High School Manual
5 Eles só falam de sexo

Acordei com o toque do celular e uma dor de cabeça que podia ser de todo lugar, menos desse mundo. Passei a mão no criado mudo procurando o celular e ouvi ele cair no chão.
— Porra. — Xinguei e finalmente peguei o aparelho e atendi. — Alô?
— Oi Thals. — Era Luke. — Bem, liguei para saber se queria ir tomar café da manhã comigo.
— Espera... — Vi a hora no visor. — Pode vir me buscar daqui à vinte minutos?
— Posso. — Ouvi um sorriso.
Desliguei o telefone e murmurei. Não conseguia dizer um não sequer pra aquele garoto, o que diabos está acontecendo comigo?
Me levantei da cama como se tivesse um campo magnético entre nós. Luke Castellan, saiba que eu te odeio com todas as minhas forças por me fazer levantar cedo num final de semana. Fui até o banheiro, tomei um banho e escovei os dentes. Dei uma arrumada no cabelo, me vesti e desci.
Jason estava deitado no sofá, assistindo um filme. Ouvi o som da campainha.
— Vai sair? — Jason perguntou.
— Vou tomar café. Quer alguma coisa? — Perguntei pegando minhas chaves.
— Não Thals, valeu.
Saí de casa e o vi. Luke era o tipo de cara que até de pijama com o cabelo bagunçado em suas piores condições, continuava lindo. E isso eu já vinha percebido há algum tempo.
— Bom dia. — Ele sorriu, fechando um pouco os olhos por causa da claridade.
— Bom dia. — Respondi — Aonde vamos?
Fomos andando pela calçada.
— Starbucks. Vim de ônibus e vi um aqui perto de sua casa.
Assenti. Sei que é meio brega dizer que o dia está lindo, mas o fato é que o dia está lindo. Poucas nuvens no céu, crianças brincando na vizinhança e uma brisa que fazia meus cabelos balançarem.
Delicadamente, Luke segurou minha mão. Olhei para ele. Ele parecia um pouco nervoso, talvez com medo que eu me afastasse. Sorri e segurei a sua também.
Chegamos lá e escolhemos uma mesa. Pedi um croissant e café. Luke pediu o mesmo.
— Vamos jogar um jogo. — Ele sorriu.
— Qual?
— Sete desejos. Eu te conto as coisas que quero fazer, que ninguém mais sabe, e você faz o mesmo.
— Vamos lá.
Nossas pernas estavam se tocando debaixo da mesa e nossas mãos se entrelaçando ora ou outra.
— Eu quero fazer uma tatuagem com alguém. Pode ser de amizade, namoro, qualquer coisa. Quero que seja algo que me marque no corpo e na alma.
— Boa. — Disse. — Eu quero fazer sexo ouvindo I Wanna Be Yours do Arctic Monkeys.
Ele riu, parecia não esperar algo do tipo
— Mas por que?
— Fala sério, aquele ritmo é tão excitante quanto qualquer fetiche. — Rimos.
Nossa comida chegou. Ele me contou sobre uma viagem que fez ano passado, e isso me pareceu estranhamente interessante. Tudo nele chamava minha atenção. As covinhas que apareciam quando ele ria, as poucas sardas na bochecha ou até o simples azul de seus olhos.
Quando terminamos, deixamos o dinheiro na mesa e fomos embora. Com as mãos dadas de novo, chutávamos algumas pedrinhas pelo caminho.
— Eu quero me casar um dia, e ter filhos. — Continuei a brincadeira e ele me olhou. — Sei que não parece uma coisa que eu diria, mas sei lá... Sua vez.
Ele deu um meio sorriso e pensou.
— Quero fazer sexo no Empire State.
— Um dia, quero visitar São Francisco e...
— Espera, deixa eu adivinhar. — Ele me olhou. — E transar na praia de Santa Mônica.
Caímos na gargalhada. Partes de nossos segredos eram verdades, mas a maioria era só brincadeira, porque nenhum de nós sabe levar nada a sério.
Chegamos na minha casa. Ele disse que ia viajar esse fim de semana, visitar sua mãe em Connecticut. Me deu um abraço apertado e foi embora.
[...]
Eu e Jason passamos o dia em casa. Assistimos filmes, assaltamos a geladeira e andamos de meia para lá e para cá. De noite, Zeus mandou mensagem dizendo que não voltaria para casa hoje, pois tinha muito trabalho.
— Thals, já que o papai não vai voltar hoje, pensei em ir dormir na casa da Pips, se não for problema.
— Claro que não, Jay. Pode ir, chamo Annabeth para dormir aqui em casa.— Tranquilizei-o.
Ele subiu as escadas indo pegar suas coisas, enquanto isso, pensei se eu realmente devia chamar Annabeth.
" Eu não tenho o número dela.
Pede para o Jason. — Respondi a mim mesma.
Se ela não quiser vir?
Pede por favor. — Retruquei
Por favor?! Para a Annabeth?! —
E o que tem de mais, ela te ajudou a fugir do castigo sem arranjar confusão. — Pensei comigo mesma.
Ficar sozinha sexta a noite é muito ruim mesmo.
LIGA LOGO PARA ELA — Concluí
Peguei o celular do Jason em cima da mesa e liguei para ela
— Jason?
— Annabeth, é a Thalia. Jason vai dormir na casa da Piper hoje e eu pensei se não queria vir dormir aqui hoje.
— Thalia, que surpresa. Claro que posso, apareço aí em alguns minutos
Desliguei e vi Jason descer as escadas. Entreguei o celular para ele.
— Já liguei para Annabeth, ela vai vir daqui a pouco.
— Tudo bem, se cuide — Me deu um beijo na bochecha — Qualquer coisa, me liga. Boa noite maninha.
E saiu. Fiquei no sofá um tempo, até que a campainha tocou e eu me levantei para atender Annabeth.
Ela segurava uma mochila e parecia um pouco tímida, mas isso não durou muito, logo estávamos pulando na cama dos meus pais, jogando pipoca na boca uma da outra e rindo dos sustos do filme de terror. Annabeth foi o mais próximo que eu cheguei de uma amiga de verdade. Não queria que isso acabasse, eu gostava dela e sabia que podia confiar.
Quando cansamos, fomos para meu quarto. Coloquei o colchão de Jason no meu quarto para ela e começamos a conversar.
— Mas me diz... Você tem um tombo enorme pelo Luke, não é? — Eu ri. Me sentia num filme, nós ali, contamos confidencias uma para outra
— Uma quedinha, talvez. Mas e você? Nem tente me esconder sua paixão incondicional pelo Percy — Ela fez uma careta.
— Ah sei lá... As vezes ele age como um babaca, não tem como ser bonzinho o tempo todo. Mas eu gosto dele. Gosto muito até
Sorri.
— Luke é fofo quando quer, ou quando estamos sozinhos. Na maioria das vezes, ele parece ter uma armadura ao seu redor.
— Vocês só não se conhecem muito bem ainda, mas ele parece gostar muito de você, principalmente lá no luau — Ela fez uma cara safada e recebeu um travesseiro na cara
— Dona Annabeth, que cara é essa? — Ela riu
— Vai dizer que você não gostou do beijo dele?!
— Ele beija bem...
— Sei...
— Ta bom, ele beija muito bem, satisfeita? Agora vamos dormir.
É claro que não dormimos. Passamos a noite conversando.
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