High School Manual

10 Minha garota


Notas iniciais
Esse capítulo foi foda pra escrever. Eu tinha tantas ideias para ele e não conseguia colocar nada no papel. Mas aqui está, espero que gostem.

POV Thalia

A semana de provas começou e acabou com nada de muito interessante. Passei tardes estudando com Annabeth e manhãs inteiras sentada em uma carteira resolvendo centenas de questões.

E com o passar dessa semana, hoje era finalmente o último dia de aula. Mas com certeza não foi esse fato que me fez passar a noite em claro sorrindo como boba. Como as férias de inverno estão batendo na porta, Zeus resolveu finalmente marcar sua viagem a Berlim e fechar os negócios com Hades, pai daquele garoto com sotaque de cabra. Parece bom, né? Não cheguei na melhor parte. Hera insistiu tanto para ir como ele que ele acabou cedendo. Eu e Jason não reclamamos, pelo contrário, mostramos responsabilidade o suficiente para ficarmos em casa e não colocarmos fogo nela.

Eu e meu irmão quebramos o cofre em formato de porquinho um dia antes deles comprarem as passagens. Claro que tínhamos dinheiro de sobra para fazer a festa de despedida que tanto queríamos. Na sexta, no último de aula, nós e a Galera combinamos tudo durante o almoço.

Jason era o mais popular, cuidaria da lista de convidados. Leo, Beckendorf e Chris destruiriam a sala de estar, arrumariam a pista de dança e montariam um bar improvisado. Luke e eu estávamos responsáveis pela bebida e pelo DJ.

Enquanto todos nós decidíamos tudo, não pude deixar de notar os olhares famintos que Drew lançava para Luke. Claro que eu não deixei barato, me aproximei mais dele e lhe dei um beijo na bochecha.

— Tem alguma menina olhando para mim, não é? — Luke sussurrou.

— Claro que não idiota. — Suspirei.

— Deixa eu adivinhar. — Ele passou seu braço sobre meu ombro, impedindo-me de ver Drew. — É aquela garota que apareceu durante meu teste?

— A garota que estava te comendo com os olhos no teste. — Corrigi e ele riu.

— Por que você não entende que a única garota que eu quero é você? — Ele beijou minha testa.

— Para de ser fofo comigo em público, seu idiota. — Ele riu.

Sempre tão meiga. — Me deu um selinho e voltou atenção para seu almoço.

Era isso que eu amava e odiava nele. Sua presença me aquecia como uma caneca de chocolate quente. Luke bastava piscar aqueles olhos azuis para mim que tudo ao meu redor desaparecia.

Ao mesmo tempo que a caneca de chocolate me aquecia, meu cérebro martelava. Luke me deixava vulnerável e fraca. Ele me deixava sorrindo feito boba nos corredores como uma garotinha totalmente apaixonada, e eu odiava ter essa imagem.

Meus devaneios foram interrompidos pelo sinal. Peguei minha mochila, recebi um beijo de Luke e caminhei com Annabeth até minha última aula do dia.

[...]

Hera e Zeus embarcaram em seu voo já faz algumas horas, eu e Jason fomos deixar eles no aeroporto. Meu pai fez aquele discurso previsível, disse que nos amava e que voltaria logo, pediu para tomarmos cuidado e entrou na sala de embarque.

Assim que chegamos, já vimos Beckendorf, Leo e Chris do lado de fora da casa prontos para começar a arrumar a pista de dança e montar o bar. Jason abriu a porta para eles.

— As bebidas? — Ele me perguntou.

— Estou indo resolver isso agora. — Ele balançou a cabeça.

— Será que tem alguma coisa que eu peça e que você não faça de última hora?

— Um dia nós veremos. — Respondi

Liguei para Luke.

— Oi, já conseguiu o DJ? — Perguntei.

Consegui, mas precisamos ir pegar ele.

— Ok, onde ele mora? — Peguei as chaves do carro.

Não muito longe, você já comprou as bebidas?

— Ainda não, você pode ir comigo?

Claro que sim.

[...]

— Um, dois, três e...

— UHUUU

Nós rimos.

Luke e eu não levamos nada a sério mesmo, me explica como Jason coloca nós dois responsáveis pelas coisas mais importantes da festa?

O supermercado estava praticamente deserto quando chegamos, e tiramos proveito disso. Eu entrei dentro do carrinho e Luke me empurrava pelos corredores vazios enquanto eu pegava as bebidas na prateleira.

— Eu esqueci aquela ali. — Apontei para uma garrafa de whisky e ele riu, pegando impulso e me empurrando mas uma vez.

— ISSO É MUITO LEGAL, LUKE!

— Tô vendo que você parece estar se divertindo muito, mas meus braços não estão. — Nem deu tempo nós rimos, eu já tinha decido do carrinho e corrido para seus braços, abraçando ele forte.

— Vem idiota, vamos logo passar as bebidas no caixa. — Ele puxou o carrinho.

— Por que será que você sempre me dá os apelidos mais carinhosos e fofos desse planeta?

[...]

O barulho alto da música me deixava inebriada. Corpos se moviam dançando onde a algumas horas atrás era minha sala de estar totalmente organizada por Hera.

Balancei meu copo misturando a bebida e dando um gole. Eu não estava bêbada, longe disso. Conseguia ver perfeitamente Luke conversando com alguns garotos do time depois de passarmos a noite juntos. E também não pude de deixar perceber quando Drew sentou do meu lado e pediu um drink com aquela voz arrastada.

Ela se virou sorrindo com sua bebida na mão e me olhou.

— Engraçado pensar que daqui a alguns meses, quando voltarmos para a escola, ele vai ser todo meu. — Virou a cabeça e observou Luke.

A encarei.

— E o que te faz pensar que ele vai te querer? — Perguntei.

— Pequena Grace, como sempre tão egocêntrica. — Ela soltou uma risada em deboche, meus punhos fecharam. — Quando soube que vocês namoravam, eu aceitei. Mas você me provocou, Thalia. E Luke vai partir seu coração. Vai encontrar uma menina mais linda, simpática... Mais acessível. E vai te largar. Vai te deixar quebrada, chorando pelos cantos da escola. — Ela sorriu amarelo.

— Ninguém quebra meu coração, Drew.

— Eu não te conheço, Thalia. Mas sei exatamente o tipo de garota que você é. Tenta se esconder nessa casca amarga para esconder o tanto que está apaixonada por ele. — Apontou o copo para Luke e deu mais um gole. — Bem, já te avisei. Se quiser continuar com ele, continue. Mas peça logo para sua amiguinha Chase comprar uns lencinhos, porque você vai estar tão fragilizada que não vai conseguir levantar da cama para ir comprar sozinha. Eu sei a sensação de ter o coração partido. E acredite, eu prefiro partir quando tenho a oportunidade.

Ela bateu o copo no balcão e saiu rebolando para o outro lado da pista. Sentia um bolo se formar na minha garganta e respirar se tornou uma tarefa difícil.

O meu auto controle pra não dar na cara daquela menina já estava indo longe de mais e minha mão coçava ansiando marcar cinco dedos naquela cara de pau dela.

Procurei Luke na pista, mas não o vi. Peguei meu celular e mandei mensagem.

T: Onde você tá?

L: Na varanda, fumando, aconteceu alguma coisa?

T: indo aí

Bebi o resto do coquetel e fui até a varanda e vi ele fumando sozinho, sorriu quando me viu andando até ele.

— Algum problema?

— Drew. — Respondi balançando a cabeça e tragando o seu cigarro.

— O que ela fez dessa vez? — Ele não estava levando a sério.

— Tira essa cara de deboche agora que com a raiva que eu tô eu te quebro inteiro.

Ele jogou o cigarro no chão e pisou.

— Foi mal Thals, mas sempre quando o problema é a Drew eu sinto que você exagera um pouco...

Minha cara de indignação deveria ter sido fotografada e colocada no dicionário para o significado dessa palavra.

— Eu juro a todos os deuses que não ouvir você dizer isso, Luke.

Ele abaixou a cabeça;

— Quer saber o que ela fez? Ela sentou no meu lado e disse que ia nos separar. Mas acho que nem precisa ela mover um dedo, você já está nos separando por conta própria. — Virei os calcanhares e senti sua mão segurando meu braço.

— Thalia, me entenda. Eu acho que você exagera porque não tem com o que se preocupar quando o assunto for ela. Eu estou completamente apaixonado por você, garota. E com certeza eu nunca te disse isso alto e claro, mas eu estou perdidamente apaixonado por você Thalia Grace. Desde que você caiu em cima de mim no ginásio e me tratou mal depois de ficar meio século olhando para mim, e eu sei que você compartilhou o mesmo sentimento quando me viu, o coração acelerado, o embrulho no estômago e o maldito nó na garganta. E sinto todos os dias quando te vejo chegar com a cara fechada e seu mal humor matinal. — Ele deu um riso. — Penso todos os dias como será o dia em que eu acordar e finalmente criar coragem para te comprar um anel e te pedir em namoro, garota.

Girei os calcanhares novamente e o olhei. E o abracei, sentindo seus braços se fecharem na minha cintura.

— Foda-se o anel.

— Essa é minha garota. — Ele me apertou em seu abraço.

Fim do primeiro ano do ensino médio, 2011

Notas finais
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