Hiding a Secret
7 Capítulo 6 – Surpresas da vida
Notas iniciais
Querido Stefan,
Você parou de responder os meus e-mails quando eu ainda estava em Atlanta, acho que nunca passamos tanto tempo sem nos falarmos, estou com tantas saudades das nossas longas conversas.
A principio não me importei com isso, pois achei que íamos nos ver quando eu voltasse a Mystic Falls, mas então descubro que você já tinha ido embora. Não te culpo por tomar essa decisão e espero que tenha se divertido o tempo que passou com a sua família na Itália e também que esteja totalmente instalado em Londres.
Preciso repetir que não quero que a nossa amizade depois de tudo que aconteceu, sei que as coisas ficaram estranhas entre nós, mas você é e sempre será a pessoa mais importante da minha vida. Não estou exagerando, Stef, é a mais pura verdade.
Por favor, me responda o mais rápido possível. Aconteceram tantas coisas desde que cheguei a Sidney e preciso muito conta para você.
Sua melhor amiga,
Caroline.
Reli aquele texto várias vezes antes de apertar enviar, já tinha escrito e reescrito aquele e-mail para o Stefan tantas vezes que até perdi a conta.
Fechei a página e fiquei encarando o papel de parede do meu notebook; era uma foto em que estávamos eu, Stef e Lena enfrente ao nosso antigo colégio em Mystic Falls, meu amigo está sentado no meio, com os braços em volta de cada uma, mas a sua cabeça estava quase deitada no meu ombro. Senti as lágrimas se formarem no canto dos meus olhos, era muito difícil ver essa foto, essa falta de notícias está acabando comigo.
Ouviu o barulho de chave na porta, era a minha colega de apartamento chegando. Ela entrou trazendo um monte de livros e colocando em cima da mesa da sala, aonde eu estava nesse momento.
– Boa tarde! — deu longo suspiro – Passei o dia inteiro estudando, estou exausta e ainda tenho que estudar para a prova sobre reprodução humana.
– Boa sorte com isso então – passei a mão, rapidamente pelos olhos, tentando limpar as lágrimas.
– O que houve, Caroline? — Jamie perguntou logo em seguida – Você estava chorando?
– Não é nada, só caiu alguma coisa no meu olho – menti enquanto abaixava a tampa do notebook e me levantava – Bom, vou deixar você estudar enquanto tomo banho e troco de roupa, o Jesse vai passar aqui em uma hora para levar para jantar.
– Que romântico – comentou.
Jesse foi uma das boas surpresas que me aconteceu nesses dois mês que estou aqui em Sidney. Nos conhecemos no dia em que minha mãe voltou para os Estados Unidos, quando ele acidentalmente me “atropelou”, ele me levou para um café, aonde conversamos e, no final daquela semana, já estávamos namorando.
– Divirta-se, então – continuou – Acho que não posso dizer isso para mim mesma, é claro.
Revirei os olhos e caminhei em direção ao banheiro. Enquanto fiquei debaixo do chuveiro, não pude deixar de pensar no Stefan, o que eu falaria com ele quando me ligasse? Claro, eu contaria para ele sobre tudo que tenho feito na minha “nova vida” e como está o curso de culinária e tudo mais. Só não poderia, obviamente, falar sobre o Jesse, tivemos todo o problema do meu amigo me pedindo em casamento e eu dizendo não, iria acabar magoando contando que eu estou namorando outro agora.
Voltei para o meu quarto enrolada na toalha e abri o meu armário procurando o que vestir. Peguei, então, minha calça jeans preferida, mas ela estava um pouco apertada, começo a desconfiar que todas as aulas de culinária estão em fazendo engordar. Por fim acabei colocando um vestido preto que batia acima do joelho, ele estava cabendo, apesar de um pouco apertado, decididamente, preciso fazer uma dieta.
Estava terminando de passar o lápis de olho quando ouvi a campainha. Acho que tinha me enrolado um pouco para me arrumar, ainda não estava pronta.
– Jamie, será que você pode abrir a porta? — pedi – E avisa para o Jesse que eu já estou indo.
– Claro! — ela gritou de volta.
Agora eu tive que me apressar. Terminei de passar o lápis de olhos, passei uma sombra azul, um pouco de rímel e apenas um gloss nos lábios, depois calcei uma sapatilha bem baixinho e corri de volta para o banheiro. Peguei o meu perfume favorito para colocar, só que quando abri a tampa, surpreendentemente, achei que o cheiro estava levemente enjoativo, foi então que decidi não usar perfume nenhum.
Peguei minha bolsa e fui para sala. Jesse estava me esperando parado em frente a porta e trazia uma buquê de rosas branca.
– Você está linda, Car – e me entregou as flores – São para você.
– Obrigada, Jesse – dei um sorriso bobo e cheirei as rosas – E obrigada pelas flores, eu amei.
– Deixa que eu coloco na água para você, Car – Jamie pegou as flores da minha mão – Bom, divirtam-se vocês dois e juízo.
Revirei os olhos e senti meu rosto esquentar. Não que eu e Jesse ainda não tivéssemos feito nada, mas não queria falar sobre a minha sexual com ela, afinal nos conhecíamos há pouco tempo, situação bem diferente da Elena, por exemplo.
– Pode ficar tranquila, teremos bastante juízo – meu namorado garantiu – Agora vamos, aposto que você está com fome.
– Um pouco – admiti e foi nesse momento, meu estômago roncou, confirmando isso, a última vez que eu comi foi na hora do almoço.
Saímos do apartamento e fomos para o térreo do prédio, aonde o carro dele estava estacionado quase em frente a entrada. Jesse é sempre um cavalheiro e abriu a porta para mim e deu a volta para se sentar no banco do motorista.
– Decidi que hoje vou te deixar escolher aonde vamos – como ele está morando aqui em Sidney a mais tempo sempre que saímos me apresentar a um restaurante diferente da cidade – O que você decide?
– Para falar a verdade, eu estou com vontade de comer no McDonald's hoje – admiti — Sei que não é muito romântico, mas...
– Não precisa dizer mais nada – completou – Se você está com vontade, é aonde nós iremos.
Por sorte, tinha uma lanchonete que ficava há poucos quilômetros da minha casa. Assim que chegamos ele pediu para que eu procurasse um lugar para sentar enquanto fazia os pedidos, voltou trazendo a bandeja com os sanduíches, as batatinhas e os refrigerantes, comecei a comer na mesma hora.
– Uau, estava mesmo com fome – comentou, totalmente espantado – Ou então era mesmo vontade de comer sanduíches do McDonald's.
– Está mais para a segunda opção – dei de ombros – Não costumo comer tanto Fast Food assim, mas hoje eu estava com vontade mesmo.
– Eu tinha lido uma vez que estudantes de gastronomia costumam não gostar de comer muito, por ficar o dia inteiro cercado de comida – comentou – Mas você é uma exceção.
– Engraçadinho – mostrei a língua para ele em gesto infantil.
A verdade é que eu ando bem faminta nessas últimas semanas e não sei o que está acontecendo; o problema é que o resultado disso já está se refletindo nas minhas roupas apertadas.
Terminamos de comer e fomos dar uma volta pela cidade e mais tarde ele me deixou em casa. Apesar de não ter tido aula e eu ter passado o dia inteiro em casa estudando, estava totalmente exausta e precisava muito da minha cama.
– Você ainda está ai? — fiquei espantada quando abri a porta e Jamie ainda estava sentada na mesa.
– Tenho essa prova amanhã e preciso tirar uma boa nota – explicou enquanto dava um longo suspiro, dava para ver que ela também estava com muito sono.
– Ficar acordada até tarde é muito pior do que não ter estudado nada – comentei – Se eu fosse você iria dormir logo.
– Acho que tem razão, vou dormir! — fechou o livro e se levantou – A proposito, você pode me emprestar um absorvente? Minha menstruação estar para vir e quero estar prevenida.
– Claro, eu tenho um pacote fechado no banheiro – avisei – Pode ficar com ele para você.
– Obrigada, Car – ela sorriu – Você é a melhor.
Então eu fui até o meu banheiro, tinha dois pacotes fechados de absorvente e eu peguei um. Foi quando eu me toquei que eu tinha comprado eles quando estava de férias em Atlanta com o meu pai e não tinha usado até hoje. Tudo bem que eu nunca fui muito regular, mas isso já era exagero, tinha alguma coisa errada.
– O que aconteceu, Car? — Jamie apareceu na porta do banheiro – Você está com uma cara tão preocupada.
– Eu estou atrasada – disse, por fim – Há quase três meses.
– Atrasada quase quatro meses... — me olhou de cima abaixo – Você sabe o que isso significa, não é mesmo?
Deixei o pacote, que estava nas minhas mãos, no chão. Não era possível, eu não podia estar grávida.
– Mas eu não estou sentindo enjoo nenhum – lembrei.
– Esse não é o único sintoma de gravidez – observou – Estava estudando isso agora mesmo. Você tem sentido fome excessiva, inchaço nos seios, sono excessivo e olfato sensibilizado?
– Para falar a verdade, tenho sentido tudo isso – admiti.
Foi nesse momento que eu comecei a chorar. Minha colega de quarto me abraçou e deixou que eu chorasse no seu ombro.
– Fica calma, Car, isso não é o fim do mundo – tentou me acalmar – Eu vou com você, depois da aula, para o médico, assim você tira a dúvida.
– Tudo bem, tem razão – concordei, não adiantava nada eu me desesperar nesse momento.
Dormi muito mal durante a noite, todas as vezes que eu fechava os olhos, sonhava com bebês chorando. No dia seguinte precisei ir para a aula, mas não estava conseguindo me concentrar. Depois do almoço, finalmente, eu e Jamie fomos até o hospital.
Tirei sangue para poder fazer o exame e tive que ficar esperando quase uma hora para poder pegar o resultado. A espera parecia uma eternidade.
– Senhorita Forbes – a enfermeira me chamou – O seu exame ficou pronto e a doutora vai te receber.
– Pode ir, eu fico esperando aqui – minha amiga avisou.
O consultório médico não era muito grande, tinha uma mesa com três cadeiras e uma maca de exames. Eu me setei enquanto esperava a médica que lia atentamente os papéis que segurava.
– Bom, Caroline, acho que tenho que lhe dar os parabéns – disse, por fim – Os resultados estão aqui, você está grávida.
Claro que eu estava apavorada, mas muito mais calma do que ontem a noite. Acho que o fato de eu ter quase 100% de certeza, tinha me feito aceitar os fatos.
– Pela sua cara é uma gravidez inesperada, não é mesmo? — decidiu perguntar.
– Para falar a verdade é – admiti – Comecei a namorar há pouco tempo e não estava esperando por isso.
– Bom, mas você tem que saber que um bebê é uma benção na vida de qualquer mulher e você deve cuidar muito bem dele – observou – Por não fazemos os primeiros exames? Assim você já começa o pré-natal.
Concordei e logo estava deitada na maca e fazendo os primeiros exames ginecológicos e também medindo a pressão, estava tudo normal. Depois ela passou um gel na minha barriga para fazer a ultrassonografia.
– E aqui está o seu bebê – apontou para o pontinho na tela – Parece estar se desenvolvendo bem e tem o peso e o tamanho normal para a idade.
– Ele é lindo! — as lágrimas estavam se acumulando nos meus olhos.
– E, pelo jeito, esse menininho ou essa menininha é muito esperto – comentou – Vem te engando há três meses e você não tinha reparado que ele ou ela existe.
–Três meses? — a olhei espantada – Como assim?
– Pela ultrassonografia verifiquei que você está de 13 semanas – respondeu – Alguma coisa errada quanto a isso?
Claro que eu sabia que esse bebê podia ser do Stefan, mas queria acreditar que era do Jesse. Vou ter um filho com o meu melhor amigo que está a milhares de quilômetros de distância, estava mais perdida do que imaginava.
– Não é nada – menti, balançando a cabeça negativamente – Só pensei que estivesse com um tempo menor de gestação.
Quando eu coloquei a minha roupa de volta, a médica me passou uma série de recomendações e passou uma vitamina para eu poder tomar. Jamie estava me esperando e se levantou assim que eu apareci.
– E então? — quis saber – Você está mesmo grávida ou foi só alarme falso.
– Sim, estou grávida – afirmei – Mas não é exatamente o bebê ou o fato de não estar nem um pouco preparada para cuidar dele que está me preocupando.
– Então o que é? — perguntou, mais uma vez.
Contei tudo para ela. Sobre minha amizade com o Stefan, como acabamos nos envolvendo mais do que devíamos, a minha rejeição ao seu pedido de casamento e o fato de que não nos falamos desde então. Tudo isso sem ocultar, é claro, o fato de que o bebê era dele.
– Uau, mas que história – murmurou quando eu terminei – E o que você vai fazer agora.
– A coisa certa, é claro – dei de ombros – Preciso contar toda a verdade para o Jesse.
Peguei o telefone e procurei o número do meu namorado. Ele atendeu no terceiro toque.
– Oi, meu amor!– disse na mesma hora – Não posso falar muito agora, estou atrasado para a aula.
– Tudo bem, o que eu tenho para falar não pode ser pelo telefone mesmo – avisei – Será que você pode passar no meu apartamento mais tarde.
– Claro! – afirmou – Te vejo mais tarde então;
Me despedi e desliguei o telefone. Era isso, iria abrir o jogo com ele, não sabia como seria, mas era o certo.
– E o que você vai fazer a respeito do Stefan – Jamie perguntou, por fim.
– Uma coisa de cada vez – avisei – Primeiro vou falar com o Jesse, depois eu vejo como vou falar com o Stefan.
Então nos duas saímos do hospital. Eu tinha algumas coisas para fazer antes que a noite chegasse.
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