Herói Anônimo
37 Uma "ponta" na batalha
Notas iniciais
Capítulo 37
*Comentários do registro*
— Eu não pude esperar Percy chegar no Acampamento Júpiter. A barulheira de um bando de monstros chegando me tirou do conforto da clareira.
*Narrativa*
— Aceita ajuda? – Ernest soltou um berro para Reyna, que rodopiava ao redor do gigante Polibotes, porém não obteve resposta, provavelmente pelo calor da batalha e pela barulheira envolvida.
“Acho melhor você só entrar, eles claramente precisam de ajuda, são bem fracos” – Cronos murmurou.
— Não posso, preciso de autorização... Foi o acordo com Lupa – O rapaz retrucou – Fora o fato que você e Candeian estão comigo.
O jovem encheu os pulmões e chamou por Reyna mais uma vez, desta vez percebendo um olha da pretora em sua direção. A garota pousou com seu pégaso próxima ao semideus e disse um formal “dou-lhes permissão”.
Um sorriso se formou no rosto do mestiço, que flexionou os membros, animado.
— Ah, finalmente um pouco de ação!
— Não vá apanhar de graça – O dragão revirou os olhos enquanto o companheiro se preparava para adentrar a luta – Não te salvarei.
— Tente não colocar fogo no acampamento.
— Vou tentar.
Cada um foi para um lado: Candeian incendiava fileiras de monstro e distribuía patadas, ao mesmo tempo que desviava de ataques romanos enquanto resmungava sobre como os humanos são estúpidos. Ernest atacava as pernas de Polibotes, tentando cortar as víboras que caíam do cabelo do gigante antes que caíssem no chão.
Em determinado momento o gigante até tentou girar e acertá-lo com o pé esquerdo, mas o rapaz pulou para fora do alcance, torcendo para que Reyna distraísse o monstro por tempo suficiente para que preparasse um novo ataque. Em suas costas ouviu um grito de “Quinta Coorte” bastante familiar, mas não pode virar-se para conferir, preferiu pular e fazer uma tentativa de apunhalar o gigante, sendo rebatido pelo antebraço de Polibotes e indo parar rolando alguns metros para trás.
— Puta merda – O rapaz apalpou as costelas, conferindo se não tinha quebrado nada – Esse cara não é tão burro quanto parece.
“Mas você parece ser, não?” – O titã suspirou em sua mente.
— Calado – O jovem colou-se a correr, batendo em monstros no caminho e percebendo uma mudança no cenário: Diversos campistas portando equipamentos dourados lutavam, um estandarte de águia transitava à frente de todos, juntamente à um cão infernal enorme.
— Sra. O’Leary? Percy? – O rapaz localizou o amigo em meio à toda confusão, em tempo de ver a águia dourada soltar raios e carbonizar o centro das forças inimigas. Reyna gritava para que todos se reunissem com a águia, ao mesmo tempo que Polibotes provocava o filho de Poseidon e as amazonas chegavam: Era um inferno de coisas acontecendo simultaneamente.
Percy apontou para o gigante, soltando um “Você. Eu. Até o fim” bastante confiante, seguindo para interceptar o inimigo no aqueduto. Ernest correu para lá, vendo o gigante transformar água em veneno e acompanhando os primeiros movimentos da luta, parecia que Percy ficaria bem.
— CANDEIAN! – A voz do rapaz ecoou por todo a acampamento, fazendo com que logo o dragão pousasse em seu ombro, tinha alguns cortes superficiais, mas parecia estar bem – Vamos sair daqui, está tudo sob controle. Vamos para perto daqueles ciclopes que encurralaram uma das legiões, ou algo do tipo, precisam mais de nós por lá.
— Certo – O dragão concordou, cuspindo um fiapo de fogo e seguindo o jovem, que já corria para o local indicado.
— AAAAAARRE! – O rapaz gritou enquanto apunhalava um dos monstros pelas costas, já dirigindo sua espada na direção da coxa de outro enquanto o primeiro se desintegrava.
Já o pequeno dragão abusava de rasantes, atraindo a atenção dos monstros e dispersando as forças inimigas, dentro do possível. A reação do grupo que estava encurralado, ao ver uma possível brecha, foi avançar e, entre bater nos monstros e correr, seguiram em direção à águia dourada, que continuava a carbonizar os monstros com raios.
— Já tô ficando de saco cheio, parece que não acaba nunca – O jovem resmungava enquanto rebatia um tridente lançado de algum ponto da batalha e atirando uma de suas facas, usando a mão direita – Me lembre de buscar aquilo, depois que terminarmos.
“Hmm, talvez se você não jogasse suas armas tão displicentemente, eu não precisaria te lembrar de busca-las” – Cronos resmungou de volta.
— Isso é verdade – O dragão concordou, ao mesmo tempo que pousava no ombro esquerdo do semideus, parecendo estar cansando também.
— Tá certo, tá certo – Rendeu-se o mestiço, puxando outra faca – Aposto que acerto aquele ciclope, jogando daqui.
— De jeito nenhum, ele está uns 150m pra frente, se fosse uma flecha até te daria um crédito – Argumentou o dragão.
O garoto sorriu e mirou, lançando a faca de bronze com força, vendo-a viajar pelo ar. Infelizmente talvez tenha havido um excesso de força, já que a lâmina passou por cima da cabeça do monstro, tilintando ao cair inutilmente no chão.
— Droga, agora tenho que pegar duas armas – O rapaz murchou, enquanto o dragão ria descontroladamente.
— Vamos lá, eu te acompanho – Candeian saiu voando em direção à primeira faca, que estava um pouco mais próxima.
O mestiço agitou a espada e correu também, espetando alguns monstros no caminho.
(...)
Ernest estava sentado sobre o aqueduto onde a luta de Percy havia se iniciado, observando o fim da batalha, uma vez que tudo parecia sob controle. No fim das contas, o semideus não podia deixar de admirar o trabalho dos romanos, uma vez que foram pegos de surpresa e, claro, com ajuda, se organizaram com velocidade suficiente para organizar o acampamento.
— É, será que devemos dar o fora daqui? – Candeian agitou as asas – De acordo com você mesmo, não devíamos ser vistos ou ficar aqui por mais tempo.
O mestiço podia ver, ao longe, a recepção de Percy, ouvir os gritos de “pretor” e coisas do tipo.
— Acho melhor voltarmos para o acampamento, avisar como estão as coisas aqui – Decidiu o rapaz – Voltaremos com todos. Não acho que seja bom abusar da boa vontade desse pessoal, assim como dos limites do juramento com Lupa.
Com esse pensamento e, aproveitando a festa romana, o jovem pulou do aqueduto, escapando para fora do Acampamento Júpiter com apenas um destino em mente: Acampamento Meio-Sangue, sua casa.
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