High Key

26 I'm face to face with someone new


Notas iniciais
Voltei com a p** de um capítulo de transição para boas coisas... ou más... Espero que gostem!

—Regina-

Um mês havia se passado desde que eu cruzei aquele salão principal da editora com caixa dos meus pertences em mãos. Chamando atenção de todos. Um cochichava para o outro e eu quase podia ouvir eles falando: "a rainha má caiu!"

Eu havia caído.

E doeu. Doeu dedicar todos esses anos a revista e nem ao menos ter sido substituída por alguém bom o bastante. Seria Robin a ficar no meu lugar.

A revista era minha vida.

Agora, eu estava jogada em meu sofá, numa manhã de terça-feira, em uma profunda depressão. Havia perdido alguns quilos e estava abatida.

Henry estava no colégio e Emma no trabalho.

Emma havia voltado a trabalhar para a NatGeo e iniciado um curso dentro da própria revista, sobre Arqueologia. Ela estava feliz, e eu queria estar feliz por ela. Mas todas as vezes em que eu lembrava do meu fracasso, era como se minha energia vital fosse sugada para fora do meu corpo.

O toque estridente do meu celular soou pelo apartamento silencioso.

Eu não queria atender.

Seria vergonhoso. Teria que falar com qualquer conhecido que estivesse ligando o motivo de estar em casa, deitada no meu sofá, assistindo "Keeping Up with the Kardashians" em uma terça-feira.

Olá, eu fui demitida e não tenho mais perspectiva de vida...

O celular mantinha-se vibrando na mesinha de centro. Acabei atendendo, pela insistência da pessoa.

—Alô?

—Babe, sou eu, Emma. Como você está? Se sente melhor?

—Sinto que sou a mesma merda de ontem, Em.

Ei, você não pode se manter assim, amor. Hoje o curso acaba mais cedo, vou te buscar e iremos jantar juntas. Henry vai estar na casa de uns amigos, ele te avisou, né?

Como se não bastasse, meu filho estava cada vez mais distante. Passando mais tempo com os amigos, com a namorada e com o time de Rugby da escola. Sim, meu filho cresceu e perdeu todo e qualquer vestígio do meu bebê.

—Sim, ele avisou.

—Você não está com uma voz boa... Regina, me mata te ver assim. Você consegue qualquer emprego, em qualquer lugar que quiser. Você é muito maior do que a Vogue. Oh... espere, tenho outra ligação. NÃO DESLIGUE!.

Desliguei o aparelho e joguei-o em cima do sofá de qualquer jeito, voltando a focar no meu novo reality show preferido. Nesse episódio, Kim iria expor a Taylor Swift na internet.

O celular voltou a tocar. Era Emma, novamente.

—Oi, Em. A Kim vai expor a Taylor Swift.

—Eu pedi para você não desligar! Henry está preso.

—Como é? — Dei um pulo do sofá. — Como assim, preso? Eu sabia que esses amiguinhos dele eram má influência e essa coisa de Rugby ia o tornar violento.

—Estou indo te buscar para irmos até a delegacia.

[...]

—Emma-

NYPD – Midtwon – Manhattan.

—Henry Mills, acho bom você ter uma boa explicação para isso. — Regina entrou na delegacia com fogo saindo pelos olhos.

Henry e mais dois amigos estavam sentados nos bancos de uma sala do departamento.

—Mamãe, calma.

—Calma, Regina... vamos ver o que o policial tem a dizer.

—E você não se atreva a defender ele, Swan! — Se olhar matasse, eu estaria morta agora.

Calei-me na mesma hora.

—Boa noite senhoras. — Um policial entrou na sala com uma expressão amigável. — Vou lhes explicar o que aconteceu. Parece que seu filho, Henry Mills e os amigos dele tiveram a ideia de entrar no prédio da editora Vogue e tirar satisfação com o editor-chefe. — ele olhou a ficha na mão dele. — O Sr. Robin Outlaw.

—Henry bateu no Robin? — Perguntei chocada.

Regina estava tão impressionada com o que ouviu do policial, que mal conseguia piscar.

—Na verdade, eles entraram escondidos no prédio, foram até a sala do Sr. Outlaw, e tentaram bater nele. Seu filho chegou a acertar um soco no olho do homem, mas nada grave. Ele não quis prestar queixa por ter um afeto grande pelo seu filho, mas tivemos que os deter até que os pais viessem buscá-los.

—Ele era o padrasto dele, e tiveram uns problemas na separação da minha mulher com o senhor Outlaw que acabaram afetando Henry. Desculpe pelo transtorno.

—Como ele não é fichado, pode levá-lo sem problemas. Mas se eu o ver em problemas novamente Sr. Mills, terei que fichá-lo. Os outros dois, preciso aguardar os pais deles.

—Obrigada. — Olhei para Henry, que tinha a cabeça baixa. — Vamos, garoto.

Seguimos até o carro com uma Regina triste e um Henry emburrado, ambos calados. Assim que demos partida no carro, Regina virou-se para onde o filho estava e respirou fundo.

—Henry, por que bateu no Robin? — Suas palavras saíram com pesar.

—Ele foi um idiota com você. Por causa dele, você se tornou a pessoa mais triste que eu conheço, e mal tem vontade de sair com a mamãe e eu, não come direito, só fica triste o tempo todo! Você não nota o quanto isso me afeta? Não nota o quão infeliz eu estou por te ver assim? — Ele chorava sem nem tentar se controlar. — Você não vê mais os esforços que a Emma e eu fazemos para te ver bem... tudo isso é culpa dele.

—Ei garoto, não é assim... — Olhei para a morena, que tentava esconder o choro, ao meu lado.

Resolvi deixar para conversar com ambos quando estivéssemos em casa.

[...]

A noite havia sido longa.

Regina não havia parado de chorar em momento nenhum. Henry estava triste, e eu tinha medo de que minha namorada piorasse e meu filho desabasse junto. Passei a madrugada inteira acordada, conversando com a morena, numa tentativa de fazê-la se sentir melhor, mas foi em vão.

Senti que a cama estava vazia ao meu lado, e isso me preocupou. Em um pulo, sai do quarto e fui até a sala, que era integrada a cozinha por uma bancada. A morena cantarolava uma música latina, quanto preparava algo com um cheiro muito bom.

—Amor? — Chamei, quanto me aproximava.

Ela olhou-me assustada, mas logo colocou um sorriso no rosto.

—Bom dia, meu amor. — Recebi um selinho carinhoso. — Não chegue assim, como um espírito.

—Acordou se sentindo melhor?

—Sim, ótima! Estou fazendo Waffles e torta de maça para Henry. — Limpou as mãos no pano de prato e contornou meu pescoço com os braços. — O que Henry me contou ontem mexeu tanto comigo que foi como se me trouxesse de volta as energias. Você tinha razão... eu posso muito mais do que ser apenas a editora-chefe da Vogue. Eu tive uma grande ideia, Emma.

—Qual seia sua grande ideia?

—Levantei bem cedo me lembrando de todas as coisas que me contou sobre as pessoas ficarem presas em seu mundo e não conseguir enxergar o que está ao redor. — Ela voltou-se para o fogão novamente. — Eu tenho uma vasta formação voltada para o jornalismo, além da moda, que eu não aproveitava... e se nós fizéssemos nossa própria revista para documentar sobre nossas viagens e culturas. Eu poderia viajar para escrever sobre e você fotografar! E isso não te impediria de vender fotos para a NatGeo, também.

—É uma ótima ideia, mas precisaríamos de um grande investimento para comprar todos os equipamentos, contratar o pessoal, alugar um galpão... É, vamos precisar de MUITO dinheiro!

Vi que Regina ficou inquieta e cabisbaixa.

—Acho que tenho um bom dinheiro que venho guardando na poupança e podemos usar, se quiser.

—Você daria sua poupança para que eu invista numa revista só minha?

—Claro! Eu faria qualquer coisa por você... e é minha revista também. — Ela deu um gritinho animado e pulou no meu colo, enchendo meu rosto de beijos.

—Eu te amo, Emma Swan.

—Eu te amo, Regina Mills.

—Nós podemos começar sem uma estrutura e mão de obra muito grandes, podemos crescer aos poucos, assim não gastamos sua poupança toda. — Sugeriu.

—Acho uma ótima ideia.

—Vou chamar Henry para tomar café, a torta já está pronta. — Desceu do meu colo e depositou um selinho em minha boca. — Que horas você sai para o curso?

—Bom, agora os próximos módulos do curso serão online, então poderia ficar aqui em casa mesmo, assistindo as aulas por vídeo.

—Isso, e ai podemos criar a estratégia de marketing da revista. — Disse, antes de gritar pelo garoto. — CAFÉ, HENRY. FIZ TORTA DE MAÇA!

—Graças a Deus, a Emma não está mais cozinhando... senti tanto sua falta mãe. — Ele correu até a sala e deu um abraço apertado na morena.

Tudo parecia estar caminhando para algo bom, mas Robin ainda era um elemento preocupante. Ele não iria sossegar até atrapalhar qualquer dos nossos planos. Algumas pessoas tendem a ser muito rancorosas.

Durante o mês, após a demissão da morena, recebi diversas mensagens de Robin com ameaças e fotos de Henry por onde ele estivesse. Ele estava seguindo meu filho e jogava baixo com ameaças em cima dele. Evitei contar a Regina, para que não a afetasse mais do que já estava. Após essas mensagens, passei a levar Henry a todos os lugares e depois buscá-lo.

Agora, com tal movimentação sobre a nova revista, ele poderia fazer qualquer coisa. Precisava dar um jeito de parar Robin, e iria jogar baixo como ele.

Ele iria aprender a não mexer com minha família.

Notas finais
Um spoiler sobre o que vem pela frente. Já leram sobre a Pedra Filosofal? ;D