Notas iniciais
Pra compensar o longo tempo parado tentei fazer algo mais longo, espero conseguir pelo menos mais uns 2 capítulos com frequência melhor.

Capítulo 31

*Narrativa*

— Prontas pra ir? – Ernest parou em frente às garotas, que estavam sentadas no chão em frente ao chalé de Atena.

As duas assentiram e se levantaram, colocando as mochilas sobre os ombros.

— Conseguiu algo? – Annabeth indagou o rapaz, dirigindo-lhe um olhar penetrante.

— Nada palpável, descubro no caminho se tem alguma conexão com Percy.

Com essa conclusão, o trio se dirigiu para fora dos limites do acampamento, saindo pelos bosques. Um silêncio tomava conta de tudo, todos pareciam imersos em seus pensamentos, em suas próprias preocupações.

“Uma matilha e uma construção...” – O jovem pensava no desenho guardado em sua mochila – “Não faz sentido... Será que os lobos devoraram o Percy? Sei lá... Qualquer coisa parece razoável à essa altura do campeonato”.

“Faz um tempo que não te vejo tão perdido, não é muito comum” – Cronos desdenhou, sua voz fria como pedra dando arrepios ao mestiço.

“Os lobos pareciam estar interessados na casa” – Ernest simplesmente ignorou o titã – “Não pareciam ser maus”.

— Alguma ideia de como encontrar um monstro? – Peggy quebrou o silêncio, fazendo os outros dois retornarem à realidade. Annabeth assentiu, mexendo na mochila enquanto caminhavam.

Após um breve momento a loira tinha um celular em mãos.

— Celulares são imãs de monstros, deve ser o suficiente para atraí-los – Explicou, digitando alguns números aleatórios e apertando o botão para discar. Após uns poucos segundos a garota apenas disse “Desculpe o engano” e desligou o aparelho – Acho que está bom assim, vamos esperar.

O filho de Atena assentiu, sentando-se e encostando em uma árvore do bosque.

— Sério? É só isso? – A filha de Apolo estava incrédula, parecia que nem estavam se esforçando.

— É mais inteligente pouparmos energia, se podemos fazer os monstros nos perseguirem, é melhor do que perseguirmos e ficarmos sem energia para lutar – Dito isso, o rapaz assoprou uma nota em sua gaita, que retirou da parte de fora da mochila.

A morena não parecia satisfeita, mas sentou-se sobre a raiz de uma árvore, observando o companheiro e a amiga, esperando a próxima ação deles – “Putz, com tanta gente, eu tinha que escolher um filho de Atena? As vezes ele é racional demais, fica até displicente com as coisas”.

— Não se preocupe – Annabeth deu um sorrisinho, como se estivesse lendo a mente da garota – Eu sei que é difícil quando estamos determinados, nos agarramos aos planos e achamos que pela lógica nada pode dar errado, mas tenha paciência, é um bom plano.

Peggy suspirou e assentiu – Acho que sim – Disse, conformando-se com a situação atual.

(...)

Uma hora se passou antes da primeira folha cair. A sorte do grupo é que a inquieta Peggy estava atenta e, mais por instinto do que pela razão, se levantou olhando para cima.

— MAS QUE PORRA É ESSA? – A garota soltou um grito, fazendo os dois companheiros pularem de seus lugares, deixando as mochilas no chão enquanto olhavam para cima.

Parecia uma cobra, mas não era bem isso, primeiro por ter uns 10 metros de comprimento e um diâmetro que a faria grande demais para entrar em um bueiro redondo, segundo por emanar um calor tão forte que secava as folhas ao seu redor. As escamas tinham a mesma cor das folhas verdes quando secam, meio amareladas, talvez por isso não haviam a percebido imediatamente acima de si, era uma boa camuflagem.

Ao perceber que suas presas já estavam cientes de sua presença, o monstro rugiu, um rugido aterrorizante o suficiente para paralisar o trio: Ernest ficou pálido, suas pernas pareciam que iam ceder a qualquer momento, nem mesmo na batalha de Manhattan se sentiu tão ameaçado quanto nesse momento, em frente à um monstro desconhecido poucos metros acima dele.

Dessa vez foi Annabeth que despertou os outros dois, com dificuldade, a loira sobre seus calcanhares e empurrou seus amigos, desatando a correr e fritando:

— Separem-se!

Ernest entendeu a ideia de imediato, mas sua mente não estava mais conexa com seu corpo, nada respondia muito bem e precisava se concentrar só para ficar firme sobre os próprios pés.

— Ernest! – A namorada do rapaz deu mais um empurrão no garoto antes de sair correndo, seguindo o plano de Annabeth, porém, ainda não era o suficiente para o garoto se mover.

“Aterrorizante não? ” – A voz de Cronos cortou a mente do rapaz, que ainda olhava fixo para os olhos do réptil monstruoso, ou seja lá o que fosse – “Não consegui acordar um desses quando tentei destruir o Olimpo, infelizmente”.

A cobra descia vagarosamente em direção ao filho de Atena, como se soubesse que ele não conseguia fugir.

“Incrível a habilidade não? É mais efetiva que a do drakon, chamamos essa de voithós” – Continuou o titã – “O olhar tem o efeito de um paralisante muscular, mas não precisa ser injetado, pega direto no psicológico”.

O mestiço já sentia o calor que as escamas emanavam, tudo parecia estar em câmera lenta, até que uma flecha ricocheteou na armadura natural do monstro e finalmente fez com que o jovem se movesse: Ou melhor, corresse para longe.

— É por isso que não queria perseguir um monstro – Gritou o rapaz, torcendo pra que a namorada ouvisse.

— Se você não congelasse teria sido mais fácil! – O grito da garota ecoou de volta, vindo de todos os lados da floresta.

— Certo – murmurou consigo mesmo o mestiço – Escamas super duras, emana calor, congela com o olhar e provavelmente deve cuspir algo... Tem jeito de derrotar isso?

“Do mesmo modo que um drakon” – O titã respondeu, parecendo de bom humor, afinal era raro ser útil assim.

O jovem mudou o curso de sua corrida e foi atrás de Peggy, que já estava com Annabeth.

— Precisamos acertar uma flecha no olho dele, é a melhor chance que teremos de derrotar essa desgraça – Era a única coisa que conseguia pensar pra dizer antes de verificar se todos estavam bem.

— Certo – Assentiu a filha de Apolo – Mas vocês vão ter que distraí-lo pra eu aumentar a chance, aqueles olhos tem o tamanho exato das pontas das flechas, ou seja, são minúsculos.

— Hmmm – Os filhos de Atena simultaneamente colocaram uma mão no queixo para pensar.

“Ei, ainda dá pra fazer aquele lance de aumentar nossa velocidade? ” – Questionou Ernest dentro de sua mente.

“Claro, como ainda está descansado dá pra fazer ficar bem rápido” – O titã confirmou.

“Se eu tocar a Peggy, acha que conseguimos estender a habilidade? Deixar ela mais rápida também? ”.

“Provavelmente não fique tão rápida como você, mas ganharia um acréscimo razoável”.

— Certo, tenho um plano, mas vou precisar que confiem em mim – O garoto se pronunciou – Annabeth, você vai servir de isca, pro voithós se focar em algo que não seja nos caçar...

— Claro, porque o foco dele vai ser me caçar...

— Enquanto isso eu e Peggy cuidamos do disparo.

— Porque você não vai me ajudar? – A loira pareceu desconfiada.

— Eu disse, vocês vão precisar confiar em mim.(...)O voithós continuava na área onde surpreendeu os semideuses, talvez pelo fato de terem largado as mochilas lá, mas isso facilitou a aproximação de Annabeth.

— É bom que isso funcione, irmãozinho pirado... – Murmurou a loira enquanto vagarosamente caminhava rumo às mochilas e ao monstro.

— Certo, já tenho visão, se ele for pra cima da Annie já garanto um acerto... Só não prometo ser no olho – Peggy tentava relaxar, diminuindo o tremor do arco até quase desaparecer.

— Olha, não se assuste, mas vou facilitar pra você assim que o monstro aparecer... Só não pode contar pra Annabeth o que vai ver aqui.

— Certo, depois conversamos.- Simples assim?

— Sim, é uma situação de vida ou morte, não posso perder tempo.Isso era uma das coisas que encantavam Ernest, a visão prática das coisas que Peggy tinha, seu senso de urgência e do que resolver primeiro eram qualidades espetaculares, tanto em batalha quanto no cotidiano. Apesar desse pensamento rápido, o rapaz tocou a nuca da garota, sentindo seu braço direito queimar: Logo, os dois pareciam estar envoltos por um mundo de gelatina, onde as folhas caíam vagarosamente e o monstro avançava para a filha de Atena, mas não era brincadeira de criança acertar um monstro daquele naquela situação.

O disparo foi bom, mas não o suficiente para adentrar na fenda onde estavam os olhos do voithós. O erro fez com que o monstro subitamente mudasse de rumo e corresse para onde estava o casal, que só teve tempo de soltar um grito:

— FODEU, CORRE! – O tempo foi o suficiente pro rapaz agarrar a garota e dar um impulso para o lado esquerdo, ditando o rumo da fuga.

Folhas douradas caíam das árvores, o chão brilhava com as cores das folhas que já haviam deixado as árvores, seria uma cena linda pra qualquer um que não tivesse um voithós na sua cola. Ernest não sabia dizer a as folhas caíam pela presença do monstro ou se era apenas o vento, mas não pretendia parar para examinar se a primeira opção estava certa. Uma ideia passou pela mente do garoto.

— Peggy, vamos nos dividir de novo, nos encontramos onde deixamos as mochilas!

— Certo! Qual o plano?

— Vou desviar a atenção dele e atraí-lo pra onde você estiver, me espere com duas flechas prontas: Uma pro olho e outra pra boca!

Dito isso, os dois se separaram, com o mestiço mantendo o ritmo mais lento para manter a atenção do monstro.“Certo” – Pensou o rapaz – “Vai ter que ser sincronizado: Um, dois, três... Agora! ”.

O rapaz sentiu as tatuagens queimarem no braço direito enquanto tudo desacelerava, em um movimento fluido esticou a perna direita para frente, mantendo-a no chão para frear a corrida, a esquerda ficou flexionada para dar impulso e o corpo girava ao mesmo tempo que se abaixava. Quando soltou toda a tensão da perna esquerda, o resultado foi um impulso grande e com velocidade o suficiente para passar por baixo do monstro, deixando-o confuso.

— AQUI! – O rapaz gritou antes de continuar correndo – “Preciso terminar isso antes de meu folego acabar, não falta muito” – Pensou logo em seguida.

Ao avistar o ponto onde havia combinado, o jovem já pode identificar ao longo uma Peggy com as flechas prontas, com uma espiada por cima do ombro viu o voithós se aproximando.

— Certo, é agora – O rapaz começou a desacelerar aos poucos, avaliando a velocidade do monstro e a sua, querendo deixar o suficiente para o monstro tentar pegá-lo sem sucesso – PEGGY, ATIRE MESMO QUE EU ESTEJA NO CAMINHO!

— Pff – A garota zombou – Como se eu não fosse fazer isso.

Com um estalo que ecoou por todo o bosque, as flechas voaram paralelas, uma visando o olho esquerdo do monstro, outra sua boca, que sempre estava aberta. Mais uma vez o rapaz sentiu o braço queimar ao ativar os poderes de Cronos, efetuando um carrinho digno dos maiores zagueiros de futebol, desviando das flechas (que já se aproximavam lentamente) e da boca aberta do monstro, que estava para tentar pega-lo.

Tec, ploc— Esse foi o som das flechas, seguidas de um rugido de fúria e dor do monstro.

A que ia em direção a boca rebateu em uma das presas, trincando-a e espatifando-se, já a que ia em direção ao olho, conseguiu entrar em um pequeno vão entre as escamas próximas à fenda, alojando-se ali, com a haste partida ao meio pelo impacto.

Não era parte do plano, mas dessa vez Annabeth mostrou o porquê de ter tantas missões completas no currículo: A garota pulou, sabe-se de lá onde e chutou a flecha que estava alojada próxima à fenda, fazendo-a se enterrar de vez no monstro, que cuspiu um jato de fuligem em direção à Peggy, fazendo a garota rolar para um lado qualquer.

O monstro se debatia e cuspia fuligem para todos os lados, ficando quase impossível aproximar-se.

— O que faremos agora? – Annabeth tentava recuperar o folego após várias esquivas, mas o voithós não dava folga – A flecha não matou!

— Uma espada vai matar! – Ernest também estava cansado, sem folego, mas precisava de um último ataque bem-sucedido – Afastem-se dele!As duas garotas recuaram para trás de uma linha de árvores, enquanto o rapaz avançou correndo com Spatium em mãos, usando uma raiz de árvore que estava mais alta como plataforma para saltar.

Com um grito o jovem acertou a ponta da espada próxima ao ponto onde a flecha havia perfurado o monstro, ficando enganchada lá (o que não fazia parte do plano). Isso obrigou o rapaz a não largar a arma e cair em pé sobre a cobra-dragão, apoiando com a mão esquerda nas escamas e forçando a espada, de forma a finalmente perfurar cabeça adentro e transformar o monstro em pó, deixando apenas a carcaça.

As garotas finalmente se aproximaram, perplexas.

— Isso foi imprudente – Ralhou Annabeth.

— Eu sei – O rapaz guardou a espada e pôs as mãos nos bolsos da calça, como que não quer nada – Relaxa Annie, deu tudo certo.- Francamente, vocês dois... – Suspirou Peggy.(...)Após algum tempo caminhando e discutindo o trio parou às margens de um riacho, o dia já começava a declinar e em breve ficaria difícil prosseguir com segurança.

— Vamos parar por aqui. Foi um dia com batalhas difíceis – A loira descarregou a mochila – Vou pegar lenha pra fogueira.O casal sentou-se no chão, cada um encostado em uma árvore, ficando um de frente pro outro.- E a sua perna? – O rapaz ergue a sobrancelha, olhando pra namorada.

— Vai ficar bem, comi um pouco de ambrosia.- Foi o ataque com fuligem?A garota assentiu.

— Quando gruda na pele queima como se fosse fogo, pegou em uma área pequena, mas mesmo assim... — Bom, infelizmente com um semestre de farmácia e medicina não podemos fazer muita coisa, não é?

Peggy riu, levantando-se.

— Não gosto de me sentir inútil, vou ajudar Annabeth. Monte o acampamento aí.

O rapaz sorriu e assentiu, pegando dois cantis com a mão direita e indo até o riacho. Ao ajoelhar ao lado da água, soltou os cantis e retirou a mão esquerda do bolso, em carne viva, totalmente ensanguentada e com bolhas. Ao coloca-la na água, o rapaz mordeu a mão direita pra abafar o grito que queria soltar, em seguida derramou um pouco de néctar sobre o ferimento e enfaixou a mão com algumas bandagens que tinha na mochila.Logo o garoto voltou ao riacho e encheu um dos cantis que havia levado. Após alguns minutos, as meninas voltaram.

— Quando machucou a mão? – Annabeth olhou preocupada.

— Agora pouco, fui pegar o cantil na minha mochila e uma das facas saiu da bainha. Fiz um corte, mas nada demais – Mentiu o jovem.

— Bom, vamos descansar – Peggy interviu – Primeiro por você ser imprudente e se machucar sozinho – A garota apontou para o namorado – E por termos lutado e matado um monstro forte QUE NÃO FALA, então não pudemos perguntar nada sobre Percy.

Notas finais
E aí? Que acharam do primeiro desafio desse trio? Deu pra sentir a pressão?