Herói Anônimo

29 Gregos, romanos e uma profecia


Notas iniciais
Vamos ao capítulo!

Capítulo 29

*Narrativa*

— A mente dela está em um estado muito frágil. O que aconteceu, Rachel? – Quíron retirava sua mão da testa de Piper, um olhar preocupado dominava seus olhos.

— É o que eu gostaria de saber, quando cheguei tive uma premonição sobre o chalé de Hera, fui até lá e logo em seguida Annabeth e Piper entraram – A ruiva mordeu o lábio inferior, nervosa – Annabeth disse que falei com uma voz uma voz que não era minha, após eu ter perdido a consciência.

— Profecia? – Quíron e Ernest perguntaram em uníssono.

— Não. Não foi o espírito de Delfos que se manifestou, eu sei como é. Foi um poder diferente, como se tentasse falar usando meu corpo.

Annabeth chegou com uma bolsa de couro, ajoelhando-se ao lado de Piper.

— Quíron, não sei o que aconteceu lá, foi algo diferente, parecia a voz de uma mulher mais velha, ela agarrou Piper pelos ombros e disse...

— Que a libertasse? – Jason completou.

— Como sabe? – A loira encarou o rapaz.

Quíron fez o tradicional gesto para afastar o mal, pedindo em seguida para que Jason contasse o que havia ocorrido a todos. Ernest mordia a ponta do polegar direito enquanto ouvia o relato, incomodado.

Ainda houve uma certa troca de palavras, mas o garoto já divagava em sua própria mente, voltando à realidade apenas quando ouviu Annabeth dizer:

— Não pode ser Cronos. Por favor, diga que não é ele.

“É claro que não sou eu, duvido que irei voltar à minha forma original um dia” – Uma voz suspirou na mente do mestiço.

— Não é Cronos. Mas... – O centauro balançava a cauda, agitado.

— Mas o quê? – A filha de Atena estava evidentemente apreensiva.

— Conversamos amanhã, Piper precisa descansar.

— Ou agora mesmo! – Jason interviu, tão agitado quanto a loira – Você me disse que a maior ameaça estava por vir. Poderia ser pior que os titãs?

— Oh, a mulher só pode ser Hera, seu chalé, sua voz, se revelou à Jason no mesmo momento... – Rachel Concluiu em voz baixa.

Jason concordou, lembrando do manto de pele de cabra, símbolo de Juno.

(...)

Com todas as especulações e a recusa de Quíron a dar mais informações, restou à dupla de Atena tentar recuperar a memória do garoto enquanto Rachel cuidava de Piper.

— Acha que vai dar certo? – Ernest perguntou, pondo as mãos nos bolsos e olhando para o céu.

— Temos que tentar, não vejo muitas opções – Annabeth respondeu, abanando a cabeça.

— Ei, para onde vamos? – O loiro parecia nervoso, como se fosse ser atacado a qualquer momento.

— Chalé 15 – Ernest respondeu.

— Eu sei, vocês já disseram isso! – O jovem claramente estava disposto a discutir, mas o trio parou em frente ao chalé 15 – Esperem, vocês acham que é o chalé de meu pai?

— Não, aqui é o chalé de Hipnos, deus do sono – Annabeth virou-se para Jason, observando-o.

— Então por que...

— Se alguém pode ajudar a trazer suas memórias de volta, a lembrar de tudo, esse alguém definitivamente é Hipnos – O filho de Atena completou o pensamento da irmã, empurrando a porta para deixar os outros dois passarem.

— Não vem com a gente? — Annabeth olhou para o irmão.

— Vou verificar uma coisa antes.

(...)

O rapaz saiu correndo para o chalé de Atena assim que a porta de Hipnos se fechou, quase atropelando um ou outro campista no caminho, mas logo já puxava livros da biblioteca pessoal do chalé de uma forma frenética.

— Cadê você? – Murmurava para si mesmo enquanto os olhos corriam sobre os títulos, as mãos pareciam trabalhar sozinhas – Cadê... Achei!

Um livro bastante gasto, encadernado em couro e com o título dourado descascado o suficiente para ser ilegível estava nas mãos do rapaz, que começou a folheá-lo enquanto saia e voltava para o chalé de Hipnos.

(...)

Quando o rapaz entrou e logo parou ao lado da cama de Clóvis, que começava a cochilar.

— Como foi?

— Nada – A loira parecia decepcionada – Mas de qualquer modo, Clóvis disse que deuses gregos e romanos podem ser diferentes, ter personalidades, aparências, essências que se adaptam conforme a civilização onde estão.

— De fato, estava pensado nisso – O jovem entregou o livro à irmã, que passou os olhos por cima da página marcada – Quando Jason falou sobre a pele de cabra quando Juno apareceu, o modo como ela falou... Não parecia a Hera que conhecemos. Eu li esse livro logo que cheguei no acampamento, tem a descrição dos deuses conforme as civilizações em que estiveram presentes e, realmente, as descrições são muito diferentes entre si, em alguns momentos nem parecem ser os mesmos.

— Certo, mas ainda não entendi o porquê de isso ser tão importante.

— Nem eu – Clóvis concordou – Mas se Hera roubou a memória do Jason, só ela pode devolver. E, caso eu tenha que me encontrar com a rainha dos deuses, prefiro me encontrar com ela em um humor mais Hera e menos Juno. Posso voltar a dormir agora?

(...)

Ernest tinha seus olhos fixos na fogueira, que oscilava de cor a cada instante, não estava muito interessado nas canções ou brincadeiras, refletia sobre os deuses gregos e romanos, lembrando-se que, antes de chegar ao acampamento meio-sangue, ele próprio preferia os nomes romanos. Sua reflexão nos durou muito tempo, logo captou no ar o nome “Percy”, virou-se para Quíron a tempo de ver o centauro indicar Annabeth.

A garota passou as informações de sua busca, porém ao citar “um novo desafio” a voz de alguém ressoou:

— É sobre a Grande Profecia, não é?

Assim como todos, o filho de Atena se virou para a direção da voz, com uma sobrancelha levantada. Finalmente localizou Drew em pé a certa distância, que continuou falando:

— Vamos, o Olimpo está fechado, Percy desaparecido, Hera aparece para você em uma visão e logo em seguida outros três semideuses chegam ao acampamento. Quer dizer, algo estranho está acontecendo – A garota se virou para Rachel – A Grande Profecia começou, não é?

A ruiva estava do outro lado da fogueira, estática, mas deu um passo decidido à frente e, sob o olhar de todos, proclamou as palavras que desencadearam um pandemônio:

— Sim, a Grande Profecia começou.

Um falatório infernal começou, Ernest percebeu que Quíron mexia sua cauda nervosamente, trocando informações silenciosas com Annabeth, assim como Jason e Piper trocavam olhares, como se tentassem conversar. Foi apenas quando a bagunça cessou que Rachel deu mais um passo à frente e continuou sua fala:

— Para todos os que não ouviram, a Grande Profecia foi minha primeira previsão. Ela ocorreu em agosto e diz mais ou menos assim:

“Sete meios-sangues responderão o chamado,

Em tempestade ou fogo, o mundo terá acabado...”

No meio da profecia, Jason se levantou e entoou:

Ut cum spiritu postrema sacramentum dejuremus,

Et hostes ornamenta addent ad ianuam necem”.

— Oh – Cronos parecia surpreso, Ernest esperou o próximo comentário, mas houve apenas silêncio.

— Você acaba... de terminar a profecia – Rachel murmurou – “Um juramento a manter com um alento final/ E inimigos com armas às Portas da Morte afinal”. Como...

— Eu conheço esses versos – Jason parecia constrangido ao se pronunciar de novo, mas Ernest cada vez mais se interessava por aquela nova figura no acampamento – Não sei como, mas conheço a profecia.

— Em latim, ainda por cima – Drew não se conteve e levantou alguns risinhos do chalé de Afrodite com o próximo comentário – Lindo e inteligente.

*Comentários do registro*

— Eu realmente não entendo essa Drew, é insuportável! Pois bem, depois de conversarmos mais um pouco e um ou dois pandemônios serem contidos, vamos aos pontos mais interessantes da noite.

*Narrativa*

Tudo começou com um “Por que ele ainda não foi reclamado? Se ele é tão importante...” de um filho de Ares. Por mais bagunçado que estivesse o momento da fogueira, pelo menos danos físicos ainda não tinham ocorrido. Claro que isso estava para mudar.

— Ele já foi reclamado, Jason, mostre a eles – Quíron respondeu.

Em poucos segundos o garoto loiro segurava uma lança de ouro para, logo em seguida, desferir um raio em meio à fogueira, espalhando uma chuva de fuligem no ar.

*Comentários do registro*

— Certo, esse foi um, agora vamos à reclamação da Piper.

*Narrativa*

A discussão ainda girava sobre quem acompanharia Jason e Leo na missão para libertar Hera, claro, todos sabiam que seria uma filha de Afrodite e Drew estava para ser escolhida, até que o acampamento todo virou-se para Piper. Talvez o comentário de Jason tenha sido o mais pertinente:

— Linda! Piper, você... Você está arrasando!

A frase de anuncia de Quíron talvez fosse desnecessária, mas ainda assim o centauro proclamou em tom grave enquanto curvava-se:

— Ave, Piper McLean! Filha de Afrodite, senhora das pombas, deusa do amor.

Notas finais
O próximo começa a ficar mais movimentado, o decorrer da história vai ser bem diferente do que foi até agora.