Heroic Wish

19 Capítulo 19


O som alto já não incomodava os ouvidos festeiros daqueles jovens heróis que compartilhavam a companhia e as agitações naquela noite de sábado. Adolescentes e jovens adultos interagiam em danças e conversas exaltadas, tentando ao máximo se fazerem entender em meio à barulheira gerada pela potência do som de Mutano. Eddie, o Demônio Vermelho, acendia e apagava as luzes daquela parte do salão, imitando, divertindo-se, o ambiente de uma boate. O restante dos novatos Titãs se reuniram em um grupo, ainda acostumando-se com a ideia de equipe, mesmo que a primeira impressão dos Novos Titãs não tenha sido das piores.

Pelo menos assim aparentava, e naquele momento, já era o bastante.

Robin estava chegando ao seu limite e não mais bancaria a babá de Marginal, deixando a garota aos cuidados suspeitos do Capuz Vermelho, que simplesmente deixou que a garota fizesse o que bem entendesse. A pequena Charlie parecia encantada por todos os parceiros do Batman, mesmo que sua predileção por Jason transpassasse um comportamento equivalente, o que tornava tal verdade não tão surpreendente. Tim pensou que Jason, em sua adolescência, provavelmente se portava da mesma maneira exaltada e bocuda que Marginal. Ter a garota por perto talvez amansasse os ânimos de CV.

Estavam sentados à grande bancada onde serviam as bebidas, tentando manter uma conversa contínua que sempre excluía Jason, pois este não estava presente no auge Titãs dos veteranos Roy Harper e Dick Grayson.

—... Ele disse para eu ir ao encontro de ônibus, então eu peguei o carro do Oliver escondido. – Roy relembrava, aos risos, o primeiro encontro com sua primeira paixão, Donna Troy. – Eu bati o carro e fiquei de castigo por meses.

— Você? De Castigo? O Arqueiro Verde até tentava, mas você sempre fugia para cá. – Dick respondeu divertindo-se com a lembrança de um Roy Harper foragido chegando às escondidas na Torre Titã. – E até onde sei, você conseguiu um beijo da Donna.

Roy olhou para cima, nostalgicamente, e então sorriu.

— Valeu a pena. – Respondeu ao amigo. – À Donna Troy, arrasadora de corações. – Ergueu o copo de refrigerante e brindaram à amiga falecida, fazendo careta enquanto a bebida descia pela garganta. – Vejo que bebidas alcóolicas ainda são proibidas por aqui.

— Mas é claro que são. – Richard disse o óbvio.

— Como se esse lugar não pudesse ser mais tedioso. – Jason respondeu àquele fato, demonstrando o quanto estava aborrecido com todas aquelas pessoas à sua volta, e nem ao menos podia se embebedar.

Roy e Dick sorriram ante ao comportamento já conhecido de Capuz Vermelho.

— Ainda me surpreende que tenha vindo parar aqui, Todd... – Roy disse-lhe sinceramente.

— Ninguém o obrigou, ele veio sozinho, acredita?

Tentou juntar-se ao antigo amigo de equipe em um tipo de ataque ao comportamento bipolar de Jason, mas viu-se sozinho daquele lado do sofá quando Roy levantou-se e se sentou ao lado de Jason, apoiando os braços no apoio do assento e amansando a voz.

— Você ainda curte boates? Porque eu conheço uma na cidade que...

— Eu nunca curti boates, Harper, isso sempre foi com você. – Interrompeu a fala do rapaz, não lhe dando chance de retrucar a ideia.

O olhar de Richard para a desenvoltura da tentativa de uma conversa mais íntima com Jason de Roy era visivelmente de surpresa. Não acreditava que havia esquecido que Jason e Roy trabalharam como parceiros em missões fora do país, o que justificava aquela aproximação que parecia não gerar desconforto algum no amante. Observou-os durante aquela curta conversa sobre Roy fingir não lembrar que Jason não suportava locais lotados, notando que o mais novo começava a baixar a guarda ante as brincadeiras ambíguas do Arsenal, que lhe tocava sempre que surgia a chance. Os pensamentos o levaram ao passado em que caíra como um patinho em tais avanços de Roy, e nem precisou questionar o nível de intimidade que ambos trocaram ao dividir missões longe de casa.

— O que acha, Dick?

Piscou algumas vezes e percebeu que Roy o encorajava a lhe dar uma resposta para algo que não fazia ideia do que era.

— Do que?

— Conheço um lugar interessante para irmos depois que o Vic se despedir. A gente toma uns drinks e ouve música boa. Tenho certeza que até o “senhor travado” aqui... – Segurou Jason pelos ombros e o sacudiu. -... Vai curtir.

O Capuz Vermelho revirou os olhos e encontrou o olhar sério de Richard, franzindo o cenho quando percebeu que o veterano estava considerando a ideia.

— Daqui eu vou para Gotham, vocês podem fazer o que quiser.

Jason se soltou de Roy e levantou do sofá, finalmente fugindo daquela reunião de novos e antigos Titãs. Antes que pudesse sumir da vista dos dois parceiros de vigilância, Marginal se materializou do seu lado, segurando seu braço e fazendo-o se inclinar com o agarro. Ouviu a risada de Roy ao fundo, e andou pesadamente pelo corredor, tentando ao máximo manter-se paciente ante os ânimos exaltados de Charlie.

— Ele não mudou nada. – Disse ainda rindo, recuperando o fôlego e cruzando as pernas, voltando sua atenção para Dick. – E você, também vai recusar meu convite? Faz tempo que não nos encontramos como civis.

O vigilante de Star City nem ao menos fazia questão de mascarar suas segundas intenções e, se a investida tivesse vindo de qualquer outro que não houvesse recebido tal intimidade, provavelmente teria sofrido algum ataque físico.

— E as pessoas dizem que eu sou o cafajeste...

— Qual é, Dick? – Passou os olhos pelas pessoas que dançavam e se divertiam ao seu redor. – Todo mundo está sabendo que Robin está com Superboy, você está na seca há quanto tempo?

Dick gargalhou, mesmo que não fosse sua intenção.

— Você se surpreenderia...

Roy se fez de desentendido por alguns segundos até se dar conta do que o amigo queria dizer.

— Você e Jason? – Desfez a pose sedutora, descruzando as pernas e aproximando-se de Richard, como se para fofocarem. – É tão óbvio que eu nunca imaginaria! – Riu alto, passando uma mão pelo cabelo. – Ah, e eu dando em cima dele bem na sua cara. – Ficaria sem graça, se sua personalidade permitisse.

— Ele não é minha propriedade, sabe... – O heroísmo e bom senso tentavam convencer-lhe disso. – Se ele aceitasse, eu não poderia fazer nada.

— Ah, quer dizer que não se resolveram ainda? Não se enrole tanto do jeito que se enrolou com Robin. – Arrependeu-se de imediato do que dissera, fechando o cenho diante sua falta de tato. – Foi mal...

— Não ligo... – Procurou por Tim em meio ao aglomerado de gente naquele salão e o viu entregando um copo de suco para Superboy, em meio a uma conversa nitidamente apaixonada. – Criei muitas expectativas em um relacionamento físico, o fim já havia sido anunciado, eu que não tinha notado. Mas eu nem penso nisso mais.

— Você superou bem rápido.

— Jason cuidou bem de mim. – Falou baixo e sorriu, tomando o resto da bebida em seu copo.

— Eu tenho certeza que sim. – Sorriu junto do amigo, logo parando quando viu que Dick não aprovara a brincadeira. – Bom, se, por acaso, estiverem procurando alguém para um ménage, já sabem para quem ligar. – Bateu no copo vazio de Dick, fingindo brindar àquilo, mesmo sabendo que estava pressionando demais o autocontrole de Asa Noturna.

— Você nunca soube a hora de calar a boca... – Dick disse, conformado, mesmo que tenha registrado a informação.

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Jason entrou apressadamente em seu quarto na Torre Titã, dando passagem para a empolgada Marginal, jogando a máscara do Capuz Vermelho em cima da cama, vendo que a garota a pegou e tentava encaixar no próprio rosto.

— Eu posso ser a próxima Capuz Vermelho. – Fez uma pose heroica e admirou-se no espelho do aposento.

— O futuro te reserva algo mais promissor, Charlie. – Jason jogou-se na poltrona ao lado da grande janela do seu quarto, cruzando os braços e olhando para o horizonte de São Francisco.

A garota se virou desconfiada para o rapaz e sorriu ao perguntar:

— A Barbara te disse alguma coisa legal?

O vigilante mais experiente a olhou sério, tentando evitar que a esperança da garota em se tornar Batgirl lhe derretesse a o coração gelado, falhando em sua tentativa de parecer um pouco mais responsável em relação aos seus desejos. Sorriu-lhe em resposta, não respondendo em palavras àquele questionamento.

Os momentos de descontração com Marginal eram muitos estimados por Jason, mesmo assim, raramente encontrava a garota, por pedido da própria Oráculo, que penava terrivelmente para manter a jovem vigilante na linha. Ele a encorajava o quanto podia, a despeito de seu heroísmo natural e bom humor exaltado ao extremo. A menina ainda não conhecia os terrores daquele tipo de vida e não seria ele a apresentar-lhe tal realidade, deixando que Marginal curtisse aquelas vestimentas e vida justiceira por fora da sociedade.

Pensamentos um tanto tenebrosos sobre seu passado foram cortados pelo barulho já conhecido de uma aeronave e foi até a janela de seu quarto para ter certeza de que não estava ficando maluco. Marginal materializou-se empolgada do seu lado, abrindo um enorme sorriso nos lábios quando encontrou a visão do batplano sobrevoando a Torre Titã, provavelmente esperando pela permissão de pousar na cobertura.

— O BATMAN ESTÁ AQUI!!! – Marginal fingiu estar desmaiando de emoção.

—... O Batman está aqui... – Jason repetiu as palavras em um sussurro para si mesmo, não disfarçando o desconforto.

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Todos os veteranos se reuniram em volta de Ciborgue, que anunciava sua partida em definitivo. Viu Jason voltar ao local da confraternização e acenou amigavelmente para o Capuz Vermelho, não permitindo que mágoas passadas interferissem naquela situação. Jason desejou boa sorte mentalmente ao herói, respeitosamente, mostrando que apesar das aparências, em seu íntimo, admirava e muito aquele homem.

— O meu comunicador Titã nunca será desativado... – Parou para pensar melhor. — Apesar de que ele não irá funcionar enquanto eu estiver na Torre de Vigilância...

— Precisamos dar um upgrade no nosso sistema de comunicação. – Dick brincou, não deixando de ter razão.

Um murmurinho se iniciou entre novos e velhos Titãs quando todas as atenções se voltaram para a abertura do corredor que dava acesso àquela parte da Torre, pois Robin acompanhava não só Batman, e sua apatia dissimulada diante tal reunião, mas também o carismático Superman, que já sorria amigavelmente para o novo membro da Liga da Justiça da América.

O ambiente ficou silencioso e, ao fundo, Lacustre cochichava algo sobre sempre ouvir histórias épicas a respeito dos dois, em Atlântida, para Super Choque, que lhe respondeu com o mesmo tom de novidade em relação à visão em tempo real de dois heróis do primeiro escalão. Miss Marte pareceu ficar invisível atrás de Eddie, o Demônio Vermelho, que logo tratou de puxar uma conversa baixa com a garota que parecia se afundar em sua timidez. Os novatos pareciam estar começando a se dar bem aos olhos de Cassie e Superboy, que analisavam as reações àquela visita na Torre.

Victor sorriu em resposta ao encontro e caminhou até os dois visitantes, apertando respeitosamente as mãos de Clark e Bruce.

— É um prazer recebê-los na Torre Titã.

— Não queríamos interromper a festa, Victor, sinto muito. – Superman disse com seu habitual tom amigável.

— São Francisco deve ser uma cidade bem calma, já que vocês têm tempo de realizar uma festa como essa...

Batman disse sério e com o tom de voz de repreensão, logo sendo desconversado pela gentileza habitual de Superman, colocando-se entre o morcego e o restante dos Titãs. O líder dos vigilantes de Gotham encontrou seus protegidos em meio ao grupo e estreitou o olhar em julgamento, fazendo Dick sorrir sem graça e revirar os olhos, passando uma mão pelos cabelos, e Jason desviar o olhar para algum espaço vazio de lições de moral. Estelar sobressaltou-se ao perceber Ravena sumindo ao seu lado, desaparecendo em meio a uma nuvem de fumaça cinzenta bem característica.

— Eu estou pronto para ir, mas antes... – Virou-se para os companheiros Titãs. – Alguém sabe onde está o Mutano?

Todos se entreolharam e Cassie passou os olhos pelo local, como se procurasse pelo transmorfo, até se dar conta que outro membro da equipe estava sumido.

— Cadê o Bart? – Sussurrou para Conner e este olhou confuso para a amiga.

Pensou que talvez os dois estivessem juntos, dadas as circunstâncias em que encontrara os dois dias antes, e não pareceu se sobressaltar ao pensar que os dois queriam um pouco de privacidade para ficar sozinhos. Afinal, era o que ele queria para si e Robin, um momento a sós para festejarem da melhor maneira que conheciam.

Não fazia ideia de como o sumiço de Bart e Gar o fizera pensar em como queria ficar sozinho com Tim, mas as coisas eram como eram.

— Vou chamá-lo pelo comunicador. – Robin mostrou-se prestativo em não ficar parado sem fazer nada, tomando uma ação.

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Tomar a forma e a velocidade do falcão peregrino e rodar pelos andares da Torre Titã em busca de Bart começava a tirar as forças de Garfield, que finalmente se deu conta de que não havia habilidade no mundo animal que o fizesse superar a agilidade de Kid Flash, quanto menos igualá-la. Voltou à forma humana, colocou as mãos nos joelhos para recuperar o fôlego, não se permitindo cair sentado no chão para ter a força dos músculos restaurada.

Os olhos esverdeados arderam e ele fingia não entender por quê. Continuava não acreditando no que havia acontecido minutos antes e começava a desejar nunca ter feito aquilo. O peito ofegava e a respiração ficou pesada, tornando difícil a captação de ar para os pulmões. Havia beijado Bart e precisa aceitar aquilo. Era obrigado a aceitar, senão o corpo entraria em pane e enlouqueceria com a negação. Esticou os músculos, deu dois pulos, aquecendo novamente o corpo e preparou-se para correr pelos alojamentos, respirando fundo e juntando toda a coragem que conseguia para encarar Bart novamente, e tentar se explicar. Tropeçou nos pés quando embalou a corrida e cambaleou, encostando-se à parede, encontrando o olhar preocupado de Ravena, que se teleportava quando sentiu que precisava de ajuda.

Andou rápido até a amiga, com passos fortes e decididos e o olhar sério e melancólico ao mesmo tempo, buscando, já sem forças, o consolo da amiga. Abraçou-a e foi abraçado com todo o carinho que necessitava, sentindo novamente uma ardência nos olhos. Não explicou nada para a moça que o acalentava, não lhe disse nem uma palavra de seus motivos, pois tinha certeza de que a sensitiva Ravena já estava a par do ocorrido. Ainda assim, Garfield parecia precisar expulsar algo de seu coração, como se o simples fato de se expressar em palavras claras e altas fizesse tudo ao seu redor menos angustiante:

— Eu amo o Bart, Ravena... – Disse, afundando o rosto em meio ao abraço da amiga. – Eu o amo muito e acho que estraguei tudo...

— Tudo bem, Gar... – Ravena respondeu, guiando os olhos para o lado oposto do corredor, encontrando o semblante não mais confuso de Kid Flash, que voltou a correr em disparada quando se viu sendo pego desprevenido. – Vai ficar tudo bem.

A moça sorriu docemente, como era de costume para o amigo, e lhe entregou seu comunicador.

— Você esqueceu na sala do monitor.

Garfield se recompôs e olhou um tanto contrariado para o equipamento.

— Pra que eu quero isso agora?

O aparelho tocou estridente, assustando o transmorfo antes que o mesmo pudesse terminar o questionamento, fazendo a colega e confidente soltar uma risada baixa.

— É o Robin. – Ravena avisou antes que Mutano atendesse. – É melhor irmos para o salão de festas, o Vic está indo embora.

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— Quem coordenará os Titãs durante as missões de agora em diante? – Batman perguntou para Robin enquanto esperavam Ciborgue se despedir de todos e Superman terminava de conversar com Conner.

— Eu ficarei com esse trabalho, pelo menos por enquanto. – Robin respondeu, sabendo que haveria julgamentos.

— E quanto à liderança em campo?

— Estou estudando as possibilidades, Batman, toda essa mudança nos pegou desprevenidos.

— Tenho certeza de que é treinado para lidar com situações assim.

Robin revirou os olhos por trás da máscara e deu de ombros.

— Sim senhor.

— Gar!!!

Victor viu o amigo chegar acompanhado de Ravena e andou rápido até os companheiros, reunindo assim, todos os membros fundadores dos Titãs, com exceção da falecida Donna Troy. O homem grande e robusto segurava um Gar claramente entristecido pelos ombros, sacudindo-os e pedindo para que o amigo reaja diante da reunião de todos os amigos que fizeram parte do seu amadurecimento, mostrando que todos estariam ali quando fosse necessário, e mesmo quando não fosse.

— Titãs unidos, cara... – Abraçou Mutano, não sendo correspondido de imediato, mas derreteu-se quando todos os amigos e veteranos Titãs se reuniram em um abraço coletivo, transformando aquela despedida em algo realmente emocionante.

— Acha que seremos assim algum dia? – Cassie perguntou, sem especificar para quem tal pergunta era direcionada.

— O que? – Superboy procurou entender.

— Uma família.

— Vocês já são. – Superman respondeu e afagou a cabeça de Conner, fazendo-o corar e Tim sorrir internamente, já que se encontrava ao lado de Batman e isso o afligia as emoções e comportamento. – Cuidem bem dos novos integrantes. – Acenou com as mãos para os jovens heróis recém-chegados à Torre. – Boa sorte, rapazes. Vocês estão em boas mãos por aqui, façam o possível para a experiência valer a pena.

Uma comoção entre os mais novos se iniciou e Kid Flash derrapou ao lado de Miss Marte, assustando a moça, que ficou instantaneamente invisível.

— Foi mal, M’gann, tudo bem? – Perguntou para a moça, não tendo certeza de onde ela estava.

“Tudo bem, Bart. Eu me assusto com qualquer coisa, desculpe”.

A garota de marte falou telepaticamente, ainda invisível, porém o jovem velocista não havia percebido e respondia em voz alta, normalmente. Ravena virou o rosto para os dois e pareceu que iria ao seu encontro, se não fosse o anúncio de Batman de que era hora de ir.

Victor Stone, o Ciborgue, não fazia mais parte da equipe atual dos Novos Titãs e todos os mais próximos olhavam melancolicamente para o batplano levando embora o amigo de São Francisco, levando o melhor amigo de Garfield Logan embora da Torre Titã e privando-o da sua companhia.

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O hangar se esvaziava com a partida dos visitantes e Robin encaminhava os novos membros e mais jovens heróis da Torre para seus aposentos, os inteirando de toda e qualquer regra que garantisse o bom convívio nas instalações e avisos de qual era a rotina no final de semana. Pareceu ter ouvido alguns resmungos, mas resolveu por bem que era melhor ignorá-los, enchendo-se de paciência, pelo menos no primeiro dia deles na Torre Titã. Mutano e Ravena encontraram-se sozinhos no espaçoso hangar, com Gar olhando tristemente para o horizonte que o batplano agora fazia parte. A moça pousou uma mão em um ombro do amigo e apertou-o, lhe transmitindo todo o consolo que era capaz àquela altura. Sorriu-lhe amigavelmente e deixou que ficasse sozinho com seus pensamentos e temores, já que nada o que lhe dissesse fosse lhe aliviar as tensões.

Estava sozinho e detestava aquilo, tinha que admitir. Por mais que quisesse a solidão naquele momento, e necessitasse de silêncio, encontrar-se sem os amigos o desolava de forma que condizia com sua personalidade e a vontade de sempre mostrar seu valor como pessoa e herói para os amigos. Todos, em algum momento, deixaram a Torre para seguir o caminho longe de casa e da família, mas não ele. Garfield nunca se distanciava tanto de suas raízes. E Victor estava indo para o espaço. O olhar se franziu em contradição diante de todos aqueles pensamentos malucos que estava tendo e fechou os verdes, tentando se acalmar e aceitar que estava perdendo muitos elos ultimamente. Talvez isso fosse crescer e amadurecer, afinal de contas: Ficar e se manter por conta própria.

E então sentiu o ar se movimentar sem motivos. Virou o rosto e olhou para o vulto amarelo que tomava a forma de um Kid Flash envergonhado ao seu lado. O viu de olhar baixo e feição séria, rara no velocista, algo que não queria estar vendo no rosto do seu garoto. Voltou a encarar o horizonte do céu noturno de São Francisco e suspirou, sentindo que Bart enlaçava seus dedos com os dele, apertando sua mão em um conforto que parecia um pedido de desculpas.

Encontrou o olhar dourado de Bart e aquele tom que cintilava pareceu lhe acalmar mais do que achava ser possível, o fazendo sorrir e sacudir levemente a cabeça em uma negativa, como se dissesse que não havia necessidade de um pedido de desculpas. Os dois não trocaram nenhuma palavra, mas pareciam se entender e aquilo soava perfeito para Mutano.

Era exatamente disso que precisava naquele momento: O consolo cálido e silencioso da pessoa que amava.

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continua

Notas finais
Um pouco de drama, porque eu to ligada que o povo adora o "drama king" do Mutano (Mentira, só eu que gosto disso). Sim, voltei, estou viva e cintilante. Meio descabelada, é verdade, mas é que não estou mais acostumada a ficar até a madrugada no pc em busca de escrever e ler fanfictions. A vida nos leva a lugares sombrios e misteriosos, amiguinhos... Mas isso é só uma nova rotina me pegando desprevenida xD Em se tratando de dramas, eu entendo bem o Mutano... #suspira. xxx Eu estou devendo lemons para todos, inclusive um para mim mesma, algo que estou querendo há um tempão, mas não tenho coragem de fazer, por ser meio... enfim... O próximo capítulo é o 20, por motivos de "a gente quer assim", posso fazer um "especial" só com lemons...... kkkkkkkkkkkk eu to agoniada já, porque vendo agora, faz eras que não rola um lemonzinho na história. Mutano e Bart tomando conta e tudo fica azul-bebê com coraçõezinhos rosas, e apesar de achar uma fofura, essa não é a pegada foco dessa fanfic, sinto dizer. Nem eu acredito que estou me dignando a fazer isso, mas é tudo uma questão de superar os desafios que imponho a mim mesma. Chega uma hora que a gente percebe que uma boa história não pode se basear somente em cenas eróticas, e esse é o meu maior medo. Mas eu sinto falta pacas, cara... ahahahahah xxx Mas tirando os problemas, os atrasos e a falta de lemon, o que acharam? Boas críticas e conselhos são sempre bem vindos ♥ Ou venham conversar comigo, trocar ideias com os leitores é sempre bom e saudável ;) Até a próxima.