Heroes Of Sand
11 10 - Natural Born Killer
Notas iniciais
10 – Natural Born Killer
POV Bia
Saí de casa correndo, meu coração estava pesado e eu chorava muito. O único lugar que me restava era a casa de minha irmã, Rô e Zacky talvez pudessem me ajudar. Toquei a campanhia
- Bia? Nossa que susto mulher! Entra aí – Zacky abrira a porta, abracei minha irmã com muita força.
- Minha mana, o que houve? E essas malas aí? – ela parou por um instante – Brigou com o Jimmy? Mas isso é impossível e...
- Ele expulsou Mário de casa e então resolvi sair também. Ele abriu mão do próprio filho, mas eu não! Eu vou lutar por ele mesmo sem Jimmy ao meu lado! – eu cuspia cada palavra com raiva – Posso ficar uns dias aqui? Só até eu conseguir colocar minha vida nos eixos
- Nem precisa pedir mana, ter você aqui será ótimo! – Ela e Zacky vieram me abraçar, Melissa desceu as escadas e sorriu quando me viu
- Tia! – ela me abraçou
- Oi meu anjo, tudo bem?
- Não, você está chorando e na boa, eu detesto te ver assim! – sorri. Melissa era uma garota incrível e estava sempre dando orgulho á Zacky e Rosana.
- Mana você pode ficar no quarto de hóspedes ao lado do quarto de Melissa tudo bem? – sorri, enxuguei minhas lágrimas
- Obrigada minha mana – subi as escadas e me tranquei no quarto.
Eu estava derrotada, sofria como ninguém. Só Deus sabe onde meu filho estaria naquele momento. Abri minha mala e retirei algumas roupas quando uma foto caiu. Era a minha preferida. Eu estava sentada no colo do homem mais perfeito do meu mundo. Eu segurava firme em seu pescoço e ele sorria, olhos azuis refletiam a luz da lua e ao seu lado estava o segundo homem da minha vida. Mário com uns 13 anos, sorria e abraçava o pai. Estávamos na praia naquele dia...
*Flashback on*
“- Mário não vá muito longe entendeu?
- Relaxa mãe, vou ver se acho algumas conchas e volto logo – ele saiu correndo pela orla da praia e me deixou ali sozinha sentada nas pedras. Meu coração estava feliz, confortado, mas é claro que ficaria bem melhor.
- Oi senhora Sullivan – Jimmy chegara com seu perfume maravilhoso, me abraçou por trás e me obrigou a sentar em seu colo – Você é linda demais sabia? – ele me beijava com intensidade, suas mãos percorriam meu corpo enquanto dizia coisas bonitas no meu ouvido. Estava escurecendo e o frio estava chegando.
- Jimmy eu... – eu queria dizer tudo que eu sentia, mas ele já sabia, sempre soube.
- Não precisa dizer nada ok? Obrigada pelo filho maravilhoso e... – ele olhou pro céu.
- O que?- perguntei
- Você consegue acabar comigo sabia? Eu sou teu mulher saiba disso
- Acho bom mesmo por que se alguma daquelas fãs frenéticas tentar chegar perto do meu Rev eu quebro os dentes delas uma a uma entendeu? – rimos juntos
- Nossa, que medo hein? Vem cá – ficamos ali nos beijando até que Mário chegou.
- Mas vocês dois não tem jeito né? Olha, encontrei umas conchas maneiras hoje! – ele sentou-se ao nosso lado. – Ah mais uma coisa... Eu amo vocês! – Mário se aconchegou em nós. Confesso que poderia morrer ali, já que eu tinha o meu mundo completo. James Sullivan e Mário Sullivan... Sinceramente? Eu não queria mais nada.”
Chorei abraçada á foto, não tinha forças para lutar. Talvez Jimmy tivesse razão... Eu não iria conseguir.
POV Mário Sullivan
*3 meses depois *
- Parabéns garoto! Você parece nascer pra isso! – Caio me dava os parabéns pelo nosso primeiro assalto juntos. Sim... Faziam 3 meses que eu saíra de casa, 3 meses sem ver meus pais, sem ver Natalia. Minha vida agora se resumia em fazer besteiras, me drogava por aí, bebia até cair e já havia feito alguns furtos.
- Amanhã vamos á um lugar movimentado da cidade e a noite teremos festa pra ir! Muita birita meu garoto. E vai ter aquela da boa também! – Caio dava tapinhas nas minhas costas. Ele e Leana ficaram se pegando no sofá da sala enquanto eu subi para o quarto. Tudo por enquanto estava sendo um êxtase, eu estava adorando tudo aquilo. Eu me sentia forte por desafiar a lei, a sociedade, mas nada descreve o que senti naquele momento...
*Flashback on*
“- Vamos lá... Preste atenção garoto, o primeiro passo é a abordagem e depois você finaliza entendeu? – Caio me dava os toques para que o roubo fosse um sucesso. Eu não acredito que estava prestes a fazer aquilo, tomei fôlego. – Agora vá e não erre entendeu? E se a pessoa resistir... Atire!
- Atirar? Não, isso não... – eu disse assustado
- Está com medo agora é moça? Vá lá e faça o que você nasceu para fazer – Saí em disparada em direção as pessoas que estavam na rua. Ele sorriu enquanto Leana observava tudo á distância.
Posso dizer que a adrenalina tomou conta de mim naquela hora. Coloquei a arma em punhos e apontei para aquelas pessoas, ver elas gritarem e implorarem pela vida era sensacional.
- Passa o dinheiro agora! – eu gritei, a mulher me deu a bolsa e jóias. Ela tinha uma criança no colo, o bebê não parava de chorar.
- Pode levar tudo, mas não faça mal ao meu filho! – ela disse até que um homem chegou para defendê-la
- Fique longe da minha mulher seu filho da puta! Devolve o que roubou pirralho – Minha raiva cresceu enquanto ele tentava me impedir, o gatilho estava me atraindo – Vamos! Lugar de criança é na escola cara! Devolva o que é nosso!
- Cala a boca! – eu gritei e apontei a arma para ele – Ninguém aqui é criança entendeu? Se você abrir a boca de novo eu estouro sua cabeça entendeu? – ele pareceu se assustar. Quando me virei de costas para ir embora ele me surpreendeu por trás. Só foi ouvido um tiro. Fiquei em pânico quando vi aquela cena. Estava feito, o homem estava baleado, seu sangue tomava conta da guia da calçada, sua esposa gritava. Eu não sabia se ele estava morto ou não, apenas saí correndo dali. Aquela visão iria me perturbar pro resto da vida.”
Sim... Eu atirara nele, mas por que o cara teve de me enfrentar? Eu não iria fazer mal á ninguém, eu só queria provar o quanto sou forte, eu só quero ser respeitado.
Liguei a TV e a imprensa estava no local, estavam a procura do garoto que atirou no cara, este, estava em estado grave no hospital.
Eu estava sendo procurado pela polícia, o que só dificultava tudo. Abaixei a cabeça e comecei a chorar... Por um momento senti a falta deles, daqueles olhos azuis sempre me protegendo... Daquele sorriso lindo e a voz doce dela... Fechei os olhos e pela primeira vez em 3 meses eu rezei, rezei para que alguém me ajudasse, mas era em vão. Fui até a cômoda e peguei minha droga favorita, fiquei ali a fumar. Tragava com prazer uma, duas, três vezes.
“O que eu me tornei?”, só pensava nessa pergunta enquanto eu me drogava no quarto. Talvez fosse o fim, eu estava preso e não iria sair daquela vida, não conseguiria... Não queria.
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