Here's To Us
3 Capítulo Três - I'll Stand By You
Notas iniciais
“Como assim? Eu... Suspeita de um assassinato?” Kitty pensava, enquanto assistia à aula de espanhol depois do comunicado do detetive. “Eu não matei ninguém... Eu estou sendo injustiçada... Eu estava no banheiro... Passando mal... Eu me lembro... Eu não matei ninguém...” Kitty estava com seu caderno aberto, e ficava rabiscando uma folha em branco, nervosa. Então uma gota caiu na folha, foi quando percebeu que estava chorando.
— Srta. Wilde algum problema? — Disse Sr. Schuester, professor de espanhol, assustando Kitty.
Ela então percebeu que todos estavam a olhando, inclusive Ryder, que estava no outro lado da sala. Ele sentara lá, talvez, por ter ganhado raiva de Kitty por conta do segredo do Wade.
— Não... — Kitty disse de imediato.
— Venha cá. — Sr. Schuester disse à ela. — Você não está bem. Tome. — Disse ele dando à Kitty uma carta de liberação para ir à enfermaria. — Vá tomar um ar.
— Obrigada... — Ela disse, enxugando as lágrimas.
Kitty saiu rapidamente da sala de aula e foi andando pelos corredores, sem saber no que pensar, sem saber pra onde ir. Ela não iria pra enfermaria, ela queria ficar sozinha, ela queria pensar. Ela lembrou do único lugar que conhecia naquela escola, o auditório.
Ela andava segurando os braços, se abraçando. Kitty estava sentindo calafrios, estava muito nervosa. Pensou em pegar o celular e ligar para sua mãe, mas dizer que era suspeita de um assassinato?! Sua mãe a mataria, tinha que contar com calma. O silêncio fez ela pensar que talvez haveria mesmo um assassino em sua escola. Mas não era ela. Talvez não fosse Unique. Nem Marley. Nem Jake. Nem Ryder. Mas alguém matou Finn Hudson.
Passou um pensamento em sua cabeça que talvez alguém poderia matá-la a qualquer momento naquela escola. Aquilo criou um calafrio maior ainda. Ela apressou o passo e correu. Mas parou logo depois. “Não posso ficar no auditório sozinha” ela pensava “Vão acabar me matando lá”, mas ela não queria ficar na enfermaria. Tirou o pensamento paranoico da cabeça e foi, seguindo as placas informativas, para o auditório.
A porta estava aberta e ela entrou. Ela sentou em uma das cadeiras do auditório. Como aquele lugar estava diferente no dia da festa. Ela nem percebera as cadeiras. Mas ela se perguntou porque a festa não aconteceu numa quadra ou em outro lugar. Ela ficou lá refletindo sobre tudo que estava acontecendo.
Como isso era “engraçado”. Era apenas o primeiro dia de aula e tudo isso já estava acontecendo. Ela queria voltar no tempo e mudar sua decisão de mudar de vida, talvez ela não tivesse ido para o McKinley, talvez não tivesse ido à festa. Mas não tinha como.
Ela encarava o palco do auditório quando o viu. Ele usava um suéter preto por cima de uma blusa branca, uma calça preta também. Seus óculos estavam sobre seu colo, enquanto ele se esforçava para empurrar a cadeira de rodas. Ela sorriu. Não sabia o porquê, mas Artie lhe dava alívio em sua presença. De alguma forma ele representava uma forma pura pra ela, apesar de essa ser a segunda vez que o vê. Ela pensou em talvez estar se apaixonando.
Artie estava chorando e aquilo foi como uma faca no coração de Kitty. Kitty levantou da cadeira na qual estava sentada e correu para o palco.
— Oi — ela gritou correndo até o palco. Artie se assustou, secou as lágrimas e colocou os óculos.
— Oi, Kitty Wilde. — a voz de Artie estava diferente. Estava rouca. — Como você está? Esteve chorando?
— Isso não importa. — Kitty parou na frente de Artie — O que aconteceu com você? — Kitty se ajoelhou na frente de Artie.
— Comigo nada, mas com um dos meus melhores amigos, sim. — Ele começou a dizer. — O destino lhe deu o pior fim possível. A forma mais cruel de morte. Um assassinato.
— Vocês eram tão amigos assim? — Kitty perguntou.
— Ele foi do Clube do Coral comigo. Ele me ensinou coisas que eu nunca vou esquecer... — Artie começou a chorar novamente, estava aos prantos. Kitty não sabia o que dizer, então resolveu fazer o que ela mais queria. Ela o abraçou.
Por uns segundos foi estranho, porque Artie parou de chorar e não fez nada. Kitty se perguntou se isso foi precipitado, mas foi um pensamento que foi embora rapidamente. Ela sentiu aqueles braços a envolverem. Ela se sentiu quente e os calafrios foram embora. Kitty se sentiu tão confortável com aquele abraço inesperado que começou a chorar novamente, por pensar que finalmente conseguiu mudar.
— Porque você está chorando? — Artie sussurrou no ouvido de Kitty. Ela por um segundo pensou em contar a Artie, sobre a acusação, mas aquilo acabaria com aquele momento bonito que eles estavam tendo ali. E além do mais, ele poderia achar que ela matou Finn. Então resolveu guardar pra ela mesma.
— Coisa de garota... — Ela disse forçando um sorriso.
— Sei... — Artie disse, Kitty achou que ele tinha acreditado.
O sinal soou e os dois se assustaram. Artie ajeitou seu suéter.
— Preciso ir, tenho que encontrar a Tina — falou olhando para Kitty.
— Tina? Ela é sua...
— Amiga — Artie disse impedindo a pergunta de Kitty. — Preciso ir... — Ele falou e começou a se virar, com sua cadeira de rodas, mas foi surpreendido com um beijo de Kitty em sua bochecha.
— Tchau — Kitty disse. Artie se virou e saiu. Kitty o observou indo embora.
Poucos segundos depois o celular de Kitty vibrou. Era uma mensagem de Unique.
“Venha para o estacionamento traseiro, agora.” Dizia o SMS.
“Estou indo.” Kitty respondeu.
•••
Kitty praticamente correu pelos corredores. Não chorava mais, felizmente.
Ela chegou rapidamente no estacionamento e viu Wade lá, encostado no carro de Kitty. Ele parecia inquieto. Ela andou até ele e viu que ele esteve chorando. Kitty não pensou duas vezes e abraçou Wade.
— Desculpe-me Wade... — ela disse, segurando o choro. — Não devia ter desconfiado de você em nenhum momento. Pareceu muito estranho você ter saído da festa, e pouco depois Finn foi encontrado morto e você já sabia da morte dele... — Kitty já estava chorando — Eu te conheço tão pouco, mas sei que você é a pessoa que eu mais confio no mundo... Porque você também, pela primeira vez na minha vida, confia em mim e se você diz que não fez nada, eu acredito.
— Unique precisa pensar... — Ele disse fazendo cara de esnobe. — Mas Wade te perdoa sempre — falou e sorriu. Eles se abraçaram... Um abraço demorado e quente.
— Por que você me chamou aqui? — Kitty perguntou se soltando de Wade.
— Porque Marley quer falar com a gente. Acho que é algo sobre nós sermos suspeitos.
— Você acha que algum deles foi capaz de matar o Finn? — Kitty indagou.
— De verdade, não sei... — Wade pareceu apreensivo. — Não conhecemos ninguém aqui perfeitamente pra colocar nossas mãos no fogo por eles. Mas acredito que se foi algum deles, é um excelente ator e um assassino mestre.
— Tô com medo, Wade... — Kitty falou baixinho.
— Eu também... — Wade falou tão baixo quanto Kitty.
Nessa hora Marley chegou com Jake, que puxava Ryder pelo braço. Parecia que Ryder queria evitar ver Wade. Marley sorriu ao ver e estava perceptível que ela também estava chorando. Ela não tinha cara de assassina. Mas se fosse pra julgar pela cara, Kitty, sem dúvidas, diria que Jake é o assassino. Aquele garoto tinha cara de serial killer profissional e nem ao menos mostrava preocupação com o que aconteceu.
— Gente, como vocês estão? — Marley perguntou.
— Levando... — Kitty respondeu.
— Assume logo que você é o assassino! — Ryder gritou para Wade. Assustando a todos.
— Cala a boca, Ryder — gritou Jake.
— Cala a boca nada Jake! — Ryder gritava. — Ela... Ele é cheio de segredos... Aposto que matar pessoas é só mais uma aptidão em seu currículo.
— Ei, seu babaca! — Kitty gritou para Ryder — Olha como você fala com Wade. Ele é uma pessoa honesta e tem segredos como todos nós temos — Ela já falava em um tom de voz normal. — E se é pra falar de segredos, assume que você está apaixonado por ele e por isso não aceita ele ser homem — Kitty estava furiosa e estava apontando o dedo na cara de Ryder. — Se você não tem coragem para assumir que você é um veado encubado, não culpe Wade por ter coragem de assumir uma personalidade linda como a de Unique. Porque você não passa de um idiota que não sabe lidar com as diferenças — Kitty estava vermelha de raiva. — E se for pra culpar alguém por ter matado o Finn, eu culparia você, já que foi o primeiro a correr atrás dele depois de ele ter nos achado. Quem garante que você não foi lá e matou ele? Então tome cuidado antes de defecar com a boca, como você fez agora. Porque enquanto você aponta um dedo...
O discurso de Kitty foi interrompido por um gesto que surpreendeu a todos. Ryder deu um tapa na cara de Kitty.
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