Hiding a Secret

14 Capítulo 13 – Uma trégua?


Notas iniciais
Capítulo novinho para vocês... Bom, é isso, não vou demorar muito aqui. Espero que gostem.

Stefan

Uma das vantagens de se passar um tempo em casa depois de tanto tempo fora é encontrar algumas coisas que estavam perdidas por ai. Comecei a mexer no meu armário com a intenção de separar algumas roupas que eu poderia mandar para a doação, mas junto com elas estavam algumas fotos antigas e até mesmo alguns brinquedos que eu não via desde que tinha uns onze anos, o resultado foi que eu passei a tarde inteira mexendo nessas coisas.

– Eu vim até aqui verificar se você estava vivo, Stefan – meu pai brincou, entrando, de repente, no local – Você está trancado aqui o dia inteiro.

– Olha só o que eu achei – mostrei uma bola de basquete da época em que eu tentei entrar no time de basquete da Mystic Falls High School, infelizmente a minha altura não era o suficiente para ter algum tipo de talento para o jogo, então não deu certo – Acha que o Adrian vai gostar disso?

Já fazia três dias desde que eu descobri que tinha um filho. Ainda não tinha ido vê-lo pois ainda estava tentando evitar Caroline o máximo que eu conseguir, mas Adrian não tem culpa de nada disso.

– Não sei – dei de ombros – Sabe de ele gosta de basquete?

– Sinceramente, não sei – ri enquanto respondia – Mas eu nunca vou saber se não tentar. Eu tenho uma bola de futebol americano em algum lugar também, talvez possa levar as duas.

– É uma boa ideia – concordou – Esse seu comentário sobre o Adrian significa que você vai, finalmente, vê-lo?

– Sim, eu preciso fazer isso – afirmei – O Adrian é meu filho, por mais que eu esteja com raiva da mãe dele, preciso vê-lo e começar a conviver com ele.

– Isso é muito bom – concordou – Mas não foi, exatamente para isso que eu vim até aqui, tem alguém aqui que quer falar com você.

– Quem é? — perguntei, totalmente curioso.

– Por que você não vai até lá embaixo descobrir – sugeriu – Se precisar de mim eu vou estar no meu escritório respondendo alguns e-mails.

Assim que ele saiu coloquei a bola de basquete em cima da cama e me levantei. Ainda no alto da escada eu pude ver meu irmão mais velho em pé no meio da sala.

– Damon! — falei assim que me aproximei dele – Quando papai disse que alguém veio me ver você era a última pessoa que eu poderia imaginar que seria, embora agora eu ache que era algo meio óbvio.

– Com certeza – sorriu – Então, acho que não te vejo desde o almoço na casa dos pais da Elena. O que você tem feito desde então?

– Pensando, muito – foi tudo que eu disse, afinal, eu não sei quanto o Damon sabia sobre essa história toda.

– Foi o que eu imaginei – comentou – E foi exatamente por isso que a Lena me mandou vir aqui, para saber o que você está pensando a respeito dessa história de paternidade e se você está com muita raiva da Caroline.

– Então você também estava sabendo do Adrian? — quis saber – Parece que eu fui mesmo o último a saber que tive um filho.

– Na verdade eu fiquei sabendo no mesmo dia que você, mas a noite – meu irmão explicou – Logo, eu fui o último a saber, teoricamente.

– Entendo – não pude deixar de sorrir – Mas o que você achou da Elena não ter te contado que o filho da Caroline é seu sobrinho? Quero dizer, ela é sua esposa e escondeu isso de você por dez anos.

– Não fiquei com raiva – respondeu – Não era algo que nos interessava, diretamente, e eu não tinha o direito de saber. Além do mais, se a Lena me contasse, eu ia acabar contando tudo para você e não era eu quem devia fazer isso e sim a Caroline.

– Acho que você tem razão... — concordei, por fim – Queria pensar dessa maneira e conseguir perdoar a Caroline pelo que ela fez.

– E você pode perdoá-la – lembrou – Sei que foi uma coisa errada ela ter escondido que teve um filho seu, mas a Caroline achou que estivesse fazendo algo para o seu bem.

– Sim, eu sei disso – balancei a cabeça em sinal afirmativo, quase que automaticamente – Ela me falou tudo isso, mas acho que não é motivo o suficiente, não é uma justificativa plausível.

– Sério mesmo que você pensa desse jeito – Damon revirou os olhos – Por favor, Stef, essa é uma justificativa mais do que plausível.

Nesse momento eu me sentei no sofá. Aquela conversa tinha acabado de começar e, pelo jeito, ela seria longa.

– Pensa bem, a Caroline decidiu criar o filho sozinha, sem o apoio do pai da criança e tudo mais, isso para que você não decidisse ir atrás dela em Sidney e para que pudesse terminar a faculdade e ter a carreira que sempre sonhou – continuou – Então, meu caro irmãozinho, acho que tudo que a Caroline fez foi pensar em você.

– Não é como se ela tivesse criado o Adrian sozinho – argumentei – Ela tinha o namorado, o tal de Jesse, que criou o meu filho desde que nasceu. O Adrian, inclusive, chama ele de pai.

– Mas o Jesse nunca foi o pai e o Adrian sempre soube disso – lembrou – Ela privou o próprio filho de conviver com o pai biológico, o que você acha que é isso?

– Egoísmo...? — sabia que não era essa a reposta que ele queria, mesmo assim, falei, dando de ombros.

– Não, Stefan, isso é tudo menos egoísmo! — elevou um pouco o seu tom de voz – Se fosse para ser egoísta ela tinha te contado na época e feito você ir morar em Sidney com ela e o filho de vocês. Acho que isso é prova o suficiente do quanto ela te ama.

– Caroline não me ama, pelo menos não desse jeito – falei.

– Está falando sobre o pedido de casamento que ela disse não? — como é que Damon sabia disso? Não me lembro de ter contado para ninguém na época..., bom, provavelmente deve ter sido a Elena – Vamos ser sinceros, Stef, vocês acha que daria mesmo certo vocês dois casados e com um bebê para criar?

– Você e a Elena conseguiram morar juntos quando ela foi para a faculdade – lembrei – E estão juntos até hoje.

– Mas foi diferente – revirou os olhos enquanto tentava explicar – Nós dois já estávamos juntos quando ela foi morar comigo e nós não tivemos um bebê logo, Luca só nasceu alguns anos depois.

Soltei um longo suspiro e passei a mão pelo cabelo, aquilo já não estava sendo fácil e Damon não estava ajudando com isso.

– Deixa de ser teimoso, Stefan, vai falar com a Caroline – pediu – Não estou dizendo para pedi-la em namoro nem nada parecido, talvez as coisas nem voltem a ser como antes, mas, pelo menos uma trégua.

Eu não respondi, apenas fiquei olhando para os meus próprios pés nesse momento.

– Certo, eu já fiz a minha parte – completou – Agora resta você decidir seguir ou não os meus concelhos.

Ele caminhou até a porta e foi embora. Assim que meu irmão saiu, eu me levantei e voltei para o andar de cima, em direção ao meu quarto. Troquei de roupa e peguei a bola de basquete em cima da cama e pronto, estava pronto para sair.

Caroline

Aquela era mais uma tarde sem nada para fazer... Minha mãe estava fazendo plantão na delegacia e só voltaria bem tarde da noite, e como já tinha apresentado ao meu filho tudo que tinha em Mystic Falls e não tínhamos um outro carro disponível para ir até Richmond, estávamos presos em casa. Acho que tinha me esquecido como uma cidade pequena pode ser tediosa.

Procurei algum filme bom para ver na televisão, mas não estava passando nada interessante, então fui olhar os meus e-mails e depois fui ler um livro. Em algum momento senti fome, o que me fez me dirigir até o andar de baixo, aonde Adrian estava jogando videogame, totalmente concentrado nisso.

– Sério, você nunca cansa disso? — reclamei, me sentando ao seu lado no sofá – Nem ao menos sente dor nos dedos de ficar o dia inteiro apertando esses botões?

– Não, mãe, eu estou bem – afirmou com a cabeça, ele nem ao menos tirou os olhos da tela para me olhar – Isso é divertido.

– Se você diz... — revirei os olhos – Estava pensando em preparar um omelete para lanchar. Você também está com fome?

– Estou sim! — afirmou com a cabeça – Omelete é uma ótima ideia.

– Estava pensando em te pedir ajuda na cozinha, mas já vi que você não vai sair daí nem que a casa tivesse pegando fogo – brinquei antes de ir para o outro cômodo.

A primeira coisa que eu fiz foi procurar os ingredientes que eu poderia usar para preparar o omelete, me decidi por cogumelos, queijo e presunto, então peguei quatro ovos na geladeira e separei as claras das gemas. Já tinha pego a frigideira, mas antes que pudesse acender o fogão, a campainha tocou, como eu sabia que nem adiantava pedir ao Adrian para atender, fui até lá abrir a porta.

Não posso dizer que tenha sido uma surpresa encontrar Stefan ali, na entrada da casa da minha mãe, mas apesar de saber que já faz três dias e que uma hora ou outra ele iria aparecer, pensei que ainda fosse demorar mais algum tempo.

– Oi, Stefan – acenei sem graça para ele.

– Oi! — ele estava segurando uma bola de basquete, que ficou passando de uma mão para outra, repetidas vezes – Desculpe se fora uma hora ruim, mas é que eu vim aqui falar com o Adrian.

– Claro! — não pude deixar de dar um sorriso bobo – Adrian, meu filho, venha aqui um minuto, por favor.

Ele demorou um pouco para aparecer, o que fez com que eu e Stefan tivéssemos que ficar ali, frente a frente, em um silêncio totalmente constrangedor. Passei todo o tempo olhando os meus próprios pés, até que Adrian, finalmente surgisse no hall de entrada, chegou arrastado, sinal de que veio contra a sua vontade.

– O que foi, mãe? — seu tom de voz era totalmente monótono.

Não precisei dizer nada, pois logo ele viu Stefan bem ali na entrada. Ele pareceu feliz e surpreso ao mesmo tempo, acho que houveram momentos, nesses últimos duas, que meu filho acreditou que nunca fosse poder ter uma conversa com o pai biológico.

– Oi, Adrian – Stef disse, por fim – Eu estava arrumando algumas coisas no meu antigo quarto e encontrei essa bola de basquete, então decidi trazê-la para você – avisou, entregando o objeto para ele – Não sabia se você gostava de basquete, mas decidi arriscar.

– Eu gosto de basquete sim – afirmou com a cabeça – Nunca joguei, mas já fui assistir umas partidas lá em Los Angeles, com alguns amigos do colégio.

– Parece legal – sorriu, satisfeito – Sabe que eu nunca assisti a uma partida da liga de basquete? Posso ir até Los Angeles um dia, te visitar, então nós vamos juntos.

Adrian me olhou, rapidamente, parecia em dúvida se o pai poderia ir ou não visitá-lo em Los Angeles. Eu apenas balancei a cabeça afirmativamente, o incentivando a continuar a conversa.

– Vai ser bem divertido – concordou.

– Você também pode ir me visitar lá em Londres – sugeriu – Não sei se você já assistiu algum jogo de futebol, mas temos muitos lá na Inglaterra, se quiser podemos ir a algum.

– Que legal, eu vou querer sim – parecia mais do que animado, nesse momento – Eu posso, não é mesmo, mãe? — me perguntou, totalmente esperançoso.

– Mas é claro, meu filho – respondi – Vai ser bom você e o Stefan passarem um tempo juntos.

– E o que você estava fazendo quando eu cheguei aqui, Adrian? — ele quis saber – Se é que eu posso perguntar.

– Estava só jogando videogame – deu de ombros – Embora a mamãe não estivesse tão feliz com isso.

– Não é que eu não estivesse feliz – expliquei – Só não acho que você deva ficar o dia inteiro na frente da televisão jogando videogame, isso não é saudável.

– Sabe, Adrian, quando eu tinha, mais ou menos, a sua idade, também adorava jogar videogame – Stefan admitiu – Eu era um dos melhor jogadores da minha turma no colégio.

– Sério? — pareceu surpreso com aquela confissão.

– Sim! — afirmou, com a cabeça – Se dúvida de mim, pode perguntar para a sua mãe, não é verdade, Car? — fui pega totalmente de surpresa quando ele fez aquela pergunta para mim, foi de uma maneira tão natural, que não parecia que não estávamos mais nos falando.

– É verdade – consegui responder, por fim – Afinal, de onde você acha que herdou a habilidade de jogar.

– Bom, mas eu duvido que você consiga ganhar de mim – avisou, totalmente confiante – Sou mesmo muito bom nisso.

– Pois se é um desafio, eu aceito – entrou na brincadeira – Podemos jogar agora mesmo, se você quiser.

– Vamos sim – concordou.

– Eu estou fazendo duas omeletes para mim e para o Adrian – avisei, me dirigindo ao Stefan – Se você quiser, posso preparar uma para você também.

– Não precisa se preocupar – garantiu – Não estou com muita fome agora.

– A minha mãe é uma excelente cozinheira, a melhor do mundo – Adrian avisou, totalmente orgulhoso – Por isso ela é a chefe no restaurante em que trabalha.

– Sei que sua mãe cozinha bem – concordou – Já comi muitos pratos feitos por ela. Car, você ainda prepara aquele macarrão que eu sempre gostei?

– Claro que sim – respondi na mesma hora – Nunca poderia parar de fazer a minha especialidade.

– Pois espero que você possa preparar o macarrão um dia enquanto ainda estivermos aqui em Mystic Falls – pediu –Quer saber, eu vou aceitar a omelete sim, estou com saudade da sua comida.

– Então eu vou fazer – garanti – Enquanto vocês dois jogam videogame, eu vou para a cozinha.

Precisei pegar mais ingredientes e mais dois ovos para fazer as omeletes. Confesso que estava totalmente curiosa para saber como estava sendo a conversa do Adrian e do Stefan, mas eu não fui ouvir, em vez disso continuei preparando a comida.

Já estava tudo pronto e eu coloquei as omeletes em três pratos, ainda peguei três copos e uma jarra de suco de laranja. Só então fui até a sala, aonde os dois pareciam muito concentrados no jogo de videogame.

– Ganhei! — Adrian gritou depois de alguns segundos, ouvi uma musiquinha que indicava que o jogo tinha acabado – Sabia que eu ia ganhar.

– Tudo bem, confesso que estou um pouco enferrujado – admitiu, se esticando ainda sentado no sofá – Oi, Car, não vi que você estava aqui.

– Acabei de chegar – avisei – As omeletes estão prontos, vamos comer antes que tudo esfrie.

Então todos nós voltamos para a cozinha. Aquela cena de nós três sentados em volta da mesa e comendo como se fossemos uma família, sempre quis que as coisas fossem assim, mas o destino não quis.

– Está tudo uma delícia, Caroline – Stefan comentou depois de comer uma garfada – Não achava que fosse possível, mas o curso de culinária em Sidney deixou deixou os seus pratos ainda melhor.

– Obrigada – dei um sorriso tímido.

– Você pretende seguir a carreira de culinária igual a sua mãe, Adrian – perguntou para o nosso filho, totalmente interessado.

– Já pensei nisso – admitiu – Mas a mamãe nunca me deixa entrar na cozinha enquanto ela está cozinhando, diz que é perigoso.

– E é mesmo – afirmei – Tem fogo lá e você pode se queimar, quem sabe quando for um pouco mais velho?

– Eu também já pensei em ser policial igual a vovó Liz; ou ser arquiteto igual ao vovô Bill – continuou- Também já quis trabalhar com informática, igual ao meu pai..., quero dizer, o Jesse, desculpe.

Percebi o olhar triste do Stefan nesse momento. Deve ser difícil para ele ver o filho chamando outro cara de pai, e isso tudo é minha culpa.

– Está tudo bem – garantiu, dando um fraco sorriso – Afinal, o Jesse te criou desde que você nasceu e você o considera como pai, isso é normal.

– E no que você trabalha? — Adrian decidiu perguntar, mudando o assunto.

– Eu sou formado em Publicidade e Propaganda e trabalho em uma produtora – explicou – Sou uma espécie de diretor dos comerciais, sou em quem decide as coisas que são colocadas nas produções.

– Parece uma profissão divertida – afirmou – Acho que é mais uma coisa que eu posso fazer quando crescer – revirou os olhos.

Terminamos de comer totalmente em silêncio. Aquela tarde estava sendo mesmo muito divertida.

– Acho que é melhor eu ir embora, meu pai deve estar me perguntando aonde eu estou – Stefan comentou – Mas antes, Adrian, o que acha de irmos até Richmond amanhã? Assim passamos mais um tempo juntos.

– Parece legal! — disse – Vamos.

– Então vocês dois vão sair amanhã, mas agora, Adrian, está na hora de você lavar a louça – pedi, ele sempre fazia em casa, então não acharia ruim.

– Certo! — suspirou enquanto pegava os pratos e ia até a pia.

Enquanto Adrian fazia o seu trabalho eu levei Stefan até a porta. Já do lado de fora, ele se virou, novamente, na minha direção.

– Muito obrigada por hoje, Stefan – disse, por fim – Foi muito importante para o Adrian você ter vindo e vocês irem amanhã a Richmond, vai ser melhor ainda.

– Sei disso – cruzou os braços e se encostou no batente da porta – Tenho uma ideia, por que você não vai conosco amanhã?

– Eu? — fiquei espantada – Você tem certeza de que me quer lá?

– Claro! — afirmou – Você é a mãe do Adrian, podemos passar um dia em família, por assim dizer.

– Mas a Katherine não vai achar ruim que eu vá passar o dia com você? — quis saber – Ela quem deveria ir para Richmond.

– Katherine foi embora há alguns dias – deu de ombros, como se isso não fosse importante – Não daria certo, pelo menos acabou sem problemas.

– Sinto muito – disse, sinceramente – Mas eu aceito ir para Richond com vocês.

– Perfeito! — deu um beijo na minha bochecha – Passo para vocês na hora do almoço.

Então ele se afastou e foi caminhando em direção a calçada para poder ir embora para a casa do seu pai. Foi impossível não sorrir, Stefan tinha voltado a falar comigo e isso era tudo que importava.

Notas finais
E muitas coisas aconteceram nesse capítulo... O que vocês acharam da conversa do Damon e do Stefan, será que ele conseguiu abrir os olhos do irmão? E quanto ao momento fofo entre o Adrian e o Stef? Bom, ele já voltou a falar com a Car e até a convidou para passar o dia com eles em Richmond. O que será que vai acontecer nesse passeio? *** E é isso, comentem e digam o que estão achando Recomendações?