Hidden Life!
2 Path to Fifty Shades... pushing bottons!! ( I )
Notas iniciais
Seis meses atrás (06:00 a.m)
Sarah
—Senhorita Reese! – ouço o proprietário do prédio onde moro chamar e paro, sem graça, já sabendo do que se tratava.
—Senhor Stevens, sei que estou com meu aluguel atrasado, mas prometo que assim que receber minha bolsa pago tudo mesmo que...
—Não, não senhorita, não se trata disso! – me interrompe, gesticulando – Não que isso não seja importante, porque é – prossegue – Só quero lhe dar meus pêsames – diz, segurando minhas mãos – Só soube agora. Sinto muito.
—Obrigada senhor Stevens! – agradeço, sentindo o nó em minha garganta – Mesmo assim, lhe garanto que assim que tiver com o dinheiro em mãos pago tudo – asseguro.
—Tudo bem mocinha, fique tranquila. Pelo menos eu sei que de você não vou levar calote! – brinca, piscando para mim.
Saio do prédio, ajusto meu casaco e cachecol, ponho meus fones de ouvido e sigo para a estação de metrô mais perto, os pensamentos girando em minha mente.
Três semanas atrás recebera a pior notícia de minha vida: meu pai morrerá vítima de um ataque cardíaco fulminante enquanto participava de uma partida de futebol com os amigos.
Minha mãe mandara uma passagem para que eu pudesse ir para o enterro, Miss Goodwin, a administradora do Med, me concedeu uma licença de sete dias para que pudesse ficar em companhia de meus familiares em Springfield, minha cidade natal, onde recebi uma segunda notícia no mínimo desagradável: minha mãe teria que suspender a ajuda que me enviava todos os meses.
—Espero que entenda minha querida. Seu pai vinha doente há algum tempo. Gastamos o que podíamos e não podíamos, fizemos dividas que preciso pagar além dos custos do enterro — justificara-se quando me chamou para dar a notícia, assegurando-me que assim que pudesse voltaria a me enviar os cheques.
Evidente que não poderia protestar ou achar ruim. Meu pai acabara de morrer e eu nem mesmo sabia que estivera tão doente!
Quando retornei a Chicago já sabia que iria precisar me redobrar para conseguir me manter. Só não imaginava que seria tão difícil assim!!
—Sarah! – escuto chamarem assim que saio da estação e paro, voltando-me para a voz, sorrindo minimamente ao ver o casal que se aproximava.
Ainda era um pouco doloroso ver Joyel e Miriam, a nova residente da Patologia, juntos.
Não que ainda nutrisse algum sentimento por ele além de amizade. Mas não era totalmente indiferente, afinal ele fora o único a me enxergar como mulher no Med!
Não que isto fosse importante para mim. Meu foco ali era completar minha formação, escolher minha residência, ser contratada e me dedicar a profissão que escolhi, indo contra toda minha família (repleta de advogados!). Sem contar a forma nada amistosa como terminamos, afinal, ser a última a saber de uma traição mexe com seus brios, por mais calma e centrada que seja.
—Bom dia. Como está? Não tive tempo de te dar meus sentimentos desde que voltou. Muita correria nestes últimos dias sabe – justifica-se, sem graça, ajeitando os óculos.
—Tudo bem, eu entendo – tranquilizo-o – Estou bem. Ainda mexida, mas bem – afirmo, voltando a caminhar ao lado dos dois.
—Que bom. Saiba que estamos aqui para o que der e vier. Se precisar desabafar ou de um ombro amigo, dois no caso – corrige-se – Pode nos procurar não é meu bem?
—Com certeza! – Miriam exclama me lançando um olhar solidário.
“Caridade do meu ex e da vaca que acabou com nosso namoro? Não obrigada! ” — Obrigada, procuro sim – minto, me separando deles assim que estramos no Med – Bom dia Maggie – cumprimento-a entrando na recepção.
—Não tão bom assim! Pelo menos para algumas pessoas! – diz, fazendo um gesto de cabeça em direção ao pequeno grupo que conversava em um canto do qual Miss Goodwin e Andrew Loyd, advogado do hospital faziam parte juntamente com a doutora Manning e o doutor Halstead.
—Problemas? – pergunto, pendurando minha bolsa no ombro após verificar com quem estaria trabalhando hoje: doutor Choi.
—Pra variar um pouco – faz uma careta engraçada, sorrindo para mim – E você, como está agora que definiu sua residência?
—Feliz, nervosa, ansiosa.... Completamente sem noção de como vou fazer para pagar aluguel, contas, comprar comida e roupas além de pagar o seguro obrigatório que todos os residentes precisam ter com o dinheiro de minha magra bolsa!! — Espero não ter feito besteira escolhendo uma área tão diferente da que pretendia! – digo, mordendo meu lábio, insegura.
—Pense no lado positivo: caso decida mudar de ideia, o que, sinceramente, vou torcer para que não faça, ainda tem pelo menos mais ... – dá uma olhada no calendário a sua frente – Dois meses para mudar de opção novamente. Sabe que pode fazer isso só até ser contratada, não é? – relembra – Depois disso não tem volta! Caso não queira seguir onde escolheu, é demissão na certa! – frisa.
—Sei sim Mags. Mas obrigada por lembrar. Sempre é bom ter isso em mente para o caso de bater aquela insegurança e... – choco-me com alguém visto que estava saindo da recepção de costas.
—Opa! Cuidado ai Reese! – a voz grave do doutor Rhodes soa em meu ouvido ao mesmo tempo que suas mãos tocam minha cintura, amparando meu corpo.
—Desculpa doutor Rhodes. Não vi o senhor .... -- “Evidente que não estupida! A menos que tivesse olhos na nuca! ” — meu subconsciente critica.
—Sem problemas Reese – garante, recolhendo as mãos, deixando uma sensação de formigamento no local onde tocara – Maggie, sabe me dizer se Robin já chegou?
“Eeee pronto! Ta aí o que você queria!! Agora volte para realidade. Já tem problemas demais! Não queira arranjar mais um ao ficar babando pelo que Não é seu! – Não estou babando!! – “ Aham, aham, sei! Vaza mulher!!” – Até mais Maggie, doutor Rhodes – despeço-me, saindo rápido em direção a sala dos médicos, onde ponho meu jaleco assumindo meu plantão ao lado do doutor Choi.
Ethan Choi foi um dos responsáveis por me fazer mudar de escolha para residência trocando a Patologia pela Emergência. Seu apoio no episódio em que precisei realizar um procedimento delicado (furar o crânio de um paciente a fim de aliviar a pressão) sem o acompanhamento do residente responsável (no caso especifico daquele dia a doutora Manning) foi decisivo.
Não que os demais médicos me tratassem mal ou não ajudassem. Ao contrário. Desde o primeiro dia me senti acolhida e apoiada por todos, reforçando o que o doutor Choi me dissera: somos uma família! Maggie ajudou a superar meu problema com agulhas; A doutora Manning sempre foi muito paciente, tirando minhas dúvidas e me fazendo ter mais segurança ao lidar com as pessoas da mesma forma que doutor Halstead. Os dois são muito carismáticos e fazem as pessoas sentirem-se acolhidas e confortáveis. Aliás, ao contrário do que diziam na faculdade, o Med se mostrou um ambiente acolhedor não apenas para os pacientes quanto para estagiários e residentes. Bom, pelo menos para mim estava sendo assim.
Até mesmo nossa estrela em ascensão, doutor Rhodes, fora gentil e paciente comigo, me dando dicas e aconselhando. Foi ele, na verdade, quem primeiro chamou minha atenção para repensar minha escolha ao dizer que todo estudante pensa em Patologia quando começa a ter contato com os pacientes. Ele próprio considerara essa opção, revelara, o que seria um enorme desperdício, diga-se de passagem...
—Reese – sobressalto-me ao ouvir a voz grave pronunciar meu nome mais uma vez – Sei que está acompanhando Ethan hoje, mas poderia me ajudar por um tempo? – questiona – Posso falar com ele se quiser.
—Não, tudo bem. Não estamos com nenhum paciente no momento – digo, levantando-me rápido, largando meu sanduiche sobre a mesa da cantina – Aviso Maggie que estarei com o senhor. Qualquer coisa ela me bipa – tranquilizo-o.
—Ok então. Mas não precisa correr. Pode terminar de comer seu sanduiche – diz, me olhando de alto a baixo – Não quero que passe mal por não ter-se alimentado direito ao menos....—para, voltando a me olhar de alto a baixo, abrindo a boca como que para dizer algo, balançando a cabeça negativamente parecendo desistir.
—Não se preocupe. Levarei ele comigo – digo, pegando o sanduiche, passando por ele, indo direto a recepção avisar Maggie que estaria com ele caso doutor Choi precisasse.
—Ok. Qualquer coisa bipo você – avisa.
Agradeço, indo ao encontro de Rhodes.
Seguimos direto para a ala cardíaca onde me conduz até o quarto da paciente.
—Boa tarde Mayra, como está se sentindo? – pergunta assim que entramos no quarto, dirigindo um sorriso encantador a mulher deitada na cama.
—Não deveria sorrir desta forma para uma mulher que acaba de passar por uma cirurgia delicada meu querido! Corre o sério risco de precisar refazer todo o procedimento! – brinca ela, sorrindo – Estou bem. Nunca me senti tão bem aliás. Graças a David e você meu rapaz! – agradece, levando a mão dele a boca, beijando-a.
—Por favor não faça isso! Não fizemos nada demais – diz, ficando vermelho.
—Competente, lindo e ainda por cima humilde! – suspira a mulher, voltando seus imensos olhos negros para mim – Não perca tempo menina! Segure-o de uma vez! – recomenda fazendo nós dois corarmos desta vez.
—Não, não, nós não somos ... – começamos dizer ao mesmo tempo – Sarah é estudante do quarto ano e vai ficar lhe monitorando por algumas horas até que eu ou David possamos vir te ver – explica.
—Vou ficar lhe fazendo companhia senhora North – digo, me aproximando da cama.
—Ahh...Certo. Pode me chamar de Mayra querida – diz, olhando de mim para Rhodes com um sorriso nos lábios – Tem certeza que não existe nada entre vocês? – nos surpreende com a pergunta.
—Tenho sim Mayra. Agora descanse – recomenda, fazendo um gesto com a cabeça em direção a porta – Até mais tarde – despede-se – Não se deixe enganar pela disposição dela. Ainda inspira cuidados. É um caso delicado – afirma, falando tão perto de meu rosto que sinto seu hálito morno de menta tocar minha pele.
—Li rapidamente o prontuário enquanto conversavam. Troca de válvula mitral não é isso?? – pergunto e confirma com um aceno.
—Isso. Por ser diabética ainda há risco de complicações, embora mínimos – diz, pegando seu paiger que começara a apitar – Tenho que ir. Não a deixe sozinha por muito tempo em hipótese alguma. Se tiver que sair, peça para uma das enfermeiras assumir seu lugar – recomenda – E não hesite em me chamar, muito embora estarei em uma cirurgia nas próximas horas. Mesmo assim me bipe e dou um jeito de vir – pede, saindo a seguir.
Retorno para o quarto parando ao lado de uma sorridente Mayra North.
— Pena estarem juntos – diz a senhora North, sorridente – Formam um lindo casal!
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Apartamento de Sarah (dias atuais – segunda, 06:15 a.m)
Sarah
Acordo sobressaltada ao som do meu despertador.
—Oh, droga!! – bufo, pulando da cama, correndo direto para o banheiro já sem a camiseta, única peça com a qual dormira.
Tomo um banho rápido, faço minha higiene bucal, me enfio nas roupas de trabalho, pego uma maçã ao passar pela cozinha agradecendo mentalmente por ter aceito o convite das meninas e ido comer uma pizza depois que saímos do clube mesmo sendo madrugada. Não fosse isso estaria indo trabalhar de barriga vazia. Literalmente.
—Só quero ver até quando vai aguentar essa vida dupla Sarah! – resmungo baixinho, subindo os degraus de acesso a plataforma de dois em dois primeiro pela pressa, segundo porque, segundo Leslie, fortalece a musculatura das pernas e articulações, chegando no momento em que a composição para.
Ponho meu fone, sento em um dos poucos lugares vagos e me concentro na música, olhando a paisagem urbana pela janela, refletindo sobre a loucura que minha vida se tornara depois da morte de meu pai.... “Seja honesta Sarah, sua vida já estava bagunçada antes disso! ” – meu subconsciente recorda e tenho que concordar.
Escolhi uma profissão inesperada (pelo menos para minha família!); mudei de cidade; a princípio precisei ficar no dormitório da universidade (o que não foi nada fácil para uma pessoa tímida e um pouco antissocial que mudara completamente sua rotina a pouco tempo); depois que consegui alugar o apartamento onde moro até hoje tive que aprender a cozinha para não ficar na dependência de fast food (que odeio!) além de aprender a economizar pois desde o início a grana fora curta mesmo com a ajuda de meus pais. Raros eram os meses que não estava no vermelho. E finalmente acabei por sair de minha zona de conforto ao escolher minha residência na emergência.
Quando estava conseguindo me equilibrar, meu pai nos deixou de maneira repentina e inesperada. Pelo menos para mim. Ainda me ressinto por terem escondido sua doença!
Então, quando as coisas começaram a ficar feias de novo, Leslie e Sylvie vieram em meu auxilio. A princípio me emprestaram uma boa quantia, depois me fizeram a proposta de trabalhar no mesmo local que elas, servindo mesas. Até que uma noite precisaram de ajuda e acabei em cima de um palco, com uma máscara no rosto, usando quase nada de roupa, e ainda por cima fazendo o que menos sabia até aquele dia: dançar!
Sorrio para mim mesma, distraída, assustando-me ao sentir uma mão tocar meu ombro.
—Nossa parada é a próxima – avisa o moreno de olhos azuis e sorriso de derreter iceberg, para minha surpresa – Bom dia Reese! – cumprimenta, rindo ao perceber meu embaraço – Não vai descer? – questiona e só então percebo que o metrô parara, as pessoas, incluindo Rhodes, começando a sair.
Me ponho de pé em um salto, saindo no limite do tempo, escapando por pouco de ser prensada pelas portas.
Passado o susto, respiro aliviada, ajustando a mochila em minhas costas, tomando mais um susto ao notar Rhodes parado a minha frente, sorrindo.
—Oh! ... Bom dia doutor Rhodes – devolvo (finalmente) o cumprimento, sentindo o rosto arder diante de seu olhar que parece penetrar na minha alma.... Ele me reconheceu! Ai meu Deus e agora?! – “Não seja estupida! Logico que não te reconheceu. Onde vai passar pela cabeça desse Apolo que a garota sensual e a residente desengonçada são a mesma pessoa!?” – Não sou desengonçada! E faça o favor de se calar! — bufo mentalmente, sustentado seu olhar.
—Algum problema Reese? Parece cansada – comenta, me observando atentamente.
Sim. O senhor e esse seu sorriso destruidor de corações! — Estou um pouco sim – admito, começando a andar, ele a meu lado, para meu desespero – Tem sido bem cansativo esse começo de ano.
—É tem sido sim. Para todos nós – concorda, me olhando de soslaio, franzindo o cenho e novamente a sensação de pânico por um possível reconhecimento me assalta – Escute Reese, lhe devo desculpa por ter sido grosseiro a última vez que trabalhamos juntos – pede e é minha vez de franzir o cenho – Mayra North, amiga de David – relembra.
—Ahhh, isso. Nossa faz tanto tempo. Nem lembrava mais – assumo.
—Pois é, mas eu lembro – afirma – Fui grosso com você aquele dia. Estava nervoso por conta da morte da paciente da segunda cirurgia e pra piorar estava em meio a uma discussão com Robin quando me biparam por causa de Mayra – relembra – Admito que acabei descontando em você. Deveria ter te procurado logo depois, mas tanta coisa aconteceu que acabei não fazendo. Ai seu pai faleceu, a propósito, meus pêsames –diz, tocando meu ombro.
—Obrigada – digo, sentindo a voz falhar – Quanto ao que aconteceu aquele dia não se preocupe. Eu errei ao deixá-la sozinha – digo, vendo-o acenar negativamente, deslocando a mão para minhas costas, me conduzindo ao atravessarmos a rua, e ao fazê-lo provoca um calafrio que sobe por minha espinha arrepiando todos os pêlos de meu corpo.
—Não, o erro foi meu. Devia ter avisado Ethan pessoalmente e não ter jogado a responsabilidade pra cima de você ou Maggie – pondera, mantendo a mão em minhas costas mesmo após termos atravessado a rua – Apesar de saber que foi Will e não Ethan quem te tirou de lá – revela – Mas isso não vem ao caso. Como disse, não tinha o direito de descontar minha raiva e frustração em você. Espero que me desculpe duplamente: pela grosseria no dia e por ter demorado tanto em pedir – diz, entrando junto comigo no hospital.
—Como disse, não há o que perdoar –repito, parando, ele fazendo o mesmo, ficando de frente para mim – Mas se vai fazê-lo sentir-se melhor, está desculpado – digo, sorrindo, ele fazendo o mesmo, demorando-se com seu olhar sobre mim mais uma vez e, sem querer me pego recordando a forma como me olhara no palco enquanto dançava para ele e os demais. Sinto meu rosto esquentar e tenho certeza que devo estar mais vermelha do que um pimentão – Agora, se me dá licença, vou me trocar – peço, sorrindo antes de dar-lhe as costas, apertando as mãos nervosamente, sentindo-as frias e suadas.... – Pare com isso agora mesmo Sarah Reese! Pode ir tratando de tirar essas minhocas de sua cabeça! – admoesto-me baixinho enquanto entro na sala.
—Falando sozinha Reese? – doutor Choi pergunta, me sobressaltando.
—Mais ou menos! – assumo, guardando minha mochila após retirar o uniforme de trabalho (jaleco, no caso) – Ando meio estressada com tanta coisa pra resolver ...E esconder!! ....Acho que vou acabar marcando uma hora com doutor Charles só pra ter certeza que não estou ficando maluca! – brinco.
—Quando fizer, marque uma pra mim também! – brinca, passando por mim, tocando meu ombro.
A comparação é inevitável: quando Rhodes me tocou senti um formigamento durante e depois. Já com doutor Choi...Nada! Isso sem contar que cada vez que escuto-o dizer meu nome com aquela voz...
—Reese – sobressalto-me novamente ao ouvi-lo chamar assim que saio da sala – Está comigo hoje –anuncia, parando a meu lado.
—Na cardiologia?? – questiono, surpresa.
—Não, trauma. Hoje estou a serviço da emergência –comunica – Pelo menos até o final da tarde quando David tem uma cirurgia, e você, agora pela manhã, é minha! – brinca.
—Troca comigo Reese!! Troca vai! Diz que sim!! –April, que parara a meu lado enquanto conversávamos, pede, puxando a manga de meu jaleco fazendo-nos rir.
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Clube Fifty Shades ( quarta-feira, 1 de março – 22:25 p.m)
Narrador
—Ok, ok, acabou a folga ladies!! – Erico avisa, batendo palmas – Acabei de me reunir com nossos chefinhos onde expus minha ideia para a noite da sexta e eles aprovaram em parte. Fizeram apenas alguns pedidos: (1) todas usarão cinza ou prata nesta noite e não me perguntem porquê! – adianta-se a pergunta ensaiada por uma das garotas – (2) minha ideia inicial seria começar já no palco mas me pediram para fazer vocês entrarem em duplas, por isso, meninos da segurança – chama, estalando os dedos – Tratem de se organizar, quero corredores por onde nossas ninfas, fadas e deusas passarão ok? – pergunta recebendo um aceno afirmativo – Quanto a vocês, seres divinos, virão da seguinte forma: pelo centro, Carmenta e Xanta, minha musa loira e minha rainha morena! – indica, as duas levantando-se do palco onde estavam sentadas, caminhando na direção indicada por ele – a direita, minha rainha ninfa Dione e Erato, minha ninfa erótica! – indica, as duas posicionando-se onde indicava – E a esquerda, Hespéra, minha deusa do crepúsculo vespertino, e Egle, deusa da luz avermelhada da tarde! – ambas seguem para onde indica – As demais entrarão pelo fundo do palco assim que o dogão aqui começar sua performance!! –avisa, subindo ao palco.
—Como é?? Xanta e Carmenta perguntam juntas – Você vai participar também?? – Xanta completa.
—Desta vez vou fazer uma pontinha só pra abrir o número!! – exclama, feliz – Vão entender quando mostrar o clipe da música. Quero que prestem atenção no caminhar, não precisam fazer igual, e nas partes com cadeiras e chão, ok!? — pergunta, soltando o clipe no telão.
Após reverem mais duas vezes, começam a ensaiar, entre brincadeiras e risos, sob os olhares atentos de dois dos sócios do lugar.
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CFS – sexta, 3 de março (23:00 p.m)
Narrador
—Querem por favor jogar o Clarke na rua! – Otis provoca, fazendo o grupo rir – Sério, viemos aqui pra comemorar o aniversário desse mané assistindo, segundo Kelly e Jay aqui, além de nossos amigos doutores ali – aponta Will, Ethan e Connor – Um show, sem estripe, pra minha decepção – acrescenta – E até agora tudo que vimos foram garçonetes! Lindas! Mas só garçonetes! Cadê as dançarinas!? – questiona – Só podem ter fugido com medo do aniversariante! – resmunga.
—Me fazia a mesma pergunta Otis!! – Matt Casey anui, olhando Severide.
—Calma meus amigos – diz, tranquilo – Já falei com um dos seguranças, meu amigo, e disse que hoje começarão mais tarde porque lá na área VIP – aponta o local reservado a convidados do clube – Estarão uns figurões do cinema. Mas já devem estar para começar.
—Acho bom ou alguém, além de Otis, vai surtar! – Wiil brinca, gesticulando com a cabeça em direção a Connor.
—Humm, a tal ninfa!! – Jay comenta – Essa eu quero ver!!
—Jay, melhor não provocar o cara. Vai que precisa fazer uma cirurgia no coração qualquer dia!! – Cruz aconselha, rindo.
—Acho que vou dar um pulo no banheiro antes....—Jeff começa dizer, calando-se assim que as luzes se apagam – Ou não!! – desiste, sentando-se rápido.
—Até que enfim! – Otis comemora.
—Otis, se você assobia, bater palmas antes da hora ou fizer qualquer coisa que nos envergonhe eu pessoalmente te jogo porta afora! – Cruz ameaça, voltando sua atenção para o palco onde Erico aparece vestindo uma roupa de rapper...
Play Buttons by The Pussycat Dolls
Part feat Snoop Dogg
Acompanhado por seis garotas cada uma trazendo uma cadeira, Erico entra no palco iluminado dublando Snoop Dogg
—Cadê as ... – Ethan começa dizer baixinho, calando-se quando três focos são jogados em diferentes direções assim que as vozes da Dolls se fazem ouvir, as seis garotas caminhando, em duplas, para o palco no ritmo da batida....
“I’m telling you to loosen up my bottons babe (uh huh);
But you keep frontin’ (uh);
Sayin’ what you gon’ do to me (uh huh);
But I ain’t seen nothin’ (uh) (2x)...”
A medida que caminham fazendo pequenas pausas, aproximam-se do palco, subindo ao palco graciosamente, posicionando-se cada uma atrás de uma cadeira, dançando ao redor das mesmas a princípio....
“...Typical, hardly the type I fall for, I like him the physical;
Don’t leave me askin’ for more, I’m a sexy mama!
Who knows just how to get I wanna;
What I wanna do is bring this on ya;
Backup all the things that I told ya...”
Após o primeiro giro em torno das cadeiras, misturam-se, trocando de lugares, Dione, que estava do lado oposto à mesa em que Connor e os amigos ocupavam, ficando mais próxima, fazendo o cirurgião inclinar-se sobre a mesma a fim de vê-la melhor.
No palco, as garotas começam a usar as cadeiras com parte da coreografia....
“....you been sayin’ all the right things all night long;
But I can’t seem to get you over here to help take this off;
Baby can’t you see, how this clothes are fittin’ on me!
Ande the heat comin’ from this beat;
I’m about to blow, I don’t think you know (refrão)..”
Durante o refrão as cadeira são empurradas para o fundo do palco, permitindo a execução da coreografia no chão do mesmo..
— Que. É. Isso!! – cruz comenta, boquiaberto, notando, assim como os demais, a movimentação dos seguranças que afastavam algumas mesa enquanto uniam outras no centro do salão, aproximando-se do palco ao terminarem.
—Elas virão pra cá?? Brincou!! – Otis dia, levantando-se rápido fim de chegar o mais perto possível, Connor e os demais fazendo o mesmo.
Com o auxílio dos seguranças, as seis garotas são erguidas, uma a uma, “andando no ar” no ritmo da canção, até as mesas, onde são colocadas...
“....You say you’re a big boy, but I can’t agree;
Cuz the love you said you had ain’t been puto on me;
I wonder, if my I’m just too much for you;
Wonder, if my kiss don’t make you just;
Wonder, what I go next for you;
What you wanna do?
Take a chance to recognizer that this could be yours;
I can see just like those guys;
That your game don’t please...”
Dançando sobre as mesas sob o olhar atento dos seguranças, as garotas revezam entre si, cada uma descendo ou deitando sobre as mesmas, como Dione fazia agora, ficando mais perto da plateia, o que permite Connor se aproximar ao ponto de sentir o perfume da garota, que assusta-se com a proximidade, quase perdendo o equilíbrio ao levantar-se, tendo que apoiar a mão no ombro do cirurgião a fim de evitar o tombo, retribuindo o sorriso que ele lhe dirige....
“....Baby can’t you see, how these clothes are fittin’ on me;
And the heat comin’ from this beat;
I’m about to blow,I don’t think you know (refrão)...”
Da mesma forma como foram trazidas, durante o refrão são levadas ao palco a fim de finalizar a performance, voltando a usar as cadeiras durante o refrão e o trecho do rapper, empurrando-as mais uma vez, utilizando chão, onde o gelo seco se espalha por cima das luzes amarelas dando efeito de chamas. Encostada ao pole, Dione tem o corpo acariciado por Xanta e Carmenta de forma sensual dando início ao final do número...
“... I’m telling you to loosen up my buttons babe (uh huh)
But you keep frontin’ (uh)
Sayin’ what you gon’ do to me (uh huh)
But ain’t seen nothin’ (uh)....
Ao contrário de outros dias, não saem pela coxia e sim pela frente do palco, ainda sob o som da música, os seguranças permitindo alguns dos homens da plateia ajudarem-nas a descer do palco e conduzi-las até a porta lateral que dá acesso aos bastidores.
Ao ver o movimento, Connor fala ao ouvido de Kelly, que o conduz até o segurança seu amigo, este fazendo com que ele ficasse responsável por conduzir Dione até a porta por onde sairiam, Will e Jay conduzindo Hespéra e Egle enquanto o aniversariante conduz Carmenta imediatamente a frente das demais, girando-as no próprio eixo enquanto caminham, parando para que agradecessem os aplausos com uma leve revência.
—Gostaria de falar com você! – Connor sussurra em seu ouvido, fazendo-a arrepiar-se, encolhendo o pescoço, negando com um meneio de cabeça – Por que não? – quer saber, de olho na sequência a frente, notando que as garotas conduzidas pelos irmãos Halstead – Não precisa tirar a máscara se não quiser. Só quero falar com você a sós! – argumenta, recebendo nova negativa –Dione!? – chama, liberando sua mão lentamente.
—Sinto mas não! – responde ela, a voz levemente rouca, soltando-se dele, entrando nos bastidores rapidamente.
— Parece que seu charme não funcionou desta vez meu caro! – Will, que ouvira apenas a negativa da moça, diz, pondo a mão no ombro do amigo – Não dá pra ganhar todas não é mesmo?!
—E quem disse que perdi? – indaga o cirurgião, afastando-se com um brilho nos olhos.
—Connor, não vou te ajudar a sair de nenhuma encrenca está me ouvindo?? – avisa o médico, recebendo um aceno com a mão em resposta, balançando a cabeça negativamente.
—Onde ele vai? – Clarke questiona, parando ao lado do médico juntamente com Jay.
—Procurar sarna pra se coçar! – responde, rindo ainda mais.
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Sarah
Abro e fecho as mãos, puxando ar para meus pulmões, a mão ainda formigando pelo contato com a de Connor.
—Parabéns senhoritas, saíram-se divinamente bem! – uma voz de homem elogia, fazendo-me prestar atenção ao que se passava – Tenho alguns convidados que ficaram tão encantados que pediram mais um pouco só para eles – anuncia, voltando-se me minha direção e prendo a respiração – Xanta, Carmenta e Erato, me acompanhem. As demais descansem antes de seus números individuais, Acredito que Erico não foi malvado e deve lhes dar um espaço – diz, olhando para nosso coreografo, que sorri afirmativamente – Boa noite e mais uma vez estão de parabéns! – elogia, saindo em companhia de minha amiga e das outras.
Me deixo cair no sofá de dois lugares recém posto em nosso camarim coletivo, respirando aliviada, os olhos fechados.
—Está sentindo alguma coisa minha rainha? –Erico pergunta, segurando minhas mãos – Credo, está fria! Água, rápido! – estala os dedos fazendo seu ajudante correr até o frigobar, voltando com um copo que me entrega.
—Obrigada – agradeço, bebendo o liquido devagar.
—O que houve? – quer saber, curioso.
—Nada. Só me cansei um pouco demais – minto, olhando o papel que uma das garçonetes lhe entrega.
—Está bem mesmo? – pergunta, sorrindo ante minha confirmação – Tem certeza né? – insiste sem me dar tempo responder – Porque foi requisitada para uma dança particular mas se não estiver bem mando outra em seu lugar – afirma.
—Estou bem, pode ficar tranquilo – afirmo lembrando que já na segunda teria que pagar uma parcela do meu seguro como residente além de ter que fazer as compras do mês manhã, ou melhor, hoje visto que já passava da meia noite – Não posso me dar ao luxo de recusar nada por enquanto. Além de minhas contas quero mandar um pouco para ajudar minha mãe. Apesar de não ter me pedido sei que deve estar precisando – digo, levantando-me, alisando o vestido.
—Não, não, vai ao menos trocar de roupa. Assim ganha um tempinho para respirar – diz, mexendo na arara mais próxima – Muito longo, muito curto, não combina com você... – diz, vasculhando tudo, suspirando – Já que não tem nada melhor vai tu mesmo!! – exclama, entregando-me um cabide com um conjunto de saia e top marrom transparente, que visto ali mesmo – Agora tiramos esses troços aqui – retira algo parecido com asas rasgadas – Vamos soltar seu cabelo de um lado só... – prende parte de meu cabelo com uma de suas presilhas magicas ( como Hespéra chamava visto que não caiam por mais que mexêssemos a cabeça!) – Um pouco de brilho nessa barriga sarada!...Ai que inveja que dá! – brinca, dando uma tapa em meu abdômen – Um pouco de perfume... – pega meu perfume (podíamos usar os nossos, por isso sempre tenho um aqui) – E pronto! –diz, afastando-se um pouco, me olhando de alto a baixo – Andrerrrrr!!! Leve minha rainha por favor que estou exausto!! – exagera, deitando-se com a mão na testa.
—Exageradoooo!! – dizemos todos em coro, rindo de sua careta.
Sigo Andrer pelo corredor, ele repetindo todos os procedimentos de segurança durante o caminho, parando a frente do mesmo quarto no qual dancei para Rhodes e os amigos.
Dou uma leve batida, entrando, vendo que se tratava de um só homem, que se encontrava de costas para a porta, recostado na janela, as mãos nos bolsos da calça jeans.
—Senhor?! – chamo sentindo um arrepio percorrer minha espinha quando volta-se para mim.... Ai merda! Ferrou!
—Olá Dione – Rhodes cumprimenta caminhando até onde estou parada (ou devo dizer petrificada!?) – Esperava não precisar usar deste artifício, mas como não me deixou escolha... – abre as mãos, parando perigosamente perto – Agora, querendo ou não, por uma hora, você é minha! –frisa, enrolando o dedo em uma mecha de solta de meu cabelo.
Me disse o mesmo no começo da semana. Só que em outra situação!!....
Continua!
“...AH AHA — HOT!
AH AH –LOOSEN UP!
AH AH – YEAH!
AH AH — I CAN’T TAKE THIS!!...”

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