High Key

10 Se a liberdade é só solidão


Notas iniciais
Voltei com mais um capítulo. Esse muito esperado por vocês! Quero agradecer aos feedbacks que tem me estimulado muito, mas infelizmente não consigo responder a todos, mas continuem mandando que isso me estimula muito a escrever. Um agradecimento especial a duas meninas que estão comigo desde o início: Thais e Thamy. Agora vamos ao que interessa.

—Emma-

Campos de Lavanda – Pôr do sol - Provence

"Calma Emma, não precisa ficar nervosa! Vocês podem ser amigas mesmo que você tenha levado um toco dela."

Continuei tentando me concentrar em tirar minhas fotos. Regina estava de pé, parada, olhando para o horizonte.

—Você veio me fazer companhia ou ficar ai que nem uma estátua? — Perguntei sem tirar a atenção de onde eu estava fotografando.

—Estou apreciando a paisagem.

—É lindo, num é?

—Muito. — Ela sorriu, ainda olhando o jardim de lavanda à frente. — Agora eu posso entender seu amor pela vida de cigana.

—É incrível, mas eu gostaria de ter um motivo para sossegar pelo menos por 3 meses em um lugar que eu chamaria de casa. — A olhei com intuito de analisá-la.

—Uma família... — Ela olhou-me pela primeira vez. — Nada te impede, Emma. Você tem seus pais e seu irmão, eles são sua família também.

—Eu sei, mas... eu sinto falta de Rolland. — Entristeci mas tentei disfarçar.

Regina respirou fundo e foi se aproximando lentamente de mim.

—Ei, não fique assim. Henry te tem como uma outra mãe, Emma. Ele te idolatra, praticamente. — Ela passou a mão pelas minhas costas e afagou. — Nunca vi Henry se apegar tanto a alguém antes e eu não me importo que você seja a segunda mãe dele.

—Não? — Duvidei.

—No início eu morria de ciúmes, confesso, mas depois eu percebi que você estava fazendo bem a ele... e a mim. — Ela sorriu sem graça.

Não bastou o fora que eu levei mais cedo, lá estava eu me rendendo novamente aquela mulher.

—Emma, posso te falar uma coisa? — Regina se afastou um pouco e percebi que ela ficou um pouco nervosa.

—Pode. — Era obvio que ela ia falar sobre o beijo e isso me deixou nervosa também.

—Eu acho que... — A interrompi.

—O beijo foi um erro tudo bem? Desculpa ter feito aquilo.

Regina ficou séria e se afastou mais. Ela riu para ela mesma e saiu andando, me deixando lá sozinha.

—Regina? Ei! — Corri até ela e a puxei pelo braço. — O que houve?

—Houve que eu não queria que fosse um erro, Swan. — Ela puxou o braço para se soltar de mim e voltou a se afastar.

Emma Swan, você só dá bola fora.

[...]

24 de Dezembro — 21h00 — Provence.

Estava olhando a neve cair pela janela da sala, com minha garrafa de cerveja na mão.

—Emma! — Henry correu até mim e pulou no meu colo. — Que horas podemos trocar presentes?

—Só meia noite garoto! — Baguncei seus cabelos negros. — Onde está sua mãe?

—Estava no quarto se arrumando e falando com a tia Zelena ao telefone. — Ouvimos o barulho dos saltos da morena no piso.

Olhei para a escada que dava para o segundo andar e vi a Regina descendo lentamente com aquela famosa elegância que a acompanhava. Ela estava maravilhosa, com um vestido vermelho sem mangas bem ajustado as suas curvas, um batom vinho, um par de Louboutins preto e os cabelos soltos. Nossos olhares se cruzaram por um instante e quase não controlei a baba escorrendo pela boca.

—Wow! Quem é esta rainha? — Mamãe brincou.

Regina olhou-me com desdém e sorriu provocante.

—Obrigada Mary. — A morena agradeceu.

Regina parecia querer me provocar de propósito e eu precisava conversar com ela sobre o que aconteceu nos campos de lavanda.

—Regina? — Ela me olhou com superioridade. — Podemos conversar em particular?

—Claro. — Ela me seguiu até o escritório que tinha no segundo andar da casa.

Abri a porta e esperei que ela entrasse para fechá-la.

—Então Swan, fale logo que eu prometi ajudar sua mãe. — A morena se encostou na mesa, ficando de frente para mim.

Agora eu tive certeza de que ela estava fazendo de propósito.

—Eu só queria entender o que aconteceu ontem...

—Aconteceu que você deixou clara suas intenções, Srta. Swan.

—Regina, já passamos dessa fase. Qual foi o problema afinal? O que você quis dizer com "eu não queria que fosse um erro"?

—Não quis dizer nada, apenas estava afetada pelo frio. — Ela foi até a porta com a intenção de sair. — Está claro que realmente foi um erro.

Regina tentou abrir a porta, mas eu a fechei e segurei para que ela não abrisse novamente.

—Para com isso, haja com maturidade... Nós podemos conversar como adultas, sem esse joguinho?

—Então cresça, Swan! — Ela fechou a cara. — Pare de se martirizar e fugir do passado. Levante a cabeça e enfrente-o. Você tem uma família que te ama, e se esconde deles em lugares que você nem conhece, vivendo com pessoas que mal te enxergam.

—Eu amo o que faço, não ouse falar que eu uso minha profissão para fugir. — Falei alto.

—Eu sei que ama. — Ela falou mais branda. — E sim, é incrível o fato de viajar o mundo conhecendo culturas e lugares novos, mas não se esqueça que quando tudo acabar, você vai estar sozinha se afastar todos que te amam.

Ficamos em um silêncio longo.

—Você me ama? — Olhei-a nos olhos, mas ela desviou o olhar.

—Você precisa descobrir isso sozinha, Swan. — Ela abriu a porta. — Quando você se deixar enxergar.

—E se eu te amar? — Ela respirou fundo e virou-se para mim novamente.

—"E se" é muito incerto. Quando você tiver certeza do que sente ou se está disposta a me deixar entrar na sua vida, procure-me... ai nós podemos ver o que pode acontecer.

A morena saiu e me deixou no escritório sozinha e estática. Resolvi descer novamente, e quando cheguei na sala, Regina estava sentada ao sofá brincando com Henry e Neal, e meu pai em uma briga para acender a lareira. Fui para a cozinha ajudar minha mãe com a ceia, e a vi com um sorriso de orelha a orelha.

—Está sorridente demais dona Mary. — A abracei de lado e beijei sua testa.

—Estou. — Abriu mais o sorriso.

—E posso saber porque?

—Porque é natal e eu estou passando com a minha filhinha depois de anos. — Ela me abraçou forte. — Só falta agora você tomar vergonha e admitir para Regina que está apaixonada por ela.

—O QUE?

—Está na sua cara... e saiba que estou chateada com as besteiras que você anda fazendo com ela.

—ELA TE CONTOU?

—Ela vem desabafando comigo sobre minha filha cabeça dura.

—E você está do lado dela? — Abri a boca surpresa.

—Claro meu amor, Regina de longe é uma pessoa maravilhosa e daria um jeito para você sossegar.

—Por Deus, mamãe! — Bufei.

—Pare de fazer isso. — Ela botou um pirex com a salada nas minhas mãos. — Leve para a mesa.

Fiz bico, mas obedeci.

[...]

Havia acabado de dar meia noite, e as crianças gritaram de alegria.

—PRESENTES! — Henry e Neal gritavam juntos.

—Ok garotos, controlem-se. — Pediu David. — Vamos sentar e começar a troca de presentes.

Os dois, apesar de empolgados, sentaram-se.

—Bom, vamos começar Mary? — David pegou uma caixa grande. — Esse é de Neal.

Neal agradeceu e abriu com desespero o embrulho, revelando uma caixa de lego de Star Wars. Ele é completamente viciado em Star Wars, assim como meu pai.

—Esse aqui, nós compramos para Henry. — Mary entregou ao garotinho e beijou sua testa. — Mas essa é complemento do presente da Emma, então você terá que esperar para entender.

—Obrigado tia Mary!

Henry abriu a caixa e tirou uma bolsa de couro marrom.

—Preciso esperar o presente da Emma para comentar... — Rimos.

-Esse aqui é para Regina. — Mary a entregou. — Feliz natal, querida. É só uma lembrancinha.

Regina ficou surpresa e emocionada.

—Oh, obrigada... não costumo receber presente de ninguém além de Henry e, bem... Robin. — Ela sorriu e abriu a pequena caixinha.

Dentro da caixinha havia um colar de ouro branco com um pingente de uma maçã.

—Achei que lembra tanto você. — Mary.

—É lindo, obrigada. — David ajudou Regina a colocar o colar.

—Agora por último, e não menos importante... — David entregou-me uma caixa igual a de Regina.

—Obrigada pai e mãe! — Abracei-os.

Abri a caixinha, e assim como o presente de Regina, era um colar de ouro branco, porém o meu pingente era de um cisne.

—Já que você quase não para em casa, agora terá sua família com você em todos os lugares. — Mary.

—É lindo. — Mary me ajudou a colocá-lo no pescoço. — Obrigada, mãe.

—Agora é sua vez de entregar os presentes Emma! — Henry pediu.

—Sim senhor. — Bati continência e fui até a árvore de natal, onde estavam espalhados os presentes.

Peguei o primeiro embrulho.

—Já que o garotão está desesperado pelo presente... — Entreguei a Henry. — Será o primeiro.

Ele deu um sorriso de orelha a orelha, e desembrulhou.

—É a minha primeira câmera... uma Canon AE-1. — Expliquei. — Assim como eu comecei com ela, quero que você também comece.

—MUITO OBRIGADO EMMA! — Henry pulou no meu pescoço.

—Bem e sem muito mistério, esse sabre de luz é para Neal e essas passagens para Veneza são para vocês. — Entreguei a meus pais. — Para terem uma segunda lua de mel.

—Oh Emma, não precisava... — Mary abraçou-me.

—Não foi nada, mamãe. — Peguei o último presente. — Bem, e por último o de Regina.

Reparei que a morena ficou surpresa. Ela pegou o embrulho e lentamente o abriu, revelando uma pintura.

—Henry me disse que você é uma amante das obras impressionistas. — A morena olhava a pintura encantada. — É a obra "Repetition of the dance detail" de Degas. Em uma de minhas viagens, passei um dia em Paris, numa conexão, e acabei participando de um leilão em uma galeria, achei que iria gostar...

—Emma, isso deve ter sido caríssimo!

—Que isso Regina, não se preocupe com isso.

—Eu... obrigada. — Ela deu um sorriso sem jeito, mas não se aproximou.

[...]

—Regina-

Estava em meu quarto, tentando me concentrar em um livro, mas minha cabeça rodava em pensamentos sobre a loira de olhos verdes. Quando havia ficado tão boba por alguém desta forma? O quarto estava escuro, iluminado somente pela luz do abajur aceso ao lado da cama. O ambiente climatizado pelo frio natural, deixo-me uma sensação bem aconchegante.

Uma batida na porta me fez pular de susto, logo em seguida a silhueta de Emma se esgueirou para dentro do quarto.

—Espero não tê-la acordado. — Ela se aproximou tímida.

—Tudo bem, estava lendo.

—O livro está... — Ela apontou para o livro com a expressão brincalhona. — De cabeça para baixo.

—Bom, eu estava tentando, né. — Coloquei o livro na mesa lateral da cama.

Emma riu baixinho, mas logo voltou com a feição tímida.

—Eu vim para dizer que eu... — Ela respirou fundo como se tomasse coragem para falar algo.

O que me surpreendeu não foram suas palavras, e sim suas mãos agarrando minha nuca e me puxando para um beijo intenso e selvagem. Entreguei-me ao beijo, que era urgente, como se nossas vidas dependessem daquilo. Senti que meu coração não caberia dentro do peito. Ele palpitava tão forte que aposto que Emma o ouviu com a proximidade.

O beijo começou a ficar mais calmo, e com isso eu pude sentir a maciez dos lábios da loira. Sua língua começou a explorar minha boca e seu sabor e textura eram maravilhosos. Senti meu corpo esquentar e minha pele formigar a cada toque da loira. Era uma sensação nova para mim. Emma encerrou o beijo mas não separou seu rosto do meu, ainda conseguia sentir sua respiração roçando em pelo meu rosto.

—Eu vim dizer que agora eu tenho certeza dos meus sentimentos. — Ela permanecia de olhos fechados. — Eu amo você Regina Mills. Mesmo que sejamos tão diferentes, praticamente opostas, eu quero uma chance para nós.

—Eu quero te dar essa chance, Emma... quero mesmo. — Engoli seco de nervosismo.

—Então me dê!

—Mas você vive viajando, tão distante.

—Mesmo assim eu consigo me manter presente na sua vida e na de Henry pelas cartas, e agora você pode me corresponder também. — Ela deu-me um selinho rápido. — Por favor, Regina.

—Tudo bem, nós podemos tentar.

Notas finais
Quero ouvir as graças! Finalmente!!! Como vocês acham que será agora essa nova fase das duas? E como será que o Robin irá reagir a isso? Comentem! Lembrando que quem quiser, tem o grupo do whatsapp, que volta e meia eu dou algum spoiler, peço opiniões.