Heroic Wish
17 Capítulo 17
Notas iniciais
— NÓSVAMOSNOSATRASAAAAAR!!!
Kid Flash falava rapidamente, sem pausas para respirar causando um embrulhamento de palavras já conhecido por todos os colegas.
—ROBINVAICHEGAREAINDANÃOVAMOSTERSAÍDO
SABEQUEEUDETESTOMEATRASAR
PORQUEVOCÊESTÁDEMORANDOTANTOPRATOMARCAFÉ
EUQUEROCONHECEROQGDASOCIDEDADEDAJUSTIÇA
NUNCAFUIPARAWASHINGTON
SERÁQUEVAMOSCONHECEROPRESIDENTE
AGENTEJÁDEVIATER-''
— BART!!! – Mutano esbravejou, finalmente se irritando com a empolgação do jovem velocista. – Nós não vamos nos atrasar, senta aí e relaxa!
Arrastou uma cadeira e apontou para que o rapaz sentasse, ouvindo-o bufar em desagrado. Cruzou os braços e sentou, fazendo bico e franzindo o cenho. Ficou calado pelos segundos conseguintes, observando agoniado como Garfield tomava café lentamente, achando por verdade que ele fazia aquilo para te chatear. E aquela era uma verdade, mesmo que inconsciente para o transmorfo.
— Vocês ainda estão aqui? – Ciborgue adentrava no local e se dirigia à geladeira, em busca de água.
Bart se preparou para voltar a se expressar em protesto, mas Garfield chiou, colocando um dedo em frente ao seu rosto.
— Estamos dentro do cronograma. – Terminou seu café, espreguiçou-se e viu Bart balançar os pés em expectativa. – Vamos, Kid- -
O menino saiu em disparada para o hangar, arrastando Mutano consigo.
Victor piscou algumas vezes, tentando entender o que estava acontecendo, e ouviu passos do outro lado do corredor, vendo Estelar e Ravena chegarem juntas ao refeitório.
— Preciso falar com vocês antes dos garotos chegarem.
— Espero que não seja problemas, está cedo demais para isso. – Estelar comentou, passando a mão pelos cabelos alaranjados e abrindo a janela, deixando o ar fresco adentrar o local.
— Depende de como você vai encarar isso. – Vic sorriu, e obteve atenção das duas moças. – Superman me fez um pedido formal para me tornar um membro fixo da Liga da Justiça. E eu aceitei.
O silêncio tomou conta do lugar, e Ciborgue riu devido ao desconforto diante tal reação das parceiras de equipe. Elas o olhavam com alguma curiosidade, mesclado com a surpresa daquela novidade.
— Ficarei no controle da Torre de Vigilância por tempo indeterminado.
Ravena tirou o capuz que cobria o rosto pálido e perguntou:
— O Gar já sabe disso?
— Ou qualquer outro membro da equipe? – Estelar se pronunciou, um tanto incomodada com a revelação.
— Em minha defesa, o pedido foi realizado ontem a noite, não tive tempo de informar ninguém. Espero que estejam comigo quando contar ao Garfield e ao resto dos meninos... – Disse Victor, temeroso pela reação do melhor amigo.
As duas moças entreolharam e assentiram, aproximando-se do amigo e iniciando um abraço triplo.
— Sentiremos sua falta, Vic... – Estelar disse.
— A Torre não será a mesma sem você cuidando da gente. – Ravena se expressou com sinceridade.
— Vocês estão em boas mãos. Robin por si só já dá conta de tudo, e Dick e Mutano sempre exerceram bem seus papéis de veteranos. E sempre podem entrar em contato comigo, se precisarem.
A cena bonita entre alguns dos fundadores dos Titãs fora interrompida pela chegada barulhenta de Jason, Richard e Timothy. Todd fez alguma piadinha sobre a demonstração de carinho, que fora ignorada, e Richard correu para os colegas de equipe para participar daquele abraço.
— Por que estamos sendo tão melosos? – Perguntou ao abraçar Victor pelas costas, apoiando o queixo em seu ombro robótico.
— Ciborgue se tornou um membro oficial da Liga da Justiça. – Estelar respondeu.
Dick o soltou imediatamente.
— Como é?
— Alguém acabou de ser promovido. – Jason cochichou para Robin, em tom de fofoca e uma falsa comemoração.
O menino prodígio fez que não ouviu tal comentário e caminhou até os veteranos para ouvir mais sobre aquela situação, e o Capuz Vermelho deixou que os Titãs veteranos “discutissem a relação” em paz, sentando desajeitadamente em uma cadeira e servindo generosamente café em uma caneca, colocando os pés na mesa e sorvendo o líquido quente, observando a desenvoltura daquela conversa. Percebeu um ar melancólico se alastrar pelo local e pareceu curioso sobre a reação do restante da equipe. Não conhecia tão bem o homem Victor Stone, mas Ciborgue era um famoso herói no meio dos vigilantes. Mais cedo ou mais tarde algum membro da LJA proporia tal inserção à equipe de elite. Também entendia que tal perda afetasse de maneira quase negativa os membros Titãs, principalmente os veteranos. Era um amigo de grande estima para todos, e pensou se alguma vez sentira essa forte sensação de amizade por alguém.
“Talvez por Bruce... Quando eu era Robin...”
Balançou negativamente a cabeça e frustrou-se ao lembrar o quanto era antissocial. Encontrou o olhar de Dick sobre si e sorriu de leve quando Asa Noturna lhe deu uma piscadela, mesmo em meio a um assunto importante como aquele. A resposta para seu questionamento estava naquela troca de olhares e sequer se dava conta.
— Vou ficar por aqui até o final de semana acabar e os novos membros estarem instalados adequadamente.
— Coloque um pouco mais de fé na gente. – Dick ironizou. – Damos conta de mais quatro ou cinco pessoas por aqui.
— Nunca duvidei disso. – Passou um braço pelos ombros de Richard e disse baixo para somente ele ouvir. – Eu achei que tínhamos combinado que Jason não estaria aqui quando a nova equipe chegasse.
—... Não se preocupe, ele vai se comportar.
Ciborgue levantou uma sobrancelha e o olhou como se acreditar naquilo fosse a coisa mais ingênua do mundo.
— Certo, Dick... – Bateu nos ombros de Asa Noturna. – Está nervoso, Robin?
O mais jovem piscou perdido algumas vezes, não entendendo o fundamento daquela pergunta.
— Você irá liderar um grande grupo de adolescentes, Tim. – Dick explicou para o menino prodígio.
— É, boa sorte com isso... – Jason comentou zombeteiro, rindo com a caneca de café na boca.
O jovem Robin sorriu em meio ao orgulho de poder afirmar que não estava nenhum pouco nervoso com aquela situação.
— Eu estudei minuciosamente sobre cada um deles e como seus poderes se comportam. Estou preparado para qualquer coisa.
Jason revirou os olhos e Richard o olhou com orgulho, apesar de querer apontar algumas ressalvas.
— Você só vai conhecê-los de verdade depois de alguma convivência, não se esqueça disso.
Todos demonstraram apoio ao que Dick havia dito, o que gerou certo desconforto em Robin. É claro que ele não havia desconsiderado o fator “personalidade” nesse caso específico, e se desapontara com Asa Noturna por achar que seria tão negligente em sua liderança.
— Não têm que se preocupar com isso. – Andou para a saída do refeitório, apático, como o de costume em situações em grupo. – Tenho tudo sob controle.
Acenou para os veteranos e decidiu que era hora de deixar o recinto.
— Farei uma reunião assim que Cassie e Conner chegarem. Sintam-se à vontade de participar, quero deixar todos cientes sobre as habilidades especiais de cada membro.
Olhou diretamente para Jason, apesar de estar se dirigindo para todos os presentes. O Capuz Vermelho revirou sutilmente os olhos e assentiu ao convite enquanto bebia mais de café.
— Até mais, Robin. – Disse Victor, recebendo um cumprimento mais respeitoso, seguido de um leve sorriso.
O clima familiar entre os veteranos o fazia quase se sentir incomodado e pedir internamente pela presença dos seus amigos. Foi até seu quarto e jogou sua mochila em qualquer lugar, mal entrando no local, já se encaminhando para o hall de entrada da Torre para esperar os atrasados. Suspirou impaciente, andou em círculos, estalou os dedos, os braços, pernas, pescoço, sacudiu-se nervosamente, quis socar o primeiro que cruzasse seu caminho e ofegou. Olhou para o chão, estranhando seu comportamento angustiado.
— Eu não estou nervoso... – Olhou desconcertado para o horizonte da ilha de São Francisco, vendo a Moça Maravilha e Superboy pousarem juntos ao lado da estátua dos membros fundadores dos Titãs. -... Não posso estar nervoso.
Os amigos conversavam animados sobre algo que passou despercebido aos ouvidos de Robin. Pararam sorridentes em frente ao rapaz, com Cassie o abraçando visivelmente animada com alguma coisa e Conner segurando seu ombro tenso.
— É o grande dia, está preparado? – Cassie o soltou e gesticulou animada.
Superboy desfez o sorriso à medida que percebia que o menino prodígio não parecia tão à vontade diante toda aquela felicidade.
— Tim? – Chamou pelo rapaz, em tom de preocupação.
— O Victor está indo para a Liga da Justiça... – Disse sem delongas. – Ele está deixando a Torre sob meus cuidados e... – Respirou fundo, tentando controlar o nervosismo. -... E... Os novos Titãs chegam hoje à tarde...
Buscou o olhar reconfortante dos amigos e os viu tão estupefatos quando si. Não pelo motivo que acreditava, como o de ter a responsabilidade total de comandar a Torre dali em diante. Presenciar o líder Titã em um momento tão profundo de insegurança quase os fazia compartilhar dela. Mesmo Conner, em tantos anos de companheirismo e o recente namoro, não conseguia lembrar-se de uma única vez que o jovem Timothy demonstrasse suas incertezas daquele jeito.
— Ei... – O menino prodígio seguiu o chamado de Superboy e o olhou perdidamente nos olhos. – Se tem alguém que pode cuidar da gente, esse é você. – Sacudiu-o de leve, tentando fazê-lo reagir com mais ânimo.
— E não tem que fazer nada sozinho, Timmy...- Cassie disse, segurando-lhe o outro ombro. – Somos uma equipe, não somos?
— É, os gloriosos membros da Turma Titã. – Superboy acrescentou.
Riram um pouco mais descontraídos ao ouvir aquele nome de equipe infantil e singelo que os enchia de uma nostalgia sem mensura.
— Eu queria que Bart estivesse aqui agora... – Tim sorriu e abaixou o olhar. – Eu amo todos vocês. Obrigado por tudo.
Cassie expressou o quanto achara aquela declaração fofa com um sonoro “owwwn” e abraçou o amigo, puxando Superboy para participar daquele abraço triplo.
— Bart teria adorado participar disso. – A loira disse, com o rosto vermelho.
— Ele está em uma missão muito especial. – Respondeu à pergunta implícita, notando que os amigos não sabiam daquele fato. – Foi à Washington com Mutano para buscar os novos membros.
Caminhavam até as escadarias que levavam aos dormitórios, conversando mais descontraidamente sobre as responsabilidades de cada um àquela altura dos acontecimentos.
— Reunião em meia hora no salão de sempre, Cassie. – Avisou à amiga quando ela ia entrando em seu quarto. – É importante, não se atrase.
— Estarei lá. – Piscou para os rapazes e se fechou em seus aposentos, a fim se trocar e se preparar para o longo dia na Torre.
Tim virou o rosto para o namorado e entrelaçou os dedos de uma mão com os dele, o puxando para seu quarto.
— Não sei o que faria sem vocês... – Comentou baixo enquanto puxava Superboy, que se deixava levar risonho.
— Agradeço por fazer parte desse grupo que você tanto ama. – Tentou não parecer enciumado com aquela declaração sincera de Robin.
Chegaram ao quarto de Superboy, e Robin logo trancou a ambos lá dentro.
— Tenho um tipo de amor diferente pra dividir com você, Kon...
Empurrou-o e abraçou-o contra a parede, sussurrando uma declaração mais íntima em seus ouvidos.
— Você tem meia hora pra tentar me fazer relaxar um pouco... – Disse risonho, mesmo que aquela frase escondesse alguma verdade egoísta.
—... É um desafio, senhor líder Titã? – Respondeu, enlaçando o namorado pela cintura, fechando os olhos ao sentir leves beijos por seu pescoço. — Não sei, hoje estou me sentindo mais responsável que o normal...
Brincou e riu ao ver o rosto de estranheza que o namorado lhe dirigia.
— Tire já essas roupas, Superboy... – Empurrou-o para a cama e desprendeu a capa preta de seu uniforme de Robin. – O responsável aqui sou eu, não se atreva a me negar nada agora.
O meio humano chegou a gargalhar ante a resposta séria dita de forma contrariada, e não se demorou em retirar a camiseta com o “S” vermelho, logo fazendo parte daqueles atos de aconchego e carinho que Robin tanto ansiava para lhe aliviar as carências da mente e do corpo.
—----x-----
A aeronave Titã acabara de passar por uma turbulência que havia durado alguns minutos intermináveis, enchendo os nervos de Mutano de um nervosismo que há muito tempo não sentia. Contava nos dedos de uma mão as vezes em que pilotava aquela aeronave, e chegou a tremer ao se encontrar fora de perigo. Quando tudo se estabilizou, suspirou profundamente e procurou o olhar de Bart, adivinhando que o mesmo estaria deveras assustado, mas o encontrou remexendo-se na poltrona, buscando conforto em seu sono profundo.
— Inacreditável...
Secou o suor da testa e desligou o alerta que soava alto em seus ouvidos, avisando-o que finalmente haviam chegado ao destino. Passou por mais algumas nuvens carregadas e já conseguia ver os pontos turísticos da cidade de Washington, cutucando Bart, que antes parecia estar bem empolgado em conhecer o local. O rapaz demorou se espreguiçando, não parecendo entender o motivo de estar sendo acordado, até se dar conta de que acabaram de passar pela Casablanca.
— PORQUEVOCÊNÃOMEACORDOUANTES???
— Eu estava meio ocupado tentando evitar que morrêssemos em um acidente aéreo...
Bart expressou-se com empolgação, mesmo não tendo entendido do que Mutano falava. Rodou a aeronave Titã, passando em alta velocidade por todas as janelas, comentando animado cada monumento, construção famosa ou ordinária pelas quais passavam.
— Ali está. – Gar apontou com a cabeça para uma construção extravagante em meio ao centro turístico da cidade. – O QG da Sociedade da Justiça.
Bart correu para a frente do meio de transporte, fazendo Gar fechar os olhos por conta da forte movimentação de ar que os poderes do rapaz geravam ao serem acionados.
— É mais bonito que o da Liga da Justiça. – O mais jovem falou e coraçõezinhos felizes poderiam ser vistos em volta de sua cabeça.
— Você sabe que aquela sede da Liga é só uma fachada, não é?
— Como é? — Kid Flash o olhou interrogativamente.
— Sim, a maioria acha que é o QG da Liga, mas na verdade, é só um museu aberto ao público. A verdadeira sede é a base espacial. Sente-se, vou pousar já, já.
O rapaz se sentou, um tanto decepcionado com aquela novidade.
— Você já foi lá?
— Ao museu, ou à base espacial? – Fora olhado em tédio, e sorriu. – Nunca tive oportunidade de ir até a Torre de Vigilância. Os únicos Titãs que a conhecem são Asa Noturna e Ciborgue.
— Claro...
Olhou para o jovem velocista esparramado na poltrona, não entendo muito bem o porquê de ele estar tão conformado com aquela situação.
“Você se esqueceu de se identificar, Mutano.”
Uma voz ecoava pelo rádio da aeronave, quase assustando ao piloto desatento.
“Por muito menos o Pentágono já estaria enviando misseis de presente pra sua bunda”.
—... Roy? – Gar perguntou desacreditado, mas sorridente. – Roy Harper? Ricardito, é você???
Ouviu gargalhadas e outras vozes conhecidas interagindo, e logo se empolgou ao nível de Kid Flash por estar liderando aquela missão, fazendo as manobras precisas para o pouso no terraço da SJA. Enquanto um mecanismo levava o meio de transporte Titã até o hangar, Mutano e Kid Flash se dirigiam até o grupo que os recepcionaria. Bart chegou a desacelerar os passos ao constatar uma presença que não esperava ali. Em contrapartida, Garfield chegou a ensaiar uma corrida empolgada, sorrindo abobalhado ao se encontrar frente a frente com aqueles amigos que tanto apreciava, mas que há tempos não via.
— Não acredito!!! – Abraçou os amigos e por pouco não se emocionara. – O que estão fazendo aqui?
— Ficamos sabendo do recrutamento de novos Titãs, viemos dar uma olhada. – Roy Harper respondia ao abraço do amigo, demonstrando a mesma alegria que o transmorfo. – Sabe como é ne...
— Não, eu não sei de nada! – Puxou o outro amigo para o mesmo tipo de abraço. – Não acredito que está aqui, eu não te vejo há anos!
— É bom te ver, Gar. – Bateu nos ombros do amigo. — Eu estava passando pela cidade, então... – Encontrou o olhar meio assustado de Bart, caminhando lentamente ao seu encontro. – Não falo com aquele carinha há um tempo. Acho que ele está me evitando.
— É coisa da sua cabeça... – Mutano respondeu à desconfiança do amigo de forma não muito sincera, e deixou que os velocistas se entendessem por conta própria. Puxou Roy pelo braço e se encaminharam até a sala de reuniões da SJA. – Vic não vai acreditar que encontrei vocês aqui, ele iria adorar rever todos reunidos novamente.
Wally West estava frente a frente com o mais novo velocista a se auto intitular Kid Flash, e quase parecia estar emocionado ao reencontrar o rapaz. Abriu os braços de forma tímida e disse baixo para o mais novo:
— Não ganho um abraço?
Kid Flash olhou para o chão, se mostrando um pouco desconfortável com aquela presença inesperada, mesmo que no fundo, no fundo, ansiasse por maiores contatos com seus mentores. Caminhou de forma lenta até o mais velho e respondeu ao pedido, abraçando-o de leve, sentindo um afago carinhoso em sua cabeleira.
— Você parece bem. – Segurou o rosto de Bart e analisou sua feição. – Engraçado, parece que envelheceu alguns anos desde a última vez que nos vimos...
— Não faz tanto tempo assim...
— Eu sei, mas você mudou muito desde a última viagem no tem- -
Foi afastado pelas mãos do jovem velocista Titã e entendeu que o rapaz não queria falar sobre aquilo naquele momento.
— Viemos buscar os novos membros Titãs. Só isso.
— Certo, certo... – Wally colocou as mãos na cintura e passou a frente de Bart. – É por aqui, tente me acompanhar.
O Flash saiu em disparada pelo corredor onde Roy e Garfield andavam e conversavam amigavelmente, e Kid Flash sorriu levemente ante ao desafio. Afinal de contas, era bom ter as habilidades testadas de vez em quando. Aceitou fazer parte daquela corrida curta, passando em supervelocidade por entre Mutano e Arsenal, afastando-os um do outro, interrompendo aquele contato físico exagerado, em sua conclusão.
—----x-----
— Ok, pessoal, essa é uma reunião de última hora, sentem-se de uma vez, quanto mais rápido começarmos, mais rápido terminamos.
O salão de reuniões da Torre Titã estava mais movimentado que o normal, e Robin preparava os arquivos de imagens e dados que exporia no grande monitor à vista de todos. Cassie e Conner sentavam-se lado a lado em uma fileira ao meio da salão; Ravena, Estelar, Ciborgue e Asa Noturna estavam na primeira fileira, conversando sobre a mensagem que Mutano havia enviado de Washington, avisando em meio a emoticons animados e explosivos que havia encontrado Roy e Wally na base da SJA; e Jason juntou-se a todos depois da insistência de Dick, sentando-se o mais longe possível do restante da equipe, na última fileira.
— Eu deixei isso para o último momento, porque eu acredito que todos conheçam nossos novos colegas de equipe. Mesmo que só de vista, ou trabalhando em colaboração em alguma missão externa. Mas é sempre bom reforçar certas informações, pra evitar constrangimentos... – Olhou de soslaio para Jason.
Apertou um botão em um controle e logo a primeira imagem fora carregada na tela, mostrando a todos uma foto um tanto embaçada do atlândido Lacustre.
— Enquanto Justiça Jovem tivemos oportunidade de conhecer o Lacustre durante uma missão em Gotham onde seus poderes aquáticos nos foram muito úteis. Ele pode... – Viu que Jason levantava a mão, como se pedindo para fazer algum comentário ou pergunta. -... Sim, Jason?
— Isso é uma fantasia ou essa é a cara dele mesmo?
Referia-se a aparência exótica de Lacustre, um ser mutante esverdeado com olhos completamente vermelhos e algumas escamas e barbatanas cobrindo os braços e pernas.
— Lacustre veio da terra submersa de Atlântida, Jason. – Tim respondeu.
— Não lembro de barbatanas saindo do corpo do Aqualad... – Retrucou pensativo.
— Há tanta variedade lá quanto há em terra firme. – Victor tentou demonstrar alguma sabedoria àquela mente pequena.
— Aqualad tem guelras no pescoço, cara... E umas membranas entre os dedos. – Asa Noturna complementou a lembrança de Jason. – As orelhas são meio pontudas e tudo mais... – Falou como se não tivesse certeza de tal fato.
— Que fim levou esse cara, afinal? – Jason perdeu-se no assunto.
Richard deu de ombros e Robin passou as mãos pelas têmporas, buscando paciência.
— Vamos manter o foco, Titãs. E guardem as perguntas e considerações para o final, por favor. – Disse olhando para Jason, sabendo o quanto aquilo seria impossível. – Bom... Como todo atlândido, Lacustre se comunica com animais marinhos, sobrevive às altas pressões submarinas, respira de baixo d’água – claro -, além de uma peculiaridade anatômica, ele infla o corpo como um peixe-balão. – Esperou alguma piadinha, que não veio. – Enfim... Os Titãs não têm alguém com essas capacidades na equipe desde a primeira formação, então tenho certeza que vai ser algo bem interessante. — Passou para a próxima imagem. – Miss Marte é uma marciana e tem uma lista de poderes bem extensa que pode incomodar um pouco à primeira vista, mas de acordo com o próprio Caçador de Marte, seu mentor, ela tem total controle sobre todos eles: Ela possui telepatia, telecinese... Pode controlar memórias, é uma transmorfa, como Mutano, com a diferença de que ela pode se tornar qualquer pessoa, ou animal. É intangível, o que quer dizer, que pode atravessar paredes. E super resistente, sendo uma boa oponente contra pesos pesados. E ela pode voar...
— Conheci M’gann quando ela ainda era inexperiente com toda essa variedade de poderes, mas posso dizer que ela é uma boa moça. Um tanto retraída, pois pensa que todos têm medo dela. – Estelar se posicionou.
— Não é pra menos... – Jason falou para si mesmo.
— Fico feliz por termos convencido ela a fazer parte da equipe, aqui é o lugar certo pra ela se misturar com pessoas da mesma idade. – Victor comentou.
— E quantos anos ela tem? — Dick perguntou, curioso, não obtendo uma resposta.
Tim revirou os olhos e passou para a próxima imagem.
— O nosso novo caçula, Edward Bloomberg, o Demônio Vermelho. Pessoal, ele tem 13 anos e vai estar aqui em tempo integral. Não cabe a mim contar o que aconteceu com a família dele e como ele conseguiu os poderes. E tenho que avisar, ele ainda não tem ideia do tipo de poder que tem. O que sabemos até agora é que ele pode soltar fogo pela boca e possui super força e resistência. Mas até que possamos entender a origem deles, ele vai estar em constante observação aqui dentro.
— Ele não tem um mentor? — Ravena perguntou nitidamente preocupada.
— Não. – Um silêncio desconfortável se iniciou pelo salão e Robin continuou. – Dada a origem mística dos poderes dele, eu acredito que a melhor opção de tutor na Torre, é você, Ravena.
—... Entendo.
— Por favor, se sinta livre para não aceitar. – Robin disse, um tanto receoso de que a garota fosse realmente negar o pedido.
— Eu farei o possível, Robin.
— Obrigado. – Suspirou aliviado mentalmente e apertou o botão que mudava a imagem na tela. – E por fim, Virgil Ovid Hawkins. Acho que todos conhecemos o Super Choq- -
— Choque??? Super Choque? – Cassie se exaltou. — Eu não sabia que o nome dele era Virgil! – Pareceu se empolgar.
— De onde o conhece? – Conner se mostrou curioso diante tamanho interesse.
— Você ta brincando, não é? Ele vive aparecendo na televisão, tem aquele penteado super maneiro, e...
— Como todo mascarado...
— Não é todo mascarado que solta raios pelas mãos.
— Eu posso citar uns 5 deles agora mesmo. – Richard participou da pequena conversa.
— Eu cito 10... – Estelar comentou e Ravena balançou a cabeça afirmativamente.
— Senhores, por favor... – Victor tentou colocar alguma ordem naquele encontro, mas logo se manifestou com sua opinião sobre o tema. – O garoto tem estilo, ninguém pode duvidar disso. Fiz questão de ir até Dakota falar com ele e o pai pessoalmente sobre fazer parte dos Titãs.
Todos se expressaram alegremente surpresos com aquela verdade, mesmo Robin, mesmo que o rapaz tentasse se mostrar apático ante a demonstração de companheirismo entre os presentes.
— Então ele não precisa de apresentação, é isso? – Robin questionou.
— Eletrocinese, eletromagnetismo, magnetocinese... – Victor respondeu aos colegas. – Ele faz de tudo e tem pleno controle dos poderes. O único ponto fraco é que quando está molhado, obviamente, ele os perde.
— Não vamos entrar no mérito físico da questão, mas é isso, por enquanto. – Robin ergueu os braços, um tanto frustrado com o desempenho dos colegas em reuniões de rotina, e começava a se preocupar com seu comportamento na presença de novas pessoas.
— O que? Quatro pessoas? – Jason gesticulou, parecendo decepcionado. – Do jeito que vocês andavam nervosos esses dias, achei que vinham, sei lá... Mais sete moleques.
— É uma situação mais burocrática do que parece. – Ciborgue tentou explicar. – Por se tratarem de adolescentes, no geral, os pais têm que estar de acordo com a rotina Titã.
Ouviram Jason estalar entre dentes e se levantar da poltrona, logo saindo do local.
— Eu vou usar o salão de treinamento, ok?
— Fique à vontade...
Tim o liberou sem pensar duas vezes, querendo livrar-se dos comentários inconvenientes do mais velho. Apontou para Asa Noturna quando Jason virou as costas e o indicou que seguisse o rapaz, deixando implícito que Richard era o único ali que tinha obrigação de aturar o gênio de Jason Todd. O ex-trapezista se fez de desentendido por poucos segundos, e então bufou contrariado. Despediu-se dos amigos, por ora, e correu pela pequena escadaria do salão de reunião Titã, em busca da companhia de seu “protegido”.
Os jovens heróis iam se levantando de seus lugares e tomando rumos aleatórios, despedindo-se do líder Titã que checava atento alguns arquivos em seu dispositivo multimídia portátil, dando por encerrado seu trabalho ali. Sentiu-se abraçado pelas costas por Conner, o embalando em carinho que acalmava suas emoções. Olhou em volta, vendo Cassandra lhe acenar em despedida e o restante dos companheiros darem as costas para o casal, saindo do local, sem maiores exaltações. Sorriu de leve e fechou os olhos, apreciando o beijo que Superboy depositava em sua bochecha.
— Você se saiu bem.
— Não sei se tenho o temperamento certo para lidar com um bando de adolescentes, mas sim... – Guardou o equipamento usado em seu cinto de utilidade e apoiou a cabeça no ombro largo de Conner. -... Fico feliz que tenha apreciado.
Conner sorriu, balançando a cabeça negativamente, ainda não acreditando que o namorado continuava falando consigo de maneira tão formal. Ficou frente a frente com o rapaz e o empurrou de leve contra a parede onde o monitor gigante estava instalado.
— Então... – Carregou-o com facilidade, prendendo-o em um abraço. -... Todo mundo já sabe, pelo jeito...
— É... – Robin respondeu, enlaçando-o pelo pescoço, sorrindo com a insistência do maior. -... Pelo jeito, todo mundo já sabe.
— Acho que ninguém se espantaria tanto se nos flagrassem de amasso por aqui, não é? – Disse de forma sacana, mesmo que esperasse uma reação contrária do namorado.
— Uns beijinhos inocentes não incomodam a moral de ninguém, o que acha?
Superboy comemorou aquela resposta favorável e o beijou alegremente, sorrindo entre beijos e carinhos que tanto os enchiam de energia.
E então se assustaram com o alarme da Torre soando alto em seus ouvidos, fazendo os corredores tornarem-se movimentados com alguma correria.
— Não sabia que isso ainda funcionava... – Conner gritou para se fazer ouvido por um Robin já focado em alguma possível ameaça. – O que está acontecendo?
— É o alarme de invasão. – Falou alto e correu para fora do salão de reuniões, rumo à origem da sinalização. – Voe, Conner, como treinamos! Não sabemos o que pode acontecer!
As movimentações exaltadas chegaram ao fim e Robin já não tinha mais coração para lidar com situações daquele tipo. Era um acrobata, gênio, mestre nas mais diversas artes marciais, possuía todas as qualificações necessárias para exibir o apelido “menino prodígio” sem se preocupar com comparações aos Robins anteriores... Mas alarmes falsos ainda o enchiam de uma fúria que não admitiria nunca querer aliviar na base da violência física.
— Marginal!!! – Gritou para a menina ruiva com a boca cheia de bolo, que fechava a geladeira do refeitório da Torre segurando uma garrafa de refrigerante, virando o rosto risonho para os Titãs a sua volta. – O que você está fazendo aqui???
A garota sardenta abriu mais ainda aquele sorriso sem vergonha, exibindo a comida parcialmente mastigada, erguendo a garrafa com a bebida e dizendo brincalhona:
— TITÃS EM AÇÃO! – Bebia do líquido, soltando ar quando conseguiu engolir a quantidade absurda de comida que ingerira.
Robin esfregou as mãos no rosto e desfez o preparo físico e mental para situações de riscos, ponderando se aquilo fora sábio, dada a visita inesperada e inconsequente na Torre.
Seria um longo final de semana.
Continua
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