightmare Off

[...]

– Acordei em uma cama meio assustado meus ossos doíam, meus olhos quase não abriam por causa da luz do sol. Encostei-me na cabeceira com dificuldade, uma velha senhora entrara em meu leito.

– Vá com cuidado meu jovem, você passou três dias e três noites dormindo, seu corpo deve estar fraco. Tome coma isto. – Disse ela entregando um prato com algo semelhante a sopa.

– Lembrei que fazia muito tempo desde a ultima vez que pregara os olhos para dormir.

– Te encontrei jogado no chão do quarto da jovem, trágico não?! – Falou ela mudando completamente seu tom sereno.

– Tão jovem, ser morta de um jeito tão brutal. Ela deve ter sofrido muito, eu mesma vi seu corpo mutilado por inúmeros golpes de espada... Sinto muito por você garoto! – Seus olhos não concordavam com suas palavras!

– Ela realmente o amava! – Concluiu ela pondo o diário em meu colo enquanto saia do quarto.

– Abri o pergaminho e comecei a ler, la estava escrito tudo que acontecera e o que poderia ter acontecido, em vários momentos ela citava a hipótese de um dia me apresentar a sua família. – Eles nunca nos aceitariam.

– Lera sobre sua falecida mãe, o quanto ela sentia falta de seus conselhos nunca dados. Ela escrevera sobre seu novo guardião, como ele a desejava só com o olhar. O final do pergaminho amassado me roubou a atenção, em letras não tão bem feitinhas estava escrito:

– Não importa o que aconteça eu sempre estarei ao seu lado, mesmo que esses olhos vermelhos me tirem de perto de você. Eu sempre estarei aqui. – Deveria ter sido escrito de ultima hora.

– Lagrimas novamente rolaram em meu rosto, não pude salvara porem poderia agora vingala, poderia dar a seu executor uma morte lenta e também poderia cumprir minha promeça ao Soujirou.

Tomei a sopa, dormi mais um pouco. Queria estar bem disposto, sabia que não era o único que usava os princípios da espada. Bem cedo fui ao porto, partindo assim para o norte.

“Urusai

Toori ni haitte

Unmei no kamen wo tore

Saki wo mitooshi suginante

Imi no nai koto ha yamete

Kyou ha hoshii monomo tabeyouyo

Mirai wo zutto sakidayo

Bokunimo wakaranai”

– Já era noite quando atracamos, andei a passos largos querendo chegar rápido ao castelo. Guardas pareciam me esperar no portão, ficaram os dois em minha frente. Pus minha mão sobre o cabo de minha espada fazendo assim com que eles recuassem me deixando entrar, andei pelos corredores do palácio ate que, uma voz fizera meu sangue voltar a circular; era ele!

– Vejam só se não é o senhor “bouzo”! – Disse ele sentado em uma cadeira dentro da sala real.

– Duas Gueixas o acompanhavam, uma em cada perna, sentadas em seu colo. Ele ordenou que ambas se retirassem, e elas assim o fizeram.

– Onde você estava no dia do ataque à princesa? – Perguntei antes que saísse alguma palavra de dentro da sua boca imunda.

– Ele mostrou um largo sorriso, ficou de pé, passou por mim e me chamou pra darmos uma volta. Se minhas suspeitas estivessem certas seria a ultima vez que ele andaria, virei-me em direção a porta e demos inicio ao passeio.

Saímos do castelo, passamos por uma província, todo o tempo sem dizermos uma palavra um ao outro, chegamos a um vilarejo deserto, ele virou para mim e disse com um sorriso no rosto:

– Vá pode ir, ela esta la dentro te esperando. – Apontando para uma velha choupana que caia aos pedaços.

– Sem questionar entrei. – A imagem em minha frente fez meu coração diminuir seu ritmo.

“Dundum, Dundum” – Escutava nitidamente ele bater...

– Ela deve estar cansada, a noite passada foi longa, que mulher meu amigo! – Dizia ele continuando a me seguir.

– Me aproximei mais um pouco, notei que em sua pele cortes foram diferidos, talvez ela tenha lutado muito. Meu coração desacelerava mais uma vez ao ver seus cabelos vermelhos, pela primeira vez quis não encontrá-la viva!

“Dundum; Dundum” – Minhas mãos gélidas tremiam.

– Você vai gostar de se deitar com ela, não se engane com esse rosto de anjo. Só tome um pouco de cuidado ela grita muito! – Disse ele sem tirar o maldito sorriso do rosto.

– Me ajoelhei pegando a “moça” ainda incrédulo que poderia ser ela. – Desejei com todas as minhas forças que não fosse ela, estava errado... Era ela!

– Os olhos cor de esmeralda viraram-se pra mim molhados por lagrimas. Nunca pensei poder ver ela dessa forma, não queria acreditar...

– Eu sabia que você viria, sabia que mesmo que os anos passassem chegaria o dia que eu poderia voltar ao meu lugar favorito, seus braços. – Disse ela em prantos.

– Ela ainda acreditava em mim, acreditava em uma pessoa que a abandonou. Senti meu coração parar, a ultima coisa que houvira foi sua voz dizendo.

– Eu acredito em você!

“..................”– Ele não batia mais e meu sangue não mais circulara em minhas veias!

[...]

– Ele suspendera meu corpo nu em seus braços, me tirou em silencio de dentro do casebre, me escorou em um tronco longe de meu agressor, beijou gentilmente minha testa enquanto afagava minha cabeça com sua mão gélida. Seus olhos brilhavam em conjunto com a lua cheia, aqueles olhos eram iguais ao do dia em que o conheci. Ele se virou dizendo:

– Não se preocupe logo estaremos em casa!

– Ele andou sem tirar sua arma da bainha, ia na direção de seu oponente já armado, pronto para matá-lo.

– Não fique com raiva, nós podemos dividi-la, não vale apena brigarmos por uma vad...

– Antes que terminasse, ele teve um dos braços mutilados pelo veloz golpe de meu amado.

– Os olhos vermelhos que antes mostravam ironia agora refletiam medo e agonia.

– Maldito! – Gritou ao ver seu braço caído no chão.

– O rosto de Kouji não demonstrava expressão alguma... ele desviava dos golpes diferidos pelo seu oponente sem muita dificuldade. Porem a cada corte que meu amado desferia em seu oponente, fazia com que um sorriso diabólico brotasse em seu rosto. Era grande a diferença de abilidades entre os dois, e Soujirou percebera isso muito tarde.

– Porque você não me mata? Porque brinca comigo maldito? – Agonizava ele em desespero.

– Eu sabia como aquela batalha acabaria, tentei gritar, porem estava muito fraca. Minha voz não saira!

Quase desmaiei de fraqueza, só não o fiz porque um urro de dor me despertara, Soujirou tentara correr em minha direção e tera a perna mutilada por meu amado ainda ileso. Kouji estava banhado de sangue, nem uma gota sua. Ele suspendera Soujirou pelo pescoço e ultrapassara uma espada em seu peito direito, abaixara pegara outra espada e cravara em seu peito esquerdo.

– A morte seria pouco, só isso não faria você se redimir de todos os seus pecados. – Falou ele desembainhando pela primeira vez durante a luta sua outra espada.

– Com um veloz golpe retirara do corpo de meu agressor seus membros restantes. Consegui ver nitidamente o sorriso em seu rosto. Ele veio em minha direção deixando seu oponente pendurado enquanto sangrava, chegou perto, pediu-me desculpas, me pôs em seus braços novamente, porem antes jogou uma velha capa cobrindo assim meu corpo.

Fizemos um longo percurso ate o porto, pegamos um barco que tinha como destino meu antigo lar. Durante todo o percurso ele ficara calado, chegamos antes do amanhecer. Ele entregou minha guarda a uma velha senhora, virou-se e sumiu diante de mim em uma densa nevoa, essa foi a ultima vez que o vi.

– Vocês jamais poderiam ficar juntos, e ele sabia muito bem disso. – Falou a velha olhando a lua cheia sumir dando lugar ao brilho do astro rei.

– Por quê? – Perguntei com uma voz de choro, ainda fraca.

– Vocês são de épocas diferentes, mundos e principalmente espécies diferentes. Enquanto você um dia morrera, ele jamais poderá dar adeus a esse mundo!

– O que ele é? – Perguntei ofegante.

– Ele é simplesmente uma essência, uns o chamam de Anjo Protetor, outros o dão o nome de Demônio Assassino. Mas o que importa é, o que ele representa pra você minha filha? – Me questionou!

– Ela nunca me falou com clareza sobre ele, e ele nunca voltou. Eu recuperei tudo que era meu por direito, descobrimos que tudo não passou de um plano diabólico do Soujirou. Todas as noites desde aquele amanhecer eu sentia uma presença em meu quarto, como se “algo” me protegesse na escuridão, como uma sombra. Em tempos de guerra a lenda voltava a ser contada, como um só guerreiro nos levou a vitoria, como um só samurai foi capaz de enfrentar todos os seus medos por seu amor... e foi assim que uma lenda se tornou um homem!

“Motto hanasouyo

Mokuzen no ashita no koto mo

Terebi keshite watashi no koto dake wo

Miteiteyo”

Notas finais
Prólogo

O sol nascera! Porem desta vez o raio de luz que sempre me encorajava a viver não conseguira chegar ate mim .

Sabia que nunca mais chegaria, teria eu enfim desligado minha humanidade... pro bem dela e quem sabe do meu também, minha "família"com certeza já teria sentido minha presença e logo viria acerta contas comigo...e essa humanidade só me atrapalharia a lutar teria que me tornar um Demônio sem alma, só pra ser o anjo protetor da alma de minhas amadas!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!