Heroic Wish

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Diálogos e mais diálogos... Desculpem por isso ¬¬

A madrugada fora longa, mas tudo o que precisava era passar tal tempo com Superboy. Como era de se esperar, o clone deixou-se abater pelo sono primeiro que Timothy, que o admirava sentado na janela de seu quarto, na fazenda Kent.

Via o subir e descer daquele tórax definido e o movimentar perdido do seu corpo adormecido, analisando cada pequeno detalhe do corpo desnudo, coberto apenas pelo fino lençol branco de sua cama. Adorava perceber certas manias, marcas pelo corpo (que eram raras) e a doçura da serenidade de seu semblante enquanto dormia. Não conseguia expressar em uma frase todas as sensações que Conner o fazia sentir, mas tentava resumi-las em duas palavras soltas: amor e desejo. Um amor como nunca havia sentido antes; um desejo que beirava a insanidade quando seus corpos estavam unidos.

Tudo o que queria depois de concluir seus pensamentos sobre Superboy, era subir em cima de si e instigá-lo para mais uma rodada de loucuras e alguma exaltação. Mas ele parecia tão relaxado, que chegou a sentir pena de acordá-lo.

- Talvez eu deva voltar logo para Gotham... – Sussurrou para si mesmo, olhando para sua moto, que Conner havia colocado ao lado do celeiro. – Chego lá em duas horas e tenho tempo de treinar antes de dormir.

A ideia lhe parecia boa, e estava pronto para segui-la se Conner não tivesse se remexido na cama e virado de bruços, deixando o quadril nu à mostra.

-... Ou eu fico por aqui e durmo com o meu clone...

Levantou-se, sorrindo e encaminhando-se para a cama, deitando-se ao lado de Conner, apoiando a cabeça em suas costas e o abraçando pela cintura. Vendo como ele reagia sonolentamente a cada contato.

- Eu amo você, Kon... – Disse baixo, fechando os olhos e tentando ser embalado pelo mesmo sono que agraciava Conner.

-----x-----

Na batcaverna, Dick Grayson trocava alguns golpes com Jason Todd, conhecido pela cidade de Gotham como Capuz Vermelho.

- Está distraído, Grayson...

Comentou Jason, com seu já habitual tom zombador, ao derrubar Dick com uma rasteira. Richard levantou-se com um salto e afastaram-se alguns passos de Todd, virando-se de costas para o rapaz.

- Já chega... – Dick estalou um braço e girou-o no ar.

-... O que? – Saiu de sua posição de luta. – Sei que não doeu tanto assim.

Richard tirou a máscara de Asa Noturna e sentou-se à poltrona de Bruce, na mesa onde se reunião para as reuniões. Massageou as têmporas e suspirou.

- Tim acabou comigo...

Disse o que o incomodava para o parceiro. Seu relacionamento com Capuz Vermelho permitia que tal assunto fosse discutido sem qualquer surpresa.

-... Foi? O que houve?

- Ele ama o clone...

- Superboy, ein... – Não mostrou surpresa com a notícia.

- Parece que todo mundo sempre soube sobre eles.

- Bom, a “amizade colorida” deles é quase invejada por uns e outros... – Encostou-se ao apoio da poltrona onde Dick estava sentado. – O que vai fazer?

- O que acha que eu devo fazer?

- Minha opinião na vale nada aqui, nem me pergunte...

- Eu pretendo ficar na minha.

- Pretende, não é? – Coçou a cabeça e riu. – Ou fica na sua ou dá um jeito de conseguir o anel de criptonita do Batman e vai ter uma “conversinha” com o clone...

-... – Virou o rosto, encarando Jason. – Não preciso do anel de criptonita para “conversar” com o clone.

- Isso não está sendo questionado.

- Meu assunto é com o Timothy, eu não vejo por que...

- Minha opinião não vale nada aqui, foi o que disse.

- Mas é cada ideia que você tem, Todd...

- Só pensei na melhor forma de você desestressar, foi mal.

- Me sentiria bem melhor se o Tim voltasse. Isso já bastaria.

- Sabe que isso não vai acontecer. Então, pra aliviar essa frustração, eu daria um soco bem dado na cara do clone que está ocupando seu lugar naquele corpinho do prodígio. Revidar, o cara não vai...

- Cala a boca, Todd. – Levantou-se, apoiando uma mão na parede rochosa daquela caverna.

- Ou você pode se aliviar comigo. – Encostou-se às costas de Asa Noturna, passando uma mão pela sua cintura. – Deixo você me chamar de “Timmy”, se quiser.

Levou um empurrão de Richard, que permanecia em silêncio.

Jason gargalhou.

- Te dei duas opções divertidas. Se optar por alguma delas, me avise.

Jason Todd deu as costas para o parceiro, colocando o capacete de sua moto, ligando-a e dizendo antes de partir:

- Diga ao Bruce que estou com saudades.

Derrapou com a moto e rumou para fora da batcaverna.

Richard virou-se e encarou a fumaça deixada pelo veículo de Jason.

-... Maldito.

-----x-----

Timothy acordou sorrindo. Um galo havia cantado, e pensou se alguma vez na vida acordara de forma tão natural. Ouviu o barulho do chuveiro e se sentou na cama bagunçada de Conner. Caminhou até à janela do local e a abriu, respirando fundo, deixando-se abater pelo clima agradável de Smallville. A cidadezinha era tão diferente de Gotham que achou que estranharia o ar rural, mas estava contente em desfrutar de um lugar tão calmo, para variar. O fazia esquecer, nem que fosse por alguns segundos, de sua vida como Robin.

Deixou-se cair no chão, aparando a queda com os braços, realizando algumas flexões que logo fariam seus músculos acordarem de vez. Levantou-se e se encaminhou ao banheiro do pequeno quarto de Kon-El, batendo na porta do mesmo.

- Tim. – Conner perguntou, tendo sua voz abafada pelo chuveiro ligado.

- Posso entrar?

- Nem precisava perguntar. – Riu.

Robin abriu a porta do aposento e encostou-se nela, vendo Superboy ensaboar-se, de costas para si.

- Dormiu bem? – Virou para o parceiro.

- Maravilhosamente.

- Que bom...

Encararam-se por alguns segundos, até Tim se dirigir à pia, a fim de lavar o rosto e fazer sua higiene bucal.

- Na próxima vez, terá uma escova de dente aqui te esperando.

Tim riu e continuou “escovando” os dentes com o dedo indicador.

- Isso não é muito eficaz, não é?

- Mas já ajuda. – Lavou a boca e encostou-se a pia, voltando a observar Conner em seu banho, que passou a se enxaguar.

Encontraram os olhares e sorriram mutuamente. Conner ergueu uma mão em direção à Timothy, chamando-o silenciosamente para fazer parte daquele banho. O menino prodígio desencostou do local e caminhou lentamente até o box, retirando a roupa íntima que ainda o cobria. Segurou a mão do clone e fora puxado para debaixo daquela água quente. Fechou os olhos, sentindo-se confortável com o toque da água e dos braços de Conner o abraçando.

Tudo era tão maravilhoso que chegava a desconfiar.

Suberboy beijava o caminho entre seu ombro e pescoço, segurando sua cabeça para lhe dar um beijo mais intensificado. Tinhas as costas acariciadas por uma mão do maior, e o agarrou pelo pescoço, repuxando os fios negros molhados de Conner.

- Kon...

- Estou tão feliz por estar aqui comigo... – Prendeu-o na parede do box. – Eu te amo tanto...

- Eu amo você, Kon... – O via beijar e lamber seu torso, com seus olhos azuis fechados, descendo mais e mais as carícias no corpo do menino prodígio. – Kon... – Chamou-o.

- Diga...

- Eu... – Passou as mãos pelos cabelos de Conner. -... Preciso voltar para Gotham...

- Só estamos tomando banho... – Ajoelhou-se ante Tim. – Logo mais te levo para onde quiser...

Passou a mão pela lateral do corpo do Robin, reparando em algumas marcas roxas em sua cintura.

-... Eu fiz isso?

Timothy olhou para seu corpo, parecendo nunca ter visto antes tais marcas.

- É provável...

Conner encarou aquelas marcas de uma forma quase desanimada, alisando-as com a ponta dos dedos.

-... Eu o machuquei ontem.

- Não machucou, Conner.

- Eu pedi pra dizer se estivesse doendo, seu maluco. Eu não quero te encher de marcas, toda a vez que a gente transar.

- Conner. – Chamou-o, levantando seu rosto. – Eu pedi para fazer mais forte, não pedi? Claro que doeu, mas foi gostoso... Eu gosto disso. E ficaria marcado de qualquer jeito, não acha? É normal.

- Não é normal. Não suporto a ideia de te machucar...

- Kon... – Ajoelhou-se. – Meu corpo é humano, assim como parte do seu. Mas você tem sangue do Superman. Eu entendo que você tenha outra ideia do que seja a dor, sério.

- Mas...

- Mas, para mim, “essa” dor que sinto quando a gente faz sexo, é maravilhosa.

-... Eu não sei, Tim...

- Ou, se você quiser, a gente pode dar um tempo de sexo... Até as marcas sumirem. – Revirou os olhos, sorrindo.

-... Isso não...

- Então... – Puxou Conner para um abraço. -... Se eu implorar por mais, não pense duas vezes.

- Você quer que eu te parta ao meio, isso sim. – Brincou.

- Só não exagere a esse ponto. – Segurou o rosto do clone. – Mas me marque. Me encha de suas marcas. – Lambeu seus lábios e os sugou, iniciando outro beijo. – Me faça seu por completo, Kon...

- Tim...

O menor fez menção para Conner se sentar no chão azulejado do box, entre suas pernas, colocando as mãos de Kon- El em seu quadril.

- Se eu sair do controle...

- Eu aviso... Não se preocupe. E tem mais gente na casa, não é? Ninguém quer fazer um escândalo.

Segurou o membro já rijo de Superboy e sentou lentamente em seu colo.

-... Eu não te... Preparei, Tim...

- Está tudo bem... Tudo bem. – Timothy apertou os olhos e mordeu entre dentes para impedir um gemido. -... Vem, me ajuda.

Conner o segurou pelo quadril, empurrando-o para baixo, sentido que cada vez mais o corpo de Tim se acostumava ao seu tamanho. O menor segurou seus ombros, apoiando-se para poder se movimentar com maior facilidade.

Ver seu menino prodígio investir-se em si, era uma visão delirante. Os seus músculos se contraindo e relaxando, a água escorrendo por seu corpo, seus olhos e boca sempre fechados, tentando conter suas exaltações... Tudo em Tim era de uma perfeição que quase o sufocava. Sempre achou eu ficaria louco por conta do sentimento que nutria por Timothy, em segredo. E no momento em que concretizavam tal sentimento, tinha certeza de sua condição de louco.

Fora agarrado pelo pescoço e sentiu a respiração pesada de Tim assolar sua orelha.

- Tome controle, Conner...

-... Você gosta de dar ordens, não é? – Segurou-o pelo quadril.

- E você adora obedecer... – Enroscou as pernas na cintura de Conner.

- Só quando é você que manda, amor... – Beijou-o enquanto Tim apoiava as mãos em suas pernas.

Tim deixou os movimentos por conta de Conner, e este o conduzia com a facilidade que era prevista. Ficou de olhos abertos, vendo Kon-El concentrar-se em sua ereção, usando uma das mãos para instigá-lo.

- Me aperta...

Tim riu.

- Quem gosta de dar ordens agora?

Atendeu ao pedido do amante, o que fez Conner estremecer e acelerar as investidas em si, elevando a altura dos gemidos. Tim apertou as pernas do clone, quase as arranhando, ainda tentando conter os gemidos, apesar de sentir quase uma necessidade de gritar por conta do prazer que estava sentindo. Segurou o rosto de Superboy e aproximou-se, beijando-o e dizendo entre o beijo molhado:

- Silêncio, Conner...

- Não... Não dá... – Deitou Robin no chão, ficando por cima de si, sem ter saído de seu corpo. – Esse seu corpo me deixa louco...

Apoiou as mãos ao lado da cabeça de Timothy, reiniciando os movimentos fortes no menor.

- Con... Ner... – Segurou os quadris de Conner e apertou os olhos.

- Eu não quero que vá... – Disse encostando os lábios no ouvido de Tim. – Quero te amar o dia inteiro...

Tim puxou os cabelos de Conner.

- É uma covardia... Me pedir isso agora...

- Eu não vou aguentar até o final de semana para te ter de novo.

- É amanhã, Kon... Amanhã é sábado. – Riu. -... Serei seu o final de semana inteiro... – Apoiou-se nos cotovelos e beijou o afobado Conner, que agarrava fortemente sua cintura.

- Não vai... Vou ter que te dividir com os outros Titãs... Não quero te ver com mais ninguém...

-... Isso... Isso não está saindo do controle?

- Completamente...

Ajoelhou-se e segurou a cintura de Tim, colocando-o na altura adequada para continuar movimentando-se dentro de seu Robin, acelerando as estocadas até sentir que seu orgasmo finalmente havia chegado. Tim mordeu a mão para segurar seus gemidos exaltados quando Conner saiu de dentro de si e logo se dirigiu para seu sexo ainda ereto, colocando-o na boca ao mesmo tempo em que o masturbava com uma das mãos.

- Não vá embora... – Acariciava-o com a mão. – Não me deixe aqui sozinho...

-Ah... Kon... Kon... – Movimentava-se na boca de Conner. – Eu não vou... Eu não... Vou. – Estava jogado no chão, virando a cabeça de um lado para o outro, já desistindo de prender seus gemidos.

Superboy parou de sugá-lo e mordeu o interior de uma de suas coxas, não parando o movimento da mão.

- Eu te amo, menino prodígio... – Mordeu-o novamente.

- Te amo, Kon... Ah...

Colocou as mãos na cabeça e arqueou as costas quando sentiu que gozaria, sujando o rosto de Conner com seu esperma.

-----x-----

Estava estirado sobre uma toalha vermelha com listras brancas, com as mãos sob a cabeça, olhando sonolentamente para o céu de Smallville. Via Conner voando, vezes alto, vezes baixo, deixando-se abater pelos raios solares. Pegou um pedaço de grama que estava perdida em meio àquela plantação de trigo e o levou à boca, divertindo-se com a situação inédita. Suspirou, apreciando a paz do local, mesmo que o pensamento de que já deveria ter voltado para Gotham martelasse em sua cabeça.

Superboy voou até Tim, pairando sobre o corpo do menino prodígio.

É o caipira mais lindo que eu já vi. – Riu ao vê-lo com a grama na boca e usando uma de suas camisetas xadrez e uma calça jeans desbotada, um tanto grandes para o tamanho de Timothy.

- Você mora em um lugar maravilhoso... – Timothy fechou os olhos e sorriu.

O clone deitou-se ao seu lado, colocando um braço pelo pescoço de Tim, encostando sua cabeça na do parceiro.

- Às vezes eu fico louco com tanto silêncio...

- Eu estou adorando isso... Na verdade, tem tempo que não tenho um dia tão sossegado.

- Venha morar aqui, então. – Riu.

Timothy sentou-se, tirando a grama da boca.

- Estou brincando, Tim...

- Minha vida é em Gotham.

- Já disse que era brincadeira. – Cruzou as pernas, colocando as mãos debaixo da cabeça.

- Não foi brincadeira. Eu sei quando é.

- Qual é, Tim...

- Você é impulsivo, Conner. Já te disso isso. Não podemos deixar isso sair do controle.

- Não estou sendo impulsivo... Deveria saber que isso é só ciúmes...

Tim encarou Conner.

- Ciúmes?

- Asa Noturna. É só o que vou te dizer... – Desviou o olhar.

-... Sabe que não tenho nada com ele.

- Eu sei... Mas não quero que o veja mais.

- Conner. – Esboçou um sorriso, mas manteve-se sério. – Isso não é possível. Batman quase sempre me manda em missão junto com ele.

- Tá, tá... – Conner virou-se de lado, dando as costas para Tim.

- Ei, Superboy... – Sacudiu de leve seu ombro, apoiando o queixo nele em seguida. – Por acaso não confia em mim?

- Claro que confio, Tim. Só não vou com a cara do Dick.

- Bom... É recíproco. – Riu.

Um silêncio um tanto desconfortável pairou entre os rapazes.

- Não vai ficar emburrado durante o resto do dia, vai?

- Não...

Sorrindo, Timothy virou Superboy e se sentou em sua barriga.

- Então me dá aquele sorriso lindo que só você tem...

-... Você é pesado.

Tim gargalhou.

- Essa é boa, garotão...

Conner sorriu e apoiou-se em um cotovelo, puxando Tim para um beijo leve.

- Desculpe pela frescura...

- Não se desculpe. Foi sua primeira ceninha de ciúmes, achei bem fofo.

Voltaram a se beijar.

- Não vai ficar se achando agora, não é? – Conner perguntou.

- Claro que vou. – Tim respondeu rindo.

Conner girou, ficando por cima de Tim, segurando seus braços acima de sua cabeça. Beijou-o lentamente e desceu a boca pelo pescoço de Tim.

- Não quero que vá embora...

-... Você faz isso de propósito.

- O que?

- Fala essas coisas enquanto me beija. Acha que não consigo negar?

- Você pode negar... Mas não vou parar.

- Kon... Estamos no meio de uma plantação de trigo...

- Jura? – Brincou. – Estamos bem longe de qualquer um... Não se preocupe.

- Não vai ser confortável...

- Eu te ajudo...

- Conner... – Levantou seu rosto, fazendo-o lhe encarar. – Fizemos a manhã inteira... – Disse, com uma expressão cansada.

-... Ah... Foi mal. – Deitou-se ao lado de Tim. – Devo estar saindo do controle mesmo.

- Já falei que aviso quando isso acontecer. Só me deixe respirar um pouco.

Apoiou-se no tórax de Superboy e fechou os olhos, apreciando o vento gelado que soprava pela plantação. Sentiu os dedos de Conner em sua cabeça, fazendo um carinho inocente em seu cabelo.

Aquele momento de paz fora cortado pelo toque do inseparável comunicador de Robin, que prontamente levantou-se e atendeu ao chamado. Conner revirou os olhos e disse para si mesmo:

- Viciado em trabalho...

- Robin falando... – Atendendo à ligação.

-----x-----

Richard Grayson estacionava sua moto na garagem de motos da mansão Wayne, retirando o capacete e andando pesadamente até a entrada da mansão. Alfred o recebia na porta, cumprimentando o afobado patrão, que o ignorava.

- Onde está o Tim, Alfred?

- Está de folga...

- Onde?? – Falou mais alto, chamando a atenção do mordomo.

- Ele está em Smallville.

Bruce Wayne o respondia , descendo lentamente a escadaria do salão principal, parando em frente ao jovem contrariado.

- Desde ontem, Bruce? Acha isso certo?

- Eu dei uma folga para vocês. Vocês a aproveitam como bem entenderem.

Antes de Bruce terminar de falar, Richard se dirige à batcaverna a passos largos. Bruce o seguia e dispensava, por hora, os afazeres e companhia de Alfred.

- Não precisa ir como Asa Noturna... – O via trocar a roupa civil pelo uniforme do vigilante.

- Preciso da ajuda dele em um caso. Vou pegar o jato emprestado.

Estava pronto para embarcar quando Bruce lhe chama.

- Estou com um pouco de pressa, Bruce.

- Estou vendo. Mas quero que pare e me ouça.

O jovem Grayson parou na sua frente e suspirou.

- Certo... Estou ouvindo.

- O que você está fazendo?

- Estou indo pegar o Tim para ele me ajudar com um caso.

- Você não precisa da ajuda dele, nós dois sabemos. Ele também sabe e vai questionar.

- Eu só vou perguntar uma coisa a ele...

- Se é só isso, ligue.

-... Eu quero vê-lo.

- Ele está com Superboy.

- Eu sei! – Novamente aumentou o tom de voz. – Me deixa louco que você esteja apoiando isso. Quando o clone apareceu, você foi o primeiro a dizer que ele não era confiável.

- Superboy já passou por diversas provações, e apesar de tudo, ele continuou sendo um Titã. Clark confia no rapaz. Tim não só confia nele como também o...

- Não dia! – Virou-se de costas para Bruce. – Desde quando você confia em alguém, Batman? – Voltou a encarar Bruce. – Se confiasse tanto em Superman ou em qualquer um dos criptonianos, você não andaria por aí com um anel de criptonita.

- É o ponto que queria chegar, não é? Você o usaria contra Superboy por causa desse ciúmes infantil que insiste em alimentar?

Asa Noturna o encarou em silêncio durante alguns segundos e sentou em um degrau que dava acesso ao local onde o jato estava. Segurou a cabeça e retirou a máscara, mostrando um rosto melancólico, rosto esse nunca visto antes por Bruce.

- Realmente acha que é infantil?

Bruce se sentou ao seu lado.

- Realmente quer minha opinião?

- Claro, Bruce.

- Está agindo como o Jason.

Richard o olhou quase aterrorizado, fazendo Bruce sorrir levemente.

- E aposto que isso é influência dele.

-... Eu não estou bem, Bruce. Sinto que fiz tudo errado com o Tim. Eu o tinha em minhas mãos. Como pude deixá-lo ir?

- Não é questão de você ter deixado, Dick. Ficar com você o faria sofrer. E um relacionamento unilateral acabaria afetando a você também.

Dick riu amargamente.

- O que entende sobre relacionamentos unilaterais, Bruce?

Bruce quase se sentiu ofendido.

- Eu já fui jovem. Já vivi amores unilaterais.

- Não. Não é um amor jovem que logo irá sumir...

- Está certo, eu entendo... Mas então veja desse ponto de vista: respeite a vontade de Timothy. E ocupe sua cabeça com trabalho, para esquecer de vez o anel de criptonita.

-... Certo. Entendo, Bruce.

Bruce Wayne segurou um ombro de Richard, balançando-o para tentar animá-lo. Sorriam mutuamente, e então Bruce estendeu a mão aberta para o rapaz ao lado, que o olhou interrogativamente.

- Devolva. – Bruce disse.

-... Bruce?

- Agora, Richard.

O rapaz suspirou contrariado e tirou o objeto brilhante de um compartimento de sua luva, entregando o anel de criptonita para o seu dono.

- “Isso” foi infantil. Esse anel é um plano de contingência, caso algo muito improvável – frisou. — ... Dê errado. Não é para ser usado em casos pessoais. Só o fato de ele existir causou problemas dentro da Liga da Justiça. Um incidente desta natureza...

- Eu entendi, Bruce... Já entendi.

- Espero que sim. Tire o uniforme. Vá dar uma volta como Richard Grayson, esfrie a cabeça. E pare, por favor, pare de ouvir os conselhos do Jason Todd. Essa ideia cheira às loucuras dele.

- Certo...

Bruce levantou-se e se dirigiu ao uniforme de Batman, colocando o anel verde de volta em seu lugar no cinto de utilidades. Dick se levantou e subiu para a mansão, ainda com o uniforme de Asa Noturna. No caminho, pegou seu comunicador e ligou para o de Timothy.

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- Robin falando...

-... Oi, Tim. É o Dick.

O silêncio do outro lado da linha cortou ainda mais seu coração, mas continuou falando.

- Amanhã darei uma passada na Torre Titã. Ciborgue pediu minha ajuda em alguns assuntos sobre o recrutamento de novos integrantes...

-... Sim, ouvi falar sobre isso.

- Você se incomoda?

- Se eu me incomodo?

- Você é o líder. Deixaram claro que querem ser independentes. Pode ser que minha presença lá incomode um pouco seus colegas.

- Não se preocupe. É um assunto que exige a presença de alguns veteranos mesmo.

- Certo... Está tudo bem com você?

- Estou ótimo, Dick. – Ouviu Conner pigarreando incomodado. – Bruce está precisando de mim?

- Não, não... – Subiu as escadas até seu quarto. – Estamos de folga, segundo ele. Mas eu tenho alguns casos a resolver ainda. Você não?

- Alguns. Mas nada urgente. E a maioria será resolvido com os Titãs, nesse final de semana.

- Você... Pretende voltar para casa hoje?

-... Não sei, provavelmente não. – Olhou de soslaio para o emburrado Conner, sorrindo levemente.

- Ah... – Jogou-se e sua cama. – Até o final de semana, então.

- Até lá. – Finalizou a ligação e virou-se para Conner, que fingia estar dormindo. – Kon... – Chamou-o, sentando-se ao seu lado. – Não seja infantil, fale comigo.

- Você vai embora, não é?

- Conner...

- Depois você não sabe por que sou ciumento... Richard te liga e você logo decide ir embora.

- Mas eu não vou, seu babaca...

Conner abriu os olhos e encarou os azuis contrariados de Tim.

- Não vai?

- Ia perguntar se poderia me emprestar mais uma roupa, mas já que é tão ciumento, acho melhor eu voltar mesmo...

- Nãããão... – Pulou em cima de Tim, o abraçando. – Desculpe, vou me controlar mais. Estou tão feliz... – Beijou-lhe a bochecha.

Timothy riu sem graça. Conner agia incoerentemente em determinados momentos. Não que achasse ruim, adorava seu lado meio. Lado esse que se orgulhava de ser o único que conhecia.

- Vou falar com a Sra. Kent.

- Não se preocupe com isso... – Sussurrou em seu ouvido. – Já está mais descansado?

-... Campo de trigo é seu fetiche sexual?

- Aquela sua máscara que é. Não está com ela aí, está?

- Estou desprevenido hoje...

- Eu nunca achei que ouviria você dizer isso.

- Pra você ver... – Agarrou o pescoço de Conner. – Você acaba com o meu orgulho. – Beijou o clone enquanto lhe tirava a camiseta.

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Na mansão Wayne, Richard permanecia jogado em sua cama, olhando perdidamente para o teto de seu quarto. Pegou novamente o comunicador e logo a outra linha respondia.

- Jason, é o Dick. (...) Não, não estou bem. (...) Venha para a mansão. (...) Quero que me console...

Notas finais
Não basta demorar, tenho que cair com a história. Foi mal, gente, sério. No próximo capítulo eu pretendo mostrar um teco dos Titãs, pra ver se dou uma maneirada na sequência de lemons xD