High School Manual

14 Ai meu Deus


Notas iniciais
Tudo bom por aí? Espero não ter demorado ♥ Espero que gostem.

— Eu estava com uma grande ilusão que vocês finalmente se cansaram da decoração da minha sala, crianças. – Dionísio soltou uma piada do seu estoque de piadas ruins.

– Será que podemos logo ir direto a punição? – Tentei.

— Thalita! Não me apresse desse jeito, faz tempo que você não me dar o ar de sua graça aqui na minha sala. Entendeu? Graça? Grace? – Luke suspirou do meu lado. – Se não me engano, você já ajudou Ammy no ano passado com alguns livros na biblioteca. Acho que este castigo já está um pouco ultrapassado.

Cruzei meus braços e descansei as costas na cadeira, encarando Dionísio com um olhar do tipo "se você não dizer logo a porcaria do castigo eu vou dar na sua cara". Luke percebeu e acariciou meu joelho por baixo da mesa, para me acalmar.

— A proposito, o que vocês estavam fazendo lá em cima? – Ele bebeu mais um pouco de vinho.

— Conversando. – Luke respondeu.

— Estavam muito perto um do outro para uma conversa. – Ele arqueou a sobrancelha.

— Talvez fosse uma conversa do tipo mais íntima. – Luke devolveu o olhar a ele.

Dionísio se apoiou na mesa, chegando mais perto de nós. Luke tirou a mão do meu joelho antes que ele pudesse ver.

— Já tenho o castigo perfeito para os dois. – Sorriu. – O inverno está quase acabando, logo teremos o baile de primavera. O comitê de preparação anda precisando de um pouco de ajuda... Acho que encontrei os pretendentes perfeitos.

— Bem, já que finalmente se decidiu, só precisa nos dar os horários e podemos ir embora. – Eu me levantei.

— Precisam estar no ginásio depois das aulas. Até mais, crianças.

Assim que eu fechei a porta da diretoria, Luke me olhou

— De onde ele tirou essa ideia de baile? – Sussurrou.

— Eu não faço a mínima ideia. – Meu celular vibrou. – Espera aí. – Paramos no corredor e eu tirei o celular do bolso.

AÍ MEU DEUS.

— L-Luke. – Ele me olhou. – Luke, o Arctic Monkeys vai fazer show aqui.

Eu teria derrubado meu celular se ele não tivesse pego para ver o anuncio.

— Isso é incrível! – Ele leu em silêncio. – Mas Thalia... O ingresso custa uma grana...

Ai meu Deus, eu vou poder ver o Mat, Nick, Jamie e o gostoso do Alex. – Estava quase derretendo.

— Gostoso, hein? Hm. – Luke resmungou do meu lado. – Mas como eu ia dizendo, custa 146 dólares.

OI?!

Peguei o celular e vi o preço com meus próprios olhos.

Ai meu Deus, meu pai nunca vai me dar esse dinheiro.

— Mas você já foi em outros shows. – Luke tentou. – Não foi ele que te deu o dinheiro?

— Foi ele sim, mas uma coisa é pedir 50 dólares para ver o show do Scorpions que fazem show aqui todos os anos. E outra, totalmente diferente, é pedir 146 dólares para ir no show do Arctic Monkeys e NUNCA fazem show aqui. Ele nunca vai me dar toda essa grana. – Me conformei.

Eu e ele parecíamos mais triste do que a alguns minutos atrás, quando Dionísio disse que arrumaríamos o baile. O fato é que toda a galera gostava dessa banda, principalmente eu e Jason, que apresentamos as músicas para todo mundo.

Jason.

Ai meu Deus. – Parei novamente no corredor. – Você consegue dinheiro suficiente para seu ingresso?

— Bem, eu acho que sim. Mas não vou ao show sem você.

— Nós dois vamos a esse show. Consiga o seu ingresso, que eu consigo o meu. – Beijei sua bochecha. – Preciso encontrar o Jason agora mesmo.

[...]

O idiota do Jason não atendia o telefone nem respondia as mensagens.

Se você ainda não entendeu meu plano de cara, eu vou ser legal e explicar. Eu sempre fico devendo um favor a Jason, mas ele nunca faz algo errado que precise de cobertura, nunca faz algo que precise de um favor. E com essa lógica, eu vou ficar devendo uma para ele mais uma vez. Jason é o favorito para nosso pai, e com certeza o velho daria o dinheiro que ele precisa para sair com alguma namoradinha imaginária. Eu pegaria o dinheiro, iria ao show e reembolsaria Jason quando pudesse.

Ainda era a hora do almoço, e não deveria ter ninguém se pegando nas salas vazias. Olhei direito pela porta aberta.

— Que coisa mais feia, Jason. – Minha voz ecoou pela sala vazia, e ele deu um pulo junto com sua namoradinha nem um pouco imaginária.

Logo reconheci a menina que estava atracada em meu irmão. Uma das mais bonitas da nossa sala. Os cabelos castanhos, a pela morena e os olhos em vários tons de verde. Piper Mclean.

Sorri.

— Olá Piper. Bom te ver, mas se não se importa... – Cheguei mas perto dos dois e toquei no ombro de Jason. – Eu estava procurando feito doida meu querido irmão. E gostaria muito de falar com ele as sós.

Ela sorriu sem jeito, passou a mão na roupa tentando desamassar o máximo que pode e saiu da sala. Mas não sem antes Jason a puxar e dar um beijo em sua testa.

— Acho que finalmente você está me devendo uma. – Falei sorrindo.

— Pare de sorrir desse jeito.

— Que jeito?

— Estilo Cheschire, você sempre me assusta com esse sorriso. Agora vamos aos négocios, o que você vai querer?

— Arctic Monkeys vai dar o ar da graça em nossa cidade. O que acha de me conseguir 146 dólares?

— 146?! É quase o dobro do show do Scorpions!

— Eu sei, mas você sabe o quanto eu adoro eles.

— Odeio mais ainda quando você faz essa cara de cachorro que caiu da mudança.

— Então isso é um sim? – Sorri.

— E eu tenho escolha? Mas você tem que jurar que não conta o que viu aqui nem a sete palmos do chão.

Fiz cara de pensativa.

— Eu juro. – Ele sorriu.

— O que eu não faço por você, hein Thalia?

— O que eu não faço por você, vai ser muito difícil guardar o segredo sobre minha cunhada. – Ele revirou os olhos e eu ri. – Estou brincando, Sparky

Beijei sua bochecha e saí da sala.

Notas finais
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