Herói Anônimo

11 Juramento parte 1 - Volta à NY


Notas iniciais
Esse é um capítulo-transição, mais para dar sentido à algumas coisas e começar a fazer conexões com a história dos livros, introduzir alguns fatos já conhecidos na história.

Capítulo 11

*Narrativa*

— Atchim! – Uma nuvem de poeira subiu, fazendo os semideuses prenderem a respiração, Ernest bateu a poeira da camiseta laranja e continuou a passar o pano úmido nas prateleiras cheias de armas de bronze celestial, enquanto analisava cada uma.

— Por que temos que limpar isso? Bronze celestial não vai enferrujar de uma hora para outra! – Um dos meninos do chalé de Hermes reclamava em voz alta, mas ninguém se deu ao trabalho de responder, continuaram com o tedioso trabalho: Alguns limpavam o chão, outros as prateleiras e janelas, outros ainda estavam na parte externa do armazém de armas, passando verniz nas partes de madeira e lavando as manchas.

— Ei! – Ernest cutucou com o cotovelo um campista qualquer ao seu lado – Podemos usar qualquer arma daqui?

O campista deu de ombros, parecia não se importar muito, o que parecia um aval para se apossar de algumas armas que ali estavam: O mestiço encontrou duas bainhas pequenas e testou duas facas menores, para ver se teriam a mesma medida.

— Não está perfeito – Comentou olhando as facas embainhadas – Mas vai servir bem, não estão prendendo no couro...

Ao final da tarefa, o rapaz prendeu as bainhas no lado esquerdo do cinto, ficando com duas facas menores e mais leves ao lado esquerdo do corpo e uma faca de caça grande ao alcance da mão direita: Mais possibilidades de atacar e defender-se. Finalmente livre do armazém, o garoto respirou fundo para sentir o ar puro limpar os pulmões e se arrastou para a arena de esgrima, precisava treinar um pouco, já que estava sem batalhar havia quase dois meses.

— Ei mestiço! – Ernest suspirou ou ouvir a voz feminina – Onde pensa que vai?

Com a cara fechada o rapaz virou o corpo lentamente, apenas para sentir um soco no braço direito, logo sobre a branca cicatriz que agora lá estava. Contendo-se para não ser grosso, o filho de Atena ergueu uma sobrancelha e respondeu:

— Treinar, minha irmã, se quiser vir apanhar um pouco posso abrir um espaço para você... – Um olhar assassino surgiu da garota, parecendo que iria queima-lo – Não gosto de bater em garotas, mas você não é bem uma menina, certo Clarisse?

— Cale a boca, panaca – Os punhos da garota se fecharam – Só vim até o acampamento trazer algumas informações e... Bem, pensei em bater em alguma coisa.

— Certo – O mestiço percebeu algo diferente na voz da filha de Ares, não estava agressiva como sempre, parecia... Frágil – Não pegarei leve, mas venha.

Durante o resto do percurso da arena não houve conversa, os dois não se davam bem, mas também não tinham motivos para provocar brigas um com o outros, já que tinham certo parentesco. No fim das contas, quando ambos finalmente pararam de andar, já estavam no meio da arena, encarando fixamente os bonecos com armadura grega.

— Regras? – Clarisse parecia distraída enquanto pegava uma espada jogada das arquibancadas e fazia alguns movimentos, então o rapaz insistiu – Clarisse?

— Hm – A garota pareceu lembrar-se que estava em um treino – Não matando um ao outro está bom, acho...

Ernest deu de ombros e sacou suas facas, a maior segura na mão direita e uma das menores na esquerda, não parecia muito ansioso para lutar, estava com uma postura largada: As pernas ligeiramente afastadas, os braços pendiam ao lado do corpo com cuidado para não se ferir sozinho com as facas. Já a filha de Ares segurava a espada com as duas mãos em frente ao corpo, as pernas afastadas com a direita atrás da esquerda e as costas ligeiramente arqueadas para frente, como se estivesse pronta para se atirar e matar o inimigo.

Os dois se encararam por um tempo, esperando o primeiro movimento para buscar uma brecha, mas Clarisse parecia avoada, impaciente, partindo logo para o primeiro e imprudente movimento: Avançou para o adversário buscando uma estocada na altura do estômago, fazendo uma finta de última hora e mudando o curso da lâmina, visando a perna esquerda do semideus, porém Ernest girou para trás sobre o eixo de sua perna direita, desviando a perna visada e desferindo um chute em resposta, acertando o ombro esquerdo da garota com a sola do pé.

— Droga – A filha de Ares cuspia as palavras – Vai pagar por essa...

— Não vai conseguir fazer nada se continuar distraída – Ralhou o rapaz – Concentre-se!

A menina arregalou os olhos, parecia ter recebido uma onda de choque ao ouvir as palavras do semideus, logo baixou a espada e fitando o chão murmurou:

— Tenho que ir, tenho coisas a resolver...

— Ahn, mas... – A garota já passava pelo portão da arena, sem ouvir as palavras do filho de Atena, deixando-o desconsertado – Ok – Ernest olhou ao seu redor, estava sozinho na arena, com a exceção dos bonecos de treino que pareciam encara-lo.

— Que saco... Estava começando a me animar por treinar com alguém – E atirou a faca da mão esquerda na direção de um dos bonecos, fazendo um leve corte na ombreira da armadura – Errei...

— Pare de se lamentar, você precisa sair em breve, Luke não vai ficar parado para sempre – A voz gélida do titã surgiu em meio ao silêncio.

— Quantas vezes vamos ter que falar sobre isso? – Irritou-se o semideus – Já disse que em breve irei, estou na fase final de recuperação!

— Besteira! Já está ótimo, deu um belo chute na moça de Ares!

— Ela estava distraída, não costuma ser fácil assim... – Replicou o garoto enquanto saía da arena, pretendia descobrir que fim havia levado sua oponente.

— Ah – O rapaz voltou para a arena correndo e pegou no chão a faca que havia ativado no boneco – Pronto.

Calmamente o mestiço saiu andando pelo acampamento, buscando pela filha de Ares que lhe devia um treino descente, parando para perguntar para um campista ou outro se haviam visto ela passando, por fim, passando pela quadra de basquete avisou Peggy, que lhe dirigiu um sorriso radiante, ela vestia uma camiseta do acampamento com as mangas dobradas até virar uma regata, um short esportivo azul claro largo de poliéster que ia até um pouco acima dos joelhos e tênis, os longos cabelos estavam trançados e caíam sobre seu ombro direito, a pele brilhava com o suor, estava linda, claro. Ernest acenou com um sorriso bobo no rosto, esquecendo-se de Clarisse por alguns instantes, lembrando que precisava continuar procurando apenas quando tropeçou e quase caiu em frente à umas filhas de Afrodite, que reprimiram uma risadinha.

Por fim, o meio-sangue encontrou Quíron na varanda da casa grande, onde o abordou:

— Quíron, sabe de Clarisse?

— Ah, ela pediu para voltar para casa fazem pouco minutos, criança, confiei uma missão à ela e, de fato, não é bom que demore mais – O centauro parecia contido, como se estivesse segurando alguma informação, mas o filho de Atena não quis forçar, talvez a garota apenas estivesse abalada por conta da missão.

— Certo, se ela aparecer de novo peça para me procurar, eu... – O rapaz achou estranho ouvir as palavras que se seguiram saírem da própria boca – Fiquei um pouco preocupado com ela.

O centauro assentiu, voltando para dentro da casa logo em seguida, como se quisesse evitar o prosseguimento do assunto.

*Comentários do registro*

— Certo, acho que podemos pular para algum tempo depois, lá não teve muito movimento depois disso, só os treinos do acampamento mesmo... Sobre a missão de Clarisse, era algo relacionado ao labirinto de Dédalo, ela estava no acampamento para levar Chris Rodriguez para ser tratado de sua loucura, descobri isso um tempo depois, mas de qualquer modo, vamos nos adiantar para um período mais relevante.

*Narrativa*

Faltava aproximadamente um mês e meio para a volta dos campistas, Ernest sabia que se fosse encontrar-se com Luke precisaria fazer isso logo, não teria tempo de fazer isso quando todos estivessem de volta.

— Essa noite! Tem que ser essa noite, seu preguiçoso! – A voz de Cronos ralhava com o filho de Atena.

— Desde quando você fala como se fosse meu pai? – O rapaz bocejou, estava deitando sob a sombra de uma árvore após o almoço, observava as folhas verdes se moverem com a brisa, ocasionalmente permitindo a passagem dos raios de sol até seus olhos – Não se preocupe, é um tempo oportuno para dar essa escapada, todos estão ficando ocupados e dificilmente alguém vai dar falta de um campista.

— E a garota? Ela parece estar mais atenta a você.

— Posso dar uma desculpa qualquer hoje no jantar, ela não vai falar nada, pode se fazer de desentendida no resto do tempo.

— Muito bem.

— Falando sozinho? – Como se tivesse sido invocada, Peggy jogou-se ao lado do rapaz na grama.

— Pensando alto – O rapaz olhou para o lado – Acho que você poderia me fazer um favor: Precisarei fazer uma viagem, mas ninguém pode saber que saí, consegue guardar esse segredo?

A garota deu um peteleco na testa do semideus, fazendo-o se retrair de surpresa.

— Idiota, não devia sair nessa época do ano, estamos arrumando o acampamento todo e... – Ela franziu a testa – Com todo o problema da guerra, não é seguro, você quase morreu uma vez.

— Não se preocupe, vai ser coisa rápida, preciso verificar umas coisas – O rapaz olhou para o céu – E jurei pelo Estige que faria essa viagem.

— Droga Ernest! – A garota sentou-se, um punhado de grama agora estava grudada nas costas de sua camiseta – Tá bem, eu guardo segredo, mas não pense que estou gostando dessa ideia... A não ser que...

— Você não vai junto – Suspirou o filho de Atena – Nem vem.

— Ótimo! – A filha de Apolo se levantou e saiu pisando forte.

(...)

A noite já estava sobre o acampamento, Ernest não sabia exatamente que horas eram, mas esperava que já tivesse passado da meia noite.

— Certo, qual é o plano então? – O rapaz questionou o titã enquanto amarrava os coturnos.

— Vamos para a cidade, monstros devem saber o paradeiro de Luke.

— Bom, mais uma vez, Nova York.

O semideus repetiu sua saída, vagando pela estrada fora do acampamento, porém dessa vez a noite quente o incomodava, usava seus coturnos, calça jeans e uma camiseta branca lisa de mangas curtas, nos ombros uma mochila com o suprimento de néctar e ambrosia, assim como suas facas e a gaita de boca. Depois de algumas horas de caminhada, finalmente se dando por vencido, o garoto sentou-se em uma pedra na beira da estrada e resolveu fazer uma pausa, olhando para as estrelas.

— Dessa vez não vou dar trabalho para ninguém, não vou ser cuidado por ninguém – Repetia para si mesmo.

— Não vai mesmo, agora está muito mais forte – O titã concordou – E é só uma conversa.

— Cale-se.

Após alguns minutos, Ernest se levantou, esticou as costas e seguiu seu caminho lentamente. Quando estava começando a pensar em chamar o táxi das Parcas, finalmente uma luz iluminou a estrada e parou ao sinal do rapaz.

— Ei! Uma carona para a cidade, ou perto pelo menos? – Arriscou o garoto.

Um senhor de meia idade olhou por cima dos óculos quadrados, avaliando Ernest, fazendo sinal para que subisse no carro. O rapaz analisou o senhor enquanto entrava no carro: Roupas normais, cheiro normal, bom, o carro tinha um cheiro forte de Doritos, mas fora isso, normal.

— Obrigado!

— O que faz no meio da estrada nesse horário rapaz? É perigoso.

— Estou viajando, mas não tenho dinheiro, então vou a pé... – Nenhuma parte da história era de fato mentira – Agradeço a carona.

— Certo, vai ficar onde?

— Ah, me deixa onde quiser, estando na cidade eu me viro.

— Ok.

Com essa feliz resposta, o rapaz caiu em um sono repleto de sonhos envolvendo uma empousa, um colégio, um caixão dourado e um cruzeiro repleto de monstros, acordando somente quando o carro parou em uma quadra próxima ao Central Park, o que trouxe algumas lembranças recentes à tona, juntamente com um calafrio que fez o semideus se afastar do local, andando para qualquer lado buscando um monstro (ironicamente). Claro, quando se quer ficar em paz, os monstros fazem fila para matar um herói, mas quando resolve-se procurar pelos monstros, bem, eles somem. Esse era o primeiro desafio de Ernest.

Notas finais
Eu sei que esse está mais chatinho, mas essa série "Juramento" será curta, já entraremos na história da Batalha do Labirinto em breve e tudo ficará mais animado!