High School Manual

1 Um ano "maravilhoso" nos aguarda


Notas iniciais
Leiam as notas da história! Espero que gostem.

Inicio do primeiro ano do ensino médio, 2011

— Thalia Grace, se você não sair agora, eu juro que arrombo a merda dessa porta! – Gritou Hera do lado de fora do banheiro, a voz estridente.

Ri mais uma vez e aumentei o volume da música que vinha do celular. Oh Love do Green Day era ensurdecedora. Me olhei no espelho mais um vez, limpando o borrado do batom vermelho e bagunçando mais um pouco meus fios. Sorri ao ver a mensagem de Percy no visor.

P: 6:30 da manhã e eu acordo com sua madrasta aos berros, devo me preocupar?

Pensei numa resposta enquanto terminava de calçar os tênis.

T: Apenas encontre um despertador melhor

Saí do banheiro sem nenhum sinal de Hera, descendo as escadas, indo em direção ao balcão da cozinha apenas para pegar minhas chaves. Guardei os fones e mandei mensagem para Percy, dizendo para sair de casa. Entrei na garagem e liguei o carro.

Jackson já estava na calçada, com sua mochila nas costas, o sorriso pouco exausto da noite passada. Ele abriu a porta e entrou, me dando um beijo em seguida.

– Como consegue estar tão bem mesmo depois da festa de ontem? – Perguntou rindo e colocando na nossa estação de rádio favorita

Sorri negando a resposta e acelerando em direção a escola, observando de canto de olho, ele mandar uma mensagem para Annabeth

– Qual é, Percy? Falando com aquela loira nojenta a essa hora do dia? – Seu olhar paciente parecia prever que eu diria algo parecido

– Você só não conhece ela muito bem, Thals – Sorriu – A propósito, onde está Jason?

– Jason dormiu na casa da Piper depois da festa. E eu conheço ela muito bem e não quero nenhuma loirinha dando em cima de você – Falei emburrada

– Sempre preferi as loiras mesmo – Provocou sorrindo

– Cale a boca antes que eu te expulse do meu carro, Jackson – Disse estacionando em uma vaga qualquer e ouvindo nossas portas baterem depois de sairmos

– Não fica irritada, cara-de-pinheiro – Veio até mim com aquele sorriso debochado e me deu mais um beijo, puxando minha cintura e roubando todo meu ar – Valeu pela carona.

Travei o carro antes de colocar as chaves na bolsa e entrar na escola. Dizem que é no ensino médio que você encontra as pessoas que estarão contigo pelo resto de sua vida. E acho que a única pessoa que realmente se encaixa no quesito é Percy Jackson. Não que eu não tenha outros amigos, eu tenho, mas o fato é que nunca encontrei um amigo tão leal quando o Jackson. O conheço desde que me entendo por gente e ele sempre foi a minha paquerinha. E acho que, mesmo eu não sendo uma pessoa muito compreensiva e paciente, eu significava o mesmo para ele.

– Thalia! Espera! Thalia! – Revirei os olhos e dei meia volta no corredor, encontrando uma loira sorridente.

– Oi Annabeth. – Disse impaciente

– Oi! Eu estava procurando por você, como sabe, sou presidente do clube estudantil e queria que se tornasse participante e nos ajudasse a organizar algumas coisas... – Parei de escutar ela, colocando o fone no ouvido novamente

– Não estou interessada – Falei com a voz arrastada, voltando a andar em direção ao meu armário e vendo ela me seguir

– Mas se você me desse uma chance de apresentar todo mundo, tenho certeza que gostaria e...

– Annabeth, eu não estou interessada – Disse devagar, como se falasse para uma criança, olhando em seus olhos

Ela pareceu envergonhada e saiu do caminho, me pedindo desculpas.

Abri o armário pegando alguns livros e fechando em seguida, sentindo o olhar de Percy cair sobre mim.

– Você podia ter sido mais agradável com ela, coitada – Disse pondo a mão na minha cintura e andando comigo até a sala

– Podia mesmo, Percy. Mas eu não quero que sua amiguinha encha meu saco em busca de alguma amizade. – Ele não disse nada e se sentou do meu lado.

Poseidon entrou na sala dando bom dia, cumprimentando os alunos. O professor era pai de Percy, mas era separado de Sally, mãe do Jackson. O divórcio, pelo o que soube, foi complicado tanto para ele quanto para ela. Ele recuperou-se e agora dava aulas para as melhores escolas da cidade, na matéria de biologia e treinador da equipe de natação.

Tinha a aparência de qualquer outro professor, camisa de botões e gravata. Os cabelos eram negros, como os de Percy, e seus olhos num tom verde vibrante. Era um pouco desleixado para um professor, mas nenhuma classe deixava de ter algum respeito pelo velho.

– Deveria dar as boas-vindas a todos, como qualquer outro professor faria, e dar um breve discurso sobre o ensino médio e blá blá blá – Sorriu – Mas vamos deixar as falas decoradas para o Senhor D que falará com vocês no fim do dia. Como primeiro dia de aula do ano letivo, sou obrigado a passar um trabalho para me entregarem ao final do semestre, algo que ainda não decidi.

Percy e Poseidon trocaram um olhar cumplice

– Mas... Por enquanto – Continuou – Tomei liberdade de formar as duplas

Andou até sua mochila, tirando uma pasta azul e olhando um papel

– Começando, Drew e Will... – Ele foi ditando os nomes e os alunos murmuravam, infelizes com os parceiros. – Jason e Bianca, Leo e Piper, Percy e Luke, Thalia e... Annabeth.

E nem preciso dizer que me encaixei perfeitamente no quesito 'aluna infeliz com sua dupla'. Murmurei alto chamando a atenção de Percy.

– Foi você, não foi? – Sussurrei com raiva

– Ser filho de professor nos da alguns privilégios – Sorriu para seu pai – Qual é, Thals... Eu gosto de todos os seus amigos, você bem que podia fazer um esfocinho para gostar, pelo menos um pouco, de Annabeth. Ela é uma grande amiga e significa muito para mim.

Revirei os olhos e encarei Annabeth, do outro lado da sala. Ela me olhou entediada e, acreditem, a recíproca era verdadeira.

– Por você – Ele sorriu e beijo-me a bochecha

A aula ocorreu normalmente depois disso. Poseidon falou algo sobre as células e organismo de animais. Arrumei minhas coisas e saí o mais rápido que pude da sala, torcendo para não esbarrar com Annabeth.

[...]

Até as líderes de torcida pareciam ansiosas para sair de lá quando Dionísio começou a falar. Escutei pouca coisa do seu discurso, os fones não deixaram, mas o pouco que ouvi foi sobre as regras da escola. O diretor daquela porcaria era basicamente um adulto frustrado, baixo e gordo que sempre usava uma camisa de botão com estampas estranhas.

Quando ele finalmente acabou, desejou um ano letivo maravilhoso e todos saíram do ginásio. Eu estava tentando encontrar Percy naquela multidão. Mas com minhas incríveis habilidades, acabei topando e caindo bem em cima do felizardo que passava do meu lado. Muito bem Thalia, esse ano vai ser sem sombra de dúvidas, maravilhoso.

Depois de cair deitada em cima do menino fui finalmente o encarar e mandar ele olhar por onde anda, mas por favor, tente me entender. O garoto era alto, loiro e de olhos azuis límpidos. Cheirava a perfume amadeirado e mesmo com três camadas de roupas entre nós, eu pude sentir seus músculos escondidos por uma camisa preta.

Depois de alguns minutos nos encarando e nos recuperando do choque, ele levantou e me ajudou. Eu simplesmente não conseguiu tirar meus olhos dele. Sim, eu tenho um rolo com Percy mas, sei reconhecer um deus grego quando vejo um.

– Você devia olhar por onde anda, garoto! – Voltei a realidade

– O que?! Você que caiu em cima de mim, sua louca

– Como você se atreve a me chamar de... – Ninguém me segura que eu vou acabar com esse rostinho lindo

– Espera Thalia, calma. – Ouvi a voz de Jason e senti seus braços me segurando

– Não me manda ter calma, Jason. Quem esse garoto pensa que é, ele...

– Bom dia, Luke. Desculpe o mal entendido – Disse Jason, me ignorando completamente

O tal de Luke começou a rir

– Então essa é sua irmã, hein? – Ele disse – Tá tudo bem cara, nem precisa se desculpar. Estou um pouco atrasado, te vejo por aí Jason. Tchau Thalia

Jason me soltou e me encarou

— Já falei pra você hoje que não deve ficar arranjando essas confusões? É só o primeiro dia Thalia, tem pessoas mais importantes que o Luke pra você se preocupar, tipo o Percy que ta te esperando pra irem almoçar.

– Que droga, Jason. Você passa maior parte do tempo fora de casa e fica querendo me dar lição de moral, eu sei muito bem me defender sozinha e eu ia acabar com aquele idiota

Jason revirou os olhos e isso me deu vontade de socar ele também. Ao invés disso, apenas bufei e lhe dei as costas

[...]

Coloquei meus fones indo até meu armário arrumar meus livros. Estava completamente cheia do Jason me tratar como se eu tivesse três anos mesmo eu sendo mais velha que ele. Precisava sair logo dali e fumar um cigarro. Não fazia nem 5 horas que eu estava nessa escola mofada e já me sentia sufocada.

Ao invés de proibir os alunos de fumarem fazendo-os fumar escondido, o diretor dessa porcaria foi mais esperto. Fez uma espécie de jardim de inverno com bancos onde ele não se importa se alguém fumar ali, mas ele jura de pés juntos que não fez a área de fumantes propositalmente e que foi só uma ideia para ventilar mais a escola. E claro que nós, os alunos, juramos de pés juntos que acreditamos.

Joguei a mochila em um dos bancos e tirei de lá um maço marlboro, lembrando em seguida que eu tinha esquecido o isqueiro. O universo deve estar me olhando rindo dessa desgraça. Tinha desistido quando vi alguém sentar do meu lado. E não era ninguém mais ninguém menos do que aquele idiota com quem eu tombei no ginásio.

Estava prestes a mandar ele ir à merda e sair dali com passos pesados, se não fosse o isqueiro que ele tirou do bolso e me ofereceu. Sem perder tempo, peguei da mão dele e acendi o cigarro, devolvendo o isqueiro e tragando.

— Quer um? – Ofereci e ele pegou um do meu maço, acendeu e tragou

Ficamos ali juntos, sentados. Fumando em silêncio, escutando o barulho dos outros alunos longe.

— Foi mal ter te chamado de louca hoje – Ele disse soprando a fumaça

— Sem problema – Respondi – Eu também não fui muito agradável

Ele riu e eu o olhei. A fumaça saindo aos poucos da sua boca e seu olhar distante. Tudo nele parecia perfeito, atraente e sexy.

Quando percebi que estava o encarando por muito tempo, desviei o olhar e soprei com pressa a fumaça jogando o resto do cigarro no chão e pisando em cima, me levantando em seguida. Precisava encontrar Annabeth, queria fazer logo aquele trabalho e me livrar dela o resto do semestre.

Luke se levantou também, repetindo a mesma cerimônia de jogar o cigarro no chão e pisá-lo. Me olhou intensamente, como se me comesse com os olhos. Senti minha espinha arrepiar e logo vi que aquele garoto ia ser problema.

— Te vejo por aí, Grace – E saiu

[...]

Não procurei muito até encontrar Annabeth sentada em uma das mesas mais isoladas do refeitório. Cheguei perto e me sentei ao seu lado, me assustando em ver seus olhos vermelhos.

— Annabeth... O que houve? – Tentei ser educada

— Ah, eu não acredito. Já não basta o menino que eu gosto me ver apenas como amiga, tem que vir a ficantizinha dele aqui vir tirar onde com minha cara – Resmungou e tomou mais um gole de sua bebida.

A cara que fiz não devia ter sido das melhores. Olhei para a garrafinha em sua mão e tomei-a dela. Ela nem se importou, deitou a cabeça na mesa e chorou.

Cheirei a boca da garrafa e senti o inconfundível cheiro de álcool. Sei que não devia me importar nem um pouco com ela, mas ao ver ela assim, me senti compelida a ajudá-la. Acho que ela deve estar com sérios problemas, nem eu sou audaciosa o suficiente para tomar umas dentro da escola. Eu precisava tirá-la dali o mais rápido possível, antes que algum aluno ou pior, professor visse ela naquele estado. Peguei o celular e liguei para Percy.

Thalia! Onde você estava?! Eu fiquei esperando você para almoçarmos juntos. Ele parecia estar furioso

Droga. Esqueci da porcaria do almoço, estava fumando com Luke e se Percy souber não vai ficar nem um pouco feliz.

— Estou no refeitório. Annabeth está bêbada, precisamos tirá-la daqui antes que alguém...

Annabeth?! Você nem fala com Annabeth, Thalia. Quando vai parar de mentir para mim?!

Antes que eu pudesse responder, escutei a linha muda. Percy Jackson seria um homem morto quando eu o encontrasse, mas agora eu precisava tirar a loirinha daqui agora.

Peguei a mão dela e ela resmungou alguma coisa inaudível. Apoiei o braço dela no meu ombro e a ergui do banco. Graças aos deuses, estávamos em uma mesa afastada das demais, e eu consegui levar ela até o corredor. Sentia meu corpo pedir socorro. Ela não estava se sustentando sozinha e eu não ia aguentar segurá-la.

O corredor estava praticamente vazio, mas vi Luke aparecer. Ele estava indo para o refeitório quando nos viu. Correu até mim e quando eu a soltei, ele conseguiu chegar a tempo para segurá-la. Me apoiei nos armários com a respiração ofegante. Annabeth podia ser magra, mas era muito pesada.

— Thalia... O que aconteceu..?

— Precisamos tirá-la daqui Luke, por favor me ajude. – Não acredito que disse isso

Nós dois apoiamos a loira e a levamos até meu carro o mais rápido e discreto que pudemos. Entrei no banco motorista, Luke sentou no banco traseiro e deitou a cabeça de Annabeth em seu colo.

— Percy... – Ela murmurava

— Não acredito no que estamos fazendo, não posso levar ela até minha casa. Meu melhor amigo não me ajudou quando eu mais precisava, meu irmão me trata como criança e eu esqueci a porcaria do isqueiro em casa – Disparei tudo, como se estivesse desabafando e apoiei a cabeça no volante.

Luke pôs a mão no meu ombro, me dando suporte e eu respirei fundo. Liguei o carro e mudei a marcha, saindo da escola. Parei no sinal pensando aonde iriamos. Zeus e Hera estavam em casa eu não podia simplesmente chegar lá com dois colegas uma estando bêbada antes do horário.

— Vire à esquerda no próximo quarteirão – Luke disse. Olhei confusa para ele – Meus pais não estão em casa, podemos ir para lá.

Notas finais
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