Heroes High School
11 Capítulo 10 - Torcida
Notas iniciais
Já se passara um mês. Um mês desde o dia em que ele quase explodira. Um mês desde o dia em que ele quase matara as pessoas com quem mais se importava. Um mês desde o dia em que ele “fizera as pazes” com Elle. Um mês desde o dia que vira Kristen surpresa pela primeira vez. Um mês desde o dia em que conhecera o estranho Takeo Namizake, que fazia questão de ter seu sobrenome dito primeiro – ou seja, Namizake Takeo. Um mês desde o dia que ele começara a se aproximar de Ashley, agora sua grande amiga.
Um mês desde o dia que Mey Lin e Rarussamy descobriram o Neji-Júnior.
- Kristeeeeen – Mey Lin chamou, chegando por trás da cadeira dela – Como vai o NJ?
- Ótimo sem vocês – ela respondeu seca, sem nem olhar para a garota – Sai de mim.
- Uia, que medo – zombou a japonesa, afastando-se e rindo.
- Como você aguenta isso todo o dia? – Peter perguntou, chegando bem perto dela.
- Taí mais uma coisa que eu não sei – ela bufou, apoiando a cabeça numa das mãos – Minha vida está começando a ficar emocionante.
Ele riu ao ver a “emoção” dela. Kristen olhou de esguelha para ele, em seguida espalmando sua mão sobre a cabeça do garoto.
- O que te aflige, meu bom rapaz? – ela perguntou com uma voz estranha, fazendo círculos com a mão que parecia abençoar Peter.
- Ahn... Ver você fazendo isso – ele respondeu, levantando uma sobrancelha.
- Pode me contar, eu já sei mesmo – ela voltou a apoiar a cabeça nas mãos – Você devia conversar com ela.
- O que? – ele indagou, confuso.
- Com a Elle – ela explicou – Você esta preocupado com o que você ouviu na cabeça dela, há quanto tempo... um mês? Por aí.
Ele arregalou os olhos.
- Como sabe disso?
- Olha, meu filho, se eu fosse te explicar... – ela silenciou, com seu olhar parando em algo atrás dele – Olha, a Ashley está vindo, peça ajuda a ela.
E então se levantou, deixando-o mais confuso ainda.
- Essa garota é muito estranha – comentou Ashley, sentando-se no lugar que momentos antes era ocupado por Kristen – Mas o que ela estava dizendo que você deveria falar comigo?
- Lembra que eu te contei sobre eu ter ouvido a Elle pensar que iria embora?
- Lembro.
- Ela mandou eu pedir ajuda para você quanto a isso.
- Hm... – ela estreitou os olhos, ponderando – Escuta, Peter, eu já te falei o que você poderia...
Nesse instante ela abafou uma risada, tendo exatamente a mesma reação que Kristen: parando o olhar em algo atrás dele.
- O que foi dessa vez?
Ele virou a cabeça e quase caiu da cadeira com a visão. Claire arrastava uma Elle quase roxa de vergonha, ambas vestindo os uniformes vermelho e branco da torcida do Union Wells High. A primeira saltitava de alegria, soltando ora sim ora não gritinhos histéricos, acompanhada por suas líderes de torcida. Elle parecia estar morrendo de vontade de dar uma tapa na própria testa, extremamente constrangida pelo fato de ter sido obrigada a vestir aquelas roupas. Um collant com uma saia curta. Curta demais. Peter não conteve um sorriso. E também não conteve a vontade de olhar as partes “descobertas” da garota. Ela ficava muito bem com aquele uniforme. Muito bem.
- PERVERTIDO! – ele ouviu alguém gritar lá do fundo, e para variar devia ser Kristen.
Elle olhou para trás, tentando ver de onde viera aquele comentário infeliz, porém não encontrou nada. Claire não parava de pular de um lado para o outro. Peter levantou-se, seguido por Ashley, e caminhou ao encontro das duas garotas.
- Peter! – cumprimentou Claire com aquele seu jeito exagerado – Olha para ela! Não ficou perfeita?
- Ficou linda – ele não conseguiu segurar o elogio, e Elle ficou ainda mais envergonhada.
- Ei, não fala assim que eu fico com ciúme – choramingou a namorada, pendurando-se no pescoço dele como sempre fazia.
- Droga, Claire, eu não quero participar da torcida – resmungou Elle, virando-se para ir embora – Vou tirar isso aqui...
- NEM PENSE NISSO! – subitamente gritou a líder, largando Peter e indo atrás da outra – NEM PENSE EM PENSAR NISSO! Tá maluca? Você vai ser nosso trunfo! Nossa arma secreta! Com você venceremos o campeonato regional, depois o estadual, depois o nacional, depois o mundial! E então o interestelar, e...
Elle levantou uma sobrancelha.
- Tá bem, viajei legal agora.
- DORGAS, MANOLO! RIARIARIA – Kristen berrou de novo de algum lugar distante.
- Você devia participar, Elle – encorajou Ashley, com um sorriso amigável – Acho que você se daria bem, iria fazer mais amigos, conhecer pessoas diferentes, além de ficar popular, o que é o sonho de toda a colegial – ela piscou sonhadoramente e quase saiu flutuando.
- Mas eu não quero ser popular – E não posso, acrescentou em pensamentos.
Peter encarou-a, ponderando se isso teria alguma relação com o fato de ela ter que ir embora. Sua curiosidade estava matando-o, corroendo-o por dentro. Ele precisava saber, precisava entender o que se passava na cabeça dela. Precisava chamá-la para conversar, para que ela pudesse explicar o que realmente estava acontecendo. Ele queria que ela confiasse nele.
- Vou tirar isso aqui – repetiu a loira, dando as costas a eles e dirigindo-se ao vestiário feminino.
- Nãããããããão, nããããããããão... – gemeu Claire, correndo atrás dela.
- Pobre Elle – disse uma voz atrás deles. [n/a: nesse cap tá todo mundo chegando por trás (O LOKOOO)]
Candice observava a cena com um sorriso sarcástico no rosto.
- Não vai ajudá-la? – perguntou Ashley – Vocês não são BFFs e coisa e tal?
- Acho que ela consegue se virar sozinha – ela apoiou-se no ombro de Peter.
Ele concentrou-se em penetrar nos pensamentos dela. Então logo a voz carregada de sarcasmo entrou em sua cabeça, sem que os lábios da garota se movessem.
Ela não aprende mesmo, tem que sempre deixar as emoções levarem a melhor... Eu falei para o pai dela que ela não ia se sair bem, mas ele me escuta? Não, não, imagina... E então eu tenho que vir aqui disfarçada, só para garantir que ela não estrague tudo. Esse Petrelli... Não sei o que ele pode fazer. Mas sei que ele a conquistou de alguma maneira. E sei que agora tudo vai ficar mais complicado. Ela com certeza vai tentar protegê-lo. Tenho que conversar com Namizake; ele disse que daria um jeito na líder de torcida. Ela é o alvo principal, depois do Petrelli. Espero que ele seja bom como dizem; quero acabar com essa missão o mais rápido possível. Detesto me passar por estudante... Me faz lembrar da época em que eu realmente era uma.
- Eu acho que você deveria ajudá-la – o garoto comentou, tirando o braço da garota de seu ombro.
- Tudo bem, se é o que você quer... – ele suspirou, indo atrás de Claire e da amiga.
- Cara, essa Candice é muito estranha – sussurrou Ashley – Ela me assusta.
Os dois amigos voltaram para seus assentos, em silêncio. Peter tentava de algum modo ligar o fato de que Elle por alguma razão iria embora com Candice não ser uma estudante de verdade. Candice falara como se fosse algum tipo de agente, daquelas que trabalham em empresas de espionagem e assassinato. Falou dele e de Claire, dos poderes. Alvos. E aparentemente Elle também estava envolvida com isso.
Ashley percebeu a expressão abatida do amigo, e imaginou o que se passaria em sua cabeça.
- Sabe, eu acho que você deveria terminar com a Claire.
Ele levantou os olhos para ela, sem entender lhufas.
- Eu sei que não tem nada a ver com a situação, mas...– ela suspirou, desviando-se do olhar dele – Acho que você realmente deve. Bom, eu não fico muito feliz em te dizer isso, mas acho que você está se enganando. Não só você como todo o resto da escola sabe que a Claire tá de rolo com o West. E você finge que não está vendo. Eu notei que você gosta muito da Elle; então porque você não dá um pé na bunda da Claire de uma vez e fica com quem você gosta de verdade? Ultimamente você anda tão tristonho, tão abatido... Não consigo ficar te vendo assim sem fazer nada. Na minha opinião, você deve ir lá, terminar com a Claire, chegar para a Elle e dizer a ela o quanto você gosta dela!
Ela então deu um sorriso triunfante de quem descobriu a América. Peter estava pasmo. Realmente não esperava por essa. Tudo aquilo que enchia sua cabeça se dissipou. A confiança nas palavras da amiga lhe deu uma injeção de ânimo, e ele se levantou decidido.
- Você tem razão, Ashley – ele sorriu, olhando para a direção a qual Elle e Claire tinham seguido – Eu venho adiando isso já há bastante tempo. Desde as férias eu já pensava sobre isso, mas agora que você falou... É agora ou nunca!
- Vai nessa, colega! – exclamou a garota, fazendo um sinal de “joinha” com as duas mãos – Boa sorte!
Ele deu as costas para ela e, em passadas rápidas, foi atrás das duas garotas. Ashley estava certa. Claire não merecia a atenção dele; ele já devia ter acabado com aquilo faz tempo. E ele sabia que havia algo especial entre ele e Elle, algo que ele não saberia colocar em palavras. Ambos se sentiram atraídos um pelo outro desde a primeira vez que se viram; se aquilo não fosse especial, ele não saberia dizer o que era. Se ele mostrasse para Elle seus sentimentos, ganharia também sua confiança; e isso era o que ele mais queria. Aumentou a velocidade de seus passos, e logo as vozes de Elle e Claire, assim como as risadas de Candice, chegaram a seus ouvidos.
- Eu me recuso!
Então ao virar a esquina do corredor, ele se deparou com uma cena no mínimo ridícula.
- Claire, não adianta, eu não vou por isso.
- Claro que vai! Deixa de ser fresca.
- Claire – Claire! Para com isso!
- Mas você é perfeita!
- Claire, eu não quero.
- Se quer!
- O que você... Ei! Ei! Pode parar – ai, tá machucando!
Bom, se alguém não entendeu o que diabos está se passando, Claire está tentando vestir Elle a força com o uniforme da torcida.
- Que saco, garota! Sai de mim!
- Mas você fica tão fofis com o uniforme!
- Claire, você tá torcendo meu pescoço...
- Ops, desculpa...
- Dá pra me soltar? Assim que você terminar de por eu vou tirar...
- Vai nada!
- Não me obrigue a te machucar!
Ao ouvi-la dizer isso, percebeu as lâmpadas falharem por um momento.
- Puxa, Elle, assim você me magoa! – exclamou Claire, batendo o pé como uma criança contrariada.
- Desculpa, mas eu nunca quis ser líder de torcida. Você que colocou isso na sua cabeça – reclamou a outra, jogando o uniforme que segundos antes estivera meio enfiado em sua cabeça no chão – Não dá, Claire. Me desculpa, mas não dá.
A garota saiu em direção ao pátio, parecendo estranhamente abalada. Peter, sem nem pensar duas vezes, foi atrás dela, porém foi interrompido por Claire antes de atravessar o portal.
- Onde você vai? – ela perguntou, segurando-o pelo braço.
- Atrás dela – ele respondeu, desvencilhando-se dela sem olhá-la nos olhos.
- Peter! – guinchou a líder de torcida – EU sou a sua namorada! É atrás de MIM que você tem que ir!
- Por que você não chama o West para ir atrás de você? Porque eu não estou mais interessado! – ele exclamou, dando uma última olhada para a loira antes de sair porta afora – Acabou, Claire! Eu e você... Acabou!
A garota não teve nem tempo de retrucar.
~*~
- Elle!
Ela olhou para trás a tempo de ver Peter correndo em sua direção. Ele pode notar a surpresa em seu olhar, mas também havia algo mais.
- Elle...! O que houve? Está tudo bem?
Está tudo errado. Isso é errado.
- O que é errado, Elle? Fale comigo!
- Não, não, pare de ler minha mente! — ela exclamou, tampando os ouvidos como se isso pudesse impedi-lo de ler seus pensamentos. — Eu... Eu não posso mais ficar aqui, Peter! Isso tudo foi longe demais. Não era para ser assim... Eu não deveria sentir isso que eu sinto! Era pra tudo ter acontecido do jeito que o papai falou, mas não foi assim. Eu não sei se consigo levar isso em frente, não posso...
Ele arregalou os olhos, surpreso e ao mesmo tempo confuso. O que foi longe demais? O que não era para ser assim? O que era para ter acontecido “do jeito que o papai falou”? E principalmente: o que era aquilo que ela sentia? Tinha um palpite, e seu coração acelerou só de pensar na possibilidade, mas não podia pisar em falso agora; ela parecia que ia desmoronar ao menor toque.
- Do que você está falando, Elle? O que houve?
- Não adianta nada eu falar, e primeiramente eu não posso falar! Você... A Claire... Os outros... Têm coisas em comum! Eu tinha que... Vocês... Não posso falar...
Encará-la, de repente, pareceu muito mais difícil do que antes. Havia um segredo tenebroso ali, escondido atrás daqueles olhos azuis. E ele queria, com todas as forças de seu íntimo, que ela o compartilhasse com ele.
- Pode confiar em mim — ele garantiu com um sorriso caloroso, estendendo-lhe a mão.
Um silêncio retumbante se seguiu, porém foi quebrado pela barulheira da “platéia” que assistira o tumulto com Claire saindo porta afora.
- Não, eu não posso. Não posso confiar em ninguém.
E desapareceu por entre a multidão.
Notas finais
Acho que não, mas...
Bem, é o que eu posso fazer. Os próximos capítulos virão, com muitas revelações, muita ação e principalmente, muita comédia!!!
Amo vocês, e obrigado por não me abandonarem!!
FELIZ ANO NOVO!!!!!
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