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2 Capítulo Dois - Sweet Transvestite


Notas iniciais
Boa tarde! (Weslley aqui) Então, cá estou eu com mais um capítulo da história pra vocês. Este capítulo foi muito bom de se escrever pois conhecemos um pouco mais de Unique (uma das minhas personagens favoritas) e também por causa do final dele que eu achei bem legal. Espero que gostem! Enjoy ;)

Kitty se levantara com uma tremenda dor de cabeça. Não conseguira pregar os olhos durante a noite. A preocupação de que Unique, talvez, estivesse relacionada à morte de Finn Hudson não permitira que ela dormisse. E aquela história de que ela se chamava Wade? A única coisa que ela conseguiu fazer durante toda a noite foi pensar, pensar e pensar mais um pouco. E pensar às vezes cansa.

Ela andou meio que se arrastando para fora de seu quarto e seguiu o corredor até a segunda porta à direita. Entrou no banheiro e se olhou no espelho. Ela não estava bem. Os cabelos continuavam lindos e loiros, a pele branca e sedosa, mas os olhos... –a parte do corpo que ela julgava ser a mais marcante – os olhos já não eram mais os mesmos. Eles não mostravam felicidade e jovialidade. Eles mostravam aflição. Aflição e medo.

Kitty abriu o pequeno armário à sua frente e pegou o frasco de comprimidos pra dor de cabeça que sua mãe mantinha ali. Pegou um deles e engoliu. Tomara que isso faça a dor passar, pensou. Ela tirou as roupas e entrou no Box para tomar banho. A água quente lhe caía sobre o corpo e de certa forma aquilo a relaxou. Ficou ali por mais alguns minutos e desejava continuar ali para sempre, mas ouviu sua mãe falar através da porta.

– Sai logo, menina! Preciso me arrumar para o trabalho.

E então ela fechou o chuveiro, se enrolou em seu roupão de banho e saiu. Sua mãe estava parada do lado de fora com uma toalha sobre o ombro.

– Bom dia querida! – ela disse, beijando a testa de Kitty.

– Bom dia – Kitty murmurou em resposta e saiu andando em direção ao quarto.

– Hei! Está tudo bem mocinha?

– Sim. Porque não estaria? – Kitty falou sem se virar. Havia um homem parado na porta do quarto de sua mãe. Ele vestia apenas uma calça de moletom branca. – Bom dia, John.

– Bom dia, Kitty – ele respondeu. – Está tudo bem?

– Não irei falar de novo, você ouviu da última vez – e entrou no quarto batendo a porta.

O que irei vestir? Pensou e abriu seu guarda-roupa. Pegou uma T-shirt branca simples e uma jaqueta preta de couro. Um jeans básico e um par de converse pretos. Depois de vestida e maquiada, ela olhou o relógio e viu que estava atrasada pro seu encontro com Unique. Pegou sua bolsa e desceu as escadas com pressa.

– Kitty não vai tomar café? – sua mãe gritou da cozinha, mas teve como resposta o som da porta se fechando.

•••

Kitty estacionou o carro no estacionamento traseiro, como Unique pedira. Chegando lá, ela percebeu que talvez fosse muito cedo, pois havia apenas três carros no estacionamento, além do dela. Ela trancou o seu carro e andou em direção ao segundo carro na fila, não havia ninguém neste. No terceiro carro também não havia ninguém. E no último carro, ela viu Unique. Na verdade, não era bem a Unique de ontem. Ela vestia roupas masculinas hoje. E não tinha os cabelos longos e castanhos. Nem maquiagem, vestido ou salto-alto. Ela era um menino.

Kitty bateu no vidro do carro e Unique olhou, fazendo um aceno para que entrasse. Kitty abriu a porta do carro e se sentou receosa. Unique estava no telefone.

– Tudo bem, Ryder – Unique falou. – Nos vemos mais tarde, beijos.

Desligou e colocou o telefone, ao seu lado, num compartimento próximo a marcha.

– Oi – Unique disse.

– Olá – Kitty falou.

Um silêncio se propagou pelo local e ele era um tanto quanto constrangedor. Kitty olhava para Unique e Unique para Kitty e elas podiam sentir o desconforto como se ele estivesse vivo.

– Unique é uma mulher. Eu sou uma mulher.

– Mas...

– Mas eu estou vestido de homem? Mas eu pareço um menino agora e eu tenho corpo de menino e isso faz de mim um menino? Não é isso que estava pensando?

– Desculpe – Kitty falou, abaixando a cabeça.

Unique suspirou.

– Eu não gosto disso Kitty – ele falou, os olhos estavam lacrimejados. Kitty sabia que Unique estava a ponto de chorar. – Você sabe como é acordar todas as manhãs e se sentir errada consigo mesma? Sentir que toda a sua existência é uma grande mentira porque você não se vê como deveria. Eu nasci menino, Kitty. Mas eu não me sinto menino. Eu me sinto uma garota. Eu sou Unique e Unique é uma menina, independente de qualquer coisa. Unique é mais mulher do que a maioria das garotas mesquinhas desse colégio.

– Eu... Eu entendo – murmurou Kitty.

– Não você não entende – Unique respondeu. – Não quero ser grossa, mas você nasceu exatamente da maneira que deveria ser.

– E você não nasceu como deveria – Kitty falou. – Mas o que constrói você, é o que você é. Se você tem corpo de menino, isso é apenas um pequeno obstáculo diante de Unique. As pessoas irão te adorar, Wade, não por suas roupas ou maquiagem. Mas por quem você é. Por sua essência. E Unique é a sua essência. E ela é adorável e amável e maravilhosa. E você não pode se envergonhar do que te constitui nunca!

Kitty sentiu lágrimas escorrerem por seu rosto e viu que Unique também estava chorando. E elas se abraçaram.

– Ninguém nunca me apoiou assim, Kitty – Unique murmurou. – Exceto meus pais, relutantemente. As pessoas sempre me julgam. E o pior de tudo é... É Ryder.

Kitty e Unique se afastaram.

– Eu o amo – Unique falou. – Eu o amo de verdade Kitty. Mas ele só gosta de Unique. E por que ele pensa que sou uma garota.

– Como você conhece Ryder?

– Nós conversávamos via chat. Eu mandava fotos de Unique pra ele e acabamos nos apaixonando. Mas eu não vou poder sustentar essa mentira aqui no McKinley. Por enquanto ele não desconfiará que eu seja Unique, mas ele vai reparar o sumiço da garota. Simplesmente, não vou. E quando ele descobrir tenho certeza de que tudo estará acabado. Eu não quero ver o Ryder me julgando. Posso suportar qualquer um, menos ele.

Kitty não sabia o que dizer. Ela nunca se sentiu dessa maneira por ninguém, mas ela podia ver nos olhos de Unique que tudo que a garota dizia era verdade. Unique estava arrasada, pois hoje poderia ser seu último dia com Ryder. Kitty abraçou Unique e elas ouviram alguém bater na janela do carro de Wade. Ele abriu a janela do carro e viu Ryder o olhando.

– Sabe... Eu rezei no caminho para que o que eu estivesse ouvindo fosse uma brincadeira de mau gosto. Mas pelo jeito não era. Você é só mais uma farsante que entra na minha vida e bagunça tudo nela pra depois sair e me deixar arrasado. Eu não quero mais ver a sua cara – Ryder falou e saiu.

•••

A escola estava estranha. O clima estava pesado. As pessoas não sorriam, apenas choravam ou andavam com as cabeças baixas. Tinha um clima de medo no ar. Os grupos andavam unidos e com medo daqueles que não fizessem parte de seu círculo de confiança. Ninguém queria ser o segundo assassinato. E Kitty também não. Ao mesmo tempo em que queria ser amiga de Unique, ela tinha receio de que a garota fosse a assassina. Já fazia três horas desde o início da aula e Unique ainda estava sentada no banheiro chorando por Ryder. Kitty queria ter assistido às aulas, mas preferiu ficar ali do lado de fora do banheiro esperando Unique estar preparada para sair.

– Wade... Nós precisamos ir. Vamos acabar perdendo as aulas.

– E se ele me humilhar na frente de todos?

– Eu não vou deixar isso acontecer.

A voz do Diretor Figgins soou através de uma das caixas de som no alto da parede.

– Preciso que os alunos Kitty Wilde, Wade Adams, Ryder Lynn, Marley Rose e Jake Puckerman compareçam à Diretoria imediatamente. Kitty Wilde, Wade Adams, Ryder Lynn, Marley Rose e Jake Puckerman estou esperando vocês.

Wade se levantou e abriu a porta do banheiro.

– O que ele quer? – perguntou assustado.

– Eu não faço idéia... – falou Kitty. – Mas será que é algo relacionado ao... Ao Finn Hudson?

– Não – Wade disse, virando-se de costas para Kitty. – Não pode ser.

– Wade... Você... Você não tem nada haver com isso certo?

– O que você está insinuando? – Wade falou. – Que eu matei o Finn?

– N-N-Não, mas... Ontem você tinha saído da escola e eu te mandei um SMS. Você me respondeu que já sabia da morte de Finn, mesmo não estando mais na escola...

– Porque eu parei em um sinal e vi os carros da polícia se dirigindo para cá! Um deles estava com a janela aberta e eu perguntei ao policial o que havia acontecido e ele me explicou. Mas obrigado por achar que sou uma assassina Kitty. Fico feliz em saber que isso é o que pensa de mim – falou e deixou o recinto sem esperar por Kitty.

•••

Kitty chegou à diretoria e já estavam todos lá. Wade, Marley, Ryder e Jake, além do Diretor Figgins e de um homem desconhecido que tinha os cabelos loiros bem aparados e vestia um sobretudo marrom.

– Estávamos esperando por você, Srta. Wilde – disse o Diretor.

– Estou aqui.

– Siga em frente, Inspetor Gerard.

– Bom, o que eu tenho para dizer é simples e direto – falou o Detetive. – Vocês cinco estão sendo indiciados a depor.

– Depor? – perguntou Marley. – O que você quer dizer?

– Vocês foram às últimas pessoas a verem a vítima, quando ainda estava viva – o Detetive anunciou. – E a partir de agora vocês cinco são suspeitos da morte de Finn Hudson.

Notas finais
E então o que acharam do capítulo? Beijos e até o próximo! :)