High School Manual
31 Epílogo
Notas iniciais

Luke deitou sua cabeça em meu colo nu e eu acariciei seus cabelos. O quarto cheirava a sexo e as taças de vinho no criado mudo estavam quase vazias. O celular de Luke tocou e ele murmurou algo sem nexo me fazendo sorri. Ele sentou, vestindo sua calça jeans e foi até o aparelho que estava na cômoda.
Cobri os seios com o edredom e sentei na cama, curiosa para saber quem havia nos tirado de nossa bolha.
— Tudo bem, já estou indo. – Ele desligou e coçou a cabeça. – Minha mãe pediu para que eu buscasse ela no trabalho.
Ele pegou um maço de cigarros e entregou para mim.
— Volto logo. – Ele beijou o topo da minha cabeça e procurou sua camisa jogada em algum lugar do quarto.
— Fica comigo. – Disse quase que como um pensamento alto. Mas sabia que aquilo significava algo mais profundo.
Ele sorriu e me observou.
— Eu vou voltar... Mas antes preciso buscar May no trabalho. – Ele sentou do meu lado na cama, me encarando. – Está tudo bem?
— Sim... É só que você não entendeu. Quero que fique comigo. – Observei seu sorriso se abrir e minhas bochechas esquentarem, talvez pelo calor do quarto.
— Acho que ainda não entendi. – Ele queria que eu falasse, eu sabia. Mas não havia como resistir a ele. Não agora, não depois do que acabamos de fazer.
— Quero que venha morar comigo aqui. Podemos trazer suas coisas hoje, apesar de estar a noite, pegamos só o essencial. – Seu sorriso parecia aumentar cada vez mais, e por mais que estivesse adorando a vista, queria sua confirmação. – Podemos ir buscar May e em seguida fazer a primeira parte da mudança.
— Eu... – Ele riu. – Você é tão impulsiva, Thalia... Vai acabar se arrependendo. Não quero que se canse de mim.
— Me cansar de você? – Dessa vez foi minha vez de soltar uma risada. – Luke, eu nunca me cansarei de você. Acredite eu já tentei.
Ele levou sua mão até meu rosto, agora um pouco mais sério, e acariciou minha bochecha.
— Eu sei que morar junto é um passo muito grande num relacionamento. Você expõe suas manias, e tal. – Disse. – Mas não há outra pessoa com quem eu queira dar esse passo se não for você. E eu não me importo muito com toalhas em cima da cama.
Eu sabia que ele viria assim que eu propus, só estava com charme e eu estava somente inflando um pouco seu ego, algo que eu não via problema algum.
Ele riu e me beijou.
— Iria para qualquer lugar que me pedisse. – Diz com a testa colada a minha e os olhos fechados. Sorri e me levantei, ainda enrolada no lençol e procurei minhas roupas no chão do quarto. Senti seus olhos me observarem, mas logo ouvi ele se levantar e abrir a porta.
Depois de vestida, peguei o maço que ele havia me dado e sai do apartamento em seu encalço depois de trancar a porta. Ele abriu a porta do seu carro para mim quando chegamos ao estacionamento.
— Que cavalheiro.
— Eu sempre fui. – Ele sorriu e entrou em seguida, acelerando para fora do apartamento em direção ao hospital, onde May trabalhava.
Ele abriu os vidros e meu cabelo, um pouco mais curto depois do corte recente, bagunçou com o vento.
— Arctic Monkeys ou Green Day?
— É muito feio me fazer escolher entre o príncipe e o rei. – Ele sorriu. – Green Day.
Logo os acordes suaves como granada de Bang Bang invadiram meus ouvidos. Meu sorriso logo se abriu e eu me permiti relaxar no banco e aproveitar a viagem, sabendo que tudo agora estava em seu devido lugar. Minha faculdade havia começado a poucas semanas, e estava sendo ótima. Meu relacionamento com Luke ia avançando cada vez mais. Minhas amizades iam criando raízes mais fundas. Finalmente eu sentia que tudo estava certo, que eu fiz as melhores escolhas possíveis e que minha vida estava tomando exatamente o rumo que eu gostaria que ela tomasse, apesar de todas as inseguranças que senti.
May nos esperava em seu jaleco branco e seu sorriso costumeiro. Quando Luke comentou que decidiu se mudar ela achou ótimo, brincou dizendo para que eu cuidasse dele, mesmo sabendo de alguma forma, que seria totalmente o oposto. Chegamos em sua casa e ele preparou uma mochila com roupas, toalhas e outros pertences pessoais.
Com o passar dos meses, suas roupas ganharam espaço em nosso guarda-roupas. Seus sapatos colonizaram nossa sapateira. O apartamento ia se tornando cada vez mais completo, juntamente com nós mesmos. Nossos empregos de meio período e a faculdade iam incrivelmente bem.
Logo ele me fez a surpresa de um labrador dourado adotado e me diga, como dizer não para um filhote? Demoramos para decidir o nome dele, mas logo veio a ironia do nome Black por conta do seu pelo ser amarelo, e assim ficou. Luke e eu revessávamos para lhe levar para passear todos os dias, e apesar de ser meio grandinho quando Luke o adotou, ele pareceu adorar o novo lar.
Os dias não se passavam mais se arrastando, como antes eram acostumados a fazer. Se passavam sendo cada vez melhor. Luke me deixava na faculdade de manhã em seu carro e logo depois ia para sua. Almoçávamos juntos em qualquer fast food e voltávamos para casa. Eu fazia minhas atividades e Luke levava Black para passear. Dividíamos as tarefas para manter a casa arrumada e mesmo com toda a simplicidade do cotidiano eu me sentia mais feliz do que nunca me senti em nenhuma festa ou coisa do tipo.
E sem contar o fato de que conviver com Luke nunca era cotidiano. Ele sempre fazia uma surpresa, de buquês até chocolates que comíamos juntos enquanto assistíamos alguma série. Nossas noites eram animadas para compensar o tédio que as aulas nos proporcionavam e eu sentia que nada podia se tornar costumeiro para nós.
Luke me fazia feliz. Em nosso apartamento sem luxo, com móveis simples, ele me fazia inegavelmente feliz. E é o clichê mais verdadeiro do mundo se eu disser que ele virou minha família antes mesmo que eu percebesse e preencheu todos os vazios que a vida deixou em meu coração.
Fim.
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