Herós - One
1 Heróis
Eles tem todo o direito de saber o que se passa, são os pais dela! Eles tem o direito perceber e tomar cautela vendo as carícias libidinosas dele em sua pequena filha. É um tal de sentar no colo, e por vezes ele arma situação para pegar em outras partes, mas ela nem percebe, ela é muito pura para perceber, mas seus pais sabem de toda a sujeira do mundo e sabem que esta fita não presta, sua filha pode sair arranhada e repetitiva desta execução de uma música maudita. Eles tem o direito de ir até a casa dele enquanto ele viaja, eles quebram a janela de vidro e entram sem demora ou contrariedade, nenhum vizinho ouve, as casas dos mesmos estão a cerca de 500 metros(inclusive a deles). Eles viajam pela sala, amarela e os sofás tem manchas brancas, fotos de crianças por todo lado.
- Meus adorados sobrinhos!
Disse ele quando se mudou para o bairro, neste dia pai, mãe e filhinha tiveram a bondade de convida-lo para jantar, pois a casa estava um inferno e ele tinha dito algo sobre comer x-burguer antes de dormir.
- Não! isto não é uma refeição!- disse a mãe ao novo vizinho.
Eles sobem as escadas e entram no quarto destrancado. Ele tinha papel de parede listrado de azul claro e escuro, mas as listras tinham tamanhos diferentes, umas mais finas e outras mais grossas. Sim, haviam brinquedos, muitos, muitos dvds com nomes de pessoas, mas lá eles nem quiseram mexer! O pai pisou em uma falha do piso de cerâmica, aquela peça poderia ser removida. Ele chamou a mulher que veio sem demora, ele tirou aquela enorme peça de cerâmica e lá estava, um caderno. Trancado a cadeado, sem chave, mas eles vieram precavidos, tinham em mão chave de fenda, alicate e martelo. A mãe pegou o diário com suas delicadas mãos, e soltou, com medo de algum inseto.
- Se está escondido, está errado!- Disse o pai com uma expressão desconfiada.
Eles se entreolharam, ele tocou o ombro dela e eles aproximaram as faces, tocando nariz com nariz, de olhos fechados.
- E se for um erro?- Diz a mãe, com expressão fria, quase sabendo a resposta.
- Se for um erro viveremos com ele.- Disse o pai em expressão fria como um iceberg.
Ela foi tocar o caderno, mas coragem lhe faltou. O homem aproximou as enormes e peludas mãos ao caderno, recuou, olhou para ela e pegou o caderno. Viu que não tinha escapatória e, com um só golpe, quebrou o pequeno cadeado. Quebrou-se o segredo, quebrou-se o sigilo, quebrou-se a dor de uma desconfiança. A mulher viu aquele ato como emblemático, ela sentiu que aquilo abriria o desconhecido para uma grandeza, mas uma grandeza ruim e cheia de espinhos, ácido, lava, dor!
Ele abriu, e não gostou do que viu. O nome e uma foto de sua filha na primeira página, quando leu, viu que aquele homem tinha um sonho e doentil e criminoso; tomar a filha deles, de 11 anos, como amante! E não seria um simples abuso sexual(perdoe-me ao colocar como simples,mas o que ele faria era uma privação de qualquer defesa sem tamanho), ele levaria ela embora para um país onde se casariam, neste país o casamento entre homem e menina era comum e não era crime! Ele chamava este pais de Vila Lolita, mas era óbvio que se tratava de um país longe, ele mencionou a Ásia. Ele buscaria ela na escola quinta-feira e eles viajariam no mesmo dia.
Era quarta, 8 da noite, pai e mãe convidaram o vizinho para jantar. O jantar foi silencioso e seco, o vizinho tinha a sensação de que algo iria acontecer, o frango iria começar a se mexer, a menina iria ter um ataque de pânico ou alguém iria engasgar. Nenhuma palavra, nenhum barulho além da mastigação de todos.
- Gosta de poker?- o pai quebra o silencio dizendo a frase inocente com um sorriso malicioso. — que tal jogarmos umas partidas, apostarmos um pouco de dinheiro, beber vinho?
- Seria formidável.- diz o vizinho, aliviado pela quebra do silencio infernal.
- É hora de dormir, meu anjo.- a mãe dirige um olhar fraternal para a filha, impedindo que ela desobedeça.
- Boa noite papai,mamãe e titio.- diz a menina coçando os olhos, sinal de um bocejo em mais ou menos 20 segundos.
Todos dizem boa noite.
- No depósito é melhor pra jogar.
Eles se dirigem a um quarto que fica a cerca de 20 metros da casa(o terreno é muito grande). Ele tem um portão azul, daqueles que abre de baixo para cima, não dá pra ver nada do que tem dentro. O pai abre e o homem entra, muitas garrafas de vinho e vodka, além de cartas e fichas de poker. Eles sentam nas cadeiras e começam a jogar. Tudo parece normal.
- Tens bom gosto para meninas.- dispara o pai num tom normal.
- Como disse?
- Arquiteta bem os planos mas não se contenta em mante-los na cabeça. Isso é muito Humert H.
- Estão me acusando de algo?
- Ah, Lolita! Um clássico da literatura. Não é?- Diz a mãe no tom mais irônico sem deixar de jogar.
- Bem, como diz o outro, a verdade é justa e necessária, então tem de saber, o que você comeu e bebeu no jantar tinha uma substancia, uma anestesia geral. Seu corpo aos poucos está ficando pesado, não consegue se mexer. Agora, perdoe o termo anestesia, afinal, sentirá a dor, enquanto aproveitamos a imagem do seu sangue jorrando.
-Isso é ridículo.
O homem fica mole e cai ao chão. Tem um espasmo no braço seguido por espasmos nos olhos, eles giram enquanto as pálpebras tremem.
Eles estiram o corpo e tiram a camisa. Pegam uma faca grande e afiada e fazem um corte da boca do estômago até a altura da cintura, um corte em linha reta. O lugar onde o moribundo está deitado é coberto por um plástico muito grande, impedindo que o chão fique sujo de sangue. Os dois se afastam do quase cadáver e assistem o sangue jorrar e jorrar. O homem não pode se mexer , só solta pequenos soluços e ruídos. Eles enrolam o corpo no plástico de forma que nem uma gota de sangue saia. Depois eles colocam o corpo dentro de um saco de lixo, tudo com serenidade e naturalidade, como se estivessem lavando a louça. O pai começa a assobiar a música "Pais e filhos" de Legião Urbana. Colocam na parte de trás da caminhonete, depois colocam uns sacos de fertilizantes cobrindo o cadáver. Agora precisam de um álibi. Eles entram no carro e o homem dirige. Saem de casa e veem que a rua ainda está movimentada. Encontram Seu Jorge, o dono de um pequeno restaurante na calçada.
- Olá seu Jorge. Tudo bom com o Senhor?
- Tudo, rapaz. Onde vão? Algum programa de casal?- diz em tom de brincadeira.
- Quem dera. O que se passa é que temos que levar esses sacos de fertilizantes para um amigo. É que somos um endereço que o correio manda quando não acham a fazenda dele. Agora, vem cá, Seu Jorge. O vizinho novo, que mora ali...- diz apontando para a casa do mostro, que está há meio quilometro de distancia.- Ele estava jantando em nossa casa,depois da "janta" fomos jogar poker, e falou que ia comprar uns cigarros na rua de trás, saiu pelos fundos,não voltou até agora.
- Mesmo, rapaz? Esta cidade está cada vez mais perigosa, será que fizeram uma arte com o bichinho?
- Sei não, viu? Só sei que se não foi isso foi uma baita d'uma desfeita.
- É mesmo! ele deve ter ficado desconfiado achando que era a dinheiro.- disse a mulher em tom indignado.
- Ele deve ter fugido porque você é muito chata, isso sim. — Disse o marido dando gargalhadas.- Enfim, se ver ele diga que estamos chateados.- Disse ainda rindo.
- Sim, eu digo. Vão com Deus na companhia.- Disse seu Jorge rindo da piada do marido.
- Olhe as vergonhas que você me faz passar!- diz a mulher
E a caminhonete sumiu. Eles planejaram tudo. Eles realmente eram o segundo endereço de um amigo fazendeiro. Interceptaram a ida dos fertilizantes a fazenda, fazendo que eles cheguem a casa deles. Levaram os fertilizantes a fazenda. Depois foram até um rio longe da fazenda(a região rural da cidade tinha muitos rios), ele era a cerca de 7 quilômetros da mesma. Se livraram do saco, que continha também a arma do crime dentro. Voltaram para casa.
- Espera, e se eles souberem que estivemos em um rio?- Pergunta a mãe, como se o que tivesse feito foi pisar na grama do prefeito.
- Bem... dizemos que era uma fantasia nossa. — O pai parece um adolescente falando. Feliz, realizado.
- Somos geniais.
- Ela nos fez prometer que seriamos os heróis dela, e que protegeríamos sempre. É o nosso trabalho.
- Estou exausta, vou dormir.
- Eu vou daqui a pouco. Boa noite, querida.
- Boa noite, te amo.
O homem vai até o quarto da filha e senta na cama. Passa a mão em seu rosto fazendo ela acordar.
- Não foi a intenção.
- Tudo bem.- diz a menina sentando-se.- e o vizinho?
- Ele foi embora, fugiu. disse que ia comprar cigarros e não voltou.
- E o poker?
- Poker? Ele se mandou com medo que nós ganha-se-mos.
- Não acredito!
- Pois é!
Eles começaram a rir.
- O senhor é meu herói.
Eles se abraçam.
- Sim, somos seus heróis.
Ele dá o último sorriso do dia e dorme abraçado a filha.
E eles viveram felizes para sempre.
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