Heroic Wish
6 Capítulo 6
Conner adormeceu agarrado ao abdômen de Timothy, que permanecia acordado, acariciando os fios negros da cabeça de seu clone. A noite fora calma, contrariando as expectativas do prodígio que sentia uma necessidade de proteger seu amante crescer a cada dia em seu peito. Pegou-se admirando sua face adormecida e suspirou forte ao sentir o cheiro de seu hálito bater de encontro ao seu rosto. Depois de uma pequena reunião com os amigos Titãs, onde pequenas questões foram levantadas (nada a ver com o acontecido entre eles e Asa Noturna.), um por um se retirava para seus respectivos quartos, não querendo comentar o que era óbvio.
A relação entre Conner e Tim era cada dia mais explícita, o que não pareceu surpreender nenhum dos parceiros, com exceção da Moça Maravilha.
Deitaram-se em silêncio e confortaram-se um no outro, sem quaisquer incitações ao sexo.
Ver Kon-El agir de certa forma frágil nas horas anteriores, tão preocupado com sua condição de clone, o fez criar uma vontade quase incontrolável de possuí-lo. Era certo que por várias vezes esse sentimento louco o consumia, mas deixava-se levar pelo clima que Conner criava toda vez que pensava em levantar a questão, um clima este que era claro definir como possessivo. Não negava porque amava ser possuído por seu clone, mas...
– Não é hora para pensar nisso... – Resignou-se e abraçou Conner, tentando descansar do dia estressante que ambos tiveram, sentindo-se culpado por considerar seus desejos carnais em um momento tão frágil de seu amante.
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O clone acordou com a luz do sol a machucar sua vista, não encontrou o menino prodígio ao seu lado. Pigarreou e quase choramingou quando viu que o mesmo não se encontrava no aposento e levantou-se, expondo o torso nu e preguiçoso. Bocejou e espreguiçou-se, estalando alguns ossos de suas costas. Suspirou e sentou-se novamente à cama, fechando os olhos e criando coragem para levantar e encarar os companheiros da equipe.
O olhar de Cassandra sobre si começava a incomodar, e sabia que Tim sentia o mesmo. O fim de seu namoro com a guerreira fora calmo e sem surpresas, mas ainda a via mais preocupada com seu bem estar do que deveria. Apesar de tudo, eram amigos e zelava por esta amizade. Sabia que Robin entendia esse sentimento. Talvez o nutrisse por Dick, apesar dos pesares. Os dois foram treinados pelo mesmo homem e com certeza dividiam alguns sentimentos...
Sobressaltou-se e viu-se com o ciúme que nunca o largava, por mais que soubesse do sentimento mútuo que o unia a Tim. Precisava vê-lo e marcá-lo mais e mais, até esse incômodo todo desaparecer. Sorriu, divertindo-se com o pensamento que tivera, dando-lhe toda a coragem que precisava para arrumar-se e sair de seu quarto.
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– Não preciso dizer que uma cena como aquela não deve se repetir...
Ciborgue estava fazendo pequenos ajustes na parte mecânica de seu corpo enquanto conversava com o menino prodígio, que admirava a tecnologia e as habilidades com as quais Victor manuseava os equipamentos.
– Está me ouvindo?
– Claro, Vic. As coisas saíram do controle, mas já está tudo resolvido...
– Está?
–... Bom, colocarei um ponto final nisso ainda hoje. Mas já conversei com a minha equipe e tudo está resolvido.
As partes mecânicas do corpo do Ciborgue se encaixaram novamente, e Victor voltou-se à Timothy com certo olhar nostálgico.
– “Minha equipe”... – Repetiu as palavras de Robin. – Lembro o quanto relutou para ser o líder dos Novos Titãs... É bom ver que se interagiu tão bem com todos, Tim.
– Eles... – Riu levemente, deixando transparecer um pouco de ternura em suas palavras. – São importantes para mim. Todos que fazem parte disso têm meu carinho. Apesar de que...
– Eu sei...- Interrompeu. – Confiança não se adquire da noite para o dia, e os veteranos sabem disso. Mas saiba, Tim, o que disse também vale para nós, veteranos. Todos vocês fazem parte da nossa família.
–... Entendido.
– Certo... – Deu algumas batidas leves no ombro de Tim antes de se retirar de sua sala de manutenção. – Estarei aqui se precisar.
– Obrigado, Vic.
Via o amigo caminhar pelo corredor principal e a porta automática abrir logo atrás de si.
Um vento estranho fez sua capa balançar nervosamente e um zumbido irritante incomodava seus ouvidos, fazendo-o chamar a atenção de um certo velocista.
– O que você quer, Bart?
Tudo voltou à normalidade quando Kid Flash estagnou os passos e encarou Robin com alegria.
– Estava te procurando!
– Você passou por mim umas três vezes... O que houve?
– Quer pizza??
–... Às 9 da manhã?
– O Mutano disse que os Titãs sempre comiam pizza nos cafés da manhã aqui da Torre ... – Disse quando viu que Tim estranhara a proposta, mesmo assim, fazendo questão de demonstrar que aprovava tal iniciativa. – E aí?
– Bom, pode ser...
– Legal!!!
O rapaz saiu exibindo toda sua correria antes mesmo de Timothy terminar a frase.
O comunicador ressoou alto, fazendo-o ficar sério. Não gostava de receber ligações da Caverna enquanto estava na Torre, mesmo que elas fossem constantes.
– Achei que tinha me dado uma folga... – Tim atendeu ao chamado, achando que se tratava de Bruce.
– Desculpe incomodá-lo, mestre Tim, mas o assunto é urgente.
– Alfred?! – O rapaz estranhou, mas mudou o tom da voz. – Aconteceu alguma coisa com o Bruce?
– Acredito que o problema seja com outra pessoa... Richard está se preparando para sair da Mansão Wayne.
Tim parou de caminhar pelo corredor até à cozinha da Torre e perguntou:
– O que houve?
– Esperava que me dissesse.
Suspirou.
– Tivemos um desentendimento... Mas não era motivo para ele querer sair de casa.
– Sugiro que resolvam suas diferenças antes que o mestre Bruce interfira.
–... Entendido. Vou falar com o Dick.
– Até mais, rapaz.
– Até, Alfie...
Estalou o pescoço e o segurou por alguns segundos, pensando o que se passava pela cabeça de Dick. Era certo que não teriam mais nenhum tipo de envolvimento físico, mas isso não precisaria afetar o trabalho em grupo. Iria se sentir culpado se Asa Noturna fosse desfalcado da equipe, e se Batman interferisse no assunto, tinha medo que todo o grupo se separasse. Conhecia o gênio do milionário e não gostaria de vê-lo em ação.
– Tim?
Moça Maravilha estava parada ao seu lado com um olhar preocupado para o colega de equipe.
– Está tudo bem?
–... Oi, Cassie... Está tudo bem. Problemas familiares apenas... – Achou melhor pensar de tal forma. – O pessoal está se juntando para o café da manhã. Teremos pizza hoje.
– Pizza?? – Estranhou.
– Parece que é uma tradição Titã...
Um silêncio incomum surgiu entre os dois, o que fez Robin cortar o gelo.
– Mas acho que não vou poder ficar. Vou precisar dar uma passada rápida em Gotham. Mas volto antes do final de semana acabar...
–... Você quer que eu avise ao Conner?
Nem havia pensado em fazer tal pedido para a loira. Via o olhar indiferente de Cassandra para si e não a reconhecia como antes. Seria possível que a garota estivesse com ciúmes de Conner? Nunca soube como o namoro deles havia terminado, ou mesmo se haviam chegado a um fim definitivo. Na verdade, nunca procurou saber dos relacionamentos anteriores do clone, por puro descaso. Não lhe interessava muito ter conhecimento de quais outros corpos já foram tocados pelo seu Kon. Desconhecia se o amante já havia se deitado com outras mulheres além de Cassie, e tal pensamento começava a deixá-lo incomodado.
Pigarreou sem graça e disse:
– Não há necessidade disso...
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Conner desconfiou do silêncio que estava fazendo nos dormitórios da Torre. Olhou para um relógio que Clark havia lhe dado semanas antes, conferindo se era muito cedo para os amigos Titãs estarem acordados e treinando, ou em algum tipo de missão (o que era raro ultimamente). Ouviu um estardalhaço vindo da cozinha e um grito da Cassandra, o que fez correr até a fonte do problema. Chegando lá, deparou-se com Mutano transformado em polvo, roubando alguns pedaços de pizza com seus tentáculos, fazendo os pratos dos colegas de equipe cair no chão.
– Garfield!!! – Gritou novamente a loira, chamando a atenção do transmorfo.
– Foi mal aí, pessoal, às vezes meu estômago não volta ao normal depois das transformações... – Disse enquanto devorava toda a pizza.
Em meio à gritaria que causada pelo incidente, com Bart exigindo que mais pizzas sejam compradas pelo rapaz verde, Conner juntava-se à Cassie, que parecia nervosa de uma maneira incomum, sentando-se ao seu lado.
– Me assustei quando gritou, achei que alguém tinha invadido a Torre... – Conner riu, logo ficando sério quando viu que Cassandra não lhe dirigia o olhar.
– Pizza? – Entregou um prato para Conner, com um pedaço de pizza mordido e com uma gosma preta escorrendo pelos cantos.
– Eu não comeria isso, se fosse você... – Disse Garfield, sem graça.
– Você só faz essas palhaçadas quando o Robin não está, por isso que eu queria chamar ele... – Disse Bart extremamente irritado por não ter comido sua pizza.
Começaram a discutir de novo e Conner perguntou para a pessoa mais serena da mesa o que estava acontecendo.
– Cadê o Robin, Ravena?
– Ele foi para Gotham... – Cassandra respondeu no lugar da filha de Trigon, tendo a atenção do clone. -... Parece que aconteceu alguma coisa com Richard, não sei... Disse que ia encontrá-lo.
Não sabia ao certo o motivo de estar dizendo mais do que ouvira de Tim sobre o assunto, mas parecia que surtira algum efeito em Conner. Antes que pudesse continuar com o assunto, Conner levantou-se de seu lugar e abriu a grande janela do local, fazendo um vento frio entrar e fazer todos se calarem para ver o que acontecia.
– Você podia sair voando e trazer mais pizzas pra gente, né, Conner? – Sugeriu o empolgado Bart.
– O que? Não, esperem, eu vou... – Superboy ia se se posicionar quando o novo assunto começou a ser debatido. – Ah, vocês devem estar brincando... – Disse para si mesmo.
– Olha, não é má ideia, ligeirinho! – Mutano cumprimentou o amigo e voltou à forma natural. – Tome o dinheiro e não demore, posso virar um urso se minha fome não for saciada...
Os dois companheiros comemoravam enquanto Superboy iniciava seu voo em busca de seu duvidoso alimento matinal.
Cassandra levantou-se quando o olhar de Ravena sobre si começava a incomodar, e finalmente disse:
– Se tem alguma coisa para dizer...
– Sua fala incitou uma reação equivocada no Superboy. Isso foi intencional.
– Não sei do que está falando. – Rumou para seu quarto, ouvindo protestos de Bart. – Desculpe pessoal... Perdi a fome.
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Pegara um dos batplanos emprestados da última vez que visitara a caverna e pensou em devolvê-lo assim que chegasse ao local. Pensou em ligar para Superboy e avisar sobre o imprevisto, mas não conseguiria dizer que estava indo encontrar Asa Noturna depois do que havia acontecido na noite anterior. Adentrou àquele lugar úmido, porém acolhedor, pousando o veículo em seu devido local, sendo recebido pela única pessoa que não pensou em encontrar em tal dia.
– Bom dia, Timmy! – Jason Todd cumprimentou com uma empolgação que não lhe inspirava confiança.
Sua relação com o segundo Robin não passava de formalidade. O respeito que nutria por Capuz Vermelho existia somente pelo fato do mesmo ter usado um dos seus primeiros uniformes e ter ajudado ao Batman o máximo que suas capacidades permitiam. Tinha conhecimento do temperamento e atitudes de Jason, portanto evitava ao máximo qualquer tipo de intimidade com o rapaz.
Cumprimentou-o com o leve balançar de cabeça e dirigiu-se para a entrada para a mansão Wayne, deparando-se antes com Richard, trajado com roupas civis e pendurando uma mochila em um dos ombros.
Trocaram um rápido olhar, que logo foi desviado quando Jason começou a falar.
– O clima esfria quando vocês dois se encaram... – Riu, fingindo estar sentindo frio.
– Precisamos conversar, Richard. – Tim disse, ignorando o comentário de Jason.
– Pode começar... – Dick disse enquanto se dirigia para um balcão, preparando uma mala com alguns de seus equipamentos e roupas de Asa Noturna.
Tim retirou a máscara e segurou uma mão de Richard, fazendo-o parar de recolher seus pertences. Mirou seus olhos e finalmente conseguira a atenção que desejava.
– Por que está indo embora? Precisamos de você aqui.
–... Vou partir em missão com o Jason.
Encarou o jovem Capuz Vermelho, que fingia não ouvir os dois enquanto mexia no batcomputador.
– Vocês trocaram a senha desse treco de novo? – Perguntou, sendo ignorado.
– Que tipo de missão? – Tim perguntou aos dois, não sendo respondido. – Não há missão nenhuma.
Richard continuou a organizar as coisas em sua mala, mas novamente fora interrompido por Tim.
– Não pode ir embora só porque terminamos, Richard...
O mais velho soltou tudo que carregava em cima do balcão em que estava apoiado e vociferou:
– Por que não? – Perguntou, chamando a atenção de Timothy. – Eu acho que é a coisa mais sensata a se fazer agora!
– Eu também! – Jason levantou um braço, desistindo de mexer no batcomputador. – Na verdade, eu sugeri roubar o anel de kryp...
– Cala a boca, Todd, mas que inferno!! – Dick começava a perder a paciência com as intromissões de Jason.
Tim preferiu não perguntar sobre a última fala de Jason, que deu de ombros para o nervosismo de Richard.
– O Bruce precisa de você. Eu também... Não pode nos deixar assim. Escute, o que aconteceu ontem foi um erro. Não podemos deixar que se repita. Antes de qualquer coisa, somos heróis. E líderes de equipe. Não podemos deixar que sentimentos interfiram na nossa liderança.
– Está ouvindo o que está dizendo, Timothy? – Perguntou Dick. – Porque não há um só dia desde que começou a sair com o clone que não deixa claro que seus sentimentos por ele estão interferindo na sua liderança. Sequer posso dizer que é um líder.
Tim chocou-se e usou o mesmo tom de voz que Richard.
– Não estou “saindo” ele. Eu amo o Conner e estou namorando com ele, Richard. Quero que isso fique bem claro aqui. – Desviou o olhar para Jason também, antes que o mesmo fizesse algum comentário. – Não me entenda errado quando digo que também preciso de você, somos uma equipe aqui também, não somos? Batman pode não precisar, mas sempre estamos presentes quando ele está em perigo. Não quero que ele perca você por causa de uma besteira.
– Besteira... – Disse pensativo, recolhendo novamente tudo o que caíra da mala. – Não se preocupe, Bruce nunca irá me perder... Mas estou indo, por ora. Jason...
Jason se levantou do assento em frente ao batcomputador e pegou a mala que Richard terminara de organizar, colocando-a presa na parte de trás de sua moto. Richard preparava a outra moto, carregando a mochila nas costas.
Robin segurou o braço de Jason, chamando-lhe a atenção, encarando-o.
–... Tem que parar com essa mania de encarar as pessoas e não dizer o que quer... – Disse.
– Pare de dar ideias absurdas a ele. – Soltou-o. – Vou estar de olho.
Jason colocou o capacete.
– Eu também. – Acenou para o menino prodígio e derrapou a moto pela caverna antes de sair pela passagem secreta, sendo logo seguido por Richard.
O menino prodígio encarava a passagem secreta com certo pesar.
Espreguiçou-se e caminhou sem rumo pela caverna. A conversa que acabara de ter com Richard não fazia o menor sentido e perguntou-se o quão útil foi aquela intervenção. Foi atrás da máscara e estalou o pescoço, sentindo certa dor no local, remexendo-se quando sentiu os músculos contraídos, soltando um gemido de cansaço.
– Preciso de um tempo com o Conner...
Continua...
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