Hiding a Secret
15 Capítulo 14 – Em Richmond
Notas iniciais
– E esse aqui, o que acha? — Elena me mostrou um vestido de branco com estampas floridas que a saia batia, mais ou menos, na metade da minha coxa e, sinceramente, nem me lembrava da existência dele.
– Você está mesmo falando sério, Lena? — reclamei, fazendo uma careta.
– Para de me olhar com essa cara, Caroline Forbes – pediu – Caso tenha se esquecido, fui eu quem te deu esse vestido, mas especificamente, no seu aniversário de 17 anos.
– Bom, isso explica porque eu não lembra dele – revirei os olhos – Ele ficou aqui no armário quando eu me mudei, nem deve dar mais em mim.
– Ah, por favor, Car – foi a vez dela revirar os olhos – Você está muito bem, praticamente com o mesmo corpo de dez anos atrás, nem parece que teve filho.
Quanto a isso eu não tinha o que argumentar, tive sorte de consegui voltar ao meu peso de antes de engravidar apenas alguns meses depois que Adrian nasceu e, apesar de trabalhar diretamente com alimentos, sempre fiz questão de me cuidar. Claro que Elena também está muito bem e olha que ela teve dois filhos.
– Certo, mas mesmo que o vestido caiba, não acho que vá ficar muito... descente – observei.
– Car, você está indo passar o dia com o pai do seu filho, um cara que você não via há dez anos – lembrou – Acredite, você vai querer mostrar tudo o que for possível.
– Acontece que eu vou passar o dia com o Stefan e o Adrian – corrigi – Vai ser um dia em “família”, por assim dizer, não é como se eu e Stefan fossemos a um motel.
No minuto em que Stefan saiu daqui de casa ontem eu liguei para Elena e contei sobre os planos dele de ir para Richmond junto com o Adrian e que também me convidou para ir, sem deixar de fora, é claro, a expectativa que eu estava para esse passeio. O resultado foi que hoje, bem cedo, ela estava na porta para me ajudar a escolher a melhor roupa e todos os outros detalhes.
– Pois você não sabe o que está perdendo não querendo ir a um motel – minha amiga estava com um sorriso malicioso nos lábios – Se eu fosse você tentaria, posso ficar cuidando do Adrian hoje, se quiser.
– Por favor, Lena, poupe-me dos detalhes – fiz uma careta.
– Tudo bem, não está mais aqui quem falou – levantou as mãos em sinal de rendição – Mas acho melhor você escolher logo o que vai vestir, o Stefan não deve demorar muito para chegar.
– Tem razão – dei um longo suspiro e passei a mão pelo cabelo – É melhor não enrolar mais.
Apesar dos protestos de Elena, acabei escolhendo uma calça jeans e uma blusa bem folgada, por fim, escolhi uma sapatilha baixa, era perfeito para um dia de passeio, principalmente por eu não saber o que vamos fazer, exatamente.
– Tudo bem, admito que você ficou legal – disse assim que eu sai do banheiro, já vestida – Agora vem aqui que eu vou mexer no seu cabelo.
Ela fez um rabo de cavalo mal feito, deixando algumas mexas caírem no meu rosto.
Perfeito! — sorriu enquanto admirava o seu “trabalho” — Agora eu vou te maquiar – foi até a sua bolsa e pegou o kit de maquiagem que tinha trazido. Essa Elena, já devia ter imaginado isso...
– Espera, Lena – a interrompi – Sem maquiagem, lembra? Nada de exagero.
– Não vai ser exagerado, sério! — prometeu – Vai ser bem leve, nem vai parecer que está maquiada.
Suspirei profundamente e acabei concordando, conhecia a minha melhor amiga suficiente para saber que ela não aceitaria um não como resposta. Fechei o olho enquanto Elena começava a me maquiar, foi nesse momento que a campainha tocou no andar debaixo da casa.
– Acho que o Stefan acabou de chegar – comentei, tentando levantar, mas fui impedida pela minha amiga.
– Ainda não terminei – ela usou um falso tom ameaçador – E pode deixar que o Stefan não vai morrer se ficar uns cinco minutos lá esperando.
Pouco menos de um minuto depois a porta do quarto foi aberta. Eu e Elena nos viramos quase no mesmo instante, a tempo de ver a minha mãe parada na entrada.
– O Stefan já está lá embaixo conversando com o Adrian – ela avisou- Disse que não quer te apressar, mas ele quer chegar logo lá em Richmond.
– Tudo bem, acabamos! — Elena avisou, passando mais um pouco de lápis no meu olho – Pode olhar – me fez virar para o espelho.
Elena tinha razão, nem parecia que eu estava maquiada, tinha ficado tudo muito natural.
– Eu amei, Lena – falei, totalmente empolgada.
– De nada, eu disse que ficaria ótimo – estava com um sorriso convencido no rosto – Agora vamos lá para baixo.
Stefan e Adrian estavam sentados no sofá conversando e pareciam bem animados e rindo de alguma coisa engraçada que um dos dois devia ter acabado de falar. Assim que eu desci as escadas, eles se levantaram e olharam na minha direção.
– Uau, mãe, você está linda – meu filho comentou.
– Ele tem razão, Car, você está linda – ele de um beijo no meu rosto, fazendo com que eu ficasse levemente envergonhada – Oi, Elena, o que você está fazendo aqui? — ele parecia ter notado a presença da cunhada naquele momento.
– Eu vim até aqui conversar um coisa com Caroline – explicou – Mas eu já estou de saída – e então ela caminhou em direção a saída da casa.
– Bom, acho melhor nós irmos também – Stefan falou, por fim – Você estão prontos para o nosso dia divertido?
– Sim! — foi Adrian quem respondeu.
Nós nos despedimos da minha mãe e fomos até o carro do pai de Stefan, que estava parado na entrada. Ele deu a partida e logo estávamos na estrada a caminho de Richmond.
– Você gosta de beisebol, Adrian? — ele perguntou, de repente, sem tirar os olhos da pista a sua frente.
– Eu jogava um pouco na minha antiga escola em Sidney e até tentei entrar na equipe assim que nos mudamos para Los Angele – explicou – Mas eu era muito novo, então não me aceitaram.
Lembro-me muito bem da decepção do meu filho quando isso aconteceu. Foi muito difícil conseguir fazê-lo se animar novamente, mas, com o tempo, acabou passando e ele parecia ter esquecido do incidente.
– Sabe, em Richmond tem um lugar para você treinar os arremessos, é um lugar muito legal e as crianças adoram ir até lá – continuou – Fomos uma vez quando tínhamos uns onze anos, lembra disso, Car?
– Mas é claro! — concordei com a cabeça. O pai de Stefan decidiu passar um tempo com os filhos e acabaram convidando eu e Elena para irmos juntos, não que esse fosse o nosso esporte favorito, mas até que foi um dia divertido.
– Eu já fui a um lugar assim lá na Austrália – Adrian explicou. Na verdade ele foi junto com o Jesse, mas sabia que não iria entrar em detalhes, pois não queria magoar o pai – Até que é legal.
– Pensei que poderíamos ir lá hoje – sugeriu – Seria algo bem divertido para fazermos juntos, não acha?
– Sim! — sorriu – Vai ser bem legal.
– Você não se importa com isso, não é mesmo, Car? — quis saber, se virando rapidamente para mim — Sei que não era isso que você estava esperando para hoje, mas...
– É claro que eu não me importo, Stef – garanti – Esse dia é para você e o Adrian, eu só estou apenas acompanhando.
– Se você diz – deu de ombros – Então vamos treinar alguns arremessos.
Não demorou muito para entrarmos em Richmond e fomos diretamente para o campo de treinamento de arremessos, que ficava em uma área afastada da cidade. Por ser sábado, o local estava cheio de pais com os seus filhos, que tiveram a mesma ideia de que Stefan, por sorte, não demorou muito para conseguirmos entrar.
– E aqui está, o seu capacete e o seu taco – entregou o equipamento para Adrian – Car, você vai querer também? — perguntou, virando-se para mim.
– Não! — neguei com a cabeça – Você sabe que eu não sou muito boa jogando beisebol – e era verdade, a última vez em que estive ali, consegui errar todas a bolas que foram arremessadas para mim.
– Acho que não foi uma boa ideia virmos até aqui, então – deu um suspiro de frustração – Eu deveria ter pensado em ir a outro lugar, algum que você gostaria também.
– Stefan, eu disse que não me importo – disse, mas uma vez, revirando os olhos – Vou ficar sentada observando vocês dois jogando.
– Você tem certeza, mãe? — foi a vez de Adrian perguntar – Eu gostei da ideia de vir aqui, mas eu aceitou ir a outro lugar.
– Tenho certeza de que vou me divertir vendo vocês se divertindo – coloquei a mão nas costas do meu filho e o fiz começar a caminhar – Agora vamos, vocês dois estão perdendo tempo aqui.
O local de treinar arremessos era uma cerca de ferro que era grande o suficiente para duas pessoas ficarem lá dentro. Eu me sentei em uma banco de madeira que ficava do lado de fora enquanto Stefan ligava a maquina para que os dois pudessem começar.
Ele foi o primeiro a rebater e conseguiu acertar todas as dez bolas, deu para perceber o quanto meu antigo melhor amigo continuava muito bom no beisebol mesmo, aparentemente, ter ficado todos esses anos sem treinar.
– Uau! — Adrian comentou, parecendo tão boquiaberto quanto eu.
– Agora é a sua vez, Adrian – falou para o nosso filho – Está preparado para começar?
– Sim! — afirmou com a cabeça.
Foi ajustar a maquina para recomeçar enquanto ele ficava no mesmo lugar em que o pai há alguns minutos. Infelizmente não foi tão bom e errou os cinco primeiros arremessos.
– Eu sou péssimo nisso – abaixou o taco e soltou um suspiro de frustração – Já devia saber que seria desse jeito.
– Que isso, você não foi tão ruim assim – tentou animá-lo – Você só precisa de uma ajuda sobre como arremessar.
Então, Stef ajudou Adrian a ficar em uma boa posição e ele conseguiu acertar as duas bolas que vieram em seguida. Pude ver um enorme sorriso no rosto do meu filho.
– Está vendo, eu disse que você ia conseguir – comentou – Agora você vai tentar fazer sozinho.
Como já era de se imaginar, ele acertou. Sendo totalmente sincera, acho que nunca vi Adrian tão animado com um esporta antes.
– Bom, acho que vou lá para a lanchonete e vou deixar vocês aqui – avisei enquanto me levantava – Quando vocês terminarem, podem me encontrar lá.
Eles nem ao menos me responderam, estavam se divertindo muito para isso. Mas eu sei que eles me ouviram, então não me preocupei em ir me afastando.
Fui até o balcão da lanchonete e pedi uma água com gás antes de me sentar. Foi nesse momento em que eu percebi que o tempo estava começando a escurecer, como estamos no meio da tarde, logo percebi que iria chover em algum momento hoje.
Uma mulher empurrando um carrinho de bebê veio caminhando em direção a lanchonete e, depois de fazer o pedido, foi até a mesa em que eu estava.
– Com licença, mas será que eu posso me sentar aqui? — pediu, o local estava mesmo totalmente lotado e não tinha nenhum outro lugar aonde se sentar.
– Claro! — afirmei com a cabeça – Pode se sentar.
Então ela se sentou em frente a mim e deu uma olhada no filho, que estava dentro do carrinho. Tudo que eu consegui fazer foi soltar um longo suspiro e apoiar a mão na mesa.
– Deixe-me adivinhar? — disse, fazendo com que eu me virasse na sua direção – Você também veio aqui com o namorado e ele ficou totalmente vidrado com o jogo e não te deu atenção?
– Mais ou menos isso – sorri – Estou aqui como filho e o pai dele, mas o resto é exatamente isso.
– Seu filho, sério? — ela parecia ser alguns anos mais velha do que eu, mas pareceu espantada por eu já ser mãe, ainda mais por eu sempre aparentar ter menos do que a idade que eu tenho – Também estou aqui com o meu marido e meus filhos. Tenho dois um de quatro e um de seis e agora essa pequenina aqui.
Me levantei um pouco para olhar o bebê, que agora eu sei que é uma menina. Ela dormia profundamente, totalmente alheia ao mundo a sua volta, isso me deu uma grande saudade de quando Adrian era pequeno.
– Não me leve a mãe, eu amo os meus filhos, mas fiquei muito feliz quando, finalmente, tive uma menina – continuou – Eu tenho o meu momento com os garotos, mas eles passam a maior parte do tempo querendo fazer coisas com o pai e eu me sinto um pouco excluída disso.
– Sei exatamente do que você está falando – concordei.
Meu filho sempre foi ligado a mim, mas sempre tinham momentos em que ele queria fazer alguma “coisa de garoto” junto com o Jesse. Claro que, desde que nos mudamos para Los Angeles, passamos mais tempo juntos e ele até foi ao shopping comigo em várias ocasiões, mas confesso que agora, com a chegada do Stefan, as coisas mudem e ele queira passar cada vez mais tempo com o pai.
É em um momento como esse, eu sinto uma certa inveja da Elena. Ela teve o Luca, mas não demorou muito para Giane nascer.
Mas é claro que eu não tenho o que reclamar dos meus meninos – completou – Eles são uns amores.
– Posso dizer o mesmo do meu filho – concordei — Não sei como seria a minha vida sem ele.
Nós duas continuamos conversando até que o marido dela e os filhos apareceram, cerca de meia hora depois. Ainda tive que ficar esperando mais alguns minutos até que Stefan e Adrian aparecessem também, eles estavam rindo de alguma coisa que algum dos dois tinha falado, era mesmo uma bela cena entre pai e filho.
– Pelo jeito o jogo continuou bem animado depois que eu sai de lá – cruzei os braços e os encarei.
– Foi muito legal, mãe! — meu filho comentou, sorrindo — O papai sabe um monte de coisa legais e me ensinou várias delas – foi só nesse instante que eles percebeu o que tinha acabado de dizer – Opa, desculpa, não perguntei se podia te chamar de pai.
Stefan apenas se aproximou e o abraçou com toda a força possível.
– Você nem precisava pedir, Adrian – disse – Eu vou ficar mais do que feliz se você começar a me chamar de pai.
Eu fiquei ali apenas observando aquela cena. Desde o momento em que eu fiquei grávida fiquei imaginando esse momento, infelizmente as circunstâncias não permitiram naquela época, mas agora...
– Bom, não sei quanto a vocês, mas eu estou com fome – Stefan decidiu mudar de assunto – O que acha de comermos um cachorro-quente aqui?
– Não estou com muita vontade de comer cachorro-quente – Adrian fez uma careta – Eu queria comida mesmo.
– Então podemos ir até um restaurante de comida italiana que fica no centro da cidade – sugeriu – Você gosta de comida italiana?
– Gosto sim! — afirmou.
– Isso é importante, levando consideração a sua descendência italiana – brincou – E por você, Caroline, está tudo bem ir até lá?
– Claro! — concordei – Sinceramente, faz tanto tempo que eu não como comida italiana.
– Perfeito! — pareceu satisfeito – Então vamos até lá.
O transito estava bom, então não demorou muito para chegarmos ao restaurante, foi uma refeição tranquila. Infelizmente, na hora em que estávamos saindo, começou uma chuva muito forte do lado de fora.
– Más notícias, a estrada para Mystic Falls foi fechada há alguns minutos – Stefan tinha ido saber informações sobre a estrada – Pelo jeito vamos ter que passar a noite em um hotel.
Por sorte, tinha um bom hotel que não ficava muito longe do restaurante. Conseguimos uma suíte que tinha dois quartos, então ele ficaria em um e eu e Adrian em outra.
– Não precisa se preocupar conosco, mãe, nós estamos bem – decidi ligar para casa, para deixar a minha mãe tranquila – Amanhã de manhã, se a estrada já estiver aberta, vamos voltar.
– Está bem, mas qualquer mudança de planos, você me avisa – pediu.
– Pode ficar tranquila que eu aviso – garanti antes de desligar o telefone e guardar o telefone na minha bolsa, mas uma vez.
Adrian já estava dormindo profundamente todo encolhido em um dos lado da cama de casal. Todo a agitação do dia tinha sido demais para ele, tenho certeza de que não iria acordar até amanhã.
Dei um beijo no topo da cabeça do meu filho e sai do quarto. Encontrei Stefan sentado no sofá e olhando para um ponto fixo na parede enquanto segurava um copo de Wisky.
– Stefan Salvatore ainda não perdeu a mania de beber Wisky – comentei me sentando ao seu lado. Quando tínhamos uns 17 anos, invadimos o armário de de Wisky do pai dele, aquela foi a primeira vez que bebi algo mais forte do que um copo de cerveja e me arrependi amargamente.
– Nunca vou perder essa mania – brincou, sorrindo – E o Adrian?
– Apagou – respondi – Sabe, acho que eu nunca o vi se divertir tanto, nem mesmo com o Jesse. Tenho muito que te agradecer por isso.
– Não foi nada, Car, ele é meu filho também – lembrou – E eu também não me divertia assim há muito tempo.
Essa foi a minha vez de sorrir. Stefan segurou a minha mão que estava sob o joelho, quis me afastar, mas meu corpo não queria obedecer a minha cabeça.
– E agora eu sei o que o Damon sentiu quando o Luca e a Giane nasceu – comentou – É uma sensação maravilhosa, sinto que posso fazer qualquer coisa para proteger aquele garoto.
– Acredite, eu sinto exatamente isso todos os dias nos últimos nove anos – admiti – Acho que eu ainda não te pedi desculpas o suficiente.
– Pelo que? — me olhou confuso.
– Por ter te impedido de conviver com o Adrian todos esses anos – completei – Vendo vocês dois juntos eu percebo o quanto eu fui insensível e egoísta com a minha atitude.
– Você não precisa se desculpar, Car, fez o que achava que era certo – disse – O importante é que nós três recuperemos o tempo perdido.
– Como assim? — foi a minha vez de olhá-lo confusa. Ele tinha que recuperar o tempo com Adrian, mas o que eu tenho a ver com essa história?
Stefan não respondeu, apenas encurtou a distância entre nós e me beijou. Eu coloquei o braço ao redor do seu pescoço e apenas me deixei levar.
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