Herói Anônimo
35 Novas pistas
Capítulo 35
*Narrativa*
Ernest nunca soube explicar muito bem como foi parar nos arredores de São Francisco, na verdade, como o jovem dormiu no trem, a melhor hipótese é que tenha perdido a estação em que deveria descer para pegar o trem em direção à Manhattan e seguiu na linha até se dar conta de que a próxima estação era a da cidade que abrigava o monte Otris.
— Você é meio burro, né? – Candeian bocejou, sonolento.
“Finalmente alguém que concorda comigo” – Cronos riu na mente do rapaz.
— Que voz é essa? – O dragão pareceu confuso.
— Você consegue ouvir? – O semideus levantou uma sobrancelha, encarando o dragão.
— É a primeira vez, mas, sim.
“Isso é interessante” – O titã pareceu impressionado.
— Como? – O garoto sentia-se confuso – Quero dizer, ninguém deveria conseguir.
— Bom, no vínculo que estabelecemos entre dragão e acólito, conseguimos compartilhar nossas mentes, os batimentos cardíacos sincronizam, até a respiração acaba ficando próxima. Basicamente somos capazes de nos comunicarmos em todos os níveis.
— Entendo – O rapaz coçou o queixo, já coberto com uma curta barba – Isso pode ser bem útil em combate.
— É a principal função – Concordou Candeian.
“Bom, já que estamos aqui, que tal você usar um pouco a cabeça e procurar pela Casa?” – Suspirou Cronos.
— Ele é esperto – Observou o dragão.
— Certo, vamos tentar rastrear alguma coisa – Suspirou o filho de Atena – Eu não sei se gosto de vocês dois juntos, vão me dar muita dor de cabeça.
(...)
Após rondar os arredores de São Francisco por quase uma semana, finalmente Ernest encontrou sua melhor pista durante o pôr-do-sol: Uma loba falante.
— O que querem aqui forasteiros? – A loba encarava o jovem e o dragão, era possível perceber outros movimentos ao redor, provavelmente lobos, mas não era possível vê-los.
O jovem levantou os braços, demonstrando que não pretendia lutar.
— Não vim para causar problemas, sou um semideus e estou em uma busca.
— Eu sei quem você é e, honestamente, não sei se gosto de sua presença. Porém, para nós lobos, não importa o que achamos, a linguagem que mais respeitamos é a força. Te ouvirei primeiro e darei a chance de provar seu valor.
— Muito bem – Semideus abaixou os braços, relaxando – Candeian, fique em algum ponto alto das árvores, não quero interferências quando me testarem.
— Certo, você quem sabe – O pequeno dragão azul abriu as asas e foi pousar em um galho da árvore mais próxima, observando tudo com curiosidade.
— Estou procurando por Percy Jackson – Começou a falar o jovem – Você deve ser Lupa, não é? Ouvi que ele poderia estar por aqui, já que Jason Grace foi parar no acampamento grego.
Lupa fez um ruído estranho com a garganta antes de falar.
— Entendo, Juno foi bastante astuta em seu plano... Assim como foi descuidada.
— Pode me dar mais informações?
— Não sem testar seu valor antes.
O garoto revirou os olhos.
— Manda ver, mas não vou pegar leve.
— Eu sou a deusa aqui, sou eu quem deveria dizer isso – A loba deu sua última resposta antes de começar a rodear o semideus, enquanto vários outros lobos apareciam próximos ao local para ver a pequena batalha que estava para iniciar.
Ernest não tentou acompanhar Lupa, apenas ficou parado, esperando e se concentrando.
Clack
Um estalo agudo fez o garoto girar o corpo para a esquerda enquanto puxava a espada embainhada para conter o salto da loba. O rapaz não queria desembainhar as armas, não tinha intenção de ferir a deusa, pelo menos a princípio.
O rapaz pensou ter contido o ataque no primeiro momento, porém a velocidade da deusa o surpreendeu, logo após o impacto, o rumo de Lupa mudou, passando por baixo do braço esquerdo do rapaz que segurava a ponta inferior da bainha, dando uma pancada nas costelas do garoto durante o processo.
— Uhnf – Resmungou Ernest, enquanto encarava a loba.
— Leve isso a sério, não pegarei leve com você, é quase uma heresia que os deuses o deixem vivo. Se quer informações, terá que merecer mais que qualquer um.
— Bom, não vai ter jeito, não é? – O garoto desembainhou Spatium— Venha.
A loba atacou de novo, correndo em zigue-zague, desferindo uma patada visando a parte externa da coxa direita do filho de Atena, porém, dessa vez o garoto estava mais atento, dando um passo para trás e girando a espada, repelindo o golpe e impedindo a deusa de passar por ele golpeando-o como da primeira vez. Aproveitando o pequeno recuo que a loba fez e o impulso do giro da espada, o rapaz riscou o chão em direção à Lupa, lançando uma nuvem de poeira, chutando a loba próximo ao pescoço em seguida.
A deusa soltou um ganido antes de se lançar contra o jovem mais uma vez, porém mais agressiva, como se buscasse agarra-lo. Era a única estratégia que o rapaz tinha para batalhar com um deus: Enfurece-lo para usar o trunfo dos poderes de Cronos, ou seja, no momento que Lupa saltou em sua direção, o rapaz não tentou desviar, mas deixou o poder fluir, o tendo desacelerou e a surpresa transpareceu nos olhos da deusa, com um movimento muito mais rápido do que os reflexos da deusa, Ernest desferiu um corte na pata traseira da loba e se inclinou de forma a se desviar do agarrão.
— Está bom, não é? – Rapaz baixou a arma quando Lupa pousou do outro lado.
— Concordo, você não conseguiria lutar mais que isso – Lupa sentou-se, a pata traseira encharcada em ícor dourado.
— O que? – O jovem demorou para perceber que seu braço direito sangrava horrivelmente, a visão do inesperado sangue o deixou tonto – Quando?
— Você não é o único que tem seus truques, criança – A loba lambeu seu machucado – Mas admito que é um bom estrategista, digno de um filho de Atena, por mais que não aprove suas alianças... Dragões e titãs, quem diria? Uma barbaridade...
— Em minha defesa, o titã é um hospedeiro, temos uma relação amigável pra não ficarmos loucos um com o outro.
— De qualquer forma, esse era um combate que não precisaria de mais que dois ou três golpes para terminar. Não posso dizer quem venceria, é um pouco imprevisível, avaliando o que mostrou aqui. Te direi o que puder, me siga.
O rapaz respirou fundo e começou a andar atrás da deusa, logo Candeian voou e pousou em seu ombro, olhando para as feridas no braço do jovem.
— Isso porque não precisava de ajuda, não?
— Cala a boca, tudo estava sob... – Ernest não pôde terminar a frase, à sua frente estava a Casa dos Lobos, que se erguia como no desenho de Rachel.- Sente-se onde quiser – Lupa deitou-se perto de uma piscina vazia, o jovem sentou-se na beirada da mesma, observando as marcas de duas estruturas grande de terra, assim como vestígios de uma possível batalha.
— O que houve aqui? Não é coisa do Percy, é?
— Não – A loba suspirou – Os gigantes, junto com Gaia tentaram tomar a nossa Casa, mas fomos salvos por Jason e outros dois semideuses há quase um mês atrás.
— Entendo, a atividade de monstros por aqui era causada por mais monstros. Se minha viagem fosse mais rápida, teria encontrado com os garotos aqui então... Interessante.
— Se não se importa, gostaria de fazer algumas perguntas para você também, garoto.
— Dentro do possível, responderei.
— Muito bem – Lupa coçou o focinho antes de encarar o jovem – O que é você? Conte-me um resumo de sua história.
— Meus pais são romanos, fui raptado quando criança e criado por uma dracaena para ser um teste para receptáculo de Cronos, mas fugi. Depois fiz amizade com o pessoal do lado grego e ajudei na guerra, acabei me familiarizando com a parte de Cronos que está em mim e, alguns dias atrás, fiz um pacto com um dragão azul para ser aliado de um tal de deus Lendys, que não queria que o mundo perdesse seu equilíbrio para Gaia.
— Sua vez.
— Sabe algo sobre Percy Jackson?
— Não. Porém, se Jason foi enviado para os gregos, existe uma possibilidade de que seu amigo seja enviado para o lado romano – A deusa nem esperou, emendando uma pergunta – Qual sua lealdade?
— Especifique.
— Gregos ou romanos, já que seus pais são romanos.
— Não tenho lealdade com nenhum dos lados, pretendo unir os dois depois de impedir que Gaia se levante – O rapaz fez uma pequena pausa – Pode me dizer como chegar no acampamento romano?
— Talvez, jure pelo Estige que não irá causar problemas por lá.
— Eu juro – O trovão característico do juramento ecoou – Gostaria que você enviasse uma mensagem para que não me matassem, antes de eu ir.
— Será arranjado, porém tenho uma última condição, já que sou a guardiã do acampamento.
— Diga.
— Sua ida para lá será apagada, apenas Reyna, a nossa pretora, te receberá, ninguém mais deverá saber disso. Nem seus aliados, nem os nossos.
O garoto suspirou.
— São muitas condições, não? Mas aceito, não irei passar informações para nenhum dos lados.
— Muito bem, existe um certo trecho de rodovia em São Francisco que tem a passagem subterrânea que desemboca no acampamento, você terá que rastreá-la e torcer para conseguir entrar na companhia desses monstros.
— Ei! – Protestou Candeian – Não sou um monstro! Sou a criatura mais nobre que poderia estar andando nessa terra!- Humilde também, não? – Riu o jovem.
— Hunf – O dragão soltou um pequeno estalo de eletricidade estática pela pele, as vezes isso acontecia, graças ao atrito com a areia na última escavação no deserto.
— Pois bem, caso tenha notícias de Percy, entre em contato comigo. Ficarei na região, mesmo que não entre no acampamento.
— Farei o possível, tudo depende dos planos de Juno.
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