"Por que você não para?", foi a pergunta de Chas quando John acendeu um novo cigarro. Ingênua, direta e curiosa, assim como o próprio rapaz. O olhar, desviando-se da estrada alguns minutos para observar o passageiro por cima do ombro, denunciavam o excesso de confiança juvenil. Constantine apenas reclinou-se com a cabeça para trás sem se importar muito, irritado com o próprio defeito de caráter refletido no mais novo. Ele teria rido se estivesse com humor para isso, mas em seu lugar soltou apenas um grunhido enfadonho.

"É só que, Constantine..." O motorista ainda tentou continuar o argumento. Foi quando John fez menção de apagar o cigarro no estofado.

A ameaça, claro, não passou despercebida, "Hey!? John? John! Não! Não faz isso, cara...". O garoto se desesperou um pouco ali. Satisfeito, ele riu do motorista que agora dirigia calado e com olhar fixo na estrada. Voltando-se a se reclinar no encosto do carro, seu próprio olhar nulo parou para observar a pequena brasa que consumia o cigarro preso entre seus dedos.

Se já havia pensado em parar? É claro. Milhares de vezes. Mas nem que vivesse uma vida de com comida de coelho pelo resto dos seus dias poderia salvar-se do que o aguardava. Não que ele tivesse contado ao garoto. E nem pretendia. A última coisa que precisava era de uma babá ainda cheirando a leite seguindo-o por todo lado.

Ou pior, a pena de um.

A parte isso, não fez da pergunta algo menos intragável (Intragável, háh!).

Que grande piada...

Mas só humor não bastava para mudar o fim da história.

Que se dane.

Tragando com força o cigarro, seus pulmões arderam em um protesto mudo enquanto lutavam pelo oxigênio que já não conseguiam absorver. Ainda assim ele puxou mais uma vez e então mais outra, até que todo o pequeno cano estivesse resumido a cinzas fétidas e um filtro inútil — o qual ele jogou pela janela antes de bater as cinzas contra o encosto do passageiro.

Quando o táxi estacionou em frente à igreja, Chas ainda reclamava as suas costas.

Se John estivesse em seu lugar, já teria desistido de ambos, tanto do cheiro no estofado, quanto do homem que o causara. E ignorando a falácia atrás de si, o exorcista apenas observou a longa escadaria que o levaria até igreja, antes de sacudir a hesitação e dar o primeiro passo.

Constantine havia pego uma autoestrada direto para o inferno, e mesmo que o carro capotasse não conseguiria parar de acelerar.

Notas finais
Só isso. Algo há muitos anos pronto. Embora eu ache que aquele cigarro todo é mais fruto de ansiedade que qualquer outra coisa.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!