Notas iniciais
"Quatro mil reais em um unico buque de flores? Mas Sarah disse que havia colhido orquideas de seu proprio jardim. Essa historia estava mal contada, alguma coisa estava errada."

(Os acontecimentos narrados neste capitulo, aconteceram simultaneamente aos do capitulo anterior). Dallon me dera um novo relogio de presente, devo confessar que nao esperava, era ainda mais bonito que o outro. Parecia até mais brilhante. Junto com o presente, um pedido de desculpas, e Dallon me garantiu que o outro nao tinha concerto, e que o vendedor da joalheria disse que se meu relogio fosse um Rolex legitimo, ele não teria se quebrado com tanta facilidade. Mas não pode ser, Sarah não teria sido enganada por nenhum vendedor sobre a veracidade do relogio. E muito menos teria me dado um falso Rolex. Isso era impensavel, ela gostava tanto de mim. Dallon estava querendo criar caso com Sarah, isso sim. Nunca entendi porque as pessoas tem tanta implicancia com ela. Sarah é uma criatura maravilhosa e extremamente bondosa, não nutre sentimentos de vingança por ninguem, ela é pura e simples, e é exatamente desse jeito que me apaixonei por ela. Me dói muito o coração ter que acabar nosso casamento desse jeito. Ela vai sofrer tanto com isso. Coitada, ela não merece um homem como eu. Meu caseiro viera me trazer o correio mais cedo naquele dia, e a correspondencia jazia sobre a mesa de cabeceira. Resolvi olhar a fatura do cartao de credito, enquanto esperava meu alfaiate. Levei um susto com o valor da fatura. Alguma coisa não estava certa. E que historia era essa de 26,500 euros pra um costureiro europeu? Sarah havia comprado seu vestido aqui em Nova Iorque mesmo. Alguem só pode ter clonado meus cartoes de credito, não há outra explicaçao. Na verdade há, mas me recuso a pensar nela. Não pode ser. Fiquei pensativo, pensei em Sarah. E pensei nas coisas que me disseram sobre ela. Talvez, fosse a hora de investigar. Começei a abrir a correspondencia que continha a fatura do meu outro cartao de credito. Quatro mil reais em um unico buque de flores? Mas Sarah disse que havia colhido orquideas de seu proprio jardim. Essa historia estava mal contada, alguma coisa estava errada. Me deu vontade de fazer uma coisa, coloquei na barra de pesquisa do Google: Comunhao de bens. Eu e Sarah nos casariamos assim. E apareceram cerca de 6 milhoes de resultados para minha busca. Cliquei no primeiro, que dizia : consiste em um regime, onde os bens de ambos os conjugês são pertencentes ao casal como um todo (...) E por fim, vi algo que me interessou: Dissolve-se a comunhão de bens:I — pela morte de um dos cônjuges. II — pela sentença que anula o casamento.III — pela separação judicial.IV — pelo divórcio. Ainda estava em tempo de praticar o numero II. Só dependia de mim. Mas eu precisava confirmar minhas suspeitas. Acho que Sarah quer minhas coisas! É, eu acho sinceramente. E acredito tambem que ela pense já ter conseguido. Faltam 4 horas para o casamento. Preciso agir, mas não vou agir sozinho. Peguei o telefone, e disquei o numero que há tanto tempo nao me ligava. Ryan Ross vai me ajudar nessa. Estava chamando, cada toque era uma batida do meu coração. Ryan atendeu. Era agora ou nunca.