High School Manual

27 O xeque-mate de Zeus


Notas iniciais
Demorei mesmo, esses capítulos estão me matando, vocês não fazem ideia! Espero que gostem! ♥

— Uma coisa interessante? – Perguntei e arqueei a sobrancelha.

— Descobri que a última peça que ela atuou foi em nossa cidade. – Ele tirou o celular do bolso e me mostrou o cartaz da peça. – Depois daqui ela tinha mais um monte de cidades para ir, mas cancelou todas as peças e desapareceu para seu agente... O último post em sua página é uma carta dele para os fãs da peça, lamentando ter que cancelar tudo.

Olhei para Luke.

— Quando foi a última peça?

— No natal do ano passado... – Ele soprou a fumaça. – Você acha que ela ainda pode estar aqui? Tipo... Todo esse tempo?

— Eu não faço ideia, tudo que eu sei agora é que tenho que te agradecer, se não, ainda estaria na estaca zero. – Sorri agradecida.

— Que isso. – Suas bochechas enrubesceram. – Você sabe que pode contar comigo pra qualquer coisa...

— Sei mesmo, e obrigado. – O abracei sentindo seus braços me acolherem.

[...]

— Então temos uma data, um local e uma hora. – Jason pensou. – Menos os motivos que fizeram ela cancelar a turnê da peça.

— Beryl fazia o papel de Christine na peça O Fantasma da Ópera. – Disse Annabeth com o notebook no colo. – É a peça que ficou mais tempo em cartaz na Broadway e uma história perfeitamente soturna, com certeza chamou muita atenção nos teatros locais em que passou e ela estava ganhando muito dinheiro...

— Muito dinheiro para um cover. – Percy completou.

— Já temos a resposta para uma pergunta. – Disse Luke e o olhamos. – O motivo dela largar o ganha pão, os filhos. Mas ainda fica subentendido o motivo dela nunca ter se mostrado, ou de fato, voltado para casa.

— Para essa pergunta eu tenho a resposta. – Jason disse debochando de Luke e se levantou. – Vou para meu quarto.

Suspirei pesadamente e massageei as têmporas.

— O que ele tem? – Percy perguntou.

— Foi depois do nascimento de Jason que Beryl desapareceu. Ele se sente traído por ela, e agora por mim, que estou procurando o paradeiro da mulher que nos abandonou. – Me levantei e querendo quebrar o gelo, disse: – O que vocês acham de darmos uma olhada no teatro daqui? É o último lugar que sabemos onde ela esteve.

Eles se levantaram também e fomos até a garagem.

Acelerei até o teatro pensando em Jason, no que eu poderia fazer para ele ficar melhor, mas nada me vinha na cabeça, além do pensamento de estar mesmo traindo ele. Luke percebeu que eu não estava bem e ficava desviando todas as perguntas de mim, ato que eu o agradeci mentalmente.

Estacionei o carro em frente do teatro, que era grande e chique. Caminhamos até a bilheteria, e lá encontramos um homem lendo jornal com cara de poucos amigos.

— Olá, será que podemos entrar no teatro, procuramos uma coisa importante... – Comecei.

— Infelizmente docinho, será impossível vocês entrarem no teatro agora.

Luke tomou minha frente com os punhos serrados. Acho que me chamar de docinho foi a pior decisão que aquele cara tomou hoje.

— Procuramos essa mulher. – Luke disse com raiva e levantou a impressão de uma foto de Beryl no papel de Christine. – Conhece ela ou não?

O homem arregalou os olhos para o papel nas mãos de Luke e empalideceu.

— V-Vocês tem que ir embora agora. – Ele se atrapalhou com o jornal e o deixou cair. – SAIAM DAQUI AGORA.

Ele fechou as portas da bilheteria em um estrondo, o que nos fez dar um pulo.

— Vocês viram o jeito que ele olhou para foto? – Annabeth perguntou, ainda assustada. – Com certeza ele sabe de alguma coisa.

— E estava com medo de nos contar o que era. – Completei. – Acho que viemos aqui á toa.

Percy, Annabeth e eu começávamos a sair, mas Luke ainda encarava as portas da bilheteria.

— Luke? – Ele me olhou e parecia imerso em pensamentos. Sorriu sem jeito e entrou no carro conosco.

[...]

Passei o resto do dia em casa, estudando. Eu tinha mandado um e-mail para a faculdade local no final de semana e eles toparam um exame comigo no próximo sábado, me dando o prazo de uma semana para estudar. Confesso que fiquei com a consciência pesada quando tive que gastar tempo para procurar mais pistas sobre Beryl e acabei não encontrando nada.

Jason estava ficando cada vez pior. Mas não me levem a mal, ele fazia os deveres de casa e lavava a louça, mas quase não me dirigia a palavra, e isso estava me matando aos pouquinhos.

Fechei o livro de história quando o celular tocou no meu criado mudo, eu me estiquei na cama para pegá-lo e atendi.

— Alô? – Coloquei o marcador de página no capítulo que eu estava estudando.

— Filha, sou eu.

— Oi pai, tudo bem por aí?

— Por aqui sim, finalmente arranjei o tempo que precisava para nossa conversa. Percebi que estava indecisa sobre o curso de sua faculdade... – Eu já sabia exatamente o curso que a conversa iria tomar, então o interrompi.

— Na verdade pai, eu pesquisei bastante os cursos na faculdade de nossa cidade e já tomei a decisão... Quer dizer, quase.

Ele pareceu surpreso.

— Sério? No que pensou?

— Direito e publicidade, meu exame vai ser nesse sábado e eu estou quase me matando de estudar no tempo livre da escola. – Coloquei uma mecha atrás da orelha e me sentei no carpete perto da cama, estava ficando tensa com o que ele iria falar em seguida.

— Você é uma garota esperta, acho que já sabia perfeitamente minha sugestão de curso para você. – Ele disse mais para si mesmo do que para mim. — A empresa não pode morrer junto comigo Thalia, você mais do que ninguém sabe disso. Eu preciso de um sucessor.

— Eu sei, mas você já pensou no que eu preciso? Talvez seja arriscado colocar a empresa nas mãos de um dos seus homens, mas não seria um risco que você estaria disposto a correr pela felicidade de sua filha?

Ele ficou calado na linha por alguns segundos.

— Pai?

— Tudo bem então. Você vai fazer o exame, mas se falhar... Você terá uma vaga para Administração na Oxford de Berlim.

A linha ficou muda e meu pescoço relaxou, deixando minha cabeça cair no edredom macio da cama.

Notas finais
Comentem! ♥