Heroína
11 Dois viciados, mas somente um de nós foge da própria sombra
Notas iniciais
Me ligue quando acabar
Porque eu estou morrendo por dentro
Me acorde quando os tremores sumirem
E o suor frio desaparecer
Me ligue quando acabar
E eu mesma reaparecer
— Sober, Demi Lovato
—Capítulo XI–
Dois viciados, mas somente um de nós foge da própria sombra
Naruto brincava com as batatinhas fritas fazia vinte minutos, enquanto irritava os amigos com resmungos desconexos, mais para si mesmo que qualquer coisa. Depois da aula, ele costumava encontrar-se com os outros na única lanchonete minimamente decente da cidade, e sempre pedia pratos gordurosos, que se perdiam misteriosamente na barriga lisa. Era um dos primeiros a chegar, e, quando os amigos se juntavam a ele, já tinha comido todas as entradas. Seu apetite na hora do almoço era monstruoso, todos estavam acostumados com isso. Mas ninguém estava habituado a encontrá-lo longe de seu falatório habitual e os sorrisos gozadores.
Sakura chegou primeiro, com seu carro popular de rodas personalizadas e chaveiros no retrovisor. Não teve tempo de notar nada de anormal, uma vez que Ino chegou logo em seguida, e começaram a debater sobre algum trabalho desinteressante do curso. Sasuke, Gaara e um garoto estranho que estudava com eles vieram logo em seguida, e o Uchiha foi o primeiro a perceber que algo estava fora do lugar – Naruto tinha um prato de batatas intocadas e um copo espumante pela metade –. Se atreveram a perguntar qual era o problema, e, então, aguentavam-no reclamando há bons minutos, aguentando o despejo de sentimentos confusos e indignações revoltadas.
Naruto não buscava por uma solução imediata – ele só queria ser ouvido. Depois que Hinata saiu correndo, se puniu por não ter colhões suficientes para ir atrás dela, vendo-a desaparecer entre a multidão que se apinhava nas escadarias. Em vez disso, andou para a própria sala de aula, sentando-se na frente, com os olhos mortos inexpressivamente focados no telão que o professor usou para explicar os princípios teóricos da sua matéria. O Uzumaki estava animado naquela manhã, e até mesmo tinha separado o netbook para fazer anotações. No entanto, bastou um minuto para Hinata Hyuuga bagunçar sua cabeça. Com os cotovelos apoiados contra a bolsa intocada, sua mente reprisou incansavelmente cada aspecto daquele beijo, como se quisesse torturá-lo, apenas para mostrar tudo que tinha escapado por entre seus dedos.
Beijar Hinata era transcender todos os planos da realidade. Em outra época, Naruto era um adolescente descobrindo os próprios hormônios, e, no fim, não passava de um garoto se gabando por namorar a menina mais bonita. Estar com Hinata, tocá-la, causava nele reações hiperbólicas, e, sendo sincero, ele não imaginava um momento em que pudesse ficar melhor. Ledo engano. Agora ele via que, aos quinze anos, não sabia de nada – aquelas sensações não eram nem metade do que o beijo daquela manhã causara.
Foi preciso a separação, a mágoa, o arrependimento e a maturidade para que Naruto realmente pudesse sentir. Aquele movimento, de fato, não partiu de seu lado racional, aquele que estava preocupado em manter uma conversa civilizada. Não, aquela impulsão veio de um instinto muito mais primitivo, que se apropriou de seu corpo e seus pensamentos. Ele esperou pelo tapa, mas, quando tudo que veio foi um par de braços enrolando-se em seu pescoço – bem, Naruto não se preocupou mais com muita coisa –. Estava sedento para tocar Hinata desde o dia da festa, antes do fim de semana, desde que seus dedos arderam ao roçar a pele tórrida de sua cintura. Quando ele a abraçou, novamente pelo quadril, e a apertou contra si, soube que suas mãos estavam no lugar certo. Preferiu fechar os olhos, para não ver o que quer que acontecesse em seguida. Aproximou o rosto devagar, esperando pelo contato que não esperava que viesse.
E, céus, ele veio.
A primeira impressão foi que milhares de correntes elétricas descarregaram em sua boca. Um choque que percorreu todos seus nervos em questão de segundos, se alojando em seu estômago. Quando teve permissão, não hesitou em aprofundar o contato. Não era um beijo saudoso ou romântica – era desesperado e ansioso, tentando suprir quatro anos de ausência em uma única carícia. Mesmo assim, mesmo com toda a afobação e toda a agressividade, naquele momento, Naruto soube que nunca tinha experimentado nada igual. Hinata também estava diferente, também tinha amadurecido, e existia algo distinto em seu gosto. A maneira que ela embrenhava os dedos em seu cabelo, que enganchava suas línguas, que mantinha o corpo enlaçado ao seu – aquilo era algo totalmente novo –. Como se fosse o primeiro beijo que trocavam, não o centésimo. Havia uma pitada desafiadora, mas, por um instante, por um pequeno instante, Naruto conseguiu reconhecer o mesmo sentimento que fazia seu próprio coração bater.
Claro, cedo demais, acabou. Afastaram-se, ainda entorpecidos pela embriaguez daquele beijo. Não houve um único dia em que Naruto não se lembrasse de Hinata, do jeito que ela costumava acariciá-lo, ou de como seu sorriso era tão brilhante que nada no mundo seria capaz de ofuscá-lo. Ele não caiu na real em um primeiro momento, deixando-se entregar àquele sentimento, aproveitando enquanto Hinata se aconchegava em seus braços. Com seu rosto próximo, ele sorriu, como costumava fazer – e, do passado, foi levado abruptamente para o presente, sendo afastado bruscamente pela Hyuuga, pouco ciente das lágrimas que escorriam com a maquiagem.
Poucas coisas partiriam seu coração como aquela cena o fez. De repente, não era mais a garota resplandecente de tiaras e vestidos – embora ainda fosse dolorosamente apaixonado por ela –. Hinata tinha o cabelo mais curto, as roupas mais curtos, o rosto mais sério e hematomas mais escuros. E tinha um namorado, e lágrimas de culpa escorrendo, e a expressão de quem cometera um crime imperdoável. Naruto não queria fazê-la se sentir como se fosse indigna, não por ele. E, então, Hinata saiu correndo, e ele não foi atrás dela. Exatamente como da última vez.
O garoto soltou as batatas, empurrando a cestinha laranja enquanto praguejava, engolindo o choro ardido que subia pela sua garganta, e ele não o deixaria chegar em seus olhos. Não sabia como tudo em sua vida começou a girar em torno daqueles olhos perolados hostis – seria há quatro anos, há quatro dias. De que importava? Ele ainda não conseguia tirar o sabor daqueles lábios dos seus, mesmo que bebesse quanta cerveja pudesse.
— Tudo bem, agora chega. – Sakura puxou o copo que Naruto procurava cegamente, já com menos de um terço – Não são nem duas da tarde. – ela revirou os olhos, e o garoto pensou em lhe dar a língua. Não estava bêbado. Apenas sem fome. E sem esperanças.
— O que você é agora, minha mãe? – reclamou, jogando-se de volta no encosto da mesa, onde ocupava a maior parte, na ponta. Os amigos se dividiam ao seu redor, e Sakura insistia em sentar-se do seu lado, apenas para controlá-lo – Vocês tinham que ver como ela me olhou. – murmurou, repentinamente entristecido, suspirando como um velho. A de cabelos rosados foi a primeira a franzir as sobrancelhas.
— Quando a gente disse que ela ainda tinha sentimentos por você, não era para você ir lá e beijar ela! – a Haruno apontou, e Naruto resmungou.
— Ela me beijou de volta. – se limitou a responder, torcendo os restos de uma batata que ficara em sua mão. O restante dos amigos o encarava atentos, mas alguns pareciam querer rir. Naruto não se importava que eles ficassem sabendo do drama da sua vida amorosa. Apesar de Sakura ser a que mais conhecia a história, era Sasuke quem parecia o entender mais, era seu melhor amigo. E, curiosamente, também era o único que não tinha opinado ainda.
— Ela só reagiu daquele jeito porque tem namorado. – Ino opinou, jogando o rabo de cavalo para trás enquanto se inclinava, do canto.
— Um namorado completamente babaca. – Gaara completou, distraído enquanto olhava o menu – Eu já fiquei com garotas comprometidas antes, elas não reagiam desse jeito, mesmo que se sentissem culpadas depois.
— Você não tem o melhor dos caráteres, sabia? – Sakura alfinetou, do outro lado, ganhando um dedo médio e uma risada – Hinata já vem passando por poucas e boas há dois anos, é lógico que ela ficaria abalada quando o ex-namorado – frisou irritantemente – a beija. – cruzou os braços, satisfeita com as próprias conclusões.
— Me sinto em um episódio de Friends. – Naruto resmungou para si mesmo.
— Que droga é essa? – Sakura retrucou, com um vinco assustador na testa.
— Uma série americana. – suspirou – Olha, querem saber? Esqueçam isso. Vou arrumar um jeito de consertar as coisas sem fazer ela chorar. – queixou-se, esfregando o rosto enquanto tentava expulsar a imagem da cabeça.
— Primeiro você vai comer alguma coisa. – a Haruno se apressou, empurrando de volta a vasilha de frituras – E não adianta me olhar assim, não tenho medo de você. Já bebeu dois copos de cerveja com o estômago vazio, Deus sabe o que você é capaz de fazer.
A partir deste momento, o clima ficou momentaneamente mais leve. Já passava das duas horas quando fizeram os pedidos, almoçando como sempre faziam. Naruto tentou empurrar um pedaço suculento de costela, mas desistiu na metade, quando sentiu que estava perigosamente perto de vomitar. Ao menos não sentia mais o álcool – apenas uma incômoda sensação de frustração –. Sakura foi a primeira a ir embora, indo direto para o trabalho de meio período na sorveteira, e Ino e o garoto estranho – que Naruto descobriu ser da turma dela de Design, e não de Engenharia – voltaram para a UK. Gaara se despediu pouco tempo depois, satisfeito e sonolento. Por fim, Sasuke e Naruto ficaram na mesa, dividindo um silêncio intragável.
— Sinto muito pelo que aconteceu. – o Uchiha foi o primeiro a dizer aquelas palavras, desde que Naruto contara a situação. Talvez só quisesse ser consolado um pouco, porque, quando ouviu aquilo, seus ombros ficaram mais leves.
— Obrigado. – murmurou de volta – Eu não sei mais o que fazer. – desabafou, afundando na mesa com as mãos no cabelo.
— Depois de tudo, a Hinata sempre pareceu muito mais séria do que deveria. – comentou. Sasuke não tinha medo de falar abertamente sobre a garota, e era isso que Naruto queria. Voltou a erguer a cabeça, questionador – Nós fizemos algumas matérias juntos. – explicou.
— Achei que você fizesse Engenharia Civil. – o Uzumaki não estava irritado, apenas curioso.
— Eu peguei algumas matérias extras de Administração. – seria o Uchiha que herdaria a empresa da família – Esse semestre estou na sala dela de contabilidade empresarial dois e cálculo avançado. – Naruto sentiu uma pontada de orgulho da garota estar cursando uma matéria tão difícil.
— Você a vê todos os dias?
— Terças e quintas-feiras. – o loiro assentiu, secretamente aliviado – Vi o Inuzuka duas ou três vezes pessoalmente. Ele nunca aparece na faculdade de manhã. – parecia divagar, e Naruto esperou – No começo, a Hinata ainda parecia ela mesma, sabe? Mas foi piorando com o tempo. As manchas, as faltas, a expressão agressiva. Não falava muito com ninguém, ficava na dela. Tinha uma energia pesada. – Sasuke e Hinata nunca foram exatamente amigos, embora mantivessem uma relação cordial, afinal, ambos tinham fortes relações com a mesma pessoa. O moreno confidenciou, certa vez, que não se sentia confortável com Hinata, porque ela tinha uma personalidade intensa. Sasuke era tímido e contido, e Hinata era expansiva e comunicativa. Apesar disso, sempre pareceram gostar um do outro – Quando você foi embora, – Naruto engoliu em seco – ela veio falar comigo. – o loiro deixou-se espantar. Não sabia daquilo. Mas era justificável. Ele desapareceu, sem falar com ninguém – Veio perguntar se eu sabia de alguma coisa, se você tinha dito algo à mim. Se estava chateado com algo que ela fez.
Naruto, pego de surpresa, baixou os olhos, subitamente culpado. Não chegou a pensar que Hinata se culparia pela sua partida, em momento algum. Talvez fosse porque imaginava que ela soubesse o quanto ele a amava, mesmo naquela época. Ouvir de Sasuke, que não media palavras para ser eufêmico, não era exatamente fácil. De qualquer forma, era algo que ele precisava escutar.
— Eu não sei o que você vai fazer sobre tudo isso. – sua voz tinha um timbre um tanto grave – Mas a Hinata precisa de ajuda, precisa da sua ajuda. A história de vocês não acabou ainda, o jeito que ela reagiu só prova isso. Mas, se me permite opinar, tente uma abordagem mais suave. – terminou com uma sobrancelha arqueada e um meio sorriso. Naruto assentiu, também sorrindo.
— Quem diria que você se tornaria um especialista em conselhos. – zombou, não resistindo, e Sasuke revirou os olhos, entediado.
— Alguém tem que ser o inteligente.
Os amigos se separaram depois do almoço. Naruto relutava em ir para o apartamento vazio e ficar sozinho com seus próprios pensamentos perturbados. Pensou em se ocupar com alguma matéria, estudar por conta ou até mesmo ligar para os pais. Enquanto dirigia, ponderou todas as possibilidades, mas percebeu, ao chegar, que estava subitamente cansado demais para qualquer coisa. Jogou-se na cama, de sapatos e tudo, e adormeceu, mesmo com as janelas abertas. Parecia claro que ele sonharia com aquele momento, repetidas vezes, e, em algum ponto, passado e presente começaram a se misturar, tornando-se indistinguíveis – finalmente, acordou assustado depois de um pesadelo colorido demais com duas versões de Hinata.
O quarto já estava escuro, e ele sentia um incômodo na barriga, mas não sabia se era de fome ou da cerveja de mais cedo. Tomou um banho quente e ficou sob a água por vários minutos, sem pensar em nada específico. Ao sair, sentia-se mais renovado, e abriu o notebook, depois de comer qualquer coisa congelada, checando seus e-mails e os textos auxiliares das matérias seguintes. Leu por horas, gastando energia entre anotações e olhadas rápidas nas redes sociais. Compartilhou um vídeo engraçado e respondeu comentários. Ainda era cedo quando desligou as luzes e voltou para a cama, agora devidamente vestido e preparado. Não achou que dormiria, mas o aconchego e o cansaço mental lhe pegaram novamente. Naruto sucumbiu ao silêncio do apartamento, e seu último pensamento foi que ele não se lembrava do lugar ser tão solitário.
O dia seguinte surgiu com uma promessa muda de que as coisas seriam boas. Naruto conseguiu acordar com os primeiros toques, e uma ducha rápida reanimou suas forças. Se vestiu distraidamente e preparou uma xícara forte de café. Estava, surpreendentemente, no horário, e o caminho seria tranquilo para a universidade. Deixou o condomínio em seu carro, ouvindo uma estação de rádio qualquer, e parou para comprar uma caixa daquelas roscas doces e cheias de açúcar de confeiteiro com creme.
A rodovia estava calma e clara, sem nuvens de chuva despontando. Naruto aproveitou a potência do seu motor e arriscou os cento e quarenta quilômetros, a janela aberta e o vento assoviando em seu ouvido. Chegou na faculdade cinco minutos mais cedo do que previra, mas o estacionamento já estava apinhado de alunos e seus próprios veículos. O garoto pegou sua bolsa e ativou o alarme, cumprimentando duas garotas que o reconheceram da última aula. Estava realmente de bom humor.
Atravessou o pátio e subiu as escadas principais, conferindo em seu caderno onde era sua próxima aula. Eram quase oito horas, mas a maioria dos professores não tinham exatamente uma pontualidade britânica. Naruto cobriu o sol com os olhos quando o celular começou a vibrar em sua mão, tentando enxergar o visor, pensando ser sua mãe – apesar de o fuso horário ser um problema para ela, não se importava realmente com os momentos oportunos para uma ligação –. Se enganou. Com uma máscara confusa, atendeu.
— Sasuke? – era incomum se comunicarem por mensagens, que dirá por ligações. O Uchiha era do tipo introspectivo, que preferia conversas pessoais.
— Naruto? Você está na faculdade? – o garoto não gostou do tom urgente.
— Estou sim, acabei de chegar. Você tem que testar aquele motor. – tagarelou, distraído, mas foi cortado pelo amigo.
— Você sabe onde é a sala de cálculo avançado? – parecia com pressa, e Naruto desmanchou o sorriso casual, substituindo por uma careta preocupada.
— Acho que sei, é no bloco A, não é? – sua memória tinha vagas lembranças da tour pelos departamentos.
— Isso, no segundo andar, é só seguir pelo corredor. Preciso que venha aqui, rápido.
— Claro, mas o que aconteceu? Você está bem? – Naruto já estava alerta, fazendo o caminho contrário e subindo pela escadaria da direita, que dava acesso ao primeiro bloco de salas. Trombou com algumas pessoas que iam pelo fluxo oposto.
— Não sou eu. É a Hinata.
Aquelas palavras foram o suficiente para fazê-lo apertar o passo e empurrar quem quer que estivesse em seu caminho. Em outro momento, pensaria racionalmente e tentaria manter a calma – não adiantava, não quando se tratava dela. Jogou a mochila sobre os ombros, pouco se importando com o sol, que cegava-o parcialmente. Chegou ao corredor indicado por Sasuke, mas não foi difícil achar a sala. Assim que andou alguns passos, observou uma pequena confusão se formando defronte a uma das últimas salas daquele andar. Uma pequena roda, de dez ou quinze espectadores, se formava em meia-lua, parecendo cercar alguém. Com um arrepio na espinha, Naruto quase correu em direção a eles.
— Sasuke! – gritou, no meio da multidão, e algumas cabeças se voltaram para ele, e afastaram alguns passos, deixando-o passar.
Naruto não demorou para entender o que estava acontecendo. No centro da roda, talvez a três ou quatro metros das portas de correr, estava Sasuke, curvado, reconhecido apenas pelo cabelo rebelde que caía pela nuca. Estava em posição defensiva, e virou-se quando Naruto o chamou, apenas para indicar que ele deveria se aproximar. Os olhos ônix estavam obscurecidos de algo que o loiro não pode identificar imediatamente. Apressado, deu a volta pela multidão, indo pelo outro lado, e os cochichos atrapalhavam seus pensamentos. Algumas pessoas apontavam, surpresas, outras tinham o semblante surpreso. Naruto empurrou alguns pares de braços, e, quando alcançou o espaço mais aberto daquela roda, teve que controlar todos seus instintos para não expressar uma reação igual à dos curiosos.
Entendeu porque Sasuke parecia impaciente, e o porquê da postura profilática. Seus braços, como duas hastes de ferro, tentavam conter uma terceira pessoa, que se debatia violentamente. Bastou um milésimo de segundo para Naruto reconhecer os fios negros que se bagunçavam com os movimentos – mas ele também a reconheceria de olhos fechados –. Hinata contorcia-se do abraço desajeitado de Sasuke, tentando escapar, e sua bolsa arrastava no chão, dependurada pelo antebraço, espalhando seu conteúdo, uma cartela de cigarros pela metade, o celular, canetas e um batom. Na confusão, Naruto não conseguia ver seu rosto, mas, de longe, o cheiro predominante definitivamente era de álcool. Sasuke usava uma camiseta de mangas três quartos, e tinha os braços arranhados e vermelhos. Estava em pé, mas apoiado pelos joelhos, enquanto Hinata bracejava já sentada. A diferença de tamanho entre eles facilitava o enlaçamento, mas a Hyuuga parecia estar determinada, porque gotículas de suor escorriam da testa de Sasuke, que tentava abraçá-la pelos ombros e pelo tórax. Parte das roupas da garota estava manchada, com alguns rasgos na camiseta, e usava uma calça apertada, sem sapatos.
Toda essa percepção durou apenas um instante.
Imediatamente, Naruto largou a própria mochila, tentando se aproximar de alguma maneira, sem ser atingido pelos chutes errantes de Hinata. Com os braços firmes, se aproximou o suficiente para tentar contê-la, mas Sasuke quem estava perto o suficiente para tocá-la.
— Hinata, calma! – Naruto ouviu-o dizer – Calma! Eu estou aqui para te ajudar! – seus gritos tentavam ser inteligíveis, mas ela não parecia escutar.
— NÃO! ME SOLTA! – sua voz era esganiçada, e, quanto mais ela se debatia, mais escorregava. Naruto assustou-se um pouco, sem deixar transparecer. Hinata não estava exatamente histérica; estava agressiva.
Seu rosto se contorceu para frente, e Naruto teve um pequeno vislumbre, vacilante. A primeira coisa que viu foram seus olhos – mas não as íris lilases, e sim ao redor deles. Bolsas arroxeadas, quase pretas, destacavam-se entre manchas de maquiagem borrada para todos os lados. Algumas estavam escorridas, outras apenas torpes, como se tivesse esfregado as pálpebras cheias de delineador. O garoto pensou ter visto pequenos pontos amarelados, mas o supercílio tampouco estava inchado, como dias antes, então não teve certeza. A boca, outrora de batom, tinha apenas resquícios da pintura, com falhas que ressaltavam o alvo da pele. O cabelo, desgrenhado, parecia parcialmente preso por alguma presilha, e a franja escorria pelos lados.
Sasuke conseguiu prender entre seus cotovelos, e Hinata gritou, tentando escapar. Naruto apoiou-se em um dos joelhos, tentando raciocinar a melhor maneira de acalmá-la. Era difícil se concentrar – parte de seus pensamentos se concentravam no aperto que era ter de encarar a garota naquele estado.
— Sasuke! – gritou, fazendo-se ouvir através dos gritos, e o Uchiha desviou a cabeça ligeiramente, encarando-o – Solte ela! Eu vou pegá-la! – era um plano simples. Ele estava posicionado à frente de Hinata, e, mesmo que tentasse correr, tropeçaria, e ele poderia segurá-la pela frente.
O moreno assentiu, soltando o aperto de uma vez, afastando os braços para cima. Hinata, que estava parcialmente sentada, apoiou no pé direito, com o impacto de ser solta abruptamente, e, na menção de ir para longe, vacilou, torcendo o calcanhar de maneira que o peso de seu corpo a impulsionou para frente. Quase como se tivesse sido ensaiado, Naruto abriu os braços, pegando-a na queda, puxando-a contra seu peito e rodeando-a pelas costas e pelos ombros, em um aperto firme e restritivo. O corpo miúdo, como tantas outras vezes, encaixou-se entre seu trapézio, as pernas dobradas abaixo do tronco. O Uzumaki apoiou a cabeça contra a dele, afrouxando moderadamente. O corredor, embora largo, estava apinhado de pessoas, curiosas pelos gritos ou pela própria multidão, e agora observavam atentamente. Conheciam Hinata há bastante tempo, mas não sabiam quem era o garoto alto e loiro que a abraçava.
Uma quantidade exorbitante de sensações foram sentidas por Naruto naquele momento. A pele de Hinata estava gélida, contra seus braços, e ele conseguia-se senti-la tremer, quase semelhante a uma convulsão. O choque da caída durou pouco, e, ao perceber que estava novamente sendo contida, Hinata voltou a se debater. Naruto entendeu porque Sasuke parecia se esforçar para segurá-la – apesar de pequena, a garota era surpreendentemente forte, e a cada movimento, o Uzumaki tinha de apertar o flanco, sentindo cada golpe. O cheiro, definitivamente, era de bebida, forte e incômodo, queimando seu nariz. Mas havia algo mais, algo que ele não conseguiu identificar. O rosto de Hinata estava escondido em seu peito, embora ela grunhisse e se debatesse, tentando estapeá-lo nos braços e nos ombros.
— Hinata, Hinata. – chamou, desta vez, sem gritar. Tentou uma abordagem diferente. Abaixou o rosto na altura de seu ouvido, sussurrando em seu ouvido – Hinata, sou eu. Sou eu, fica calma. Eu estou aqui para você. – soprou, quase inaudivelmente, mas pareceu funcionar. A garota, que antes estava gritando, passou a emitir sons como um choramingar baixo, e a resistência diminuiu, deixando-se ser embalada pelo garoto. Naruto respirou aliviado, e, hesitando, soltou um braço de suas costas e levou até sua cabeça, acariciando-a de cima a baixo, ciciando. Houve uma chuva de burburinhos, e algumas pessoas cochichavam, apontando – Sasuke! – Naruto chamou, cochichando, e o moreno se ajoelhou ao seu lado, respirando fundo e arrumando a própria aparência bagunçada, de alguém que tinha brigado com leões – O que diabos aconteceu? – formou as palavras, sem emitir som.
— Ela chegou tropeçando, nem chegou a entrar na sala. – ele respondeu, no mesmo tom, e Naruto se esforçou para ler em seus lábios todas as palavras – Começou a brigar com as pessoas, e chegou a bater Yahito quando ela tentou se aproximar. Foi quando eu liguei para você. Ela estava estranha, hostil, gritando com todo mundo e com espasmos. Eu tentei contê-la, evitar que se machucasse. Você sabe o resto. – Naruto assentiu, vendo os arranhões, agora em vermelho brilhante.
Ele não tinha ideia do que poderia causar um ataque daquela maneira. Hinata, dentro de seus braços, parecia ter se acalmado, e ele supos que estava chorando, pela maneira que seus ombros tremiam. Sentia seus dedos agarrados à camiseta, e ouviu alguns soluços. Não poderia deixá-la ali, exposta. Com o apoio do pé esquerdo, ergueu-se do joelho, passando os braços pelas costas e pelas dobras do joelho da garota, suspendendo-a, um pouco surpreso por ser mais leve do que realmente aparentava. Hinata continuou com o rosto escondido, tremendo.
— Eu vou levá-la para meu apartamento, até ela se acalmar. – falou, agora um pouco mais alto, e Sasuke assentiu.
— Vou tentar descobrir o que pode ser isso, e te encontro depois. – Naruto assentiu.
— Obrigado, Teme. – agradeceu ao passar por ele, e o Uchiha se limitou a bater contra seu ombro.
Caminhou, carregando Hinata, distribuindo olhares feios aos que ainda assistiam. Um corredor se formou na multidão, e ele se apressou para chegar até o estacionamento. Alguns professores também pararam para observar a cena, mas nada daquilo importava. Ele precisava ajudar Hinata. Chegou no carro, destravando com as chaves, abrindo a porta de carona e colocando-a no banco, puxando uma jaqueta do banco traseiro e cobrindo-a pelos ombros. Seu rosto permaneceu impassivo, para frente, e ela ainda tremia um pouco. Apressadamente, entrou no lado do motorista, abrindo os vidros e dando a partida. Com uma mão no volante, usou a outra para ajeitar a jaqueta e o cabelo, colocando-a para longe dos olhos.
Hinata não disse uma só palavra o caminho todo. Naruto tentou analisar seu rosto, mas, além do que já tinha visto, todo o resto parecia normal – a não os olhos. As pérolas tinham um tom doentio de opaco, e veias saltavam pelos cantos, como se estivesse inflamado. Preocupado, Naruto pensou em levá-la até o hospital, mas não sabia como procederiam – contatariam seus pais? O namorado? Ele não precisava de mais um problema.
Chegou até o prédio, estacionando e indo até o outro lado para pegá-la no colo novamente. Se deixou ser levada, mantendo as mãos postas sobre a barriga e o rosto inexpressivo. Pegou o elevador do subsolo, indo direto para seu andar. Analisou o contexto geral. Não parecia ferida, nem bêbada. Suas roupas, apesar de um pouco sujas, e de estar sem sapatos, não estavam totalmente rasgadas. Não tinha novos hematomas ou vergões. O elevador abriu, e Naruto a apoiou para pegar as chaves do apartamento no bolso. Abriu a porta, mas, então, quando estava prestes a entrar, Hinata reagiu.
— NÃO! – berrou, debatendo-se novamente, e Naruto, por pouco, não tropeçou com ela. Esticou as pernas, bloqueando a entrada, e suas mãos se agarraram na nuca do loiro, escondendo seu rosto contra o pescoço. De agressiva, agora parecia apavorada. O garoto, confuso, a abraçou.
— O que foi, Hinata? – perguntou, alarmado. Tentava avançar, mas ela manteve o pé no batente, impedindo.
— Tem alguém aí dentro! – gritou, temerosa, e o garoto parou de insistir, completamente confuso. Não estava entendendo o que ela estava dizendo.
— Como é?
— Tem uma pessoa aí dentro! Eu tenho certeza que ela quer me matar! – guinchou, agarrando-se tão firme que Naruto começou a sentir dores no pescoço. Se fosse outra pessoa, ele certamente riria, pensando se tratar de uma brincadeira. Mas, desde o começo da manhã, Hinata demonstrara um comportamento atípico, primeiro colérico, depois insípida, e, então, aterrorizada. Ela não estava brincando. Naruto respirou fundo, acariciando a base de suas costas com cuidado.
— Hina, se tiver alguém aí, eu não vou deixar que te pegue, tudo bem? Vamos entrar juntos, aí você pode ver que está vazio. – falou, suave, e ela pareceu se convencer, afrouxando. Entraram no apartamento pouco iluminado, e, de imediato, Naruto abriu as cortinas, deixando o raio de luz entrar. Hinata afastou-se, olhando atentamente a sua volta. Estava tudo silencioso, como ele tinha deixado – Viu? Tudo tranquilo. – a acalmou, balançando-a suavemente como um bebê.
Hinata pareceu se convencer, porque soltou Naruto, respirando mais serenamente. Andou até o sofá, fazendo menção de deixá-la descansando, para, ao menos, ligar para Sasuke, dizer que estava tudo bem – na medida do possível –. Retirou seus braços do joelho, e a acomodou contra as almofadas, mas, quando estava se afastando, sentiu mãos o puxando pela gola. Tropeçou, caindo por cima de Hinata, apoiando-se no braço do sofá, pairando a poucos centímetros. Seus olhos conseguiram enxergar até mesmo as pequenas sardas invisíveis próximas a seu nariz, e as manchas de maquiagem, e os olhos avermelhados, e as pupilas dilatadas expressas em medo.
— Não me deixe sozinha! – implorou, e Naruto suspirou, desviando o olhar dos lábios convidativos. Aprumou a postura, retomando o equilíbrio e afastando as pernas, segurando seus dedos e sentando-se ao seu lado. Hinata, mais que depressa, acomodou-se em seu peitoral, e ele, hesitante, passou o braço por seus ombros, ninando.
— Não vou a lugar algum. – murmurou, e ela assentiu, finalmente relaxando.
Voltaram a ficar em silêncio. Hinata mantinha os dedos agarrados possessivamente à barra da camisa, e Naruto, evitando se mexer, apenas afagava sua cabeça. Não sabia que horas eram – nove ou dez horas da manhã, apenas. O sol deixava a sala toda muito clara, incômoda. Apenas vinte e quatro horas haviam se passado desde o beijo, e, naquele momento, o garoto sequer podia surtar porque tinha Hinata aninhada ao seu corpo – mesmo serena, ela parecia frágil, quebrada. Sua pele estava novamente quente, e as roupas escuras contrastavam com sua pele muito branca. O cabelo escorria como uma cascata, para trás, e seu rosto, mesmo sujo, continuava bonito. Talvez Naruto nunca se cansasse de admirá-lo.
Suspirou, de repente cansado. Lembrou-se de como a Hyuuga se debatia nos braços de Sasuke, como ele estava arranhado, e, depois, como ela parecia assustada, com medo de uma entidade que não existia. Seu coração falhava ao seu lembrar de como ela se agarrou a ele – esperando que ele a protegesse do que quer que fosse –. Era curioso. Hinata sempre fora o tipo de garota que não precisava de proteção, e Naruto sabia muito bem disso. Quando ele teve de protegê-la, não se sentiu bem – aquilo não estava certo. Aquela não era ela.
Passaram-se vários minutos até que a respiração da garota se normalizasse totalmente. Com extremo cuidado, se desfez do abraço, acomodando-a novamente no sofá, do lado contrário da janela, sobre duas almofadas. Depois, colocou seus pés para cima, e a cobriu com uma manta que estava dobrada na poltrona. Estalou as costas, alongando-se. Se permitiu sorrir, vendo Hinata cochilar. Sem as feições hostis, a maquiagem carregada, ou os olhos ardentes, era exatamente como quatro anos atrás. Apenas uma garota.
O loiro desceu rapidamente até o estacionamento, pegando sua bolsa e o celular do bolso. Voltou para o apartamento, mantendo a porta aberta, mas ficando no corredor, para telefonar sem incomodá-la. Não sabia com quem falar, então decidiu avisar Sasuke, em primeiro lugar – o amigo tinha ajudado-a sem pestanejar. Tocou duas vezes, e ele atendeu prontamente.
— Fala, Dobe.
— Oi, Teme. Liguei para avisar que ela está bem. – ouviu suspiros do outro lado da linha – Agora está dormindo. Foi tudo muito estranho. – desabafou, soltando o ar pesadamente.
— As pessoas que estavam lá, vendo, eram da sala dela, mas você sabe como as notícias correm.
— Não me importo. – resmungou. Odiava fofocas.
— Eu tentei descobrir o que poderia ter acontecido com ela. – Naruto esperou, com expectativa – Ela não parecia estar bêbada, mas cheirava a bebida. Me encontrei com Gaara, e ele tem algumas teorias.
— E quais são? – perguntou, impaciente.
— Espera aí. – ouviu um barulho de longe, e alguns ruídos. Em seguida, ouviu alguma conversa, e pareciam estar em área aberta – E aí, Naruto.
— Ah, oi, Gaara. – cumprimentou – O que você acha?
— Sasuke me contou algumas coisas, por cima. Como ela estava?
— Bem, quando eu cheguei ela estava bem agressiva. – coçou a cabeça – Com um comportamento estranho. Quando eu a segurei, ela tremia bastante. Depois, achou que tinha alguém no meu apartamento.
— Uh, eu sinto muito, cara. – sua voz parecia grave e inquieta – Eu tenho quase certeza que esses sintomas são efeitos de drogas. – Naruto sentiu um baque no estômago, mas, em sua cabeça, não se sentia exatamente surpreso. Não gostou de pensar que era algo que ele já estava esperando, mesmo que incomodasse na mesma intensidade. Encostado na parede, do lado da porta, deixou o rosto cair, esfregando os olhos.
— Você sabe me dizer de qual tipo? – perguntou, simplesmente, sentindo as mãos formigarem.
— Infelizmente não, talvez só vendo pessoalmente, ou com um exame toxicológico. Se ela estiver com as pupilas dilatadas, veias proeminentes, talvez seja alguma droga analgésica. Cocaína, heroína, pílula, são as mais comuns. — Naruto se lembrou dos olhos assustados, e fechou os punhos.
— Obrigado, cara. Eu ligo depois para falar as novidades.
— Sem problemas. Precisando, é só chamar. Boa sorte.
Naruto desligou, tentando controlar a própria respiração. Sentia-se um pouco enjoado, e com uma possível dor de cabeça. Ele não era um puritano – Deus sabia como as festas nas repúblicas americanas eram insanas –. Conhecia as drogas, não podia, nem era da sua conta, julgar quem usava esse tipo de substâncias. Todavia, era verdadeiramente complicado ser compreensivo quando era Hinata quem estava no seu sofá. Era ela quem estimulava todas as suas reações, potencializando cada merda que passava em sua mente. Em um minuto, estava pensando em como as coisas lembravam-no do passado, e, no minuto seguinte, a realidade o socava na cara, mostrando que tudo era muito diferente de antes, e que ele não conhecia nada daquela garota.
Voltou para dentro do apartamento, fechando a porta atrás de si, e, ao seu virar, assustou-se quando a encontrou sentada. Tinha as mãos postas sobre a manta, mas olhava para o lado, em direção à estante. Seu perfil estava contra a luz, mas ela parecia tranquila. Desconfiado, caminhou devagar em sua direção, contudo, mesmo com o barulho, ela não se voltou para ele.
— Esse lugar não mudou nada.
Sua voz estava diferente. Mais séria, mais firme. Naruto engoliu em seco, baixando os olhos, se lembrando da última vez que estiveram juntos naquele sofá. Lembranças duras demais naquele momento. Hinata, por outro lado, parecia pacífica, movendo os olhos de cima a baixo, se demorando nos quadros da estante. O Uzumaki esperava que ela não conseguisse identificar uma foto específica.
— Pode me trazer um pouco de água? – pediu, virando-se, finalmente.
Assim que seus olhares se encontraram, o garoto sentiu um arrepio percorrer sua coluna. Aquele aspecto não tinha mudado nem um pouco – Hinata ainda o encarava despudoradamente, sem vergonha, sustentando o quanto fosse preciso –. Naruto conseguiu ver mais claramente as condições do que teria sido a noite anterior, mas gostou da estampa de banda da camiseta. Assentiu lentamente, indo até a cozinha e pegando a garrafa de água gelada. Encheu um copo comprido, levando de volta para ela. Parou de pé, ao lado do sofá, estendendo. Ela o pegou, sem deixar que seus dedos se tocassem.
— Obrigada. – murmurou, tomando um gole generoso.
Voltaram para o silêncio usual. A garota deixou o copo no chão, sem encará-lo, e Naruto suspirou internamente. Provavelmente teriam uma conversa desconfortável, que acabaria magoando um deles, em algum momento. Era sempre daquela maneira, afinal. Precisava ser incisivo, porque Naruto, definitivamente, não deixaria a Hyuuga continuar se afundando naquela merda toda. No entanto, como ser intransigente, se, todas as vezes que aquelas pérolas perversas o encaravam, ele seria de abandonar tudo e cair de joelhos?
Hinata também era sua droga.
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