Heroic Wish
14 Capítulo 14
Notas iniciais
O comunicador soava em seus ouvidos cansados e escondeu o rosto no travesseiro, fingindo que se tratava de um sonho para assim poder continuar seus momentos de preguiça matinal em cima da cama. Bufou nervoso e sentou-se, esfregando o rosto e atendendo ao chamado de forma contrariada.
– Eu realmente espero que esteja acontecendo algo muito, mas muito urgente...
– Eu realmente espero que não tenha se esquecido de me encontrar no salão de monitoramento.
O jovem herói franziu o cenho e esfregou as têmporas, tentando organizar seus pensamentos.
– Ah, é... – Finalmente havia se lembrado do compromisso marcado com o amigo Titã. – Já estou a caminho, Vic.
– Que tal escovar os dentes antes de vir, dessa vez?
Ouviu o amigo rir e revirou os olhos.
O espírito relaxado de Mutano era sensível a críticas, mesmo as que possuíam natureza inocente. Ele sabia que o amigo estava brincando, mas isso não impedia de se demorar na escovação de dentes. Passou o fio dental em cada espacinho, fazendo caretas em frente ao espelho e rindo esporadicamente de si mesmo. Gargarejou com o enxaguante bucal e logo cuspiu, sentindo-se orgulhosa pela bela coleção branca que contrastava com o verde de sua pele. Lavou o rosto rapidamente, secou-o e analisou o estado de sua cabeleira esverdeada, escovando-a com certo afinco.
– To ó... – Fez sinal positivo para si mesmo no espelho. -... Lindo. – Riu.
Voltou ao quarto e encontrou a parte de cima do uniforme de Kid Flash jogada em cima de sua escrivaninha. Sorriu docemente ao pegar a peça de roupa, pensativa. E então o sorriso morreu quando se deu conta de que Bart dormir ao seu lado na noite passada não era nenhum sonho.
–... Ué...
Deixou-se em meio à confusão do ritmo descompassado de seus batimentos, perdido em seu mundinho até o comunicador lhe acordar de seus devaneios.
– É pra hoje, Mutano... – Victor se pronunciou, impaciente.
–... Certo, certo. – Dobrou a peça de roupa, colocando-a em cima da sua cama, logo saindo de seu aposento.
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O moreno jogou-se na poltrona ao lado de sua cama, colocando os pés na mesma, checando os cadarços de sua bota preta e bufando ao desistir de mostrar-se paciente ante a espera.
– ‘Bora, Jason!!! – Gritou para o parceiro, quase se arrependendo por tê-lo convidado para um encontro.
Jason Todd surgiu pela porta do banheiro, afivelando o cinto preto de sua habitual calça, com o torso nu e os cabelos penteados para trás. Richard demorou-se analisando o corpo do mais jovem, mais o julgando do que admirando sua beleza.
– O que você esteve fazendo lá dentro por quase meia hora???
– Nada... Eu só não queria sair. – Disse simplesmente, voltando para o banheiro para buscar a blusa que havia esquecido.
Richard respirou fundo, buscando apoio dos céus para lhe conceder paciência.
– Vou ignorar a sua falta de consideração... Dessa vez. – Frisou. – Mas eu te chamei para sairmos da Torre um pouco, tomar um café, bater uma perna pela cidade...
Jason prendeu o riso e revirou os olhos. A insistência de Dick era de certa forma fofa, mas começava a incomodá-lo.
– Por isso que não queria sair. – Jason fez menção de colocar a parte de cima de sua roupa, mas Dick o impediu.
– Como civil, Jason.
– Você sabe que eu não quero sair, mas que saco! – Finalmente mostrou-se contrariado.
Desvencilhou-se do agarro do mais velho e encarou-o em seu silêncio. Realmente Asa Noturna estava muito mais paciente para consigo. Não havia parado para pensar no quanto toda aquela paciência o saturava. Seu relacionamento com Dick sempre fora barulhento e conturbado, muito antes de se tornarem amantes, os dois trocavam insultos por situações não tão explosivas. Aprenderam a lidar um com o outro de tal forma, e a nova tentativa de avanço na relação de Dick ultrapassava essa linha. Jason não sabia como se portar em meio àquela mudança, teria que reaprender a conviver com Richard. Odiava-se por sempre complicar tais situações rotineiras que, a princípio, lhe pareceriam de simples remate para qualquer outra pessoa.
Suspirou e encostou-se à porta do guarda roupa, encarando a vista janela afora.
– A gente podia só ficar e transar de uma vez... – Falou sinceramente, sem qualquer malícia em seu tom de voz.
Richard levantou uma sobrancelha e resignou-se, sentando na cama e aceitando sua próxima estratégia.
– A gente pode trepar em um beco qualquer também, sabia... ?
Jason continuou com seu afazer de analisar o dia que havia amanhecido e repensou a ideia solta ao acaso, voltando seu olhar para o risonho Asa Noturna.
Sorriram um para o outro, com direito a uma gargalhada mais exacerbada de Jason, que foi até o desafiante, sentando-se em seu colo, sendo agarrado pelas mãos do vigilante.
– Isso foi bem romântico... – Jason riu, puxou de leve os cabelos de Dick e mirou seus lábios.
– E olha que eu nem me esforcei tanto...
Chegaram a fechar os olhos para iniciar um beijo de cumplicidade que talvez selasse aquele encontro, mas o ruído do comunicador de Richard fez os dois rapazes quase se assustarem. Mais por conta do chamado, provavelmente, ser originado pelo Batman.
– ‘Tava demorando... – Jason rolou de cima de Richard e jogou-se sobre a cama, virando-se de costas para o parceiro.
O primeiro Robin trocou três palavras com seu mentor e encerrou aquela chamada.
– Bom... – Dick coçou a cabeça, sorrindo, encarando o aparelho comunicador. – Meio que me surpreende ele não ter aparecido aqui.
– O que ele queria?
– Por acaso, sem perceber, você pegou um dos batplanos da caverna sem pedir pra ele?
–... Opa... – Jason se fez de desentendido.
– É, “opa” mesmo. Ele o quer em Gotham imediatamente... — Pra ontem. – Levantou-se da cama, conferindo se sua camisa preta não estava amassada. – Vamos, a gente passa em algum lugar para tomar café...
Jason resmungou palavras desconexas e espreguiçou-se, impulsionando o corpo para logo ficar de pé.
– Tem roupas para você no guarda-roupa. Sempre tem roupas nesses quartos... Me pergunto quem passa de quarto em quarto trocando as roupas sujas pelas limpas... – Pensou consigo mesmo e viu Jason abrir preguiçosamente uma porta, vasculhando o imóvel com os olhos. – Pega qualquer uma, Jason. – Apressou-o.
– Ta, ta... “frescura do caramba”... – Resmungou enquanto colocava o primeiro casaco que viu pela frente. – Ta com pressa de levar bronca do Batman, né? – Levantou os braços da blusa até os cotovelos e colocou as mãos nos bolsos de sua calça. – Você tem mesmo umas tendências masoquistas.
– Não sou eu que chega a gozar só por levar uns tapinhas na bunda. – Deu o troco na investida de Jason e caminhou na frente, destravando a porta automática do quarto.
–... Essa sua sutileza anda me emocionando...
– Vamos deixar a sutileza para quando encontrarmos o Bruce.
– Inteligente da sua parte.
Andaram lado a lado pelo corredor daquela ala da Torre Titã.
Foram até o hangar onde Jason havia pousado o batplano, parando em frente à aeronave, críticos e pensativos.
–... Hm.
– Jason... – O vigilante mais velho estava pronto para mandar a paciência que acumulava para com o parceiro para a Zona Fantasma.
– Antes de mais nada, não lembro dele estar “assim” quando o peguei... – Andou até a porta de entrada, acionando-a.
– Por quê? Estava bêbado quando o roubou?
Capuz Vermelho ignorou o julgamento.
– Talvez o Timmy tenha usado pra um encontro com o clone. – Levantou as sobrancelhas no estilo “se é que me entende” usual.
–... Isso não explica o amassado na lataria externa.
– Ah, explica sim...
Jason voltou a rir com o pensamento que tivera, referente à “noite violenta de amor de Superboy e Robin Terceiro”. Sentou-se na poltrona do piloto, colocando os pés na cabine, logo os tirando quando Richard, tentando permanecer sério, empurrou-os com a mão. Deu-se por vencido quando Jason explicitou o título da cena que ecoava em sua cabeça, gargalhando enquanto ligava todos os mecanismos para iniciar o voo.
– Isso tudo é ótimo... – Tentou parar de rir, tomando fôlego. – Mas ainda tem um amassado sinistro nesse plano, e acho que o Bruce não vai achar tanta graça disso. – Apertou os cintos da poltrona de copiloto, ativou a camuflagem e logo estavam decolando.
– Isso é problema do terceiro... – Riu mais uma vez, limpando as lágrimas provocadas pelas risadas exageradas.
– Sim, mas é a gente que está levando o problema para o Batman... – Quase se sentiu preocupado com o encontro com o mentor.
– Quer que passemos no mecânico??? — Jason
–... Que seja então... – Richard levantou as mãos resignando-se, se livrando de quaisquer responsabilidades. – Nos livramos do problema, ouvimos o sermão e vamos tomar café em um lugar maneiro que conheço em Gotham.
Dirigiu uma mão até a nuca de Jason Todd, acariciando os fios negros e passando uma mecha de cabelo para trás de sua orelha. Trocaram risadas despreocupadas novamente, não se interessando muito em adivinhar que tal amassado fora provocado por Kid Flash em meio a sua euforia.
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Acordou assustado com o peso em seu peito, imaginando, em meio ao despertar, que uma pedra enorme havia despencado em cima de si. Rolou pela cama, caindo desajeitadamente no chão gelado, levantando de supetão até a verdade lhe ser declarada. Ainda estava na Torre e o que sentiu chocar-se contra seu corpo enquanto dormia era o braço de Superboy. Ofegou, retornando à realidade, e sorriu, chegando a gargalhar baixo quando repensou a ideia absurda que tivera ao despertar.
– Uma pedra... – Riu novamente e aproveitou que estava no chão para fazer algumas abdominais. Às vezes a paranoia de Bruce se fazia presente em si, e continuou os exercícios ensinados pelo mentor.
Pensou no porque de não ter voltado para Gotham no Domingo à noite, já que tinha tantos afazeres na Caverna e estudos escolares. O olhar tornou-se gentil ao se lembrar da noite com os amigos Titãs e do quanto havia se divertido. Apesar da dor de cabeça por conta do acidente com o batplano, os amigos não desanimaram e decidiram que era uma boa ideia ir a um karaokê. Sorriu ao lembrar-se de Bart e do quanto ele parecia estar feliz. Acabaram não tendo uma conversa mais séria sobre a situação do caçula, e tomou nota de que esse encontro aconteceria no final de semana conseguinte. Todos precisavam daquela folga, passar um tempo juntos. Passaram por tantos problemas e descobertas enquanto Turma Titã, compartilharam momentos tristes e felizes e há algum tempo negligenciavam essa amizade.
Sentou-se no chão, ao lado da cama, encostou as costas na parede, apoiando os braços nos joelhos. Buscou pela visão do seu herói dormindo, sorrindo ante a preguiça do clone. Levantou-se e engatinhou pela cama, deitando-se de lado ao lado do rapaz, admirando seu quase despertar.
– Vamos lá, garotão. É segunda feira...
Conner franziu o cenho e escondeu o rosto com o travesseiro.
– Isso lá é jeito de acordar os outros? – Teve a fala abafada pela almofada.
– Ninguém gosta de acordar com esse tapa de realidade, não é?
Timothy riu com a reação do clone, sentando-se na cama, tentando encorajar mais uma vez o jovem vigilante.
Perdeu-se na imagem de Superboy seminu em sua cama, no seu aposento da Torre Titã e mordeu o lábio inferior com certo pesar no olhar.
– Devíamos ter passado a noite em Gotham...
O sonolento saiu do seu esconderijo macio do travesseiro e abriu preguiçosamente os olhos, buscando pelo semblante de Robin.
– A farra acabou sendo das grandes. – Tentou justificar.
– É... – Respondeu baixo, já hipnotizado com o olhar carente de Robin.
O menor foi puxado com facilidade e lentamente, deitando-se sobre o corpo de Conner, que começou a mexer nos cabelos desarrumados do prodígio.
– Ele fica engraçado quando você acorda... – Bagunçou ainda mais a cabeleira negra do parceiro, rindo do resultado.
– Bom... Você fica com o rosto inchado quando acorda, mas você não me vê comentando.
Apertou as bochechas do rapaz, tentando incomodá-lo.
– Podíamos dar uma fugida, não é? – Viu que Tim não aprovara a ideia, só com o olhar de desaprovação que lhe lançara.
– Lá vem você de novo...
– Não estou a fim de ir para a escola...
– Você provavelmente está atrasado, de qualquer forma.
– Provavelmente...
– Provavelmente vai repetir de ano também.
– Meu namorado é um gênio, tenho certeza que ele vai me ajudar.
Seguravam o rosto um do outro, conversando entre sussurros, em uma aproximação que logo resultaria em um beijo se Timothy não tivesse afastado o rosto e alterado a expressão apaixonada por outra mais analista.
– Eu não vou poder ajudar se você faltar mais do que comparece às aulas...
Conner largou os braços na cama, vencido.
– Ajeite-se. – Tim saiu de cima do clone, dando alguns tapas encorajadores em seus ombros, e começou a procurar por suas roupas pelo quarto.
– Tim... – Chamou o parceiro enquanto colocava sua calça jeans, jogando a camiseta preta com o ‘S’ vermelho no ombro, sentando na cama para calçar os sapatos. -... Eu sinto a sua falta, cara...
Robin achou seu uniforme, colocando-o em uma mochila, voltando sua atenção para Kon-El. Sabia do que o rapaz estava falando: desde a noite no celeiro que não transavam, e aquilo também o incomodava. E muito. Haviam prometido uma para o outro novas experiências e isso vinha sido deixado de lado por conta da rotina e outras responsabilidades. Afligia-se tanto quanto o homem que amava, mas tinha que tentar se manter consciente por ambos.
A noite fora agitada, mas não da maneira que gostariam realmente. O momento com os amigos eram sempre apreciados, mesmo quando um deles amassava a lataria de um veículo do Batman (Fato que preferia ignorar até ter que enfrentar o mentor de frente). Dançaram, cantaram, impuseram desafios, competiam pela atenção um dos outros, como é o comum em todos os grupos de amigos. As brincadeiras, as risadas, as besteiras, tudo até a volta ao terraço da Torre, onde confeririam o pôr-do-sol, elevaram os ânimos até a completa exaustão. Bart prontificou-se a levar a amiga Cassie para casa, mesmo que a moça tenha insistido que poderia ir voando para a casa da mãe, e logo desapareceram de suas vistas, deixando os namorados a sós e com esperanças de alguma ação mais íntima que fecharia gloriosamente aquele dia. Os planos de Tim foram frustrados, pois gostaria de ter levado seu Superboy para Gotham, mas tentou não se prender muito a isso e se aliviar da saudade e curiosidade que sentia daquele corpo. Despiram-se, beijaram-se com todo o vigor existente... E caíram no sono.
Não se orgulhava do nível de exaustão que o abatera durante as carícias de Conner. Por vários dias, em Gotham, passava em claro, pois estava em missão com Batman. Aquela situação era basicamente inaceitável. Tinha que recompensar os dois por tamanha decepção.
Foi até o amante sentado na cama e pegou a camiseta preta do seu ombro, desvirando-a do avesso e vestindo-a. Conner o observava curioso, tentando entender as ações do rapaz.
– Adoro essa camiseta... – Admirou-se no espelho, trajando a peça de roupa de Conner e uma cueca box preta. – Entendo porque vive com ela.
O clone sorriu ao acompanhar aquele desfile particular.
– Isso foi uma crítica, menino prodígio?
– Nunca. – O jovem piscou provocativo, ficando entre as pernas do meio kryptoniano sentado na cama, enlaçando-o pelo pescoço.
– Está um pouco grande em você, não está?
Analisou melhor o parceiro, não se esforçando tanto para chegar a tal conclusão.
– É confortável assim. – Foi sincero, apesar de quase se sentir usando um vestido com a roupa do clone.
–... Está tentando me animar? – Levantou uma sobrancelha, rindo de forma devassa.
– Também sinto sua falta, Kon...
Beijou-o de leve e ajoelhou-se entre suas pernas, mirando os olhos azuis do rapaz.
–... Que coisa, Tim... – Apoiou as mãos na cama, admirando Timothy lhe abrir o zíper da calça que havia acabado de abotoar. –... Agora há pouco você estava quase começando seu discurso sobre responsabilidades.
– Vou ser rápido...
– Não, não tenha pressa...
Trocaram um olhar e sorrisos de cumplicidade.
A gola muito grande de sua camiseta deixava à mostra um ombro de seu prodígio, e aquilo era de uma sensualidade que nebulava a mente de Conner. Levantou o quadril quando viu que o rapaz queria lhe tirar as calças, ajudando-o a se livrar daquela peça. Tim fez questão de tirá-la completamente, deixando Kon-El apenas com as botas pretas não amarradas, encontrando assim seu ideal de imagem sensual que vagaria por sua mente sempre que estivesse longe do jovem herói, alimentando suas fantasias.
Devorou-o, cheio de saudade, com o olhar, com os lábios, afundando o rosto no ventre de Superboy, buscando pelas mãos do clone, entrelaçando-as com as suas, guiando uma para sua cabeça, encarando o olhar profundo do namorado ante tamanha luxúria. Conner desabou na cama e segurou o rosto, perdendo-se no empenho que Tim colocava naquele sexo oral, lambuzando-o generosamente de saliva, brincando com seus testículos e tendo acesso livre para sua entrada quando levantou e dobrou as pernas.
Timothy finalmente admitiu que aquilo estava saindo totalmente do seu controle. Superboy claramente estava se oferecendo e considerou com todas as forças tomá-lo ali mesmo.
– Droga...
Expressou indignação ao conter seus desejos e deu fim àquela onda de prazer em Conner, sentindo o peito doer ao arrastar-se sobre o corpo do namorado e encontrar aquela expressão carente em seu rosto. Beijou-o de leve, não sendo correspondido à princípio, mais por conta de o rapaz estar recompondo os sentidos.
– Desculpe, Conner... – Saiu de cima do herói, sentando-se na cama. – Sério... – Cruzou as pernas e arrumou a franja que caía em seus olhos para trás. – Temos tanto o que fazer... Em Gotham, Smallville... Preciso ser o responsável aqui, não posso deixar isso subir à cabeça a ponto de se tornar um problema para nós dois.
– Ei, ei... – Conner apoiou-se nos cotovelos, visivelmente insatisfeito, mas tentando mostrar-se o mais compreensível possível. – Eu não estava reclamando, estava? – Sorriu. – Não fique com toda a responsabilidade para você. – Passou os dedos pelo cabelo de Timothy, colocando uma mecha atrás da orelha. – E não se sinta culpado, senão eu também vou me sentir.
Trocaram olhares apaixonados e Tim suspirou.
– Temos que ir...
Um ar de tristeza tomou conta daqueles dois pobres seres.
– Bom... Falta pouco para as férias... – Superboy expressou algum otimismo ao dizer isso.
– Quero você me Gotham hoje à noite. — Tim disse sem olhar para Conner, jogando-lhe a camisa de volta, colocando a mochila nas costas e aprontando-se para a partida. – Eu vou rondar com Batman e te chamo quando terminar.
–... Certo. – Respondeu enquanto vestia toda sua roupa novamente.
– Sem desculpas, sem hesitações... Você vai até à mansão e a gente vai transar até amanhecer...
Conner colocou sua camisa tradicional e arregalou os olhos ao ouvir as intenções de Tim. Não que já não estivesse com tal ideia, mas ouvir seu namorado expressá-la em alto e claro som, o fez criar ainda mais expectativas. Abraçou-o por trás, enlaçando-o pela cintura, encostando a cabeça na de Robin, fechando os olhos e perdendo-se por alguns segundos no cheiro do rapaz.
– Por que faz isso comigo...? – Perguntou manhoso. – Vai me deixar maluco.
– Eu vou ficar maluco se você não aparecer lá hoje. – Embalou-se naquele abraço. – Estou falando sério, Kon-El.
E ali Conner teve certeza de algo que já suspeitava há algum tempo: Tim sempre o chamava de Kon-El quando o assunto era realmente sério. E sorriu quando ele fez entender que considerava uma noite de amor consigo algo a ser inserido nesse círculo de necessidades atinadas.
– Pode deixar, menino prodígio... – Afastou-se do rapaz, destravando a porta automática daquele cômodo, dando passagem para o namorado. – Você me liga, eu apareço por lá em alguns minutos.
–... Perfeito. – Beijou-o rapidamente enquanto passava pela sua frente, despedindo-se e apressando o passo para o hangar da Torre. – Nos vemos mais tarde. – Piscou e tomou o seu rumo.
Superboy suspirou desanimado. Tudo o que queria era afundar-se em meio aos lençóis e quem sabe receber mais carinhos de Robin, mas tinha que se contentar com as últimas aulas do ano. Não costumava se preocupar muito com nada de natureza da cidade onde Clark Kent fora criado, mas começava a se questionar como Timothy reagiria se dissesse que estava prestes a repetir o último ano do colégio. Um sorriso amarelo brotou de sua face cínica e algo como receio pareceu surgir daquele pensamento. Correu, tomando seu caminho para a cidadezinha, conferindo a mochila no caminho, confirmando a presença do material que precisaria para o dia de aulas.
Chegaria atrasado, mas chegaria, e precisava ao menos tentar compensar o tempo perdido
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Bocejava preguiçosamente enquanto adentrava a sala de comando da Torre Titã, encontrando o amigo Ciborgue enfrente ao computador principal, ao que parecia confirmando o ingresso de mais jovens heróis à equipe. Deu dois tapas amigáveis na cabeça do companheiro veterano, fazendo-o lhe empurrar fingindo contrariedade.
Victor viu o amigo se espreguiçar e soltou um suspirou, sendo afetado inconscientemente pela falta de coragem de Mutano.
– Não dormiu bem? – Perguntou com certo ar de preocupação.
Mutano estalou o pescoço e se sentou em uma cadeira giratória ao lado de Stone.
– Nah... Eu to legal. – Pegou o aparelho com as músicas que havia emprestado para o amigo em cima da mesa de controle dos computadores. – E aí, chegou a ouvir alguma coisa?
– Quase tudo, mas já pode levar de volta... Nunca vou entender o gosto musical dos jovens atualmente.
– Não é o gosto deles, só o que está fazendo sucesso hoje em dia. – Riu e colocou o aparelho de volta à mesa. – E então, disse que tem algo pra me pedir.
– Preciso que se comprometa a buscar os novos membros na sede da Sociedade da Justiça, em Washington, no próximo final de semana.
O transmorfo sequer considerou terminar de ouvir aquele pedido, e esperou o amigo “falar sério”.
– Você está brincando, não é? – Soltou-se na cadeira, inclinando-a até quase cair de costas. – Esse não é um trabalho para o Robin???
– Prefiro que um veterano faça esse trabalho. – Tentou se manter paciente ante a reação do amigo. – Ele está ciente e aprovou a ideia.
– E o Dick? – Levantou os braços, exaltado.
– Ele é o tutor do Jason, realmente não quero o cara por perto no primeiro encontro com esses garotos.
Viu que Garfield parecia desconfortável com a ideia e virou a cadeira giratória para o herói.
– Acredito que você dá conta do recado... Qual o problema?
Foi o que Garfield se perguntou. Sempre buscava ser útil para a equipe e aquela oportunidade era consideravelmente rara. Conhecia quase todos os integrantes da Sociedade da Justiça da América, e isso facilitaria o processo de transição. Repensou o caso com mais vontade e acreditou que não era de todo mal sair em missão para a capital do país.
– Tudo bem... – Ajeitou-se na cadeira. – Eu faço isso. – Pensou em outra possibilidade de tornar a missão um pouco mais confortável. – Vou chamar a Ravena para me acompanhar, faz tempo que não saímos juntos e ela quase nunca sai da Torre...
Ciborgue o olhou risonho e Mutano reavaliou o que acabara de dizer.
–... Formamos uma boa equipe, foi o que quis dizer...
– De fato, vocês formam um casal muito competente.
– Argh... – Levantou-se. – Para com isso, cara. – Encaminhou-se contrariado para fora daquela sala, ouvindo que o amigo gargalhava alegremente.
Era verdade que houve um tempo em que compartilhava com a colega de equipe uma relação amorosa adolescente, onde descobriram juntos a importância de se ter alguém ao lado para compartilhar todo o tipo de sentimentos e anseios. Durante a época em que os Titãs veteranos não mais se reuniam na Torre, Mutano, em meio à saudade da confidente e namorada, começou a avaliar a relação. O que, historicamente, sempre leva a uma revelação bombástica, para o bem, ou para o mal. Ravena era uma pessoa extremamente sensitiva e provavelmente sentia em Garfield toda a insegurança que o assolava. Passou a considerar a possibilidade de a filha de Trigon estar consigo por pena, e aquilo fez com que a convivência se tornasse rara com o passar do tempo, e resolveram tudo quando os Titãs começaram a se reunir na Torre com os Novos Titãs, ocasionando seu retorno definitivo para a equipe como um veterano. Apesar de muito considerá-la como amiga, confidente e companheira, deram fim a qualquer resquício de relacionamento amoroso. Sem dramas, sem rancores, era o fim e ambos o aceitavam sem tristeza. A amizade em nada foi abalada, tanto que a ideia de convidá-la para a missão continuava lhe parecendo bastante razoável.
Apressou o passo para encontrar a moça e levou um susto enorme ao se deparar com ela no corredor seguinte, tropeçando e quase caindo para trás.
– RAVENA!? – Exclamou, colocando a mão no coração e ofegando. – Eu estava...
– Estava indo falar comigo, não é? — A colega escondeu um riso com as mãos, logo o ajudando a se acalmar. – Eu sei, Gar, por isso estou aqui.
– Ah... – Expressou alguma surpresa com o nível de sensitividade que a amiga alcançara. – Bom... – Recuperou o fôlego. – Acabei de falar com o Vic, ele quer que eu vá buscar os novos integrantes em Washington.
– É uma grande responsabilidade. Está tudo bem?
Mutano sorriu diante da capacidade da moça ler suas expressões.
– Sim, está. – Passou o braço pelos ombros da amiga e andaram lado a lado sem rumo. – Eu quase recusei, para mim era um trabalho para o Robin, ou o Dick. Mas...
– Tenho certeza de que você dá conta, Gar.
–... É, foi o que o Vic disse... – Coçou a cabeça, sem graça, desviando o olhar. – Pensei que talvez você queira me acompanhar nessa missão. Pegamos um dos jatos e chegamos à base da SJA em um pulo. Você pode me ajudar a deixar os moleques mais à vontade e...
A descendente de Trigon pareceu interessada na proposta, mas à medida que o transmorfo tagarelava, ela percebia certa confusão interna no amigo. Parou de andar, chamando-lhe a atenção, o fazendo cessar o falatório e esperar por uma resposta da amiga.
– E então, o que acha? – Perguntou esperançoso.
Ela analisou profundamente o olhar de Garfield, parando a alguns centímetros de sua faça, ação que sempre deixava Mutano sem graça. Ele desviou os olhos e a garota teve certeza.
– Não é a mim que você deseja chamar.
–... Como é? – Realmente não havia entendido, pois toda sua linha de raciocínio parecia ter sido, novamente embaralhada.
– Preste atenção nos seus sentimentos, Gar. Não é a minha companhia que você deseja, não é?
Mutano pareceu surpreso com a declaração da amiga. Ele precisava de uma resposta simples, de um “sim”, ou um “não”, mas sua parceira tinha esse maldito dom de ser enigmática que fazia sua cabeça doer.
– Se não quer ir, é só dizer, ué... – Mostrou-se incomodado e ligeiramente ofendido.
A sensitiva sorriu de forma singela e segurou o rosto do amigo com ambas as mãos, beijando-lhe a bochecha, demorando-se no carinho antes de tentar esclarecer a questão.
– Eu te acompanharia com o maior prazer, Gar... Formamos uma boa equipe.
Mutano ergueu os braços, gesticulando ao concordar com tal fato.
– Vamos lá, respire fundo e feche os olhos...
O rapaz relutou, mas fez o que a moça solicitou. Ela esperou que o transmorfo a atendesse e aveludou a voz mais um pouco.
– Você tem ignorado esse sentimento, que não tendo consciência disso. Você é assim, um rapaz simples que não enxerga subjetivamente. É algo que poucas pessoas possuem e pode tanto ajudar, quanto atrapalhar.
O jovem Titã a ouvia atento, livrando-se de toda distração que o distanciasse da voz aconchegante da amiga.
– Eu vou te ajudar dessa vez, Gar. – Encostou a testa na do amigo, fazendo-o se arrepiar com o toque da sensitiva. – Seu coração anseia pela presença de uma pessoa. Alguém que o enche de alegria. Respire fundo e me responda, Gar... De quem você está sentindo falta?
Sussurrou e espero a resposta do amigo, que não demorou nada em lhe revelar a verdade que omitia.
– Ligeirinho... – Disse em um sopro inocente.
Ravena riu, o que fez Mutano sair daquela espécie de transe. O rapaz arregalou os olhos e demonstrou tremenda preocupação diante da revelação.
– Você me fez dizer isso, não foi? – Perguntou, achando que aquilo era algum tipo bizarro de brincadeira.
– Não possuo tal poder. – Viu o amigo começar a se desesperar e sacudiu-o, fazendo-o voltar a si. – O que lhe incomoda?
Olhou para a amiga com um ar de “você está falando sério???”.
– Certo, tudo bem. – Bateu na cabeça do transmorfo algumas vezes, como se querendo acalmá-lo, não obtendo muito sucesso. – Chame-o para a missão e tente resolver isso sem exaltações. – Soltou o rapaz e considerou seu trabalho ali finalizado.
Viu que a amiga estava se despedindo e a segurou pelo pulso.
– Por que fez isso, Ravena? – Eu só queria uma companhia, você não tinha o direito de... De...
Encolheu-se, encostando as costas à parede fria do corredor, ainda segurando as mãos da moça a sua frente, que mais uma vez mostrou-se preocupada com o amigo, questionando sua tomada de decisões.
Por várias vezes os companheiros de equipe a alertaram sobre os perigos de se manipular, mesmo que superficialmente, os sentimentos humanos, mas tentava ao máximo controlar tal poder, em se tratando dos amigos. Entretanto Mutano estava lhe parecendo tão perdido com o passar dos dias, que se tornou imperativo tirá-lo daquela escuridão emocional.
Agachou-se diante do rapaz e explicou de forma a se fazer entender pelo jovem de entendimentos confusos.
– Eu só fiz você enxergar o que estava enterrado em seu coração, Gar... Por favor, não ache que tive algum prazer egoísta ao fazer isso.
– Não, cara... – Abaixou a cabeça e a sacudiu negativamente. – Eu nunca vou pensar mal de você. – Entrelaçou os dedos com os da amiga, numa prova de carinho e confiança. – É que... O que isso quer dizer afinal? Eu estou apaixonado por ele? – Sorriu amargamente. – De onde veio isso?
–... Você tem todas as respostas que precisa.
– Mas... – Encarou a garota com olhos de desespero. – Ele é só um garoto, Ravena... Ele é um garoto. – Tremeu ante aquela realidade. – Eu sou gay, hétero...??? O que é que está acontecendo???
Ravena suspirou e entendeu a nova confusão de Mutano.
– As coisas não são tão simples assim, meu amigo. Você é o que é, e isso eu não posso lhe mostrar. – Tentou confortar o amigo, mesmo achando que aquilo não o ajudaria. – Como eu disse, tudo o que precisa saber, você já sabe. Você só tem que respirar fundo, se acalmar e fazer as perguntas certas. – Fez com que o jovem a olhasse nos olhos. – E Bart não é um garoto.
O transmorfo a olhou curiosamente e confuso, fazendo a amiga reformular a questão.
– Ele não é “só” um garoto, Garfield. E você também sabe disso.
Desviou o olhar e finalmente concordou com a filha de Trigon.
– As viagens no tempo parecem ter atrasado o amadurecimento dele. Eu não compreendo as implicações disso, mas sei o que ele é. E Bart certamente não é nenhuma criança. Ele só precisa entender isso e ficará tudo bem.
Percebeu-se em meio a um drama que nunca acreditou vivenciar. Claro que era um tremendo clichê se apaixonar por um amigo, mas aquilo lhe soava um absurdo terrível e descobrir-se nesse novo terreno amoroso e ter que aceitá-lo como verdade o fazia querer trancar-se em seu quarto e nunca mais sair de lá. Porém, precisava utilizar toda maturidade acumulada para situações de emergência (o que certamente era o caso) e levantou-se do chão com a ajuda de Ravena. Recompôs-se, suspirando e tomando coragem para seguir adiante com aquela vida.
– Você vai ficar bem, não vai? – Perguntou, já sabendo que o rapaz superaria a descoberta tão rapidamente quando ela.
– Vou... – Puxou a moça para um abraço, apertando-a quase que desesperadamente, tomando-lhe ar e alguma paciência.
– Estarei por perto, Garfield... Não se preocupe tanto, meu amigo.
– Eu sei, Ravena... Eu sei. – Apertou-a mais um pouco antes de ser praticamente empurrado pela garota.
Sacudiu-o novamente, encorajando-o a seguir seu caminho sozinho. Sorriu enquanto se afastava do parceiro de equipe, vendo o quanto ele se sentia abalado pela separação.
Adorava aquele cara confuso e desajeitado que sempre necessitava de um apoio, mesmo sabendo que nem sempre carecia realmente de ajuda. Gostava de sempre estar por perto, monitorava os passos emocionais do rapaz para poder manter-se a par caso sua presença fosse inconscientemente necessitada... Então perceber tal anseio no amigo não havia sido bem uma surpresa. Talvez no início, quando não esperava por aquilo, e percebeu que Mutano não estava sendo tão dramático quanto imaginava. Mesmo que seja em passos incansavelmente lentos, Garfield se mostrava cada vez mais maduro em seu íntimo. Mas não importava como, sempre estaria presente caso o transmorfo precisasse. Todavia, não naquele momento. Naquele momento, Garfield Logan precisaria passar por aquela fase sozinho;
Com Bart.
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Continua
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