Heroic Wish
18 Capítulo 18
Notas iniciais
“Bem vindo ao Quartel General da Sociedade da Justiça da América. Se sinta à vontade para conhecer as instalações, gostaria de fazer um tour pelo prédio?”
Mutano e Arsenal saíram do elevador que levava ao conhecido salão de reuniões daquela equipe e depararam-se com Michael, o Senhor Incrível, em sua habitual pose de gênio intelectual, o que de fato ele era.
— Michael! – Garfield sorriu e apertou respeitosamente a mão de um dos homens mais inteligentes do mundo, batendo levemente em um de seus ombros. – Não quero causar mais nenhum incômodo. Obrigado por nos receber.
— Sem problemas. – Respondeu o cumprimento do veterano Titã com o mesmo respeito, e os guiou até o restante da equipe presente. – E se insinua que receber os novos membros de sua equipe é algum incômodo, saiba que também está enganado a esse respeito. São jovens incríveis esses que vocês estão recrutando.
Correu os olhos verdes pelo local e viu os novos membros interagindo com alguns dos membros da SJA com nítida ansiedade e algum nervosismo. Bart e Wally derraparam em frente à Jay Garrick, que parecia distraído ao observar a cidade pela imensa janela do aposento, chegando a se exaltar com a presença do jovem Kid Flash. Sorriu ternamente ao testemunhar o carinho que o Flash veterano nutria pelo jovem velocista tomar forma em um apertado abraço um tanto forçado e abobalhado.
— Alguma consideração sobre esse pessoal novo, Michael? – Mutano perguntou antes de se deixar ser anunciado.
— São adolescentes com super poderes... Eu só tenho a dizer “boa sorte”. – O Senhor Incrível prendeu um sorriso. – Nós temos uma boa cota de jovens heróis por aqui e não sei como vocês Titãs conseguem...
Fez o último comentário porque a integrante Star Girl puxava a amiga e confidente, Cyclone pelo braço em direção aos visitantes, ambas com um imenso sorriso serelepe nos lábios. Pararam em frente a Garfield e o encaravam com aquele ar impressionado que começava deixar o transmorfo desconfortável.
“Oooi, Mutano!” – As meninas disseram em uníssono, mesmo que Cyclone parecesse bem mais envergonhada.
—... Oi, gatinhas. – Gar respondeu sem graça e ignorou as risadinhas de Roy. – Como vocês estão?
— A Max quer te falar uma coisa... – Star Girl deu duas leves cotoveladas encorajadoras na amiga Cyclone.
— E-eu... Eu sou sua fã desde pequenininha... – A garota abaixou a cabeça e escondeu o rosto sardento com a cabeleira ruiva, saindo apressadamente de perto daquele grupo, sendo seguida pela risonha colega de equipe.
Era só o que precisava acontecer para Roy Harper gargalhar abertamente, tirando sarro do olhar de espanto do amigo verde, que, pela primeira vez, se sentia velho em um ambiente repleto de heróis.
— Eu não sou tão mais velho do que ela!! – Disse exaltadamente, seguindo-a com o olhar indignado. – Eu sou??? – Olhou para Michael, que deu de ombros. — Eu não sou!! Ela tem o que? 14, 15 anos? Eu sou um jovem! Um jovem e talentoso herói!! Um jovem e talentoso herói verde!!!
— Isso é um cabelo branco? – Roy apontou para o cabelo do amigo verde.
— O que??? – Colocou as mãos na cabeça, nervoso. – Arranca! Arranca!!!
Arsenal fingia procurar o fio branco e inexistente na cabeleira esverdeada do amigo enquanto gargalhava com a reação exagerada do rapaz.
Do outro lado do salão, Bart observava distraído os antigos parceiros Titãs, não ouvindo o tagarelar nostálgico de Jay Garrick e Wally West.
— (...) arto continua do mesmo jeito, não tirei nada do lugar.
O velocista mais novo piscou confuso quando sua atenção voltou ao Flash veterano.
— O que?
— Ele dizia que seu quarto continua do mesmo jeito, Bart. – Wally bagunçou os fios castanhos do mais novo, em um carinho desajeitado. – Continua com a atenção bem evasiva, pelo jeito.
Os Flashes ficaram em silêncio quando perceberam o olhar atento de Bart para o local onde Roy Harper brincava amigavelmente com Garfield, bagunçando seu cabelo em uma aproximação que o começava a incomodar. Usou super velocidade e afastou o Arsenal de Mutano, interrompendo aquela briguinha típica de amigos de longa data.
— Ele é o que? O seu segurança?
Roy caiu na risada quando percebeu que Bart o olhava meio emburrado, e então se dirigiu ao companheiro de equipe que o olhava curiosamente, estranhando tal comportamento.
— Vamos pegar os novatos e dar o fora daqui. – Falou sério, em mais uma novidade para Mutano.
— Bart, tenha mais respeito. – Gar falou realmente surpreso com a falta de tato do rapaz. – Somos convidados aqui.
O Senhor Incrível não pareceu se incomodar e passou à dianteira do grupo que o acompanhava.
— Temo que o jovem tenha razão. Estou em meio ao monitoramento de uma missão e aguardo pelo chamado da equipe em Nova Iorque.
— Quem está em Nova Iorque? – Roy perguntou.
— Canário Negro, Poderosa e Shazam.
— Uau... Que equipe. – Mutano se mostrou surpreso. – O que está acontecendo?
— O Bizarro e o Arrasa Quarteirão fugiram e estavam causando problemas na cidade. O Governo de Washington exigiu a transferência deles para o Arkham, em Gotham.
Mutano balançou a cabeça em compreensão quando se sentiu cutucado nas costelas pelos dedos ligeiros de Bart.
— Ta, ta... – Afastou-se do garoto. – Vamos com isso então, não quero atrasar a comunicação de vocês. São vilões pesos pesados mesmo.
Michael assentiu e chamou a atenção dos mais jovens heróis que integrariam a nova equipe dos Novos Titãs.
Lacustre pareceu se incomodar com a interrupção de sua conversa aparentemente animada com Miss Marte, enquanto Virgil, o Super Choque mostrou-se aliviado com a chamada de atenção, pois estava sendo brutalmente atingido por questionamentos um tanto fúteis provindos da adolescente Star Girl, Courtney. Demônio Vermelho estava sentado do seu jeito peculiar em cima de uma das cadeiras envolta da grande mesa de reuniões da Sociedade da Justiça, ao lado de Thomas, o mais novo herói a se auto intitular “Pantera”.
O transmorfo chegou a corar com toda aquela atenção voltada para si e desengasgou sua apresentação formal.
— Oi, pessoal... – Ainda pareceu desconcertado, mas logo se recompôs. – Eu sou o Mutano, membro veterano dos Titãs. Este é o Kid Flash, o nosso velocista. – Colocou uma mão no ombro de Bart, mostrando-se orgulhoso de sua presença ali. — Estou aqui para levá-los para seu novo lar. – Sorriu amigavelmente para aquele grupo de jovens heróis e os induziu a se levantarem e se prepararem para a partida. – Michael, eu não sei como agradecer.
— Não se preocupe com isso. – Apertou a mão de Mutano. – O trabalho que vocês fazem na Torre com os jovens meta-humanos é de suma importância para o nosso mundo. Se precisarem de qualquer apoio, sob qualquer circunstância, não hesite em entrar em contato.
— Eu digo o mesmo, estaremos sempre à disposição da SJA. – Respondeu respeitosamente ao aperto de mão.
Todos rumavam para o hangar onde o T-Wing foi pousado, menos o Senhor Incrivel que precisava retornar ao monitoramento da missão. Porém, antes que os perdessem de vista, ele fala alto para Mutano:
— Mande os parabéns para o Ciborgue por mim!
—... Pode deixar. – Respondeu, um tanto confuso. – Parabéns pela chegada dos novos membros?? – Perguntou para si mesmo e o Flash respondeu às suas dúvidas.
— Você não está sabendo?
— O que?
— Cyborgue está sendo recrutado pela Liga da Justiça. – Roy disse, orgulhoso do amigo.
Bart mostrou-se surpreso com aquela notícia, mesmo que, no fundo, sempre soube que esse seria o futuro de Ciborgue. Porém, Mutano não pareceu reagir bem àquilo, estagnando os passos e olhando incrédulo para os antigos parceiros de equipe.
Em sua cabeça armou-se a ideia de que estava sendo abandonado pelo melhor amigo.
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— MARGINAL!!
— TITÃS UNIDOS!!! – Disse a garota no mesmo tom de voz que o exaltado Robin.
Todos desfizeram a formação de combate e riram em alívio com a presença daquela garota indomável, menos Timothy, é claro, que esbravejava toda sua frustração para a jovem heroína teleportadora.
— Você tem noção do quanto os Titãs tiveram problemas com quebra de segurança? – Robin chamou-lhe a atenção.
— O novo sistema de segurança não deveria permitir a entrada de teleportadores, na verdade... – Cochichou Ciborgue, decepcionado.
— Qual é, eu fiquei sabendo que estão recrutando uma galera, só vim dar uma conferida.
— Oráculo disse que você não está disponível para entrar na equipe. Você está com as Aves de Rapina, não é? – Asa Noturna comentou.
— Sim, sim, mas elas pegam demais no meu pé, queria passar um tempo com um pessoalzinho da minha idade.
Guardou o refrigerante de volta na geladeira depois de ter dado um generoso gole direto pelo gargalo da garrafa e rodou os olhos pelos rostos familiares daquela equipe, surpreendendo-se com uma presença específica.
— JASON?! – Pulou pela bancada da cozinha com facilidade e agarrou o Capuz Vermelho em um abraço animado e descontrolado. – Jason! Jason! Jason!!!
— Oi, Charlie... – Jason respondeu ao carinho de forma automática, vendo que Dick e o resto da equipe os encaravam sem entender de onde vinha tanta intimidade.
Capuz Vermelho encolheu os ombros em confusão, como se respondendo ao questionamento implícito de todos.
— Certo... – Robin massageou as têmporas. – Você pode ficar, mas só por hoje. E vou avisar a Oráculo sobre isso.
Ouviu os resmungos da adolescente e ignorou os apelos da moça, que logo desviou atenção ao que Jason falava.
— Vamos ao salão de jogos enquanto os novatos não chegam, aposto que te derroto no pingue-pongue em menos de cinco minutos.
Viram os dois se distanciarem do grupo que se formara em meio à exaltação, um tanto descrentes em deixar aquelas duas personalidades soltas sozinhas pela Torre.
— Richard... – Robin começou a falar.
— Certo, já entendi. – Dick respondeu ao apelo implícito de Robin, seguindo aqueles dois seres animados pelos corredores.
O restante da equipe começava a se dispersar pelo local, e Cassie puxou-o para sentar ao seu lado no grande sofá que ficava em frente à televisão do local. Foram seguidos por Superboy, por pura curiosidade, já que se encontrou sozinho quando Ciborgue, Estelar e Ravena se dirigiram para o lado oposto.
— Desfaça essa cara emburrada. – A Moça Maravilha exigiu de Robin, que relutou em obedecê-la por alguns segundos. – Sabe o que a gente devia estar fazendo? – Dirigiu-se aos amigos, fazendo Conner também sentar ao seu lado. – Ciborgue está indo embora e os novatos estão vindo pela primeira vez à Torre Titã. São desculpas mais que suficientes para se dar uma festa.
Robin mostrou-se preguiçoso ante a ideia, ao contrário de Superboy, que logo fora convencido.
— Uma festa de despedida e uma de boas vindas, tudo junto, que tal? – Cassie os encorajava ainda mais. – Eu sei que a dispensa está cheia de comida e bebidas, mesmo que os veteranos finjam que não sabem disso. – Deu risada da ideia que teve a seguir. – E se for o caso, a gente pede para a Marginal se teleportar para lá e pegar tudo que queremos.
Superboy gargalhou.
— Hoje você está especialmente rebelde, Cassie. – Tim, relaxou um pouco.
— Vamos, rapazes, temos que causar uma boa impressão nos novatos e o Vic merece, não é? – Tentava encorajar os amigos. – Eu sei que o Bart vai adorar.
Os namorados se entreolharam e logo se convenceram.
— Ok. – Robin respondeu. – Mas ninguém precisa invadir a dispensa, eu posso conseguir tudo o que precisamos. Só cuidem da decoração, nada muito espalhafatoso.
— Até porque, Mutano e Bart já devem estar chegando com o pessoal. – Conner disse, olhando para o relógio no pulso.
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— Não tem espaço pra todos nós na nave, pessoal...
Mutano tentava explicar tal fato para Wally e Roy, que insistiam em acompanhar todos até a Torre para encontrar o amigo Victor antes que o mesmo fosse embora de São Francisco.
— Eu vim com o T-Wing, só tem espaço para o piloto, copiloto e os quatro assentos dos novatos.
— Sem problemas, eu e Kid Flash vamos por terra e ainda chegamos primeiro que vocês. — Wally cutucou Bart com o cotovelo e o viu fazer uma careta de preguiça para Gar, como se implorando por ajuda. — Vamos, você precisa alongar essas pernas. Eu te dou uma vantagem. — Tentou encorajar o rapaz.
— Certo, certo... — Despediu-se de Mutano, abraçando-o forte, não percebendo que o mais velho corava com aquela atitude espontânea de carinho. – Você vai ficar bem? – Perguntou, claramente preocupado com sua reação ao saber das novidades sobre Ciborgue. Deu-se por satisfeito com o balançar afirmativo da cabeça do rapaz. — Nos vemos na torre, pessoal. — Falou com o restante da tripulação e foi se despedir das novas amizades que havia feito no quartel general da SJA.
Mutano o seguiu com o olhar, olhando de canto de olho para Wally, que sorria de braços cruzados.
— Ele se apegou a você, pelo jeito...
— É... – O transmorfo corou sem perceber. — Passamos muito tempo juntos naquela torre gigante... Talvez agora, com mais gente... Ele... Ele... — Pareceu se dar conta de algo que o fez não terminar aquela frase.
O Flash ergueu as sobrancelhas e não demorou nada ao perceber a situação do amigo.
— Ele faz amizade rápido, mas quando se apega a alguém desse jeito, é difícil se livrar do carinha...
— Ah... Isso é... Legal, acho.
Entendeu o transmorfo Titã ficando sem jeito diante tal afirmação, parecendo até um pouco aliviado quando o esverdeado teve a preocupação momentânea resolvida de forma tão veloz.
— Gar.
Wally chamou pelo amigo quando o viu se distanciar para o T-Wing, mas assustou-se com Bart gritando por si depois de se despedir de Jay Garrick, apressando-o para irem embora de uma vez.
— Conversamos na Torre, boa viagem! – Despediu-se e preparou-se para aquela corrida de longa distância, esperado Bart se aprontar. – Está pronto?
— Sempre estou pronto pra te fazer comer poeira. – Kid Flash disse seriamente, mas o Flash deu uma risada inocente, enchendo-o mais e mais de competitividade.
Dois raios amarelos cruzavam o hangar e desciam o prédio onde o QG da SJA fora instalado, passando pelas ruas de Washington, desviando de qualquer coisa ou pessoa que atravessavam seu caminho.
— Exibidos. – Roy observou o rastro luminoso deixado pelos velocistas, com as mãos na cintura e debochando do companheiro. Encontrou o olhar perdido de Mutano e suspirou, imaginando que o rapaz não recebera muito bem a notícia a respeito de Victor, já que, até onde se lembrava, eles sempre foram melhores amigos. – Ei. – Tocou seu ombro e espero que ele voltasse sua atenção para si. – Vamos nessa.
Sorriu para o amigo e ganhou outro sorriso sincero de Garfield, mesmo que ainda estivesse um tanto abatido.
— É isso aí, pessoal, obrigada pela hospitalidade, mas os Titãs precisam se retirar. – Piscou para Cyclone, Courtney e, mesmo sem perceber, para o Pantera, que franziu as sobrancelhas em desconcerto enquanto as colegas de equipe davam risada de sua feição felina encabulada. – Apareçam na Torre para uma visita! – Gritou quando todos já estavam acomodados no T-Wing, acionando as turbinas para iniciar o voo de volta a São Francisco. – Serão muito bem recebidos!
— “Tchaaau, Mutano!!” – As meninas novamente responderam em uníssono, demonstrando o nível de intimidade de sua relação, acenando em um adeus carregado da promessa de que o veriam novamente.
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Os preparativos para a festa de despedida/boas vindas estavam quase no fim quando todos se exaltavam em susto graças à estrondosa chegada do Kid Flash na Torre Titã.
— Uhuul! – O jovem herói velocista ergueu as mãos em comemoração, pois havia chegado primeiro que seu mentor, o Flash, que freava os passos ao tentar parar ao lado do protegido. – Quem precisa esticar as pernas agora? Ein? Ein??? – Brincou com a vitória.
— Você só chegou primeiro porque eu fui dar uma olhada por todos os andares da Torre antes de vir para cá. – Gargalhou ao ver como o protegido havia tomado aquilo como uma ofensa. – Você foi muito bem, Bart, parabéns. – Afagou a cabeleira do rapaz, achando graça por ele ainda estar emburrado.
— WALLY!!!
Asa Noturna correu ao encontro do antigo parceiro de equipe e o abraçou forte, demonstrando toda sua saudade.
— Não acredito que está aqui! Há quanto tempo! – Sacudiu os ombros do Flash. – Como estão as coisas em Central City?
— Vão indo... – Recuperou o fôlego ante aquela demonstração de carinho tão efusiva. – Victor está indo embora e vocês estão organizando uma festa? – Acenou para os Novos Titãs no outro canto da sala, sendo conduzido por Dick para onde Ciborgue se encontrava, rindo das brincadeiras que não haviam saído de moda desde os anos em que ele próprio era o velocista dos Titãs.
Kid Flash deixou que o mentor se encontrasse com o restante dos veteranos sozinho e se juntou aos companheiros de equipe, que penduravam alguns balões coloridos pelo local de encontro e lazer dos Titãs.
— Sentimos sua falta, Bart. – Cassandra o abraçou amigavelmente e não esperou que o amigo correspondesse, logo lhe apontando barbantes contendo alguns balões presos. – Pendure isso pelo local, obrigada. – Piscou para o velocista.
O menino revirou os olhos e logo finalizou aquela decoração. Bateu as mãos, como se as limpando, acompanhando os amigos que se sentavam no sofá, esparramando-se por cima dos três, ignorando seus protestos falsamente incomodados.
— Vocês souberam que o Vic vai embora? – Fechou os olhos, recompondo-se quando sentiu que Cassie mexia em seus cabelos.
— Sim, ele contou hoje de manhã. – Conner respondeu enquanto ligava a televisão.
— O Garfield já está sabendo? – Tim perguntou para o mais novo.
— Já... – Suspirou. – Acho que ele ficou bem triste. – Aconchegou a cabeça no colo da Moça Maravilha. – Não gosto de ver ele daquele jeito...
Cassie trocou olhares com Tim e Conner, risonha, fofocando quase que telepaticamente sobre o quão fofa achava a relação entre Mutano e Kid Flash.
— E onde está ele? – A moça perguntou.
— Eu e o Wally viemos na frente, porque não tinha espaço extra para mais duas pessoas no T-Wing.
— Quem mais está vindo pra cá? – Tim perguntou curioso.
— Arsenal. – Deixou escapar uma careta ao dizer o nome do herói.
Robin bufou.
— Ele é tão insuportável quanto Jason.
Confessou tal impressão para os amigos e se assustou quando Charlote, a Marginal, surgiu entre os companheiros Titãs.
— Marginal, de novo?! – Estava pronto para dar outra bronca na garota.
— Estavam falando mal do Jay, não é?
— Oi, Charlie. – Bart cumprimentou a mocinha, sendo ignorado.
— Eu vou dedurar vocês, ein. – Ameaçou a menina, sapecamente.
— Quantos anos você tem, garota? – Robin começava a se irritar novamente. – Está na hora de você crescer, tanto tempo com a Oráculo e você não aprendeu nada?
Recebeu como resposta a língua e sons infantis da jovem heroína, que logo desaparecia novamente, deixando todos em silêncio por alguns longos segundos.
— O que ela veio fazer aqui? – Bart perguntou, sentando-se no chão, em frente aos amigos.
— Deixar os cabelos do Tim brancos, pelo jeito. – Conner brincou, bagunçando os cabelos negros do namorado, descontraindo seus nervos e os dos companheiros de equipe.
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A viagem de volta pareceu mais rápida do que a de ida, uma falsa impressão, como acontecia geralmente. Os novos membros não trocaram olhares e nem palavras entre si, demonstrando a ausência de uma conexão necessária para um bom desempenho do trabalho em equipe. Pousou o T-Wing e guiou todos até o grande elevador que levava ao acesso da área de lazer da Torre, deparando-se com todos os Titãs, veteranos e novos em meio à confraternização em uma festa improvisada.
— Pessoal, chegamos! – Anunciou, falando alto graças ao volume consideravelmente alto de uma música popular entre os jovens que ecoava pelo local.
Os Novos Titãs andavam rápido até o grupo recém chegado, cumprimentando alegremente os novatos, incitando-os a participar daquela festividade que deixaram claro ser direcionada exclusivamente à eles e ao veterano que se despedia da equipe, o Ciborgue. O clima armado parecia estar começando a deixar de ser tão formal quando Cassie convidou todos para tirar umas fotos, e quando perceberam, o novo caçula, o Demônio Vermelho, já puxava a Moça Maravilha para dançar. Bart mostrou-se claramente enciumado com tal atitude do novo colega, e juntou-se aos dois na pista de dança improvisada.
— Quer dançar? – Conner cochichou suavemente para Tim.
—... Eu não danço. – Arrepiou-se com alguma promessa de contato com Superboy, mas riu por dentro ao pensar que não era uma má ideia.
Do outro lado do local, perto do acesso da área de lazer para o salão de jogos, os veteranos surgiam, junto com Jason e Charlie, logo correndo para cumprimentar a todos, mas principalmente para ir ao encontro de Roy Harper, o Arsenal.
E em meio a encontros e brincadeiras efusivas entre veteranos e os Novos Titãs, Mutano se afastava alguns passos, tornando-se um pequeno grilo quando achou que ninguém estava prestando atenção em si, distanciando-se o máximo que podia de todos.
Não havia percebido o olhar atento de Bart sobre si, e antes que pudesse seguir o companheiro, Ciborgue o segura pelo braço e o olha com um sorriso quase melancólico.
— Você pode trazê-lo de volta, por favor?
—... Claro, Vic.
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O jovem herói transmorfo já não conseguia mais lidar com aquele sentimento sufocante em seu peito, então se afastou sorrateiramente daquela festividade de boas vindas/despedida, isolando-se na sala do monitor, onde o melhor amigo costumava coordenar as missões. Encostou-se junto a uma janela escondida que nunca era aberta naquele local, abrindo-a e respirando fundo ao observar pensativo e um tanto tristemente o pôr-do-sol. Ficou imóvel e perdido em seus pensamentos deprimentes por alguns minutos, não se dando conta de que alguém mais lhe fazia companhia naquele recinto.
— Aqui está você. O Vic está te procurando.
Kid Flash e sua impulsividade mostraram-se radiantes, não combinando com o clima obscuro que Mutano criara no local. O mais velho virou o rosto para Bart e o velocista ficou sem reação ao se deparar com os olhos marejados e tristes do amigo.
— Gar...? – Caminhou até o veterano, buscando novamente seu olhar quando este desviou o rosto para o outro lado. – Gar, o que você tem?
A preocupação no tom de voz de Bart o atingiu como uma novidade, e deixou que as lágrimas rolassem finalmente, liberando parte daquela pressão incômoda do peito. Encostou a testa na borda da janela e fechou os olhos, sentindo que o mais novo tocava seu ombro, apertando-o, pedindo mais uma vez que lhe respondesse o que ocorria. Cruzou os braços e apertou os olhos, crispando os lábios, impedindo-se de falar qualquer coisa.
— Gar, por favor... Você está me assustando.
Assustava-se com o fato de ter descoberto que o rapaz diante de si também possuía fraquezas emocionais, não condizendo com a figura sempre disposta a brincadeiras que conhecia.
Garfield prendeu um soluço e entreabriu a boca ao ouvir o apelo do menor.
— Ele não me falou que ia embora.
Bart ofegou aliviado por finalmente ouvir uma resposta do outro, mesmo que não entendesse aquela situação.
— O Vic vai embora e todo mundo sabia, menos eu.
—... Eu fiquei sabendo na mesma hora que você...
— Mas ele é o meu melhor amigo, Bart... – Virou-se para o jovem diante de si. – Eu deveria ser a primeira pessoa a saber. Droga, eu estou furioso... E triste pra caramba! – Descruzou os braços e gesticulou em confusão. Limpou as lágrimas e cruzou os braços novamente, com raiva de seu comportamento dramático. – Poxa, nós somos amigos há tanto tempo... Entramos juntos pra turma, passamos por toda adolescência juntos. – Disse nostálgico. – Eu... Eu nunca tive um mentor, você sabe... Meus pais morreram quando eu fiquei verde e eu tive que me virar até encontrar abrigo junto aos Titãs. Ele sempre esteve lá quando precisei e agora... Agora ele vai pro espaço! Pra droga do espaço!
O herói velocista pareceu nervoso ante o desabafo do amigo, não sabendo ao certo qual atitude tomar. Nunca perguntou ao companheiro de equipe sobre seu passado, ou como havia conseguido os poderes. Talvez em outro momento. Esperou que ele tomasse algum fôlego entre as reclamações e decidiu lhe perguntar:
— Por que não disse tudo isso pra ele?
— O que? Na frente de todo mundo? Temos novos membros e eles já chegariam dando de cara com um drama desses? – Voltou a cruzar os braços e sentou irritado na soleira da grande janela, ignorando o vento gelado que batia em seu rosto.
— São adolescentes, estão acostumados com essas coisas...
Estranhou aquela resposta e olhou inquieto para o rapaz, vendo que ficara na altura de seu rosto preocupado ao se sentar naquele lugar. O viu se sentar ao seu lado, observando o céu nublado daquele início de noite fria, ignorando a bagunça que o vento fazia em seus cabelos claros.
— Se gosta tanto assim dele, não deveria se importar com o que os outros pensam sobre isso.
Não reconheceu aquele tom de voz em Bart. Boquiaberto por presenciar tal comportamento maduro em seu amigo sardento sempre tão impulsivo, Mutano ofegou, e outro sentimento juntava-se àquele infinito de confusão que era seu ser. Admirou por mais alguns segundos aquela expressão nova de Bart Allen sob a meia luz noturna e fria de São Francisco, querendo gravá-la para sempre em sua memória, e a respiração ficou pesada.
— Você sempre está do meu lado... Não é?
Bart desviou o olhar sério do céu obscuro e sorriu de leve para o amigo.
— Você é importante pra mim, Gar. – Disse sinceramente, não calculando o tom aveludado da voz ao dizer tal verdade. – Se você sofre, eu sofro também.
A troca de olhares que acontecia ali preencheu qualquer sentimento ruim do coração de Mutano com apenas uma vontade, e não mais se encontrava em contradição e confusão. Tocou as mãos de Bart e viu seu sorriso se alargar mais para si, transformando o toque em um entrelaçar folgado de dedos. O transmorfo engoliu seco e mesmo sem incitar aquela ação, Bart se aproximou e o abraçou, enlaçando-o pela cintura de forma doce, resultando em pulos nervosos no coração do abraçado.
— Bart... – As mãos não pousaram sobre o corpo do mais jovem, não correspondendo ao abraço, pairando sobre aquela possibilidade.
— Vou estar sempre com você. – Apertou o abraço e levantou o rosto para lhe olhar nos olhos e declarar todos os seus sentimentos inocentes. – Eu te adoro, cara.
A respiração de Bart batia suave no rosto desacreditado de Garfield. Ele sabia o que estava incitando ali? Entendia as reações melosas diante suas declarações tão explícitas? Sabia dos sentimentos de Mutano por si? A cabeça do herói girava dolorida ao elaborar tantas perguntas ao mesmo tempo e quase não percebeu que a expressão de Bart ao olhar para si havia se tornado séria ao se aproximar tanto do seu rosto. Acalmou os ânimos e deixou os braços enlaçarem o velocista, correspondendo ao abraço. Sentiu medo, mas tocou de leve o rosto do jovem em seus braços com uma mão, passando um dedo pelos lábios entreabertos, sentindo o cheiro de bolo de chocolate do hálito de Bart. Arrepiou-se e olhou-o com entrega e quase súplica, desejando qualquer reação do mais novo, mesmo que fosse negativa. Fechou os lábios e franziu o cenho, encostando a testa na de Bart, respirando pesadamente por ainda lutar contra aquela vontade.
O velocista encontrava-se maravilhado por fazer parte daquela cena. E não estranhou seu total conforto naquele abraço, sempre soube que Mutano era aconchegante, mesmo quando não se tornava algum animal felpudo. O coração pulava em uma expectativa a qual ainda não havia se dado conta, e quando percebeu que Garfield não lhe sorria em resposta, por pouco não se sentiu constrangido. Sempre lhe acalmou o jeito que Garfield lhe olhava, mas aquilo estava muito diferente do que estava acostumado. Talvez tenha forçado demais uma intimidade que não fosse esperada pelo mais velho. Porém, não se moveu no meio daquele abraço, nem desviou o olhar quando a mão do transmorfo deslizou pelo seu rosto. Admirava-o com carinho e curiosidade, e deixou-se derreter em bons sentimentos quando o mais velho encostou a testa na sua, parecendo bem nervoso.
Nenhuma palavra conseguiu ser proferida e nenhuma outra necessidade aflorava nas intenções de Mutano, e deixou-se levar por aquele clima. Segurou o queixo de Bart e vislumbrou seus lábios, fechando os olhos, e encostando de leve sua boca na de Kid Flash. Ficaram imóveis, respirando mais calmamente, mantendo o beijo com o mesmo nível de inocência com o qual havia sido iniciado. Bocas fechadas e lábios úmidos haviam se encontrado pela primeira vez naquela noite e afastaram-se poucos segundos depois.
Bart abriu os olhos lentamente, encontrando a feição visivelmente culpada de Garfield. Soltou-se do abraço, finalmente se dando conta de sua confusão de sentimentos, levantando-se, vendo que Gar abaixava o olhar.
— Bar- -
Não conseguira terminar uma possível explicação desnecessária sobre o que havia acabado de ocorrer, pois Bart saía em disparada do local, quase assustando o companheiro, que se desiquilibrava do assento improvisado na janela. Segurou-se nas bordas e imediatamente virou o primeiro animal veloz que pode lembrar àquela altura, tornando-se um falcão peregrino, animal que havia conhecido graças à sua constante insistência em assistir programas sobre animais selvagens e predadores. Por coincidência, Bart estava ao seu lado quando conheceram tal espécime, e ficaram abobalhados com a velocidade que ela alcançava.
Não que seus incríveis 320km/h fossem suficientes para alcançar Kid Flash e sua velocidade metahumana.
“Onde estava com a cabeça?”
Pensou, ainda na forma do animal, mesmo que já soubesse exatamente a resposta para aquilo: Expôs o seu amor pelo velocista.
E isso, sob sua interpretação, era um completo desastre.
—----x-----
Continua
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