Hey Lord!
4 Sua governanta, te defende
Notas iniciais
Pov. Ciel
A garota puxou meus cobertores, e me viu apenas de cueca. Que tipo de pessoa acorda seu chefe assim? Bem, o que esta feito esta feito, quero ver para encarar ela depois. Eu vesti meu uniforme, penteie os cabelos, coloquei meu tapa olho e desci as escadas. La estava ela, terminando de por a mesa, totalmente calada e sem graça.
Logicamente, eu também fiquei com vergonha de olhar pra ela depois disso e contra minha vontade acabei corando. Sebastian que estava trazendo o chá, riu, pois provavelmente ele já havia entendido o ocorrido. Mas afinal o que ele não descobriria?
Nós tomamos café juntos, e subimos para escovar os dentes. Sebastian deu uma carona até a escola, onde passamos mais um dia entediante. Ela parecia tão focada nos estudos quanto eu. Porém ela desviava muito suas atenções para ficar rabiscando um caderno sem linhas.
Logo o almoço chegou, e descemos para cantina, os outros alunos zombaram de mim por eu ser o meno entre todos eles, isso é ridículo! Keyko veio se pôs em minha frente e disse.
– O que acham que estão fazendo? Que tipo de pessoas são vocês pra zombar desse tipo de coisa? Tenham mais classe, por favor- ela disse um pouco brava e se virou pra mim sorrindo
– E você menina- um garoto falou
– É, você não é a pobretona que entrou aqui pela prova de bolsa?- uma menina com ar de patricinha falou sínica
A governanta abaixou a cabeça envergonhada, enquanto os outros riam.
– Fiquei sabendo que ela gosta de desenhar, haha que sem futuro- outra disse
– Que isso, eu fiquei sabendo que ela tem uma banda, tão ruim que ela teve que viram domestica para pagar as contas
Eu realmente fiquei bravo, Keyko estava apenas de cabeça baixa, exalando um ar de revolta. Eu acabei levantando a mão pra eles em sentido de fúria, mas ela segurou minha mão. Eu entendi o recado, e seguimos juntos para comprar nossos lanches e em seguida fomos para nossa mesa.
Acabamos ficando calados, ela me pediu desculpas por ter que ouvir aquilo e pelo que tinha feito mais cedo, mas eu disse que não era necessário.
"As pessoas dessa época estão piores que os aristocratas de antigamente. Que tipo de pessoa ri da desgraça do outro em pleno século XXI?"
***
Pov. Keyko
Meu dia começou constrangedor e foi ficando pior com o tempo. Estávamos voltando da escola, quando uma garota parou a gente na rua, ela estava com meu caderno. Eu fiz de tudo para ter uma conversa civilizada com ela, mas ela não. Me zombou de varias formas, pedi ao bocchan para seguir em frente, logo eu iria para mansão, relutante ele assentiu.
Ela folhava meu caderno e ria, eram meus desenhos, não eram muito bons, mas não eram tão ruins. A questão é que eu desenho as pessoas e lugares ao meu redor. Tinha desenhos da minha família adotiva, dos lugares onde eu fiz bicos, da mansão do meu novo chefe, e claro havia desenhos de Ciel e Sebastian.
Não demorou muito para garota parar de rir e joga-lo no chão, eu simplesmente o peguei e fui embora sem dar nenhuma palavra. A garota não se contentou por fazer aquilo na escola e na rua, e jogou seu copo de café, em cima de mim. Eu fiquei furiosa, mas por sorte dessa vez eu me contive, e fui correndo para casa. Chorando.
Eu não quis entrar na mansão daquele jeito, então me sentei na porta e abracei meus joelhos, esperando encontrar alguma solução. Mas a porta se abriu, era ele, o imponente mordomo.
– Esta bem atrasada, o que ouve?-ele disse calmo
– Sebastian...?- eu olhei pra ele, e logo escondi meu rosto- nada...
Ele se abaixou, e disse pra mim num tom de voz que chegou a me seduzir.
– Esta tudo bem senhorita? Acho que não seria uma boa ideia você aparecer assim para o jovem amo- ele estendeu a mão pra mim- venha, vamos trocar essa roupa
Ele então me levou para dentro e fez de tudo para que eu não me encontrasse com Ciel até ter tomado banho, e vestido meu uniforme. Mas é claro que deu certo, quinze minutos depois eu comecei meu trabalho. As horas passavam rápido aqui, era como se o trabalho não me cansasse.
Sebastian era muito gentil e sempre me ajudava em tudo, mas o jeito deles dois era muito estranho.
"Que garoto de dezesseis anos mora sozinho com seu mordomo? Que garoto tem um mordomo? Ele parece um idoso falando às vezes, e... ele usa um tapa olho! Que raio de pessoas são essas?"
Ok, passado meu momento de revolta com todas as coisas ao meu redor, já estava na hora do café da tarde, meu jovem amo era muito tradicional. Mas desta vez, Sebastian me pôs a prova, eu teria que fazer tudo sozinha, desde o chá a seu acompanhamento. Foi bem difícil, Ciel um tanto quanto excêntrico, tive que fazer algo mais acima do meu nível.
Preparei seu chá favorito e um bolo de chocolate recheado com morangos e cobertura de chantili, espero que ele goste. Levei o café da tarde para ele no escritório, ele parecia muito ocupado com a papelada da empresa. Entrei e servi o chá, fiquei na porta de pé esperando para que ele acabasse, mas ele me pediu para sentar, pois queria me perguntar algo. Eu apenas segui suas ordens.
– Senhorita Keyko, porque você fez aquilo na escola?
– Aquilo o que senhor?
– Primeiro ter me defendido, e segundo não ter feito nada por ter sido humilhada
– Ah.. Aquilo- eu sorri- eu não deixaria aqueles idiotas zombarem do senhor não é
– Fez isso só porque sou seu novo chefe né?- ele disse abaixando a cabeça
– Claro que não!- exclamei- somos amigos não somos?- acabei corando sem querer ao dizer isso
Ele também, ele se virou pra mim e me encarou, com aqueles lindos e hipnotizantes olhos azuis, e seu rosto sem nenhuma imperfeição que estava rosado de vergonha. Nossos olhares se encontraram e ambos o desviamos para qualquer outro lugar.
– Nunca ninguém me chamou de amigo, de onde tirou essa ideia?- ele perguntou com vergonha
– Ora, a partir do momento que você foi gentil comigo já te considerei amigo, mas se o senhor não gosta é só me falar, eu lhe tratarei apenas como senhor Phantomhive- eu ri
Ele sorriu de volta pra mim, e pediu para que eu me retirasse
"Ele pode ser mais legal do que parece"
Fale com o autor